Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • OLARIA RECORDISTA DE GOLEADA: FOI 27 X 0!

    A façanha do Olaria foi noticiada pelo jornal A Noite de 23 de setembro de 1942.
    O diário O Jornal, de 22 de setembro de 1942, na página 10, também noticiou o feito do Olaria, que o tornou recordista de goleada no futebol.

    “Você sabia? Que o Olaria mantém o recorde mundial de escore no futebol, abatendo o seu adversário, o River, por 27 X 0?” (Revista do Olaria, julho de 1947, página 19).

    A curiosidade publicada na Revista do Olaria em 1947 seria repetida em algumas outras edições. Sim, o Olaria era o recordista mundial de goleada no futebol, ainda antes da existência do Guinness Book. O feito aconteceu no dia 20 de setembro de 1942, no campo da Rua Cândido Silva (antigo nome da Rua Bariri), quando o Olaria goleou o River por 27 a 0. E, diga-se de passagem, não foi jogo amistoso e sim oficial, embora não fosse uma partida da divisão principal.

    Até então o recorde pertencia ao Botafogo, que em 1909 goleou o Mangueira por 24 a 0 pelo Campeonato Carioca. Ocorre que, por equívoco ou desconhecimento, a mídia sempre citava o jogo Botafogo 24 X 0 Mangueira como a maior goleada do futebol brasileiro. Só que o Olaria quebrou esse recorde e a façanha olariense, que superou o feito do Botafogo, foi estampada no jornal A Noite, que acrescentava que, com a goleada aplicada, o Olaria se tornava o novo recordista de tentos no futebol.

    Já um outro veículo, O Jornal, ao noticiar o feito olariense, diz que o jogo nem despertou muito entusiasmo porque o grêmio local “esmagou” o River por 27 a 0.

    A marca atingida em 1942 pelo Olaria chegou a ser recorde mundial. Mas hoje, se o recorde não é mundial, certamente é recorde brasileiro. As provas documentais são incontestáveis. Olaria 27 X 0 River, o recorde de goleada do futebol brasileiro!

  • 26 DE ABRIL – VIVA OS GOLEIROS DO OLARIA!

    Hoje, 26 de abril, comemora-se no Brasil o Dia do Goleiro. O site Olaria Eterno traz à memória, como homenagem aos guardiões da meta olariense, os goleiros do Olaria ao longo da história.

    Publicamos a seguir a relação de todos os goleiros do Olaria, desde 1915 até a atualidade, lembrando que de alguns, principalmente mais antigos, não possuímos imagens disponibilizadas e, assim, mencionaremos apenas os seus nomes ou apelidos.

    1915: Mário Diogo é o primeiro goleiro do Olaria de que se tem registro na história, tendo atuado em 1915, ano de fundação do clube.

    1916 a 1918: Passut , Afonso e Isaac.

    1919: Isaac.

    1920: Isaac e Gervásio.

    1921 a 1922 – Isaac.

    1923: Waldemar.

    1924: Mário Diogo.

    1925: Júlio.

    1926: João Égua.

    1927: João Égua e Argeu.

    1928: Argeu.

    1929: Argeu e João Égua.

    1935 – Ubiratan e Sílvio.

    1939 – Juca, Rolim e Bolinha.

    1940 – Pinagé.

    1941 – Hélio.

    1942: Hélio e Batatinha.

    1943 a 1944: Júlio , Írio e Machado.

    1945 a 1946: Júlio.

    João: também conhecido como “João Égua”, brilhou em 1926, 1927, 1929 e no início dos anos 1930 defendendo a meta olariense. Também esteve no elenco campeão invicto de 1931.
    Amaury: o goleiro campeão invicto de 1931, título que pela primeira vez promoveu o Olaria para a primeira divisão. Também foi o goleiro em 1932, primeiro ano do Olaria na primeira divisão.
    Zezé: goleiro vice-campeão estadual da primeira divisão de 1933.
    Ubiratan: goleiro do Olaria em 1934, 1935 e 1936, era muito popular entre os torcedores.
    Adolpho: goleiro em 1936.
    Gabriel: goleiro em 1937. Ele está entre os zagueiros Enéas e Alcebíades. Esta é a única imagem disponível do goleiro Gabriel, no dia do jogo Olaria 2 X 2 Portuguesa, em 10 de outubro de 1937.
    Inglez (com “z”, como aparece nos jornais e fichas): goleiro em 1937.
    Francisco: goleiro em 1937.
    Alfredo: goleiro do Olaria em 1947, defendeu o clube durante o Torneio Municipal.
    Zezinho: goleiro do grande time de 1947, equipe que ficou conhecida como “Fantasma Bariri”. Também defendeu a meta olariense em 1948, 1949 e 1951
    Sandro: goleiro em 1948.

    Em 1948 também atuaram os goleiros: Délio e Gildo.

    Martinho: goleiro do Olaria em 1947, time conhecido como “Fantasma Bariri”.
    Odair: goleiro do Olaria em 1949.
    Milton: o goleiro do grande time de 1950, quinto colocado no primeiro campeonato estadual da Era Maracanã.
    Alvarez: goleiro do Olaria em 1951.
    Itagoré: goleiro do Olaria em 1951.
    Aníbal: goleiro em 1953 e 1954.
    Celso: defendeu a meta olariense em 1952 e 1953 e foi o goleiro da excursão da volta ao mundo em 1954. Nessa excursão, defendeu um pênalti contra o West Ham, garantindo o empate de 0 a 0.
    Ari: defendeu a meta do Olaria em 1955 , 1963 e 1964. Foi o goleiro do Olaria no Torneio Rio-São Paulo de 1963.
    Ernani: goleiro em 1956.
    Válter: goleiro em 1956, 1957 e 1958.
    Antoninho: goleiro em 1959 e campeão do Torneio Início de 1960. Também foi goleiro no Campeonato Carioca de 1960.
    Félix: goleiro do Olaria em 1959.
    Cláudio: da Bariri para a seleção brasileira. Cláudio defendeu a meta olariense em 1960 , 1961 e 1962, depois foi para o Santos e seleção brasileira.

    Em 1961 também atuou o seguinte goleiro: Alberto.

    Ernani em dois momentos na Bariri: goleiro do grande time de 1962, teve atuações heroicas.
    Otávio: também foi goleiro do grande time de 1962 e atuou em vários jogos. Na foto, Otávio está à direita, em treinamento com seu companheiro Ernani.
    Manguito: goleiro do Olaria em 1964.
    Edmar: goleiro do Olaria em 1965.
    Jurandir: goleiro do Olaria no Campeonato Carioca de 1966.

    Em 1966 também atuou o seguinte goleiro: Jaéder.

    Edson Borracha: defendeu a meta olariense em 1967. Antes, chegou a fazer parte do grupo da seleção brasileira nos preparativos para a Copa de 1966.
    Alcir: goleiro do Olaria em 1966 e 1967.
    Ita: goleiro em 1968.
    Franz: goleiro em 1968.
    Azevedo: goleiro em 1969.
    Ubirajara Alcântara: goleiro do Olarai em 1967 e no Campeonato Brasileiro de 1973.
    Pedro Paulo: goleiro em 1970 e do grande time de 1971, que ficou em terceiro lugar no campeonato estadual, tendo sido um dos menos vazados na competição.

    Em 1970 também atuou: Alair.

    Beto: goleiro em 1969. Ele jogou com Garrincha em 1972 e, em 1973, defendeu a meta olariense no Campeonato Brasileiro. A torcida olariense levava faixa para os estádios pedindo sua convocação para a seleção.
    Jorge Vitório: goleiro do Olaria no Campeonato Brasileiro de 1974.
    Ronaldo: goleiro do Olaria em 1974 e 1975.
    Ernani: atuou no Olaria de 1976 até 1979.
    Vacil: goleiro em 1979.

    Em 1979 também atuou o seguinte goleiro: Benício.

    Hilton: goleiro campeão brasileiro da Taça de Bronze em 1981.
    Júnior: goleiro em 1981, do elenco campeão da Taça de Bronze.
    Jurandir: goleiro campeão estadual da segunda divisão de 1983 e goleiro em 1984.
    Mandarino: goleiro em 1983, atuou na excursão à Europa e África naquele ano.

    Em 1984 também atuou o seguinte goleiro: Ricardo.

    Flávio: também conhecido como “Índio”, foi goleiro do Olaria em 1981 1982 e 1985.
    Paulo Goulart: goleiro em 1985.
    Flávio Tênius: goleiro do Olaria em 1987.
    Vágner: goleiro que foi destaque do Olaria em 1989, 1992 e 1993.
    Ica: o goleiro do Olaria que em 1989 , no jogo contra o Vasco, defendeu o pênalti cobrado por Geovani.
    Jorcey: goleiro do Olaria em 1994.
    Paulo Renato: goleiro em 1995.
    Márcio: goleiro do Olaria em 1995.
    Ricardo Cruz: goleiro em 1996.
    Alex: defendeu a meta olariense em 1996 e 1997.
    Braz: defendeu a meta do Olaria entre 1998 e 2000.
    Azul: defendeu o Olaria no Campeonato Brasileiro (módulo branco) de 2000 e no Campeonato Estadual.
    Welerson: goleiro do grande time de 2001, que realizou uma excelente campanha no Campeonato Estadual.
    Cássio: goleiro profissional em 2002 , 2003 e 2004, com grandes atuações e defesas de pênaltis.
    Marcos Leandro: goleiro do Olaria em 2005.
    Wilson: goleiro que defendeu o Olaria em 2006.
    Adriano: goleiro do Olaria em 2006.
    Vinícius: goleiro do Olaria em 2007 e 2008.
    Fernando: goleiro do time de 2009, que conquistou o acesso para a primeira divisão.
    Ângelo: goleiro do time de 2009, que alcançou o acesso, e de 2010, que realizou ótima campanha no Campeonato Estadual.
    Renan: goleiro do grande time de 2011 no Campeonato Estadual.
    Henrique: goleiro do grande time de 2011, que chegou às semifinais da Taça Rio.
    Wanderson: goleiro que atuou no Campeonato Estadual de 2012.
    Rafael Moreno: goleiro do Olaria em 2013.
    Gustavo: goleiro do Olaria em 2013.
    Cléber: goleiro em 2014.
    Eduardo Espíndula: goleiro em 2015.
    Adílson Santos: goleiro do Olaria em 2016.
    Rogger: goleiro do Olaria em 2016.
    Lucão: goleiro em 2017.
    Gustavo Pires: goleiro em 2017.
    Gabriel Luiz: goleiro do Olaria em 2018.
    Marcelo Mercuri: goleiro em 2018.
    Jonathan: goleiro do Olaria em 2019.
    Felipe Eduardo: goleiro do Olaria em 2019.
    Jeferson: goleiro do Olaria em 2020.
    Guilherme: goleiro em 2017 , campeão da série A2 em 2021 e campeão da Taça Corcovado em 2022. Também defendeu o Olaria em 2023, 2024 e 2025.
    Lucas: goleiro em 2022.
    Pedro Henrique: goleiro em 2023.
    Marcão: goleiro do Olaria em 2023.
    Victor Hugo: goleiro que defendeu a meta olariense na Copa do Brasil em 2025, com excelentes atuações, inclusive defendendo um pênalti na partida contra o Brusque. Contra o ABC, sua grande atuação garantiu a vitória e a histórica classificação do Olaria.
    João Vitor: goleiro do Olaria em 2026.
    Diego Cerqueira: goleiro em 2026.
    Rodrigo Lucas: goleiro em 2026.

  • CHICÃO, O TORCEDOR QUE VIROU ÍDOLO: RODRIGO BOBY QUE O DIGA!

    A camisa do Chicão: escolhida pelo torcedor Rodrigo Boby para contar sua história.

    Muitos torcedores também são colecionadores de camisas de seus clubes. E essas camisas também são lembranças de ídolos que marcaram épocas. No caso do Olaria, se pedirmos a um torcedor para apresentar uma camisa especial, ele poderia, por exemplo, mencionar a de Washington, artilheiro nos anos 1950; ou a de Cané, grande jogador do timaço de 1962; ou a de Afonsinho, ícone do time de 1971; ou a de Garrincha, de 1972; ou ainda a de Mauro, o capitão que ergueu a Taça de Bronze em 1981; ou quem sabe a de Ricardo Boiadeiro, artilheiro no início dos anos 2000? Dentre muitas outras…

    Mas o trocedor olariense Rodrigo Boby, membro do grupo Amigos da Bancada Olariense, que reúne torcedores do clube bariri, fez uma outra escolha. Ao enviar para a página do Instagram setemcamisatemhistoria a camisa que o marcou como olariense, ele escolheu a de um outro craque, craque este que não jogou em campo, mas nas arquibancadas: a camisa escolhida por ele foi a branca de faixa azul, que era usada pelo torcedor-símbolo Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone. Chicão se tornou um dos torcedores mais famosos do Olaria em fins dos anos 1990 e nos anos 2000, em uma época que não existiam redes sociais como hoje. Mas ainda assim sua presença constante nas arquibancadas com sua inconfundível camisa, seu equipamento acústico e sua bandeira o tornaram conhecidos. Seus bordões, como “Olaria! Olaria! Olaria!” e “Olê olê olê olá, Olaria!” até hoje são lembrados e cantados nas arquibancadas. E Rodrigo Boby, como muitos, se tornou fã do Chicão a ponto de, ao escolher uma camisa para contar a sua história no clube, ter optado pela do Chicão e não a de nenhum jogador. Ter a camisa do Chicão, como disse Rodrigo Boby, era um sonho de infância. Porém ele lamentou não ter havido tempo de Chicão saber da homenagem, pois o nosso querido Chicão faleceu em 2025.

    A camisa que o Chicão usava era tradiconal, branca de faixa azul, com o escudo em fundo branco (lembrando modelos dos anos 1940) e a publicidade do Grupo Aurimar. Chicão merece todas as homenagens e já as fizemos nesse espaço. Porém, não podemos deixar de registrar uma homenagem vinda de um jovem torcedor, que foi atleta do clube e acabou tendo um outro torcedor como ídolo. Apenas um lembrete ao Rodrigo Boby: Fica tranquilo, porque o que mais alegraria o Chicão é saber do seu amor pelo Olaria. Assim como o Chicão, todos nós passaremos, mas a paixão pelo Olaria é eterna, e sempre estará presente e será externada em histórias como essa.

    Chicão do Megafone, torcedor-símbolo, com sua camisa na arquibancada.

  • 1949: ESQUERDINHA, FEITO PELO TORCEDOR

    Esquerdinha, desenhado pelo torcedor Júlio Simas Pinto. Ano 1949.

    Nos anos 1940 o Globo Sportivo, o suplemento de esportes do jornal O Globo, publicava os desenhos feitos pelos torcedores retratando os ídolos dos diversos times. Pelo que sabemos, nem todos os desenhos eram aprovados pela editoria e havia um processo seletivo que levava em conta a qualidade das obras enviadas pelos torcedores-leitores. Estávamos em uma época em que não existia o que vemos hoje, quando torcedores estampam as fotos de seus ídolos em bandeiras ou paredes.

    Vez por outra aparecia no jornal algum desenho de jogador do Olaria. E em uma das edições de 1949 foi publicado o desenho do craque olariense Esquerdinha, feito pelo leitor Júlio Simas Pinto. O leitor produziu uma verdadeira obra-prima, inclusive caprichando no desenho do escudo da camisa. Note-se ainda os frisos da gola e das mangas, que o leitor desenhou exatamente dentro do modelo da camisa usada pelo time.

    Esquerdinha, que se chamava William Kepler Santa Rosa, foi um ponta-esquerda que brilhou no Olaria no fim dos anos 1940 e em 1950. Abaixo, publicamos a foto do Esquerdinha para que você compare com o desenho do torcedor olariense. Que tal?

    Esquerdinha, craque do Olaria, que foi desenhado por um torcedor em 1949.

  • 1971: A FAIXA “OLARIA O BONZÃO”

    O time do Olaria pisa no gramado do Maracanã no último jogo do Campeonato Carioca de 1971. Nas arquibancadas lotadas, a torcida do Olaria exibe a faixa “Olaria o Bonzão”. Era um agradecimento ao Ponto Frio. Na foto podemos identificar, da esquerda para a direita, Roberto Pinto (de perfil), goleiro Pedro Paulo, Salvador, Marco Antônio, Miguel, Antoninho e Afonsinho ainda na escada que dá acesso ao campo.

    “Talvez nem um pai fizesse pelo filho o que o Ponto Frio fez pelo Olaria.” (Joaquim Teixeira, vice-presidente de futebol do Olaria em 1971).

    26 de junho de 1971. Maracanã lotado. Era a última rodada do Campeonato Carioca e Olaria e Flamengo se enfrentariam. O jogo era para cumprir tabela, pois nenhum dos dois tinha mais chances do título. O Olaria, com um dos melhores times de sua história, fez excelente campanha e ainda poderia chegar ao vice-campeonato, enquanto o Flamengo chegaria, no máximo, em quarto lugar. Naquele dia o recorde de renda da competição foi quebrado, com um total de 812.679,75 (oitocentos e doze mil, seiscentos e setenta e nove cruzeiros e setenta e cinco centavos). Foram 118.314 pagantes. Esse recorde só seria batido no dia seguinte, na final entre Fluminense e Botafogo. A pergunta que se faz: como esse jogo levou tanta gente ao estádio, se não valia mais nada?

    Bem, não valia para o Flamengo. Mas para o Olaria valia muito. A antiga CBD estabeleceu que a participação no Campeonato Brasileiro de 1972 só seria assegurada ao campeão carioca. Eram 5 vagas para os cariocas. Além do campeão, os outros quatro seriam incluídos por arrecadação. Ou seja, mesmo chegando em terceiro lugar naquele ano, o Olaria não estaria garantido na competição nacional. O Fluminense, que seria o campeão, estava garantido. Como sabemos, Flamengo, Vasco e Botafogo também já estavam assegurados pelo critério de renda. Faltava uma vaga. E faltava apenas um jogo para o Olaria, que disputava a vaga por renda com América e Bangu.

    O Olaria precisava de muita renda, algo em torno de 800 mil cruzeiros. E os ingressos estavam disponibilizados, pois foi colocado um total de 850 mil cruzeiros à venda. Como levar olarienses e flamenguistas ao estádio, de modo que o Olaria pudesse alcançar a renda que precisava? O presidente e patrono do Olaria, Álvaro da Costa Mello, estava muito triste.

    Até que, tal como na lenda de São Nicolau, chegou a notícia de que a loja de eletrodomésticos Ponto Frio, em apoio ao Olaria e reconhecendo o grande esforço do clube da Bariri, havia comprado quase toda renda: dos 850 mil cruzeiros, o Ponto Frio comprou 800 mil. Logo se espalhou, às vésperas do jogo, a notícia de que o Ponto Frio havia emitido um cheque visado para a antiga ADEG (Administração dos Estádios da Guanabara),no valor de 800 mil em ingressos. Na época, a ADEG era a entidade responsável pela gestão do Maracanã.

    Pronto. Era o suficiente. O Olaria, pela renda, estava garantido no Campeonato Brasileiro de 1972. Isso porque, no dia seguinte, jogariam América e Bangu, em São Januário, e mesmo que nesse jogo fossem vendidos todos os ingressos, eles não alcançariam o Olaria. Enfim, o Olaria era o quinto colocado na renda e estava no Campeontao Brasileiro. O detalhe é que, mesmo com o Ponto Frio comprando quase toda renda e distribuindo os ingressos, ainda foram vendidos 12.679,75 nas bilheterias.

    No dia do jogo, o time do Olaria entrou no Maracanã carregando uma faixa com os dizeres “Olaria Bonzão agradece” e nas aquibancadas, a torcida do Olaria, satisfeita, colocou a faixa “Olaria o Bonzão”. Mas por que “Bonzão”? “Bonzão” era o adjetivo que o Ponto Frio usava em sua propaganda, sempre se referindo à loja como “Ponto Frio Bonzão” e era uma palavra que todos associavam diretamente à empresa. Assim, “Bonzão” tinha um forte apelo de marketing. E a torcida do Olaria naquele dia, comemorando e agradecida ao Ponto Frio, colocou na grade da arquibancada a faixa que resumia a gratidão e a parceria com a loja: “Olaria o Bonzão”.

    Dentro de campo, o benemérito do Olaria Orlando Barbosa foi um dos que carregou a faixa junto com o time e, quando a faixa estava sendo fechada, ficou, por algum tempo apenas exibindo a palavra “Bonzão”. Foi um dia de festa para o Olaria, dentro de campo e nas arquibancadas.

    Porém, o golpe contra o Olaria não tardaria. Logo depois, em uma das maiores patifarias da história do futebol brasileiro, a CBD invalidou a renda e acabou convidando o América para o Campeonato Brasileiro e deixando de fora o Olaria, mesmo com o Olaria tendo a arrecadação exigida. Esse golpe foi mesmo “uma coisa do diabo”. E o Olaria, mesmo golpeado, para sempre seria “O Bonzão”.

    A convocação feita nos jornais pelo Ponto Frio Bonzão para o jogo Olaria X Flamengo. Os ingressos foram distribuídos nas lojas e na sede do Olaria.

  • OLARIA NOS TEMPOS DO GRAPETTEBOL

    Selo da promoção Grapettebol com o escudo do Olaria, publicado no Jornal dos Sports de 15 de setembro de 1962. Note-se a grafia de algumas palavras, com a ortografia então vigente.

    No início dos anos 1960, uma parceria do Jornal dos Sports com a fábrica de refrigerantes Grapette lançou um álbum de figurinhas de jogadores de futebol. A promoção consistia em juntar 5 chapinhas de Grapette para trocar pelo álbum e 4 chapinhas para trocar por um envelope com 4 figurinhas. Mas haviam selos para colar no álbum que não vinham nos pacotes de figurinhas, e sim publicados no Jornal dos Sports.

    Em 1962 um dos selos que foi publicado no jornal foi o que trazia o escudo do Olaria. Lembrando que em 1962 o Olaria teve um dos melhores times de sua história. O interessante era que não havia venda de figurinhas e sim a troca por chapinhas de Grapette. Na época, existiam mais de 500 postos de troca na cidade do Rio de Janeiro. À medida que o álbum ia sendo completado, os colecionadores ganhavam prêmios.

    A promoção divulgou não apenas o grande time do Olaria que aparecia nas figurinhas, mas também o clube como um todo, com a publicação do selo com o escudo em um jornal de grande circulação. Estávamos em uma época pré-digital, mas ainda assim o Olaria era divulgado, com seu escudo sendo publicado como selo de um álbum em um dos jornais mais lidos da época.

  • 1970: OLARIA NA ÁSIA: Capítulo 5 – O Olaria no Irã

    O Irã foi a última etapa do Olaria na excursão à Ásia em 1970. No Irã o Olaria realizou mais quatro partidas e os jogos naquele país coincidiram com o iníco da Copa do Mundo no México. Por exemplo, o primeiro jogo do Olaria no Irã foi em 3 de junho, exatamente a mesma data em que o Brasil estreava na Copa contra a Tchecoslováquia. A coincidência dos jogos no Irã com o período da Copa do Mundo fez com que o noticiário se concentrasse na Copa e poucas informações eram dadas sobre os jogos do Olaria naquele país.

    O primeiro jogo do Olaria em solo iraniano, no dia 3 de junho, foi contra o Oghab, um dos clubes mais tradicionais daquele país. A partida aconteceu em Teerã, para um público de 10 mil pessoas, e terminou empatada em 1 a 1, com Fernando Pirulito marcando o gol do Olaria.

    No segundo jogo, em 5 de junho, o Olaria enfrentou o Peikan e obteve uma ótima vitória por 3 a 1, com os gols olarienses sendo marcados por Pinho, Torino e Fernando Pirulito. 25 mil pessoas assistiram à partida.

    No terceiro jogo, em 7/6, o adversário foi o Pass, na partida com o menor público de todos os jogos da excursão: apenas 5 mil pessoas. O Olaria derrotou o Pass por 1 a 0, gol marcado por Gessê.

    Finalmente, na última partida pela excursão à Ásia, em 9/6, o Olaria sofreria a sua segunda derrota, ao perder de 2 a 1 para o Taj, com um público de 20 mil pessoas. O gol do Olaria foi contra e, nos registros disponíveis, aparece como autor do gol do Olaria “um defensor do Taj”.

    Uma curiosidade sobre esse clube, é que ele era o clube da elite e da monarquia iraniana. O Taj tinha, inclusive, laços estreitos com a família do Xá Reza Pahlavi, que governou o Irã antes da Revolução Islâmica de 1979. Ressalte-se também que, naquele ano de 1970, o Taj foi o campeão iraniano.

    Terminava assim o giro do Olaria pela Ásia. Abaixo, publicamos o balanço geral da excursão.

    Total de Jogos: 13.

    Vitórias: 6.

    Empates: 5.

    Derrotas: 2.

    Gols marcados: 20.

    Gols sofridos: 12.

    Maior público: Olaria X Seleção da Indonésia, em Jacarta – 80 mil pessoas.

    Menor público: Olaria X Pass, em Teerã – 5 mil pessoas.

    Artilharia do Olaria:

    • Pinho: 6 gols.
    • Afonsinho: 3 gols.
    • Gessê, Acelino e Fernando: 2 gols.
    • Nado, Altivo, Américo e Torino: 1 gol.
    • OBS: 1 gol do Olaria foi marcado contra, pelo jogador do Taj.
    O time do Olaria em solo asiático.

  • 1970: OLARIA NA ÁSIA: Capítulo 4 – O Olaria na Indonésia

    A delegação do Olaria desembarcou em Jacarta, a capital da Indonésia, onde realizou 4 jogos. Na chegada, os olarienses foram recebidos com todas as honrarias, mas o que se viu dentro de campo foi completamente diferente: violência e pancadaria.

    Chegada da delegação do Olaria na Indonésia.

    A primeira partida, no dia 23 de maio, foi contra o Pardedetex, campeão da Indonésia e o Olaria venceu pelo placar de 1 a 0, gol de Acelino, mantendo-se assim a invencibilidade bariri em solo asiático. Ressalte-se, nesse jogo, a grande presença de público: foram 60 mil pessoas presentes no estádio.

    O segundo jogo, dia 25 de maio, pode ser resumido pela declaração do técnico Paulinho de Almeida: “Foi um dos jogos mais violentos que já assisti.” O adversário foi o Persidja e o jogo foi marcado pela violência dos indonésios e uma arbitragem que nada fazia para coibir as verdadeiras agressões dos jogadores do Persidja. O zagueiro Miguel, percebendo que a arbitragem nada fazia, resolveu revidar a violência e acabou sendo expulso. Mesmo com a violência, o Olaria venceu por 2 a 1. Os gols do Olaria foram marcados na primeira etapa por Acelino e Afonsinho. Era mais uma vitória e a invencibilidade do Olaria no oriente permanecia.

    No dia 27 de maio o Olaria realizou seu terceiro jogo na Indonésia, enfrentando um selecionado de Jacarta e goleou por 4 a 1, com 2 gols de Pinho , um de Américo e outro de Afonsinho. Nesse jogo, o público foi de 20 mil pessoas.

    O Jornal dos Sports destacou a goleada do Olaria sobre a seleção de Jacarta.

    Finalmente, em 29 de maio, o Olaria encerrava sua estadia na Indonésia, naquele que foi o jogo mais marcante. O Olaria enfrentou a seleção da Indonésia e o jogo não terminou por causa de pancadaria generalizada. Todos os jogadores brigaram. Em campo, a seleção da Indonésia venceu por 2 a 1, naquela que foi a primeira derrota do Olaria na excursão. O gol do Olaria foi marcado por Pinho. Nesse jogo seria registrado o maior público de toda a excursão, com a presença de 80 mil pessoas.

    As equipes do Olaria, da seleção da Indonésia e os árbitros. Note-se o estádio completamente lotado. Foram 80 mil pessoas no jogo que acabou em pancadaria e tumulto generalizado.

    A pancadaria começou quando os jogadores do Olaria passaram a revidar as agressões que sofriam dos jogadores da Indonésia, sem que o árbitro coibisse a violência. E, em um desses revides, iniciou-se o conflito. Todos os jogadores brigaram e o conflito se generalizou, fazendo com que o árbitro desse o jogo por encerrado quando ainda faltavam 15 minutos para o fim.

    O Jornal dos Sports deu destaque ao jogo contra a seleção da Indonésia, que terminou em pancadaria.

    O Olaria terminava sua participação na Indonésia com pancadaria e com a primeira derrota que teria na excursão. Mas ainda faltava o Irã, a terra do antigo Império Persa. Isso será o assunto do próximo capítulo.

    PRÓXIMO CAPÍTULO: 17/4 (SEXTA-FEIRA)

  • 1970: OLARIA NA ÁSIA: Capítulo 3 – O Olaria em Hong-Kong

    Hoje prosseguimos com a série 1970: Olaria na Ásia, publicando a terceira etapa da viagem, em que o Olaria realizou dois jogos em Hong-Kong.

    Em Hong-Kong, durante a excursão de 1970, o vice-presidente de futebol do Olaria, Joaquim Teixeira, coloca um escudo do Olaria na lapela do dirigente local.

    Em Hong-Kong o Olaria teve como primeiro adversário a seleção da China, no dia 15 de maio. Nesse jogo, com público de 15 mil pessoas, o Olaria conseguiu uma ótima reação e, após estar perdendo por 2 a 0, chegou ao empate e a partida terminou 2 a 2.

    No primeiro tempo, 2 a 0 para os chineses. Aos 15 minutos, Mak Tin Foo marcou o primeiro da seleção chinesa. E, já no fim da primeira etapa, aos 45 minutos, Cheung Tin Ming assinalou 2 a 0 para a seleção da China.

    A reação olariense veio no segundo tempo. Aos 10 minutos Gessê marcou o primeiro do Olaria e, aos 20 minutos, Pinho igualava o marcador. E o Olaria poderia ter virado, se não fosse a grande atuação do goleiro chinês Yung Hing. final: Olaria 2 X 2 Seleção da China. Era o quarto empate seguido do Olaria na Ásia. Mas a primeira vitória viria no próximo jogo.

    O Jornal dos Sports deu destaque ao empate do Olaria contra a seleção chinesa.

    Em 17 de maio o adversário foi um combinado de Hong Kong e o Olaria saiu vencedor pelo placar de 2 a 0, conquistando sua primeira vitória em solo asiático. Nesse jogo, o público chegou a 20 mil pessoas. O primeiro gol, marcado por Nado aos 25 do primeiro tempo, arrancou aplausos da torcida local. Nado driblou seis adversários antes de tocar para o gol. Na segunda etapa o zagueiro Altivo deu números finais à partida: Olaria 2 a 0.

    A primeira vitória do Olaria na Ásia foi destaque no Jornal dos Sports.

    A próxima etapa da excursão à Ásia foi a Indonésia. E na Indonésia a pancadaria correu solta. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

    PRÓXIMO CAPÍTULO: 14/04 (TERÇA-FEIRA).

  • BARIRI LOTADA. E NÃO ERA DIA DE JOGO…

    Em 1948, na apresentação de Gentil Cardoso como técnico, a torcida do Olaria encheu a arquibancada. Na foto, Gentil Cardoso (de boné) ao lado de seu filho, Pedro Cardoso.

    O dia era 19 de agosto de 1948. E quem fosse ao estádio da Rua Bariri naquela quinta-feira veria as arquibancadas lotadas e o time do Olaria em campo. Mas não era dia de jogo. Naquele dia Gentil Cardoso era apresentado como novo técnico do Olaria. Na companhia de seu filho Pedro e de dirigentes do clube, Gentil Cardoso, um dos grandes técnicos da história do futebol brasileiro, era oficializado à frente do comando do clube da faixa azul, como era chamado na época o Olaria.

    Na imagem acima, publicada em “O Jornal”, enquanto Gentil Cardoso posava para a foto, o time já fazia o aquecimento para os trabalhos que se iniciariam logo a seguir.

    Os tempos eram mesmo outros. Não existiam redes sociais e os técnicos eram apresentados com a presença de público. Por isso, ao invés dos “likes”, o torcedor tinha que ir ao estádio. E, naquele dia, a torcida do Olaria compareceu em peso ao “alçapão”, em plena quinta-feira, para receber e prestigiar Gentil Cardoso. Bons tempos aqueles. E a imagem já diz tudo: se uma única presença já vale mais do que mil cliques, imagine a arquibancada cheia…