
Existe uma relíquia do futebol, que não nos traz boas lembranças, e que acabou entrando na história do Olaria: as traves do jogo final da Copa de 1950, em que Barbosa levou o gol do uruguaio Alcides Ghiggia. E que, como toda relíquia, está envolta de mistérios e até de histórias rocambolescas. A pergunta, que já virou até jornalismo investigativo de cronistas esportivos é: onde foram parar as traves da Copa de 1950, símbolo físico de uma das maiores tragédias do futebol brasileiro ?
Certa vez, o grande goleiro Barbosa disse que tinha recebido as traves como lembrança. Isso teria sido em 1962, quando o ex-goleiro se tornou funcionário do Maracanã e recebeu as balizas de presente. Isso aconteceu porque a FIFA passou a exigir que as traves fossem arredondadas e de ferro, e então, teria que ser feita a substituição das balizas do Maracanã, que eram de madeira e retangulares. Em outra oportunidade Barbosa afirmou, em uma entrevista, que para eliminar qualquer lembrança física daquele trágico jogo, usou as traves para fazer a brasa de um churrasco que ofereceu para seus amigos em Ramos, onde morava.
A afirmação de Barbosa, no entanto, era fictícia e ele a fez propositalmente. Isso porque as traves da Copa de 1950 foram levadas para a cidade de Muzambinho, no sul de Minas, em cujo estádio se realizavam obras e então recebeu as traves como doação. Isso teria acontecido dois anos antes da história contada por Barbosa, ou seja, em 1960. Em conversa com a filha de Barbosa, nossa amiga Tereza Borba, em sua residência em Praia Grande, onde mantém um museu sobre seu pai, falamos sobre a doação das traves para o estádio de Muzambinho e ela nos disse que a história contada por seu pai era força de expressão, porque a toda hora perguntavam a ele pelas traves que ele sempre quis esquecer.
E onde entra o Olaria nessa história? Bem, as traves foram doadas ao estádio de Muzambinho e o jogo inaugural com as “novas” balizas foi um amistoso da seleção local contra o Olaria, que na ocasião excursionava por várias cidades do sul de Minas. Assim, na reinauguração das traves do “Maracanazo”, o Olaria lá estava presente. A partida aconteceu em 17 de maio de 1960 e o Olaria não teve dificuldades para aplicar uma rotunda goleada de 12 a 0 na seleção local. Sim, o Olaria fez de sobra naquelas balizas os gols que faltaram para a seleção brasileira ser campeã em 1950.
Hoje, as traves encontram-se na Casa de Cultura Doutor Lycurgo Leite, em Muzambinho, e são uma atração para os turistas que visitam a cidade. E o time bariri ficou na história por ter aplicado o que ficou conhecido, na época, como o “Maracanazo de Muzambinho”.
Quanto ao grande goleiro Barbosa, a história contada por ele só podia ser mesmo bricadeira. Porque Barbosa, como bom leopoldinense, sabia fazer churrasco e ele não iria fazer a brasa para assar a carne em um pedaço de madeira com tinta…

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