Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • UMA RELÍQUIA DA BASE OLARIENSE

    Equipe de juniores (atual sub-20) do Olaria, início dos anos 1970. Em pé, da direita para a esquerda: Erci, Ricardo, Juvenal, Machado, Gilmar e Roberto Souza. Agachados, na mesma ordem: Alceu, Ari Mendes, Paulo Ramos, Lutércio e Silva.

    Já imaginaram ver jogadores do Olaria que marcaram a história do clube quando ainda, muito jovens, já defendiam a base olariense?

    Na postagem de hoje o Memórias da Bariri relembra uma formação da antiga categoria de juvenis do Olaria, do início dos anos 1970, época em que o clube bariri revelava grandes jogadores. Na imagem, que é uma verdadeira relíquia, podemos ver que alguns daqueles jogadores entrariam para a história do clube. É o caso de Ricardo, Gilmar e Paulo Ramos, que em 1981 foram titulares na conquista do título brasileiro da Taça de Bronze. Já Lutércio, Ari Mendes e Roberto Lopes viriam a fazer parte do time campeão do Torneio Integração de 1977.

    Vivíamos uma época em que a base do Olaria era, literalmente, uma fábrica de fazer campeões e vários desses, que ainda eram muito jovens nessa época, acabariam entrando para os pôsteres da galeria das grandes conquistas olarienses.

  • ANOS 1950: OS CICLISTAS DO OLARIA

    A equipe feminina de ciclismo do Olaria nos Jogos Olímpicos da Primavera de 1956.

    O ciclismo é um esporte de grande tradição no Olaria e os anos 1950 foram especiais, visto que o Olaria sagrou-se bicampeão carioca da modalidade em 1957 e 1958. Porém, antes disso, o Olaria já possuía equipes fortes e competitivas e os ciclistas da Bariri brigavam sempre pelas primeiras posições.

    Nos Jogos Olímpicos da Primavera de 1956 lá estava a equipe feminina do clube da Rua Bariri, que relembramos hoje, representando bem o nosso Olaria. Os Jogos da Primavera se tornaram uma tradição no Rio e trouxeram uma rivalidade saudável entre os clubes, numa época em que pedalar era de fato uma prova de amor ao clube. E os clclistas do Olaria levaram muitos troféus para a galeria da Bariri.

    Em 1958, a ciclista olariense Amália sagrava-se campeã carioca. A festa foi tão grande que a atleta chegou a desfilar triunfalmente pela Rua Bariri, conduzida por dirigentes e rodeada de torcedores. Já no masculino, Manoel Gonçalves sagrou-se campeão pelo Olaria em 1957.

    Hoje o Memórias da Bariri relembra essa época gloriosa dos ciclistas que pedalaram para colocar o Olaria na história.

    A largada da prova feminina de clclismo dos Jogos da Primavera de 1956, onde a equipe do Olaria esteve presente.
    Amália, campeã carioca de ciclismo de 1958, desfila triunfalmente pela Rua Bariri.
    Manoel Gonçalves, campeão carioca de ciclismo. Ano 1957.

  • LEMBRANDO 1979

    UMA FORMAÇÃO DO OLARIA DE 1979 – Em pé, da esquerda para a direita: Hilton, Paulo Ramos, Maurício, Mauro, Roberto Souza e Ricardo. Agachados, na mesma ordem: Lutércio, Cacá, Rocha, Roberto Lopes e Aurê.

    O blog Memórias da Bariri traz hoje mais uma recordação da história do futebol olariense. Trata-se de uma das formações da equipe de 1979 no campeonato estadual, trajando o uniforme todo branco. O time era comandado pelo técnico Carlos Alberto da Luz.

    Na foto, cinco jogadores que, dois anos depois, seriam campeões brasileiros da Taça de Bronze. São eles Hilton, Paulo Ramos, Mauro, Ricardo e Aurê.

    Temos também duas crias da Bariri. Uma dessas crias é o meia Rocha, que depois brilhou no Botafogo e Palmeiras. A outra é o meia Lutércio que depois, dentre outros clubes, também jogou no Figueirense, Remo, Moto Clube e Sampaio Corrêa do Maranhão. Uma curiosidade é que, nesse mesmo ano, Lutércio foi emprestado ao Caxias do Rio Grande do Sul e, no clube gaúcho, ele teve como companheiros de equipe Felipão e Tite, futuros técnicos da seleção brasileira.

  • LEMBREMOS 1980: CAMPEÃO DO ARY MAGALHÃES

    OLARIA, CAMPEÃO DO TORNEIO ARY MAGALHÃES DE 1980 – Em pé, da esquerda para a direita: Araújo, Ricardo, Osmar, Gilmar, Salvador e HIlton. Agachados, na mesma ordem: Chiquinho, Lulinha, Henry, Clóvis e Vilmar.

    1980 foi o ano marcado no futebol do Olaria pela chegada de grandes personalidades, dentro e fora de campo: Carlos Imperial assumia a vice-presidência de futebol e Antônio Lopes era lançado como técnico. E, para o time, chegavam o zagueiro Salvador, o ponta Chiquinho e os atacantes Clóvis e Henry. Nesse ano o Olaria faturou três títulos e um deles foi o Torneio Ary Magalhães.

    A foto acima foi tirada no estádio Eduardo Guinle, em Friburgo, no dia 30 de março de 1980, quando o Olaria enfrentou o Fluminense de Nova Friburgo pela segunda rodada do torneio e venceu por 2 a 0, com dois gols do artilheiro Henry. A campanha culminaria no título, conquistado na última rodada, quando o Olaria goleou o Volta Redonda por 5 a 1 na Rua Bariri. O Olaria, aliás, foi campeão invicto. Em 6 jogos venceu 5 e empatou 1. Marcou 12 gols e sofreu apenas 1.

    Naquele dia, como podemos ver, o Olaria usou uma variação da tradicional camisa branca com a faixa azul, com o escudo acima da faixa. Formatava-se o time que, no ano seguinte, conquistaria o campeonato brasileiro da Taça de Bronze. Dos 11 jogadores acima, 6 seriam titulares na conquista da Taça de Bronze de 1981: Ricardo, Gilmar, Salvador, Hilton, Chiquinho e Lulinha. 1980 foi um ano de glórias para o Olaria e hoje o Memórias da Bariri relembra uma delas.

  • 1977: CAMPEÃO DO TORNEIO INTEGRAÇÃO

    Em pé, da esquerda para a direita: Jorge Ferreira (técnico), Hilton, Baiano, Mauro, Luiz Carlos Prima, Ricardo, Clésio, Roberto Souza, Nélson Neves (preparador físico), Vacil, Carlos Viana (vice-presidente) e Alcemar Calvo Pinheiro (vice-presidente). Agachados, na mesma ordem: Eraldo, Roberto Lopes, Ari Mendes, Aurê, Cavalcante, Rodrigo, Paulo, Luisão (massagista) e Lutércio. O garoto que está entre os jogadores Eraldo e Roberto Lopes é o filho do técnico Jorge Ferreira.

    Quem lembra ou já ouviu falar do Torneio Integração? Essa competição foi instituída pela Federação logo depois da fusão dos antigos estados da Guanabara e Rio de Janeiro, ocorrida em 1975 e, como o próprio nome já diz, tinha por finalidade integrar os times da capital com os times do interior do novo estado do Rio de Janeiro. Na época, com a fusão dos dois estados, também houve a fusão das duas federações dos antigos estados, dando origem à atual FERJ. E o Olaria foi o campeão do Torneio Integração de 1977, levando para a Bariri a Taça Jovino Pavan.

    O Torneio Integração de 1977 começou em outubro e só terminou em março do ano seguinte. A foto acima foi tirada no gramado da Bariri no dia 26 de fevereiro de 1978 e, como podemos ver no placar, naquele dia o Olaria enfrentou o Itaboraí. Era a penúltima rodada do torneio e o Olaria venceu por 3 a 0. Na rodada seguinte o Olaria seria o campeão.

    Muitos dos que aparecem na foto seriam, três anos depois, campeões da Taça de Bronze, como Hilton, Mauro, Ricardo, Aurê e Cavalcante. Essa é mais uma imagem que o Memórias da Bariri traz, lembrando uma das conquistas mais importantes do futebol olariense, que já lançava boa parte dos jogadores que, em 1981, conquistariam o título nacional da Taça de Bronze.

  • 1978: QUANDO A VELHA GUARDA SE ENCONTRAVA

    Da esquerda para a direita: Antônio Ribeiro dos Santos Filho, José Maria de Carvalho Júnior (ex-presidente), Luiz Furtado, Fernando Gaspar, Ronaldo Raed, Nélson da Albuquerque Lyra, Edmundo dos Santos Cigarro (presidente à época), Álvaro da Costa Mello (patrono) e Álvaro Augusto de Carvalho. Foto cedida pelo associado Ricardo Cordeiro Lyra.

    A foto acima, de 1978, quando o Olaria era presidido por Edmundo dos Santos Cigarro, mostra uma plêiade de olarienses da velha guarda reunidos, incluindo o patrono Mello. Vivíamos uma época em que era comum o encontro de olarienses da velha guarda dentro do clube. Naquele dia, até o patrono Álvaro da Costa Mello esteve presente para vistoriar uma obra que se realizava.

    Hoje o Memórias da Bariri relembra algumas dessas pessoas. A foto, recheada de grandes personalidades olarienses, tem o ex-presidente José Maria de Carvalho, o patrono Mello (que também foi presidente em três ocasiões)e o então presidente Edmundo Cigarro. Completam o time Antônio Ribeiro, o poeta que escreveu um poema sobre a conquista da Taça de Bronze, o grande benemérito Luiz Furtado e os beneméritos Fernando Gaspar, Nélson de Albuquerque Lyra e Álvaro Augusto de Carvalho.

    Alguém poderia perguntar quem é o rapaz jovem que aparece no meio da foto, já que ele não era da velha guarda. O rapaz em questão é Ronaldo Raed, filho do ex-presidente Jorge Raed. Ronaldo, por ser engenheiro, era indispensável para inspecionar e emitir parecer sobre a obra em andamento.

    Há um detalhe notável que devemos destacar: o benemértio Nélson de Albuquerque Lyra, o único de bermuda, trajava uma camisa do Cerealista Rio-Porto, a loja de seus filhos Nélson e Norildo Lyra, que ficava no Ceasa, em Irajá, e que muito ajudou o Olaria, inclusive como uma das patrocinadoras do jornal O Bariri, o órgão de divulgação do clube.

    A cena, pouco comum nos dias de hoje, poderia ser considerada uma “reunião de notáveis a céu aberto”. E essa recordação também não deixa de ser uma homenagem a todos eles, que muito fizeram pelo crescimento do Olaria Atlético Clube.

  • OTTO GLÓRIA: ELE COMEÇOU NO BASQUETE DO OLARIA

    Hoje o blog Memórias da Bariri traz mais uma inestimável relíquia: Otto Glória quando foi jogador de basquete do Olaria, em 1937/1938.

    O time titular de basquete do Olaria em 1938. Otto Glória é o quinto jogador, da esquerda para a direita. Foto: O Globo Sportivo, edição 37.

    Otto Glória foi um técnico de futebol brasileiro que entrou para a história do futebol mundial, especialmente do futebol português. Foi ele que comandou a histórica seleção portuguesa na Copa de 1966, que tinha o craque Euzébio, quando Portugal conseguiu sua melhor colocação em Copas do Mundo, chegando em terceiro lugar. Mas a história de Otto Glória em Portugal não se limitou à seleção. Ele também foi técnico do Benfica, Porto, Sporting e Belenenses. Na Espanha, dirigiu o Atlético de Madrid e na França o Olimpique. No México, foi técnico do Monterrey. No Brasil, dentre outros, Otto Glória foi técnico do Vasco, América, Portuguesa de Desportos, Grêmio e Santos. Desnecessário enumerar a trajetória de Otto Glória no Brasil e no mundo. Ela foi vastíssimna.

    O que, no entanto, quase ninguém imagina é que Otto Glória iniciou sua vida esportiva no Olaria. Mas não foi no futebol e sim no basquete. Em 1937, Otto Glória, com 20 anos de idade, já integrava a equipe principal de basquete do Olaria. E esse time, no campeonato com 14 participantes, chegou na terceira colocação. Além de Otto Glória, Timbira, Guilherme, Paulo, Jairo, Carrasco e Chapinha integravam o elenco olariense.

    Em 1938, Otto Glória também foi titular do grande time de basquetebol do Olaria, junto com Paulo, Carrasco, Chapinha e Guilherme, conforme podemos ver na foto que abre essa postagem.

    Otto Glória não era promessa, já era uma realidade no basquete jogando pelo Olaria, mas quis o destino que ele deixasse o basquete e seguisse sua brilhante carreira esportiva no futebol. Quem via Otto Glória brilhando nas quadras pelo Olaria em 1937 e 1938 não podia imaginar que, quase 30 anos depois, aquele garoto seria o técnico da seleção de Portugal na Copa do Mundo de 1966 que chegou em terceiro lugar. Então, não nos esqueçamos: Otto Glória é Bariri!

    Otto Gória, o consagrado técnico de futebol que levou a seleção portuguesa ao terceiro lugar na Copa de 1966, começou jogando basquete no Olaria.

  • O DIA QUE O OLARIA GANHOU DO FLUMINENSE NO TAPETÃO

    No dia 6 de maio de 1972, em partida válida pelo Campeonato Carioca, Olaria e Fluminense se enfrentaram no Maracanã e o jogo terminou empatado em 1 a 1, com Roberto Pinto marcando o gol do Olaria e Ivair o dos tricolores. Mas o jogo não acabou naquele dia, pois o duelo continuaria no tribunal. Isso porque o Fluminense entrou com uma petição no Tribunal de Justiça da Federação reivindicando os pontos da partida. A alegação do clube das Laranjeiras era de que o goleiro do Olaria, Pedro Paulo, não teria condições legais para atuar naquele jogo.

    Evidentemente a apreensão tomou conta de todos na Rua Bariri. Isso porque o Fluminense tinha um grande advogado, que era uma das maiores autoridades em Direito Desportivo do Brasil, o doutor José Carlos Vilella. Enfrentar o Vilella no tribunal era o mesmo que enfrentar o Pelé em campo. Não à toa Vilella ficou conhecido como o “Rei do Tapetão”. Ele ganhava tantas causas que a alcunha de “Rei do Tapetão” estendeu-se ao próprio Fluminense.

    Mas o Olaria também tinha um grande advogado, não tão badalado, mas que nada deixava a desejar a seu colega das Laranjeiras. Seu nome: Jomeri Raimundo Calomeny. Jomeri, que poucos anos depois seria o presidente do clube, defendeu o Olaria em várias audiências, mas naquele dia teria a espinhosa missão de enfrentar o clube que, graças a Vilella, ficou conhecido como “Rei do Tapetão”. Será que o Olaria perderia o precioso ponto conquistado em campo?

    Bem, se em campo o jogo empatou, no tapetão o Olaria goleou o Fluminense. O tribunal deu ganho de causa ao Olaria por unanimidade, ou seja, 7 X 0 a favor do Olaria. Pelo que se sabe, o Dr. Jomeri defendeu o Olaria com tanto brilhantismo que foi até elogiado por todos os juízes.

    Quem conhece um pouco da história do futebol do Rio de Janeiro sabe que, naquela época, ganhar do Fluminense no tapetão era tarefa pouco provável. Mas o Olaria ganhou. E de goleada…

    Detalhe: quase 3 meses depois, no dia 3 de agosto de 1972, o Olaria voltou a enfrentar o Fluminense no Maracanã pelo Campeonato Carioca e venceu por 1 a 0, gol do lateral Fidélis. Dessa vez o Fluminense não apresentou nenhum recurso. Provavelmente porque, depois de ter perdido em campo, não quisesse levar outra goleada no tribunal.

    Jomeri Calomeny, o advogado do Olaria que derrotou por goleada o Rei do Tapetão no tribunal.

  • 1983: EM PETRÓPOLIS, LÁGRIMAS, SUOR E SANGUE – PARTE II

    Estádio Atílio Marotti, em Petrópolis: ali o Olaria fez história em 1983.

    Logo após a magnífica goleada que garantiu o acesso, os olarienses rumavam eufóricos de volta à Rua Bariri. A alegria era tão grande que ninguém poderia imaginar que aquele dia quase terminaria em tragédia. O pessoal que estava nos ônibus recebeu a notícia na estrada, próximo a Xerém: o carro que conduzia o presidente do Olaria, Jorge Raed, havia colidido com uma carreta. O veículo, pilotado pelo diretor jurídico Odair Nascimento, também trazia a bordo o vice-presidente social, jornalista Walter Rizzo, e o diretor social Orlando Barbosa. Todos ficaram muito feridos e foram atendidos no hospital daquela região. O alegre e histórico dia do Olaria terminava em sangue.

    Vários diretores e torcedores que estavam nos ônibus, muito preocupados, foram até o hospital. Os quatro acidentados estavam com muitas escoriações e cheios de curativos. Evidentemente, a festa que estava marcada para a Bariri teve que ser adiada. Os olarienses voltaram para casa com um misto de felicidade e apreensão.

    A comemoração acabaria ficando mesmo para o dia 25 de junho, o domingo seguinte, quando o Olaria realizou o seu último compromisso contra o Madureira, na Rua Bariri, e empatou por 1 a 1, tendo então sido o campeão.

    O presidente Jorge Raed, cheio de curativos, ainda esteve no estádio e, depois, uma comissão de olarienses foi até a casa do patrono Álvaro da Costa Mello levar a taça.

    Foi um roteiro de novela: tudo começou com a grande vitória, depois o desastre e a apreensão e, finalmente, a conquista do título na Bariri. Foram lágrimas, suor e sangue que entraram para a história olariense.

    Nota: o título “Lágrimas, suor e sangue” é uma referência ao grande benemérito Walter Rizzo, que escreveu uma coluna com esse título na Revista do Olaria de julho de 1983, falando sobre o inesquecível jogo e sobre o fatídico desastre na estrada.

  • 1983: EM PETRÓPOLIS, LÁGRIMAS, SUOR E SANGUE – PARTE I

    Estádio Atílio Marotti, em Petrópolis: ali o Olaria fez história em 1983.

    No estádio Atílio Marotti, a casa do Serrano, em Petrópolis, o Olaria fez muita história. A começar pela inauguração do próprio estádio, em 1951. O jogo inaugural foi entre o Olaria e Serrano e o Olaria, sem qualquer cerimônia, derrotou os donos da casa por 3 a 1. De quebra, Jair, do Olaria, foi o autor do primeiro gol no famoso estádio.

    No entanto, a grande página do Olaria no Atílio Marotti foi escrita em 1983. Era o dia 19 de junho de 1983, um domingo, e o Olaria foi até Petrópolis para enfrentar o Serrano pela penúltima rodada do campeonato da segunda divisão. O jogo era capital para o Olaria, pois uma vitória garantiria o acesso do clube da Rua Bariri. Isso porque, em caso de vitória, o Olaria garantiria ao menos o segundo lugar e, como naquela época subiam duas equipes, o Olaria estava a um triunfo do acesso.

    Pela manhã, dois ônibus lotados partiram da Rua Bariri, levando diretores, conselheiros e a torcida, além de vários carros. O pessoal do Olaria chegou cedo em Petrópolis e todos almoçaram na sede do Serrano, que fica do outro lado da rua, quase em frente ao estádio.

    A torcida do Olaria, naquele dia, teve um ilustre reforço: a sambista Beth Carvalho, amiga do técnico olariense Alcir Portela, trajava o manto do Olaria e viu o jogo junto com a galera das arquibancadas do Atílio Marotti. 1527 pagantes estavam no estádio. Desses, cerca de 200 eram olarienses.

    O primeiro tempo terminou empatado sem gols. Porém, na segunda etapa, o Olaria chegou à glória: meteu 4 a 0, com dois gols de Edinho, um de Celso e outro de Dé, o Aranha. O suor dos jogadores em campo era correspondente às lágrimas dos olarienses nas arquibancadas. Torcedores e diretores choravam e se abraçavam, enquanto o Olaria dava um show de bola e garantia o acesso na casa do adversário. Ao fim da partida, vários atletas jogaram suas camisas para a torcida, que estava em pleno delírio.

    Após a grande vitória que garantiu o acesso do Olaria, torcedores e dirigentes rumaram para a Bariri, para iniciar a festa pela volta à primeira divisão. Porém, depois de tanto suor em campo e tantas lágrimas nas arquibancadas, no meio do caminho haveria sangue… Mas isso é assunto para o segundo e último capítulo.

    Segundo e último capítulo: dia 9 de agosto, domingo.