Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • 1970: OLARIA NA ÁSIA: Capítulo 2 – O Olaria na Coreia do Sul

    Hoje publicamos o segundo capítulo da série 1970: Olaria na Ásia, falando sobre os três jogos do Olaria na Coreia do Sul.

    Ao desembarcar em Seul a delegação olariense ficou hospedada no hotel Taeyunkak. Os jogadores do Olaria foram muito procurados por torcedores locais que pediam autógrafos. Os torcedores coreanos não apenas conheciam como admiravam muito o futebol brasileiro e se referiam à seleção brasileira como “o time de Pelé”. Faltava um mês para a Copa do Mundo do México e, segundo narrado pelo jornalista Luiz Bayer, os coreanos apontavam o Brasil como favorito a ganhar a Copa, o que se confirmaria.

    Em solo coreano o Olaria teria três compromissos, contra as seleções nacionais A (a principal) e B da Coreia do Sul. Naquela época, os coreanos chamavam a sua seleção principal de Blue Dragon (Dragão Azul) e a seleção B era conhecida como White Tiger (Tigre Branco).

    O Jornal dos Sports deu destaque para o jogo do Brasil contra a seleção B coreana.

    No dia 9 de maio o Olaria enfrentou a seleção nacional B (White Tiger), no Estádio Municipal de Seul. O público foi de 15 mil pessoas e o Olaria empatou em 1 a 1, sendo o gol do Olaria marcado por Pinho.

    O Jornal dos Sports de 9/5/1970 noticiou o empate do Olari em seu primeiro jogo na Coreia do Sul.

    No dia 11, o desafio foi maior, pois o Olaria enfrentou a seleção principal da Coreia (Blue Dragon). Agora com um público de 20 mil pessoas, outro empate de 1 a 1, com Afonsinho tendo marcado o gol olariense.

    No terceiro e último compromisso na Coreia do Sul, dia 13 de maio, o Olaria teria pela frente novamente a seleção principal da Coreia do Sul, com um público ainda maior, de 25 mil pessoas. E nesse terceiro jogo outra vez empate, dessa vez de 0 a 0.

    O Olaria deixava a Coreia do Sul com três empates. A próxima etapa da viagem seria Hong-Kong, onde o Olaria conquistaria a sua primeira vitória na Ásia. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

    PRÓXIMO CAPÍTULO: DIA 11/4 (SÁBADO)

  • 1970: OLARIA NA ÁSIA: Capítulo 1 – O embarque e a delegação

    A partir de hoje o “Memórias da Bariri ” passa a publicar, em 5 capítulos, o histórico da excursão do Olaria a países asiáticos, ocorrida em 1970. Hoje, no primeiro capítulo, falaremos sobre a preparação da excursão e a delegação que embarcou para a Ásia. Nessa excursão o Olaria esteve na Coreia do Sul, Hong-Kong, Indonésia e Irã. Acompanhe os 5 capítulos e fique sabendo como foi mais essa saga internacional do clube da Rua Bariri.

    Em janeiro de 1970 o patrono Álvaro da Costa Mello assumiu a presidência do Olaria e, em sua gestão, o Olaria teve grandes times e realizou grandes campanhas. Naquele ano de 1970 o Campeonato Carioca só começou no final junho, após a Copa do Mundo. Assim, antes do campeonato, o Olaria realizou uma das excursões internacionais mais marcantes de sua história e o destino foi o continente asiático.

    Aquela excursão à Ásia seria a quinta excursão internacional da história olariense. A primeira foi em 1954 (a famosa volta ao mundo); a segunda, em 1962, teve como destino o México, América Central e do Sul; a terceira, em 1964, foi pela América do Sul; a quarta, em 1967, foi para a África. Agora, o Olaria partia para a sua quinta jornada internacional.

    Assim, no dia 5 de maio de 1970, uma terça-feira, a delegação olariense embarcava para Seul, a capital da Coreia do Sul, onde seriam realizados os seus primeiros compromissos em solo asiático. Inicialmente o Olaria embarcou para Tóquio para, em seguida, a viagem prosseguir até a capital coreana. A companhia aérea Pan American foi a responsável pelo transporte da delegação do Olaria, que estava assim constituída:

    Chefe da delegação: Joaquim Souza Teixeira (vice-presidente de futebol);

    Técnico: Paulinho de Almeida;

    Médico: Nílson Alan;

    Jornalista: Luiz Bayer (do Jornal dos Sports);

    Massagista: Horácio Bernardo;

    Rouperio: Antônio da Silva Rosa.

    Jogadores: Pedro Paulo, Mura, Miguel, Mineiro, Altivo, Fernando Pirulito, Afonsinho, Nado, Pinho, Acelino, Torino, Alfinete, William, Fernando, Gessê, Américo e Barbosa.

    No dia do embarque, o Jornal dos Sports destacava:

    “Olaria voa para jogar na Coreia.”

    O Jornal dos Sports noticiou o embarque do Olarie em 5/5/1970.

    Após uma longa viagem, o Olaria chegava, enfim, à Coreia do Sul, onde realizaria três jogos, enfrentando as seleções principal e “B” daquele país. Como foi o Olaria nesses três primeiros jogos em solo asiático? Isso é assunto para o próximo capítulo.

    PRÓXIMO CAPÍTULO: DIA 8/4 (QUARTA-FEIRA)

  • O GOL SUÍNO

    Em uma das vezes que tivermos a oportunidade de encontrar o ídolo Jair Pereira, que muitas alegrias deu aos olarienses, na Rua Bariri, lembramos a ele sobre uma história muito contada pelo saudoso jornalista Sandro Moreira, em seu livro “Histórias de Sandro Moreira”, publicado em 1985. Quando falamos ao Jair Pereira a respeito de uma história do Sandro Moreira sobre ele, ele riu e falou:

    “Já sei. É a história do porquinho!”

    Mas, afinal, que história é essa?

    O ano era 1974 e o time do Olaria faria um amistoso no interior de MInas Gerais. Dizem que o campo não era tão ruim, mas que as instalações do estádio deixavam muito a desejar. Principalmente em relação à segurança, visto que era comum a entrada de pessoas e bichos no gramado. E, numa dessas invasões, teríamos o desfecho estranho e risível da história. Segundo narra Sandro Moreira em seu livro, o Olaria estava no ataque e, quando o ponta-direita bariri ia fazer um cruzamento para a área adversária, confundiu um leitãozinho, que havia entrado no campo, com a bola que estava próxima, chutando o animal, que foi alçado à área sendo cabeceado por Jair Pereira para dentro da rede. Gol do Olaria!

    Após muitas reclamações dos jogadores adversários e hesitações por parte do juiz, o gol acabaria sendo validado. Bom para o Olaria, que teria mais este recorde em sua história: um gol suíno. Verdade ou não, a história se reproduziu, tornou-se pública e, queiram ou não, ficará sempre o dito pelo não dito.

    O que a história de Sandro Moreira não nos fala é sobre o destino do leitãozinho. Ele sobreviveu? Não sabemos, mas de uma coisa temos certeza: se a cabeçada do Jair Pereira foi igual à do gol que ele marcou na vitória do Olaria contra o Fluminense por 3 a 2 naquele mesmo ano de 1974 pelo Campeonato Brasileiro, estejam certos de uma coisa: o leitãozinho de Minas virou torresmo naquele mesmo dia. Que a SUIPA nunca saiba dessa história!

    PS: Há um suporte documental para a história porquinho. Tal suporte é o registro de um amistoso do Olaria na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, em 27 de janeiro de 1974, em que o Olaria venceu por 2 a 0.

  • O CAGÃO DE BACAXÁ

    Muitas vezes pensamos (e até dizemos)que já vimos de tudo no futebol. Já tivemos a oportunidade de presenciar várias situações incomuns e risíveis acompanhando jogos de futebol, mas o que aconteceu no episódio que narraremos é digno de registro em um livro de raridades.

    O que pode levar um jogo de futebol a ser paralisado? Chuva, granizo, falta de segurança, briga, número insuficiente de atletas, time se retirando de campo… Mas um jogo também pode parar por outros motivos…

    O dia era 19 de abril de 2006, uma quarta-feira, e lá fomos nós para Bacaxá, onde o Olaria enfrentaria o Boavista pela segundona do campeonato estadual. O jogo, como muitos na segundona, foi uma saga. O Boavista abriu 2 a 0 de vantagem e parece que a derrota do Olaria se desenhava. E aquele jogo teve todos os ingredientes para ser lembrado apenas pela heroica reação do Olaria, que acabaria empatando, com gols de Jocian e César. E no finalzinho do jogo quase virou, não fosse Fabinho ter perdido um gol incrível. E saímos de lá com o empate de 2 a 2. No entanto, o grande protagonista daquele dia seria o famoso homem “de preto”, como diziam os mais antigos – o ilustre árbitro William Nery. Dizem que quando um árbitro aparece muito em um jogo é porque ele apitou mal. Mas não foi o caso. O que faria de William Nery a grande estrela da partida viria no segundo tempo.

    Pouco depois dos 20 minutos da etapa final, inexplicável e surpreendentemente, o árbitro apitou, determinando a paralisação do jogo. Não houve falta, impedimento, não houve nada que, pelas regras do futebol, justificasse a parada. E não havia, naquela ocasião, parada técnica. William Nery então se dirigiu, correndo, ao seu vestiário, para espanto de seus auxiliares, jogadores e público. Passados cerca de cinco minutos, o dileto juiz voltou sorridente, aparentando alívio e esfregando a mão na barriga. Foi quando as torcidas de Olaria e Boavista, percebendo o motivo da paralisação do jogo, se uniram em uníssono:

    Cagão! Cagão! Cagão!

    William Nery apenas sorriu e autorizou o reinício da partida. Não se falou em outra coisa até o final do jogo. O heroico empate arrancado pelo Olaria ficou em segundo plano. Daquele dia para sempre William Nery ficaria conhecido como “o cagão de Bacaxá”.

    Em vários jogos após esse episódio reencontramos William Nery e, das arquibancadas, lembrávamos o seu feito memorável no Estádio Eucy Resende de Mendonça. E Nery, como boa pessoa que é, sempre levou tudo na esportiva.

  • 1953: E A TABA BARIRI VIROU FAROESTE

    A guerra de cadeiras na Bariri, no jogo entre Olaria e Vasco em 1953.

    O dia era 13 de setembro de 1953 e o Olaria receberia o Vasco na Bariri pelo Campeonato Carioca. A essa altura o estádio do Olaria, chamado de “Taba Bariri”, já estava consagrado como o “alçapão” que fazia tanto os jogadores adversários como os árbitros tremerem. Mas naquele longínquo 13 de setembro o tempo fechou foi entre os torcedores. Em campo o time do Vasco não teve moleza e o jogo terminaria empatado em 1 a 1, com Washington marcando para o Olaria e Ipojucan para a equipe vascaína.

    Porém, fora de campo o pau quebrou entre torcedores de Olaria e Vasco e as armas de ambos os lados foram as cadeiras. Sim, porque naquela época o Olaria colocava à venda cadeiras para quem se dispusesse a pagar um pouco mais e assistir ao jogo com mais conforto. As cadeiras eram numeradas e seus frequentadores considerados a “elite dos pagantes”. E foi exatamente ali que o sururu começou e se alastrou. A confusão teve início quando torcedores do Vasco atiraram uma garrafa no goleiro do Olaria, Celso, que ficou ferido no rosto. Então, os torcedores do Olaria responderam atirando cadeiras contra os torcedores vascaínos e o tumulto se generalizou, a ponto de a temida Polícia Especial ter que entrar em ação. As cadeiras voaram, torcedores pularam o alambrado e, segundo a mídia da época, o tumulto, que foi chamado de “Faroeste Bariri”, durou quase 10 minutos.

    Os presidentes dos dois clubes, Many Crochkatt de Sá, do Olaria, e Cyro Aranha, do Vasco, tiveram que interceder e, naquele dia, a confusão foi tamanha que a bela exibição do Olaria no empate em 1 a 1 com o Vasco ficou empanada pelo tumulto. Se o alçapão exercia pressão sobre os jogadores adversários e sobre a arbitragem, naquele dia ele funcionou em defesa do jogador olariense. Nada, nem ninguém, passariam incólumes no velho alçapão quando se tratava de defender o Olaria, custasse o que for, até o prejuízo que o Olaria teve, naquele dia, com as cadeiras que foram quebradas..

    Em campo, teve futebol e Olaria e Vasco ficaram no 1 a 1. Mas fora de campo a pancadaria comeu e as cadeiras voaram…
    Torcedores pularam o alambrado da Bariri na hora da confusão.
    Polícia Especial em ação na Bariri no dia do “Faroeste” em 1953.
    Enquanto a Polícia Especial procurava pelos brigões, um torcedor se escondeu em cima do muro.
    Os presidentes do Olaria, Many Crhockatt de Sá, e do Vasco, Cyro Aranha, entram em ação para apaziguar a situação.
    O saldo de cadeiras quebradas depois do histórico tumulto na Rua Bariri.

  • 1956: TIJOLO QUENTE DA BARIRI DERRUBA O TRI

    Jogadores do Olaria coememoram o gol de Russo, na vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo em 1956.

    Naquele dia 19 de agosto de 1956 o estádio da Bariri estava lotado. Não cabia mais ninguém no alçapão. Afinal, o Flamengo, tricampeão carioca e sério candidato ao tetra, mediria forças contra o Olaria. O Flamengo era chamado de “rolo compressor”, mas os torcedores rubro-negros que foram à Bariri naquele dia não imaginavam que o “rolo compressor” seria ferido de morte por um tijolo detonado por um jogador chamado Russo. E naquele dia o tricampeão cairia no alçapão.

    O comentário da revista Manchete Esportiva não poderia ter sido melhor:

    “Em Olaria jogaram um tijolo quente na sorte do Flamengo. A história de tricampeão e candidato a tetra não pegou em Bariri”.

    O Flamengo tinha craques consagrados como Dequinha, Dida, Evaristo e Zagallo. Mas naquele dia o alçapão da Bariri não deu trégua para os rubro-negros e o Olaria não se intimidou diante dos tricampeões. No último minuto da primeira etapa Russo marcou o gol da vitória do Olaria e, no segundo tempo, a defesa bariri foi uma parede, neutralizando as investidas do Flamengo. Final: Olaria 1 a 0, em uma vitória histórica. A mídia dizia que, naquele dia, “a Bariri foi assustadora”. E não foi para menos: o tijojo quente disparado por Russo derrubou os tricampeões no alçapão da Bariri…

    Naquele dia Dida e Cia. foram parados pela defesa olariense.
    A Bariri foi assutadora e os tricampeões caíram no alçapão.

  • 1971: OLARIA X FLU: UM JOGÃO E MUITA CONFUSÃO!

    Sururu no jogo Olaria 3 X 3 Fluminense, após a expulsão de Lula. Nesse jogo, faltou pouco para o Olaria derrotar o time que viria a ser o campeão.

    Em 1971 o Olaria teve um dos melhores times de sua história, que brigou até as últimas rodadas pelo título de campeão carioca, mas acabou em terceiro lugar. E um dos grandes jogos que marcou aquela bela campanha aconteceu no Maracanã. Era o dia 30 de maio de 1971 e 21.531 torcedores pagaram ingresso para assistir àquele que seria um dos jogos mais sensacionais da história do Campeonato Carioca: Olaria 3 X 3 Fluminense. A equipe tricolor, que seria a campeã, estava recheada de craques: o goleiro tricampeão Félix e o lateral também tricampeão Marco Antônio, além do goleador Lula. Mas o timaço do Olaria não ficava atrás e tinha Miguel, Afonsinho, Roberto Pinto, Alfinete, Altivo, o goleador Luís Carlos Feijão e outros.

    Logo aos 3 minutos de jogo o Olaria mostraria ao que vinha: Luís Carlos Feijão deu um lençol no zagueiro Assis e tocou para o fundo da rede, abrindo o placar. Mas o Fluminense viraria o jogo ainda no primeiro tempo, com dois gols de Ivair, aos 23 e 31 minutos. Perdendo por 2 a 1, o Olaria partiu para cima do time das Laranjeiras e, quando o primeiro tempo se encaminhava para o fim, aos 36 minutos o zagueiro Assis fez um gol contra: 2 a 2. E, aos 40 minutos, Luís Carlos Feijão foi derrubado na área pelo zagueiro Galhardo. Pênalti! Revoltado coma marcação, Lula atirou a bola no árbitro José Marçal Filho e foi expulso. Teve início então uma grande confusão dentro de campo. Passado o tumulto, Altivo cobrou o pênalti com um violento chute no canto esquerdo de Félix e recolocou o Olaria à frente do placar: 3 a 2.

    No segundo tempo, aos 11 minutos, o lateral Toninho empatou para o Fluminense. E aos 39 minutos, por pouco o Olaria não marcou o gol da vitória, perdido por Salvador. Final: 3 a 3.

    Naquele que foi o jogo mais sensacional do campeonato de 1971, Olaria e Fluminense continuavam na luta pelo título. E o time do Olaria, que já tinha dado “olé” no Botafogo, não se intimidou contra aquele que seria o campeão. Na verdade, nenhum adversário, dentro de campo, foi superior ao Olaria em nenhum jogo. Naquele ano de 1971, os maiores adversários do Olaria estavam fora de campo: de um lado, a Federação Carioca de Futebol, que elaborou uma tabela para prejudicar o clube bariri; de outro, a antiga CBD, que rasgou seu próprio regulamento ao não incluir o Olaria no Campeonato Brasileiro de 1972. Mas isso já é outra história.

    A comemoração de um dos gols do Olaria no eletrizante empate em 3 a 3 contra o Fluminense, no dia 30 de maio de 1971, no Maracanã. O jogador que está acima do bolo é Marco Antônio, que ficou famoso por usar uma fita na cabeça.
    Flagrante de Olaria 3 X 3 Fluminense em 1971, vendo-se os atletas olarienses Miguel e Afonsinho em disputa com três tricolores.
    Marco Antônio, o da fitinha, e, à esquerda, Afonsinho, no 3 a 3 contra o Fluminense. E ainda, o árbitro José Marçal Filho, que entraria para a história do Campeonato Carioca de 1971.

  • 1962: O ENTERRO DO DIABO

    Não, prezados leitores. Não estamos falando da obra do grande escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez e sim do enterro de um estádio que fez história no futebol carioca durante 50 anos. Referimo-nos ao último jogo no estádio do América, na rua Campos Salles, jogo este em que o Olaria enterrou não apenas o estádio do diabo, mas também o seu time.

    O dia era 19 de agosto de 1962 e o Olaria, com o timaço apelidado de “Espantalho”, enfrentaria o América no antigo estádio de Campos Salles. Comandado pelo técnico Duque, o esquadrão bariri pisou no gramado de Campos Salles com Ernani, Murilo, Sérgio, Navarro, Haroldo e Casemiro; Nélson e Valdemar; Salatiel, Rodarte e Romeu. Aquele seria o último jogo da história do estádio de Campos Salles, pois o clube rubro iria se mudar para o estádio do Andaraí, o Estádio Wolney Braune. O timaço do Olaria pisava, assim como seu adversário vermelho, pela última vez naquele estádio. Claro que o jogo, só por esse motivo, já entraria para a história. Com Armando Marques no apito, o timaço da Bariri mandou o diabo para o inferno, vencendo os donos da casa por 3 a 1, com gols de Murilo, Valter e Romeu. Grande vitória olariense. Ali jazia um adversário. Ali jazia um estádio.

    Naquele domingo, 19 de agosto de 1962, o diabo era enterrado pelo Olaria, junto com o seu estádio. E o Olaria entrava para a história como vencedor do último jogo no finado estádio de Campos Salles.

  • 1968: ANTUNES ATROPELA O BANGU

    O time do Olaria, no gramado da Bariri, antes do jogo em que derrotou o Bangu por 3 a 1. Em pé, da esquerda para a direita: Mura, goleiro Ita, Esteves, Mafra, Altivo e Alfinete. Agachados, na mesma ordem: Joãozinho, Válter, Bá, Antunes e Lino.

    “Sétima força parou a fábrica”. (Manchete do Jornal dos Sports do dia 11 de março de 1968, após a grande vitória do Olaria sobre o Bangu por 3 a 1).

    Nos anos 1960 o Olaria era considerado a sétima força do futebol carioca. Já o Bangu, em razão da famosa fábrica de tecidos, era chamado de “fábrica”.

    Memórias da Bariri recorda hoje uma das maiores vitórias do Olaria no alçapão. O dia era 10 de março de 1968 e o clube bariri faria sua estreia no campeonato estadual, recebendo o Bangu. O Bangu vinha cheio de banca. Campeão estadual em 1966 e vice em 1967, o time da zona oeste chegava à Bariri na condição de favorito. Além disso, o Bangu também faria a estreia do jogador argentino Sanfilippo, artilheiro que chegou a jogar no Boca Juniors e San Lorenzo.

    Mas se o Bangu estreava Sanfilippo, o Olaria também estreava um grande artilheiro: Antunes, o irmão de Zico, estreava pelo azul e branco da Bariri e naquele dia seria o pesadelo dos banguenses. Ele foi o dono do jogo, marcando os três gols na espetacular vitória do Olaria por 3 a 1. O jogo mal tinha começado e Antunes abriu o placar logo aso 6 minutos. Aos 15, cobrando pênalti, novamente Antunes. E aos 29, de novo Antunes balançava a rede do Bangu, praticamente liquidando o jogo ainda na primeira etapa.

    No segundo tempo, Aladim marcou o gol do Bangu, o que não chegou a ameaçar a vitória bariri. Final: Olaria 3 a 1. Festa na Bariri. A torcida do Bangu, inconformada, reagiau de uma forma inusitada. Naquela época, era comum os ambulantes venderem laranjas nas arquibancadas. Então, revoltados com a derrota, a torcida do Bangu começou a atirar laranjas para dentro do campo. Mas nada, naquele memorável 10 de março, poderia empanar a grande vitória do Olaria.

    Antunes entrou para a história da Bariri por ser um dos grandes artilheiros do Olaria e, evidentemente, está em nossa galeria de ídolos eternos.

    Antunes, grande artilheiro e ídolo do Olaria em 1968.

  • O DIA QUE FIDEL QUASE MORREU

    Jesualdo José Valente, o Fidel. Grande olariense, quase morreu no dia da maior virada da história do Olaria.

    “Fidel”. Não, não estamos falando do líder da Revolução Cubana e sim de um saudoso e grande olariense chamado Jesualdo José Valente, mais conhecido como “Fidel”. Ícone dos veteranos do Olaria, Fidel literalmente vestia a camisa do nosso clube. Não perdia um jogo, fosse onde fosse, sempre com a camisa do Olaria. Muitas vezes, a emoção a que era levado nos jogos colocava sua saúde e até mesmo sua vida em risco. Mas valia de tudo para ver o Olaria jogar.

    O episódio mais emblemático que ocorreu com Fidel foi no dia 23 de Junho de 1996, quando o Olaria realizou a maior virada de placar da história do Campeonato Carioca: jogando contra o Itaperuna, na Bariri, o Olaria perdia por 4 a 0 até os 28 minutos do segundo tempo, quando então começou a reação que levou a equipe bariri à histórica vitória de 5 a 4. Quando, aos 42 minutos Pedro Renato marcou o gol de empate, em um jogo que já era dado como perdido, Fidel não pôde conter a emoção e desfaleceu. Desmaiado, foi levado até o departamento médico.

    Porém, o inesperado estava por vir. Enquanto estava desmaiado e recebia atendimento, Preto Casagrande marcava, nos acréscimos, o gol da histórica virada. fim de jogo: Olaria 5 X 4 Itaperuna. Pena que Fidel não viu o quinto gol.

    Terminada a partida, Fidel, já com os sentidos recuperados, lembrava-se que havia passado mal logo após o 4 a 4. Já andando na companhia de amigos perguntou, então, quanto tinha terminado o jogo. Ao receber a notícia da virada do Olaria, Fidel novamente não conteve a emoção, passou mal novamente e teve que retornar, desmaiado, ao departamento médico para novo atendimento.

    Felizmente, naquele dia Fidel não morreu. Deus ainda lhe deu vida para ver outras vitórias olarienses e, algum tempo depois, o chamou para seu lado. Na maior virada da história do futebol olariense, Fidel se tornou o emblema dos torcedores do Olaria, que para sempre deverá ser lembrado.