Acima, da esquerda para a direita: Nélson Fialho, Nélson Lyra Filho, Nélson Lyra Pai, Carlos Vianna e Ary Baptista. Abaixo, da esquerda para a direita: Pina, Álvaro Augusto, Antônio Ribeiro e Ibraulino Galeão.Foto cedida pelo associado Ricardo Lyra.
Hoje o Memórias da Bariri publica a segunda parte da série “Quando a Velha Guarda se encontrava”, resgatando grandes personalidades do Olaria. A foto, de 1978, foi tirada por ocasião da inauguração da sauna e podemos ver o ex-jogador e benemérito Nélson Fialho, os beneméritos Nélson Lyra (pai e filho), além de Carlos Vianna, Ary Baptista, Pina, Álvaro Augusto de Carvalho, o conselheiro e poeta Antônio Ribeiro e Ibraulino Galeão.
Na época o Olaria tinha como presidente Edmundo Cigarro e a sauna, frequentada por muitos olarienses da velha guarda, também era um ponto de encontro.
O Memórias da Bariri não apenas relembra essa plêiade de grandes olarienses, como também presta uma homenagem a todos eles pela grande contribuição que deram ao crescimento do Olaria. E, para quem não os conheceu, especialmente os olarienses mais jovens, tenham muito prazer em conhecê-los e jamais esqueçam que todos eles também contribuíram para que o nosso Olaria seja eterno.
Vista aérea do estádio Coronel Cristiano Osório em 1974. Ali, 2 anos antes, Garrincha fez seu último jogo como profissional, vestindo a camisa do Olaria. Hoje o estádio não mais existe.
“Lendas não precisam de vitórias para serem imortais”. (Trecho do vídeo “O último Drible do Anjo”).
No dia 7 de setembro de 1972, enquanto por todo país a propaganda oficial convocava a todos para a comemoração dos 150 anos da Independência do Brasil, na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, longe de todos os holofotes e com a presença quase que exclusiva da mídia local, era escrita uma página que entraria para a história do futebol brasileiro e, em especial, para a história do Olaria. No antigo estádio da Caldense, o estádio Coronel Cristiano Osório, Garrincha vestia, pela última vez, a camisa listrada do Olaria, para realizar sua última partida como profissional.
Mas aquele 7 de setembro não era apenas a comemoração dos 150 anos da Independência do Brasil. A Associação Atlética Caldense, fundada em 7 de setembro de 1925, comemorava seus 47 anos de existência e o Olaria, tendo Garrincha como atração, foi convidado para realizar um amistoso festivo contra a equipe mineira.
Claro que o jogo entrou para a história, já que seria o último jogo de Garrincha como jogador profissional. Assim, jogando pelo Olaria, Garrincha fazia história em Poços de Caldas. Em campo, a Caldense obteve uma grande vitória: 5 a 1. Mas, apesar do resultado, Garrincha foi a grande estrela daquele longínquo 7 de setembro em Poços de Caldas. Basta lembrar que todo time adversário fez questão de tirar uma foto com ele. Aquele outro 7 de Setembro, que em 1972 era invisível na propaganda oficial, entrou para a história do futebol brasileiro, do Olaria e da Caldense.
E, com a citação que abrimos essa postagem, agora a fechamos:
“Lendas não precisam de vitórias para serem imortais.”
Garrincha com a equipe da Caldense, em seu último jogo como profissional, quando defendia o Olaria, em 7 de setembro de 1972.Todo time adversário fez questão de tirar uma foto com Garrincha.
A defesa do Olaria em 1955, no gramado da Bariri. Em pé, da esquerda para a dirieita: Osvaldo, Ari e Renato. Agachados, na mesma ordem: Moacyr, Olavo e Dodô.Naquela época jogava-se no 2-3-5.
A foto acima foi tirada no gramado da Rua Bariri, no dia 14 de agosto de 1955, antes do jogo Olaria X Fluminense pelo Campeonato Carioca. Como podemos notar, o estádio estava lotado. A imagem mostra a retaguarda olariense, com Osvaldo, o goleiro Ari e Renato em pé e Moacyr, Olavo e Dodô agachados. Naquele dia, o Olaria deu muito trabalho aos tricolores, que venceram por 2 a 1. Telê Santana, que seria tempos depois o técnico da seleção, estava em campo pela equipe do Fluminense.
Dos seis jogadores da foto, com exceção do goleiro Ari, todos os demais estiveram no ano anterior na excursão da volta ao mundo, quando o Olaria realizou 30 jogos em um giro por quatro continentes.
No dia daquela foto ninguém poderia imaginar o que aconteceria na partida e o que virou notícia não foi tanto a vitória do Fluminense e sim a cena em que Olavo colocou o árbitro Antônio Musitano para correr, após ter sido expulso junto com Telê Santana. Olavo chegou a agredir o árbitro e depois justificou sua atitude afirmando que teria sido vítima de uma ofensa racista por parte do juiz. Foi um dia que entrou na história do alçapão da Bariri.
A cena de Olavo correndo atrás do árbitro viralizaria se naquela época existissem redes sociais. No entanto, é bom lembrar que a imagem de Olavo não pode ser associada à violência, já que ele nunca foi violento. Ele apenas acionou o seu “protocolo de porrada” em uma reação instintiva contra uma ofensa racista de um árbitro. E isso praticamente lhe custou a carreira. Na época, até o grande cronista Nélson Rodrigues, torcedor apaixonado do Fluminense, escreveu um artigo em defesa do jogador do Olaria.
Lamentamos que, naquela época, o racismo já era uma praga que rondava os gramados. E, ao que parece, nos dias de hoje a coisa piorou pelo mundo afora. Como ainda não existia o tal protocolo, Olavo fez o que fez. Até porque, caso existisse, o árbitro não acionaria qualquer protocolo contra ele mesmo.
A foto é emblemática e mostra como a equipe do Olaria era formada predominantemente de negros. Olavo, naquele dia, defendeu não apenas o Olaria dos atacantes do Fluminense, mas também a sua honra, de seus companheiros e de todos os seus colegas de profissão.
Para maiores detalhes sobre o episódio envolvendo Olavo e o árbitro Antônio Musitano, acesse:
Equipe de juniores (atual sub-20) do Olaria, início dos anos 1970. Em pé, da direita para a esquerda: Erci, Ricardo, Juvenal, Machado, Gilmar e Roberto Souza. Agachados, na mesma ordem: Alceu, Ari Mendes, Paulo Ramos, Lutércio e Silva.
Já imaginaram ver jogadores do Olaria que marcaram a história do clube quando ainda, muito jovens, já defendiam a base olariense?
Na postagem de hoje o Memórias da Bariri relembra uma formação da antiga categoria de juvenis do Olaria, do início dos anos 1970, época em que o clube bariri revelava grandes jogadores. Na imagem, que é uma verdadeira relíquia, podemos ver que alguns daqueles jogadores entrariam para a história do clube. É o caso de Ricardo, Gilmar e Paulo Ramos, que em 1981 foram titulares na conquista do título brasileiro da Taça de Bronze. Já Lutércio, Ari Mendes e Roberto Lopes viriam a fazer parte do time campeão do Torneio Integração de 1977.
Vivíamos uma época em que a base do Olaria era, literalmente, uma fábrica de fazer campeões e vários desses, que ainda eram muito jovens nessa época, acabariam entrando para os pôsteres da galeria das grandes conquistas olarienses.
A equipe feminina de ciclismo do Olaria nos Jogos Olímpicos da Primavera de 1956.
O ciclismo é um esporte de grande tradição no Olaria e os anos 1950 foram especiais, visto que o Olaria sagrou-se bicampeão carioca da modalidade em 1957 e 1958. Porém, antes disso, o Olaria já possuía equipes fortes e competitivas e os ciclistas da Bariri brigavam sempre pelas primeiras posições.
Nos Jogos Olímpicos da Primavera de 1956 lá estava a equipe feminina do clube da Rua Bariri, que relembramos hoje, representando bem o nosso Olaria. Os Jogos da Primavera se tornaram uma tradição no Rio e trouxeram uma rivalidade saudável entre os clubes, numa época em que pedalar era de fato uma prova de amor ao clube. E os clclistas do Olaria levaram muitos troféus para a galeria da Bariri.
Em 1958, a ciclista olariense Amália sagrava-se campeã carioca. A festa foi tão grande que a atleta chegou a desfilar triunfalmente pela Rua Bariri, conduzida por dirigentes e rodeada de torcedores. Já no masculino, Manoel Gonçalves sagrou-se campeão pelo Olaria em 1957.
Hoje oMemórias da Bariri relembra essa época gloriosa dos ciclistas que pedalaram para colocar o Olaria na história.
A largada da prova feminina de clclismo dos Jogos da Primavera de 1956, onde a equipe do Olaria esteve presente.Amália, campeã carioca de ciclismo de 1958, desfila triunfalmente pela Rua Bariri.Manoel Gonçalves, campeão carioca de ciclismo. Ano 1957.
UMA FORMAÇÃO DO OLARIA DE 1979 – Em pé, da esquerda para a direita: Hilton, Paulo Ramos, Maurício, Mauro, Roberto Souza e Ricardo. Agachados, na mesma ordem: Lutércio, Cacá, Rocha, Roberto Lopes e Aurê.
O blog Memórias da Bariri traz hoje mais uma recordação da história do futebol olariense. Trata-se de uma das formações da equipe de 1979 no campeonato estadual, trajando o uniforme todo branco. O time era comandado pelo técnico Carlos Alberto da Luz.
Na foto, cinco jogadores que, dois anos depois, seriam campeões brasileiros da Taça de Bronze. São eles Hilton, Paulo Ramos, Mauro, Ricardo e Aurê.
Temos também duas crias da Bariri. Uma dessas crias é o meia Rocha, que depois brilhou no Botafogo e Palmeiras. A outra é o meia Lutércio que depois, dentre outros clubes, também jogou no Figueirense, Remo, Moto Clube e Sampaio Corrêa do Maranhão. Uma curiosidade é que, nesse mesmo ano, Lutércio foi emprestado ao Caxias do Rio Grande do Sul e, no clube gaúcho, ele teve como companheiros de equipe Felipão e Tite, futuros técnicos da seleção brasileira.
OLARIA, CAMPEÃO DO TORNEIO ARY MAGALHÃES DE 1980 – Em pé, da esquerda para a direita: Araújo, Ricardo, Osmar, Gilmar, Salvador e HIlton. Agachados, na mesma ordem: Chiquinho, Lulinha, Henry, Clóvis e Vilmar.
1980 foi o ano marcado no futebol do Olaria pela chegada de grandes personalidades, dentro e fora de campo: Carlos Imperial assumia a vice-presidência de futebol e Antônio Lopes era lançado como técnico. E, para o time, chegavam o zagueiro Salvador, o ponta Chiquinho e os atacantes Clóvis e Henry. Nesse ano o Olaria faturou três títulos e um deles foi o Torneio Ary Magalhães.
A foto acima foi tirada no estádio Eduardo Guinle, em Friburgo, no dia 30 de março de 1980, quando o Olaria enfrentou o Fluminense de Nova Friburgo pela segunda rodada do torneio e venceu por 2 a 0, com dois gols do artilheiro Henry. A campanha culminaria no título, conquistado na última rodada, quando o Olaria goleou o Volta Redonda por 5 a 1 na Rua Bariri. O Olaria, aliás, foi campeão invicto. Em 6 jogos venceu 5 e empatou 1. Marcou 12 gols e sofreu apenas 1.
Naquele dia, como podemos ver, o Olaria usou uma variação da tradicional camisa branca com a faixa azul, com o escudo acima da faixa. Formatava-se o time que, no ano seguinte, conquistaria o campeonato brasileiro da Taça de Bronze. Dos 11 jogadores acima, 6 seriam titulares na conquista da Taça de Bronze de 1981: Ricardo, Gilmar, Salvador, Hilton, Chiquinho e Lulinha. 1980 foi um ano de glórias para o Olaria e hoje o Memórias da Bariri relembra uma delas.
Em pé, da esquerda para a direita: Jorge Ferreira (técnico), Hilton, Baiano, Mauro, Luiz Carlos Prima, Ricardo, Clésio, Roberto Souza, Nélson Neves (preparador físico), Vacil, Carlos Viana (vice-presidente) e Alcemar Calvo Pinheiro (vice-presidente). Agachados, na mesma ordem: Eraldo, Roberto Lopes, Ari Mendes, Aurê, Cavalcante, Rodrigo, Paulo, Luisão (massagista) e Lutércio.O garoto que está entre os jogadores Eraldo e Roberto Lopes é o filho do técnico Jorge Ferreira.
Quem lembra ou já ouviu falar do Torneio Integração? Essa competição foi instituída pela Federação logo depois da fusão dos antigos estados da Guanabara e Rio de Janeiro, ocorrida em 1975 e, como o próprio nome já diz, tinha por finalidade integrar os times da capital com os times do interior do novo estado do Rio de Janeiro. Na época, com a fusão dos dois estados, também houve a fusão das duas federações dos antigos estados, dando origem à atual FERJ. E o Olaria foi o campeão do Torneio Integração de 1977, levando para a Bariri a Taça Jovino Pavan.
O Torneio Integração de 1977 começou em outubro e só terminou em março do ano seguinte. A foto acima foi tirada no gramado da Bariri no dia 26 de fevereiro de 1978 e, como podemos ver no placar, naquele dia o Olaria enfrentou o Itaboraí. Era a penúltima rodada do torneio e o Olaria venceu por 3 a 0. Na rodada seguinte o Olaria seria o campeão.
Muitos dos que aparecem na foto seriam, três anos depois, campeões da Taça de Bronze, como Hilton, Mauro, Ricardo, Aurê e Cavalcante. Essa é mais uma imagem que o Memórias da Bariri traz, lembrando uma das conquistas mais importantes do futebol olariense, que já lançava boa parte dos jogadores que, em 1981, conquistariam o título nacional da Taça de Bronze.
Da esquerda para a direita: Antônio Ribeiro dos Santos Filho, José Maria de Carvalho Júnior (ex-presidente), Luiz Furtado, Fernando Gaspar, Ronaldo Raed, Nélson da Albuquerque Lyra, Edmundo dos Santos Cigarro (presidente à época), Álvaro da Costa Mello (patrono) e Álvaro Augusto de Carvalho.Foto cedida pelo associado Ricardo Cordeiro Lyra.
A foto acima, de 1978, quando o Olaria era presidido por Edmundo dos Santos Cigarro, mostra uma plêiade de olarienses da velha guarda reunidos, incluindo o patrono Mello. Vivíamos uma época em que era comum o encontro de olarienses da velha guarda dentro do clube. Naquele dia, até o patrono Álvaro da Costa Mello esteve presente para vistoriar uma obra que se realizava.
Hoje o Memórias da Bariri relembra algumas dessas pessoas. A foto, recheada de grandes personalidades olarienses, tem o ex-presidente José Maria de Carvalho, o patrono Mello (que também foi presidente em três ocasiões)e o então presidente Edmundo Cigarro. Completam o time Antônio Ribeiro, o poeta que escreveu um poema sobre a conquista da Taça de Bronze, o grande benemérito Luiz Furtado e os beneméritos Fernando Gaspar, Nélson de Albuquerque Lyra e Álvaro Augusto de Carvalho.
Alguém poderia perguntar quem é o rapaz jovem que aparece no meio da foto, já que ele não era da velha guarda. O rapaz em questão é Ronaldo Raed, filho do ex-presidente Jorge Raed. Ronaldo, por ser engenheiro, era indispensável para inspecionar e emitir parecer sobre a obra em andamento.
Há um detalhe notável que devemos destacar: o benemértio Nélson de Albuquerque Lyra, o único de bermuda, trajava uma camisa do Cerealista Rio-Porto, a loja de seus filhos Nélson e Norildo Lyra, que ficava no Ceasa, em Irajá, e que muito ajudou o Olaria, inclusive como uma das patrocinadoras do jornal O Bariri, o órgão de divulgação do clube.
A cena, pouco comum nos dias de hoje, poderia ser considerada uma “reunião de notáveis a céu aberto”. E essa recordação também não deixa de ser uma homenagem a todos eles, que muito fizeram pelo crescimento do Olaria Atlético Clube.
Hoje o blog Memórias da Bariri traz mais uma inestimável relíquia: Otto Glória quando foi jogador de basquete do Olaria, em 1937/1938.
O time titular de basquete do Olaria em 1938. Otto Glória é o quinto jogador, da esquerda para a direita.Foto: O Globo Sportivo, edição 37.
Otto Glória foi um técnico de futebol brasileiro que entrou para a história do futebol mundial, especialmente do futebol português. Foi ele que comandou a histórica seleção portuguesa na Copa de 1966, que tinha o craque Euzébio, quando Portugal conseguiu sua melhor colocação em Copas do Mundo, chegando em terceiro lugar. Mas a história de Otto Glória em Portugal não se limitou à seleção. Ele também foi técnico do Benfica, Porto, Sporting e Belenenses. Na Espanha, dirigiu o Atlético de Madrid e na França o Olimpique. No México, foi técnico do Monterrey. No Brasil, dentre outros, Otto Glória foi técnico do Vasco, América, Portuguesa de Desportos, Grêmio e Santos. Desnecessário enumerar a trajetória de Otto Glória no Brasil e no mundo. Ela foi vastíssimna.
O que, no entanto, quase ninguém imagina é que Otto Glória iniciou sua vida esportiva no Olaria. Mas não foi no futebol e sim no basquete. Em 1937, Otto Glória, com 20 anos de idade, já integrava a equipe principal de basquete do Olaria. E esse time, no campeonato com 14 participantes, chegou na terceira colocação. Além de Otto Glória, Timbira, Guilherme, Paulo, Jairo, Carrasco e Chapinha integravam o elenco olariense.
Em 1938, Otto Glória também foi titular do grande time de basquetebol do Olaria, junto com Paulo, Carrasco, Chapinha e Guilherme, conforme podemos ver na foto que abre essa postagem.
Otto Glória não era promessa, já era uma realidade no basquete jogando pelo Olaria, mas quis o destino que ele deixasse o basquete e seguisse sua brilhante carreira esportiva no futebol. Quem via Otto Glória brilhando nas quadras pelo Olaria em 1937 e 1938 não podia imaginar que, quase 30 anos depois, aquele garoto seria o técnico da seleção de Portugal na Copa do Mundo de 1966 que chegou em terceiro lugar. Então, não nos esqueçamos: Otto Glória é Bariri!
Otto Gória, o consagrado técnico de futebol que levou a seleção portuguesa ao terceiro lugar na Copa de 1966, começou jogando basquete no Olaria.