Autor: Pedro Paulo Vital

  • AS CRIAS DA BARIRI PARA AS COPAS DO MUNDO

    Em tempos de Copa do Mundo, lembremos que o Olaria, ao longo de sua história, lançou atletas e treinadores que, saindo da Rua Bariri, alcançaram o auge de suas carreiras chegando à Copa do Mundo e sendo campeões.

    Comecemos por Castilho, o lendário goleiro de quatro copas (1950, 1954, 1958 e 1962). Castilho começou sua carreira de jogador no Olaria em 1945, inicialmente como ponta-esquerda e logo depois como goleiro. Cinco anos depois de ter começado no Olaria, e já como goleiro do Fluminense, ele foi convocado para a Copa de 1950. E até 1962 foi convocado para todas as copas.

    Outra cria da Bariri que dispensa apresentação foi Romário. Era um domingo, 25 de novembro de 1979, quando Romário, pelos infantis do Olaria, fazia seu primeiro jogo oficial. O jogo foi contra o América. A partida, válida pelo campeonato carioca, terminou com a goleada de 5 a 1 do Olaria, com Romário marcando os primeiros 3 gols oficiais de sua carreira. Quem compareceu à Rua Bariri naquele longínquo novembro de 1979 e assistiu ao show do então menino Romário, não podia imaginar que o artilheiro do jogo naquele dia, um garoto franzino e baixinho levado pelo olheiro Paulo Ferreira para o Olaria, 15 anos depois seria protagonista da conquista do tetracampeonato na Copa dos Estados Unidos.

    Mas não foi apenas dentro das quatro linhas que o Olaria lançou talentos que conquistaram Copas do Mundo. Aymoré Moreira, o técnico que comandou a seleção brasileira na conquista da Copa do Chile em 1962, iniciou sua carreira de treinador no Olaria, em 1947. Naquele ano, quando o Olaria retornava à primeira divisão, Aymoré Moreira foi o técnico dos profissionais do Olaria no Torneio Municipal, competição que, à época, antecedia o Campeonato Carioca. 15 anos depois de ter começado a carreira de técnico no Olaria, Aymoré Moreira comandou a seleção brasileira que ganhou o bicampeonato na Copa do Chile.

    O gigante da Rua Bariri lançou talentos que conquistaram o mundo. E o Olaria, na história de muitas conquistas brasileiras, jamais poderá ser esquecido. Suas crias que o digam.

  • OLARIA EM TEMPOS DE COPA

    Um dos carros com que os olarienses recepcionaram os campeões do mundo em 1958. Foto: Revista do Olaria, agosto/setembro de 1958, número 19.

    No dia 29 de junho de 1958, no estádio Rasunda, na região metropolitana de Estocolmo, na Suécia, o Brasil ganhava a primeira Copa do Mundo de sua história, ao golear os suecos por 5 a 2. A Suécia chegou a abrir o placar, mas a seleção brasileira deu um show de bola e massacrou os donos da casa.

    No Olaria a festa foi muito grande. Sócios e torcedores do clube organizaram uma caravana para recepcionar os jogadores na chegada ao Rio de Janeiro, que aconteceu em 2 de julho. Na véspera, o entusiasmo da primeira conquista mundial brasileira se misturou com os festejos do 43º aniversário do Olaria.

    Hoje recuperamos uma raríssima imagem daquele dia: a foto de um dos carros que foi ao aeroporto recepcionar os campeões. A foto mostra um carro aberto, lotado de olarienses, vendo-se ainda as bandeiras do Brasil e do Olaria. À frente do veículo uma faixa com os dizeres: “Homenagem do Olaria aos campeões”.

    Depois de 1958, mais quatro copas ainda seriam conquistadas pela nossa seleção. Mas a primeira comemoração dos olarienses por uma conquista de Copa do Mundo pelo Brasil, essa jamais esqueceremos. E a imagem acima ficará para a eternidade!

  • 1920: NOVO NOME, NOVAS CORES, NOVO ESCUDO

    No dia 9 de abril de 1920, uma sexta-feira, aconteceu uma das reuniões mais importantes da história do Olaria. Naquele dia, os sócios se reuniram em assembleia e aprovaram a mudança do nome do clube de “Olaria Futebol Clube” para “Olaria Atlético Clube”. A mudança de denominação da agremiação ocorreu porque o Olaria, a partir daquela data, deixou de ser um clube exclusivamente de futebol e passou a praticar e competir em diversas outras modalidades: basquete, ciclismo, voleibol, regatas… O clube, então presidido por Sílvio e Silva, passou a ser de “terra e mar”.

    Foi exatamente em 1920 que o Olaria deu inicio à sua tradição náutica, instalando sua sede náutica na saudosa e “aterrada” praia de Maria Angu. A mudança do nome também trouxe a necessidade de um novo escudo, que retratasse a nova realidade poliesportiva do clube. Assim, em 1920 também foi adotado um novo escudo e o clube também alterou as suas cores, deixando de ser preto e branco e passando a adotar o azul e branco. O novo escudo, que até hoje é oficial, ostenta as insígnias que representam os esportes atuais e passados praticados pelo clube e foi idealizado pelo então presidente Sílvio e Silva. O primeiro desenhista do novo escudo, que traz o remo, a âncora, a raquete e outros símbolos, foi um associado cujo apelido era “Gasolina”, mas não sabemos até hoje a identidade desse pioneiro desenhista olariense. E esse escudo, que já tem mais de 100 anos, é uma das marcas registradas que orgulha os olarienses.

    A praia de Maria Angu não mais existe, e onde ela se encontrava hoje passa a Avenida Brasil. A sede náutica que ali ficava também não mais existe. Mas toda essa tradição ficou no escudo do clube, um dos mais belos do Brasil. Ficou também a tradição poliesportiva do Olaria, que ao longo de sua existência honrou a denominação “Atlético” e fomentou campeões nas diversas modalidades. Não esquecendo que o futebol, origem e razão de ser do Olaria, sempre foi o centro de tudo. Até no escudo a bola de futebol está no centro.

    Cabe uma última informação: o primeiro jogo do Olaria com a nova denominação aconteceu dois dias depois, ou seja, em 11 de abril de 1920, um domingo. Naquele dia, o agora Olaria Atlético Clube goleou o Henrique Valadares por 6 a 1 em um jogo amistoso. O primeiro jogo com o novo nome não poderia ter sido de outra forma: grande vitória! Como assim também foram as grandes vitórias do Olaria Atlético Clube nas mais diversas modalidades ao longo de sua mais do que centenária história.

  • 1974: OLARIA BRILHOU NO INFANTO-JUVENIL

    No gramado da Rua Bariri, o elenco infanto-juvenil do Olaria, vice-campeão carioca de 1974, trajando a mística camisa listrada, que foi, dois antes, envergada por Garrincha.

    O futebol de base do Olaria tem uma história de conquistas e grandes revelações para o futebol brasileiro e mundial. Foi na Bariri que surgiram, além de Romário, Aílton, Canário, Dé, Castilho, além de muitos outros. Mas a base do Olaria também é marcada por participações meritórias em campeonatos oficiais, como foi em 1974 no campeonato carioca infanto-juvenil, quando foi vice-campeã. Lembremos que em 1956 o Olaria já tinha sido campeão nessa categoria.

    A competição de 1974 foi patrocinada pela então Federação Carioca de Futebol e pelo antigo Departamento Autônomo, dela participando equipes da primeira e segunda divisões. E o Olaria chegou ao vice-campeonato. O Departamento Infanto-Juvenil era comandado por Juvenal Siqueira Duarte, o Nanau, e tinha o professor Nélson Neves como preparador físico.

    Os atletas dessa grande campanha olariense foram Walter, Fernando, Marcos, Luiz, Denílson, Luiz Cocotá, Hamílton, Aluizio, Ricardinho, Mariozinho, Celso, Sérgio Humbert, Sérgio II e César.

    Na época, a Revista do Olaria de abril de 1974, deu destaque em sua capa para a colocação alcançada pelo clube. E hoje relembramos essa grande página da história do futebol de base olariense.

    A Revista do Olaria de abril de 1974 deu destaque para a grande campanha do time infanto-juvenil.

  • UM DIA DE FESTA EM 1930

    A foto acima foi publicada no jornal O Malho, edição de 5 de abril de 1930. Na ocasião foi realizada a inauguração da foto do ex-presidente Othelo de Souza, que presiddiu o clube em 1922. Ao fundo, a foto de Othelo de Souza e o pavilhão olariense.

    O local da solenidade foi a sede do clube na Rua Cândido Silva (antigo nome da Bariri)e estiveram presentes ao evento a família do homenageado, a diretoria do clube e muitos convidados. É interessante atentar que em 1930 o Olaria ainda era um clube de terra e mar e o escotismo de era uma prática muito desenvolvida no clube. Note-se que, na última fila dos presentes à solenidade, temos vários escoteiros do mar, trajados com o devido fardamento, que faziam parte do quadro social do clube. À época, o estatuto previa uma categoria social denominada sócio-escoteiro.

    A foto retrata um dos primeiros momentos festivos realizados no Olaria pouco depois de o clube ter comprado o terreno em que instalou sua sede e campo na rua que mais tarde se chamaria Bariri. No ano seguinte (1931) uma outra grande festa ali se realizaria: o Olaria se tornaria campeão invicto da segunda divisão da AMEA, ascendendo pela primeira vez à elite do futebol carioca.

  • HISTÓRIA DOS REFLETORES NA BARIRI

    Rola na internet uma campanha por refletores no estádio do Olaria. Hoje relembramos os três momentos em que o Olaria teve refletores em sua história.

    O Estádio Mourão Filho, popular “Alçapão”, foi inaugurado em 1947. Três anos depois, sob a gestão de Leibnitz Miranda, o estádio teria refletores pela primeira vez. Assim, em 16 de novembro de 1950, o Olaria inaugurava os primeiros refletores da história de seu estádio. Mas não foi com um jogo do Olaria. O jogo inaugural dos refletores foi um amistoso entre Bonsucesso e Portuguesa Santista, com vitória do Bonsucesso por 2 a 1. Cidinho, então no Bonsucesso, entrou para a história por ter marcado o primeiro gol noturno na Bariri.

    Dez anos depois, agora na administração de José de Albuquerque, os refletores foram trocados. Então, em 19 de maio de 1960, com um amistoso entre Olaria e Vasco, os novos refletores foram inaugurados. Nesse jogo, vitória do Olaria por 1 a 0, gol do lateral Murilo.

    O Olaria só voltaria a ter novos refletores 36 anos depois, ou seja, em 1996, sob a gestão de Augusto Pinto Monteiro. Antes disso, por muito tempo o estádio ficou sem iluminação, depois que os refletores de 1960 foram desativados.

    Foi no dia 31 de março de 1996 que o Olaria inaugurou sua nova iluminação. O adversário foi o Flamengo, em jogo que valia pela Taça Guanabara. Foi aquele jogo em que nossa cria Romário marcou 5 gols e o Flamengo venceu por 6 a 2. Mas lembremos que naquele ano o Olaria realizou uma boa campanha no estadual, tendo chegado em quinto lugar na Taça Rio com 12 participantes, chegando atrás apenas dos chamados “quatro grandes”.

    Há um detalhe interessante nas três ocasiões em que o Olaria inaugurou refletores em seu estádio: nos três momentos, o Olaria teve grandes equipes, sendo que a de 1950 foi quinta colocada no estadual e a de 1960 levantou o Torneio Início. E em 1996, uma ótima campanha no estadual. Caso o Olaria venha a ter nova iluminação, que nossos jogadores também sejam iluminados. A história mostra que luz na Bariri é sinônimo de boas campanhas…

  • 1961: ÁRBITRO PARA O JOGO E DISCUTE COM TORCIDA

    O árbitro José Gomes da Silva, discutindo com a torcida do Olaria após paralisar o jogo.

    2 de dezembro de 1961. O Olaria receberia o São Cristóvão no alçapão da Bariri. O Olaria vinha de uma boa sequência: empate de 1 a 1 com o Vasco, vitória de 1 a 0 sobre o América e outro empate, de 2 a 2, com o Fluminense. Agora, tinha tudo para derrotar o São Cristóvão na Bariri. Mas naquele dia a vitória do Olaria não estava nos planos do árbitro José Gomes Sobrinho.

    O Olaria saiu na frente, com um gol de Cané. Mas a atuação do árbitro não agradava aos olarienses, que naquele dia lotavam a antiga social do clube. Em dado momento, o árbitro interrompeu o jogo e dirigiu-se à social do Olaria para discutir com os torcedores e se formou uma imensa confusão. O árbitro pediu garantias para o bandeirinha que corria do lado das sociais e o presidente José de Alburquerque disse que atenderia ao árbitro. Mas uma afirmação do soprador de apito revoltou o presidente do Olaria. O juiz disse: “O Olaria não ganha o jogo!”

    Dito e feito: a partida é reiniciada e tanto o árbitro como o bandeirinha ignoram um impedimento do ataque do São Cristóvão. Ato contínuo, pênalti contra o Olaria. Miro cobra e o grande goleiro Cláudio defende. Mas o árbitro que disse que o Olaria não venceria, manda repetir a cobrança e, na segunda tentativa, sai o gol de empate. E a partida terminou 1 a 1, no jogo que o árbitro disse que o Olaria não ganharia.

    Não havia dúvida: o presidente Albuquerque afirmou que o empate foi provocado pelo árbitro que discutiu com a torcida. Empatar, ganhar ou perder faz parte do futebol. E um árbitro prejudicar um time, infelizmente às vezes também acontece. Mas o árbitro parar um jogo para ir ao alambrado discutir com a torcida, só mesmo no velho e tradicional alçapão da Bariri…

  • 1949: O CALÇAMENTO DA BARIRI

    Prefeito Mendes de Moraes no momento em que inaugurava o calçamento da Bariri, em 17 de julho de 1949, vendo-se ainda outras autoridade e diretores do Olaria.

    A Rua Bariri, que já se chamou Cândido Silva, só entrou na história do Olaria no final dos anos 1920, quando o clube ali comprou o seu terreno e instalou seu campo. Em 1929 aconteceu o primeiro jogo no campo e, em 1947, foi inaugurado o estádio, que mais tarde se chamaria Mourão Filho, mas que ficou popularmente conhecido como “Alçapão da Bariri”.

    Depois que construiu o seu estádio, a diretoria do clube, liderada pelo patrono Álvaro da Costa Mello, pleiteou junto ao poder público melhorias para a rua, principalmente o calçamento. Tudo para melhorar o acesso ao estádio. Na época, o Rio de Janeiro ainda era a capital do país e, portanto, aqui ficava o Distrito Federal. A cidade tinha na ocasião, como prefeito, o general Ângelo Mendes de Moraes. E no dia 17 de julho de 1949, um domingo, Mendes de Moraes esteve na Bariri para inaugurar o calçamento, arborização e canalização da rua.

    Naquele mesmo dia, Mendes de Moraes seguiu com sua comitiva para a sede do clube. Sua presença foi registrada com uma placa e, logo depois, ele se tornaria benemérito do Olaria. Foi um dia de festa na Bariri, com a rua calçada e arborizada e a visita ao clube do prefeito Mendes de Moraes, que se tornou um benemérito olariense.

    O Jornal dos Sports deu destaque à visita do Prefeito Mendes de Moraes ao Olaria em 1949.
    O prefeito Mendes de Moraes, no momento em que chegava à sede do Olaria, logo após ter inaugurado o calçamento da rua Bariri, em 17 de julho de 1949.

  • 1929: O PRIMEIRO JOGO NA CÂNDIDO SILVA

    O campo do Olaria, quando a Bariri ainda se chamava Cândido Silva. Ao fundo, a Igreja da Penha. O primeiro jogo foi em 5 de maio de 1929, com vitória olariense. Tempos depois, ali seria erguido o lendário alçapão.

    Cândido Silva era o antigo nome da Rua Bariri. E foi na Rua Cândido Silva que o Olaria comprou o terreno onde instalou o seu campo. Antes, o Olaria mandava seus jogos em um campo na Rua Leopoldina Rego, mas não era proprietário do terreno, que acabou sendo vendido. E, assim, Olaria ficou sem campo.

    Então, graças a João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira, que doaram praticamente todo o valor, em 1929 foi efetivada a compra do terreno na Rua Cândido Silva e ali instalou-se o campo que o Olaria, finalmente, poderia chamar de “seu”. O endereço do clube, então, passou a ser: Rua Cândido Silva, 121. Anos depois, houve a mudança do nome da rua para “Bariri” e o número passou a ser 251.

    No dia 21 de abril de 1929, a diretoria do Olaria ofereceu um almoço à imprensa, apresentando oficialmente o novo campo da Rua Cândido Silva, a futura Bariri. O sonho do Olaria estava, finalmente, realizado.

    E o primeiro jogo no campo da Cândido Silva aconteceu pouco depois, em 5 de maio de 1929. O Olaria recebeu o Carioca, naquele que foi o primeiro jogo do recém-comprado campo do Olaria. O jogo era oficial e válido pela segunda divisão da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). O presidente do Carioca ofertou um cartão de prata ao Olaria, pelo fato de aquele ser o primeiro jogo no campo.

    E, agora em sua verdadeira casa, o Olaria não fez por menos: venceu por 2 a 0. O time do Olaria que pisou no gramado naquele histórico dia foi:

    Argeu, Nicanor, Campos, Claudionor, Jorge, Theodomiro, Oswaldo, Rubens, Vieira, Bahia e Gonzaga.

    Tempos depois, em 1947, quando a Cândido Silva já se chamava Bariri, o Olaria inaugura o seu estádio, surgindo assim o lendário “alçapão”. Mas aí já é outra história…

  • SPINELLI, O ESTRANGEIRO QUE VIROU ÍDOLO… E SÓCIO!

    Spinelli, o argentino que jogou no Olaria e foi ídolo, herói e depois foi um dos primeiros sócios proprietários do clube. Na foto, do time de 1947, Spinelli é o segundo da esquerda para a direita. Foto: jornal A Noite.

    Não é de hoje que estrangeiros povoam o futebol brasileiro. Em 1947 chegou ao Olaria o meia Américo Spinelli. O Olaria acabava de inaugurar o seu alçapão e contratou um dos jogadores mais importantes do time que ficaria conhecido como “O Fantasma de Bariri”. Spinelli era argentino, nascido em La Plata. Veio jogar no Brasil e, antes de chegar ao Olaria, brilhou no Fluminense, por onde foi campeão carioca em 1941.

    Mas em 1947, quando chegou à Bariri, só por fazer parte do “Fantasma de Bariri”, ele já havia inscrito seu nome na história. O time fez excelente campanha naquela temporada, quando retornou à primeira divisão. Na época, as denominações das posições no futebol eram diferentes das atuais e Spinelli era um “center-half”, ou seja, aquele que ficava no meio da linha de três meio-campistas. Hoje, ele seria chamado de “volante”. Spinelli fez uma excelente temporada de 1947 pelo Olaria. No time conhecido como “Fantasma”, ele assombrou poderosos adversários, garantindo a ótima campanha olariense.

    Mas se é verdade que um jogador também entra para a história pelo que fez em um único jogo, então esse também foi o caso de Spinelli no Olaria. O dia era 26 de outubro de 1947 e o Olaria enfrentaria o Flamengo na Gávea pelo campeonato carioca. O estádio da Gávea estava lotado, inclusive com a presença de Ary Barroso, o famoso radialista e compositor que tocava a sua gaita quando o Flamengo fazia gol. Mas naquele dia a flecha de Spinelli calou a gaita do Ary Barroso. Spinelli marcou o gol da vitória olariense por 1 a 0, para felicidade da torcida bariri, silenciando a Gávea lotada.

    Spinelli ainda fez alguns jogos pelo Olaria em 1948, mas sua grande temporada foi 1947. A história de Spinelli com o Olaria não terminou depois que ele deixou de ser jogador do clube. Em 1956, quando o Olaria lançou os seus primeiros títulos de sócio-proprietário, Spinelli comprou o título de número 143, passando a fazer parte do quadro social do clube em que fez história como jogador. Assim, junto com outros 184 compradores, o “hermano” Spinelli entrava no seleto rol dos primeiros sócios-proprietários da história do Olaria. Isso, depois de, dentro dos gramados, ter dado muitas alegrias aos torcedores bariris.

    No gramado da Bariri, o time do Olaria de 1947, que ficou conhecido como “Fantasma de Bariri”. Spinelli é o segundo agachado, da esquerda para a direita. Em 1956 ele virou sócio proprietário do Olaria. Foto: Revista do Olaria, ano II, números 7 e 8, 1948.