Miguel: o zagueiro que foi ídolo do Olaria em 1971 e, nesse mesmo ano, foi convocado por Zagallo para a seleção brasileira.
Quando, em meados dos anos 1960, um menino nascido em Deodoro chamado Miguel Ferreira de Almeida Pereira se apresentou na Rua Bariri para treinar no infanto-juvenil do Olaria, o técnico Jair Boaventura fez um comentário que era um vaticínio. Disse Jair Boaventura:
“Esse menino tem estampa de seleção.”
Jair Boaventura não era apenas um técnico que sabia tudo de futebol e tinha olho clínico para identificar talentos. Jair Boaventura era, antes de tudo, um grande olariense e queria o melhor para o Olaria. Claro que o garoto Miguel ficou e, em 1967, já era zagueiro dos profissionais do Olaria.
Mas foi em 1971, quando integrou um dos melhores times da história do Olaria, que Miguel chegava ao ápice. Naquele ano, o Olaria chegou na terceira colocação do estadual e Miguel foi convocado por Zagallo para a seleção que iria disputar a antiga Copa Roca com a Argentina e fazer, contra a Iugoslávia, o jogo de despedida de Pelé. É isso mesmo. Miguel, um jogador do Olaria na seleção brasileira!
Depois, ele iria para o Vasco, por onde sagrou-se campeão brasileiro em 1974 e, mais tarde, foi para o Fluminense, onde foi titular na equipe conhecida como “Máquina” e por lá se tornou bicampeão estadual em 1975 e 1976.
Mas foi no Olaria que ele atingiu o auge. Afinal, foi vestindo a camisa azul e branca que ele foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal.
Se Jair Boaventura, seu primeiro técnico, já previa que ele tinha “estampa de seleção”, ele sabia o que dizia. Isso porque, antes de ir para a seleção principal, Miguel, ainda no Olaria, foi convocado para a seleção olímpica. Jornais diziam que ele era “um monstro de Bariri”. Miguel, uma história gigante, assim como gigante é a história do Olaria!
Miguel: ídolo do Olaria, em 1971 foi convocado por Zagallo para a seleção brasileira.
Aspecto da missa campal realizada no Olaria em 1945, pelo retorno dos jogadores Labatut e Aldo, que foram à Segunda Guerra Mundial.
Em setembro de 1945, com a rendição do Japão, terminava oficialmente a Segunda Mundial. E o Brasil esteve no conflito, enviando a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para a Itália, onde os expedicionários brasileiros lutaram contra o fascismo e o nazismo.
O Olaria se orgulha de ter dois de seus jogadores dos anos 1940 nas fileiras da FEB. Foram eles o tenente Rui Almeida Fonseca Labatut (mais conhecido como Labatut)e Aldo. Labatut e Aldo foram militares que orgulharam o Olaria por suas participações na guerra e, felizmente, retornaram aos seus lares. Após o regresso de Labatut e Aldo, a diretoria do Olaria providenciou a celebração de uma missa campal pela volta de seus jogadores da guerra.
Labatut e Aldo jogaram no Olaria em um período difícil, quando o clube ainda amargava estar fora da primeira divisão pelo golpe que sofreu em 1937, mas participava de competições amadoras.
A missa foi dentro do campo de futebol e o jornal A Noite, ao noticiar o evento, referiu-se ao Olaria como “o progressista grêmio da zona da Leopoldina”.
Labatut e Aldo são orgulho dos olarienses não apenas dentro de campo, por darem tudo de si defendendo a bandeira do Olaria como jogadores em um dos períodos mais difíceis da história do clube, mas também por terem ido à guerra e defendido a bandeira brasileira. Os heróis da Bariri regressaram vitoriosos da Itália, mas continuaram na guerra dentro dos campos pela vitórias do Olaria.
Essa é mais uma página de orgulho para os olarienses repassarem e nunca se esquecerem. Abaixo, mostramos o time do Olaria de 1943, com destaque para os dois heróis olarienses que foram à guerra.
O time do Olaria de 1943, destacando Labatut e Aldo, jogadores que foram à Segunda Guerra Mundial.Da esquerda para a direita, Labatut é o terceiro da fila e Aldo é o último.
Há exatos 45 anos, no dia 1º de maio de 1981, no Estádio do Arruda, em Recife, o Olaria conquistava o Campeonato Brasileiro – Taça de Bronze. Com essa conquista, o Olaria entrava no seleto grupo de clubes que são “Campeões Brasileiros”. Sem fazer um jogo sequer na Bariri, nem mesmo o primeiro jogo da final contra o Santo Amaro, o Olaria superou todas as adversidades, inclusive a violência que sofreu na cidade de São Borja no jogo de ida da fase seminal.
Não sem razão o técnico Davi Ferreira, o Duque, afirmou após a histórica conquista: “Fomos heróis.”
No link abaixo, reviva todos os detalhes da maior conquista da história do futebol olariense, desde o primeiro jogo até a chegada triunfal da delegação com a taça no aeroporto do Galeão.
O Estádio Atílio Marotti em 1951, ano de sua inauguração. Ali o Olaria fez história.O jornal Diário da Noite noticiou o jogo inaugural do Atílio Marotti, com a presença do Olaria.
No próximo sábado, dia 2 de maio, o Olaria visitará o Estádio Atílio Marotti, em Petrópolis, onde enfrentará o Serrano pela segunda rodada da série A2 do Campeonato Estadual. E o Olaria , para sempre, estará na história desse simpático estádio. Isso porque a inauguração do estádio foi em um amistoso do Serrano contra o Olaria. Não obstante algumas fontes citarem o dia 7 de julho, os jornais da época atestam que a data da inauguração foi em 9 de setembro de 1951.
O noticiário destacava que o Serrano teria a oportunidade de ver o Olaria, a grande sensação do Campeonato Carioca daquele ano. Na época, o Jornal dos Sports noticiou que uma grande caravana seguiria com a delegação para a cidade de Petrópolis, ávida por assistir a mais uma exibição do “fantasma da Metrópole”.
Naquela tarde de festa em Petrópolis, o Olaria entrou em campo com: Itagoré, Oswaldo e Lamparina; Jair, Olavo e Ananias; Cidinho, Washington, Maxwell, Lima e Esquerdinha.
E o primeiro gol da história do Atílio Marotti foi olariense. Jair abriu a contagem para o Olaria, marcando assim o primeiro gol na história do estádio. O placar final foi 3 a 1 para o Olaria, que carimbou com seu triunfo a inauguração do estádio do Serrano.
Na festa petropolitana em azul e branco, o Olaria, para sempre, escrevia seu nome na história do estádio, tendo assinalado o primeiro gol e alcançando uma vitória maiúscula.
Observação quanto à cronologia: O Jornal dos Sports, de 7 de setembro de 1951, uma sexta-feira, noticiou que o jogo inaugural do estádio seria no domingo, o mesmo acontecendo em relação ao Diário da Noite e Correio da Manhã. Portanto, inferimos que a data da inauguração foi 9 de setembro, apesar de outras menções.
O Jornal Correio da Manhã também atesta o domingo, dia 9 de setembro , como data da inauguração.O Jornal Dário da Noite menciona a partida inaugural do Atílio Marotti, em sua edição da véspera do jogo.O time do Olaria de 1951. Jair, que marcou o primeiro gol da história do Estádio Atílio Marotti, é o quarto jogador em pé, da esquerda para a direita.
A façanha do Olaria foi noticiada pelo jornal A Noite de 23 de setembro de 1942.O diário O Jornal, de 22 de setembro de 1942, na página 10, também noticiou o feito do Olaria, que o tornou recordista de goleada no futebol.
“Você sabia? Que o Olaria mantém o recorde mundial de escore no futebol, abatendo o seu adversário, o River, por 27 X 0?” (Revista do Olaria, julho de 1947, página 19).
A curiosidade publicada na Revista do Olaria em 1947 seria repetida em algumas outras edições. Sim, o Olaria era o recordista mundial de goleada no futebol, ainda antes da existência do Guinness Book. O feito aconteceu no dia 20 de setembro de 1942, no campo da Rua Cândido Silva (antigo nome da Rua Bariri), quando o Olaria goleou o River por 27 a 0. E, diga-se de passagem, não foi jogo amistoso e sim oficial, embora não fosse uma partida da divisão principal.
Até então o recorde pertencia ao Botafogo, que em 1909 goleou o Mangueira por 24 a 0 pelo Campeonato Carioca. Ocorre que, por equívoco ou desconhecimento, a mídia sempre citava o jogo Botafogo 24 X 0 Mangueira como a maior goleada do futebol brasileiro. Só que o Olaria quebrou esse recorde e a façanha olariense, que superou o feito do Botafogo, foi estampada no jornal A Noite, que acrescentava que, com a goleada aplicada, o Olaria se tornava o novo recordista de tentos no futebol.
Já um outro veículo, O Jornal, ao noticiar o feito olariense, diz que o jogo nem despertou muito entusiasmo porque o grêmio local “esmagou” o River por 27 a 0.
A marca atingida em 1942 pelo Olaria chegou a ser recorde mundial. Mas hoje, se o recorde não é mundial, certamente é recorde brasileiro. As provas documentais são incontestáveis. Olaria 27 X 0 River, o recorde de goleada do futebol brasileiro!
Hoje, 26 de abril, comemora-se no Brasil o Dia do Goleiro. O site Olaria Eterno traz à memória, como homenagem aos guardiões da meta olariense, os goleiros do Olaria ao longo da história.
Publicamos a seguir a relação de todos os goleiros do Olaria, desde 1915 até a atualidade, lembrando que de alguns, principalmente mais antigos, não possuímos imagens disponibilizadas e, assim, mencionaremos apenas os seus nomes ou apelidos.
1915: Mário Diogo é o primeiro goleiro do Olaria de que se tem registro na história, tendo atuado em 1915, ano de fundação do clube.
1916 a 1918: Passut , Afonso e Isaac.
1919: Isaac.
1920:Isaace Gervásio.
1921 a 1922 – Isaac.
1923: Waldemar.
1924: Mário Diogo.
1925: Júlio.
1926: João Égua.
1927: João Égua e Argeu.
1928: Argeu.
1929: Argeu e João Égua.
1935 – Ubiratan e Sílvio.
1939 – Juca, Rolim e Bolinha.
1940 – Pinagé.
1941 – Hélio.
1942: Hélio e Batatinha.
1943 a 1944: Júlio , Írio e Machado.
1945 a 1946: Júlio.
João: também conhecido como “João Égua”, brilhou em 1926, 1927, 1929 e no início dos anos 1930 defendendo a meta olariense. Também esteve no elenco campeão invicto de 1931.Amaury: o goleiro campeão invicto de 1931, título que pela primeira vez promoveu o Olaria para a primeira divisão.Também foi o goleiro em 1932, primeiro ano do Olaria na primeira divisão.Zezé: goleiro vice-campeão estadual da primeira divisão de 1933.Ubiratan: goleiro do Olaria em 1934, 1935 e 1936, era muito popular entre os torcedores.Adolpho: goleiro em 1936.Gabriel: goleiro em 1937. Ele está entre os zagueiros Enéas e Alcebíades. Esta é a única imagem disponível do goleiro Gabriel, no dia do jogo Olaria 2 X 2 Portuguesa, em 10 de outubro de 1937.Inglez (com “z”, como aparece nos jornais e fichas): goleiro em 1937.Francisco: goleiro em 1937.Alfredo: goleiro do Olaria em 1947, defendeu o clube durante o Torneio Municipal.Zezinho:goleiro do grande time de 1947, equipe que ficou conhecida como “Fantasma Bariri”.Também defendeu a meta olariense em 1948, 1949 e 1951Sandro: goleiro em 1948.
Em 1948 também atuaram os goleiros: Délio e Gildo.
Martinho: goleiro do Olaria em 1947, time conhecido como “Fantasma Bariri”.Odair: goleiro do Olaria em 1949.Milton: o goleiro do grande time de 1950, quinto colocado no primeiro campeonato estadual da Era Maracanã.Alvarez: goleiro do Olaria em 1951.Itagoré: goleiro do Olaria em 1951.Aníbal: goleiro em 1953 e 1954.Celso:defendeu a meta olariense em 1952 e 1953 e foi o goleiro da excursão da volta ao mundo em 1954.Nessa excursão, defendeu um pênalti contra o West Ham, garantindo o empate de 0 a 0.Ari: defendeu a meta do Olaria em 1955 , 1963 e 1964. Foi o goleiro do Olaria no Torneio Rio-São Paulo de 1963.Ernani: goleiro em 1956.Válter:goleiro em 1956, 1957 e 1958.Antoninho: goleiro em 1959 e campeão do Torneio Início de 1960.Também foi goleiro no Campeonato Carioca de 1960.Félix: goleiro do Olaria em 1959.Cláudio: da Bariri para a seleção brasileira. Cláudio defendeu a meta olariense em 1960 , 1961 e 1962, depois foi para o Santos e seleção brasileira.
Em 1961 também atuou o seguinte goleiro: Alberto.
Ernani em dois momentos na Bariri: goleiro do grande time de 1962, teve atuações heroicas. Otávio: também foi goleiro do grande time de 1962 e atuou em vários jogos.Na foto, Otávio está à direita, em treinamento com seu companheiro Ernani. Manguito: goleiro do Olaria em 1964.Edmar: goleiro do Olaria em 1965.Jurandir: goleiro do Olaria no Campeonato Carioca de 1966.
Em 1966 também atuou o seguinte goleiro: Jaéder.
Edson Borracha: defendeu a meta olariense em 1967.Antes, chegou a fazer parte do grupo da seleção brasileira nos preparativos para a Copa de 1966.Alcir: goleiro do Olaria em 1966 e 1967.Ita: goleiro em 1968.Franz: goleiro em 1968.Azevedo: goleiro em 1969.Ubirajara Alcântara: goleiro do Olarai em 1967 e no Campeonato Brasileiro de 1973.Pedro Paulo: goleiro em 1970 e do grande time de 1971, que ficou em terceiro lugar no campeonato estadual, tendo sido um dos menos vazados na competição.
Em 1970 também atuou: Alair.
Beto: goleiro em 1969. Ele jogou com Garrincha em 1972 e, em 1973, defendeu a meta olariense no Campeonato Brasileiro. A torcida olariense levava faixa para os estádios pedindo sua convocação para a seleção.Jorge Vitório: goleiro do Olaria no Campeonato Brasileiro de 1974.Ronaldo: goleiro do Olaria em 1974 e 1975.Ernani: atuou no Olaria de 1976 até 1979. Vacil: goleiro em 1979.
Em 1979 também atuou o seguinte goleiro: Benício.
Hilton: goleiro campeão brasileiro da Taça de Bronze em 1981.Júnior: goleiro em 1981, do elenco campeão da Taça de Bronze.Jurandir: goleiro campeão estadual da segunda divisão de 1983e goleiro em 1984.Mandarino: goleiro em 1983, atuou na excursão à Europa e África naquele ano.
Em 1984 também atuou o seguinte goleiro: Ricardo.
Flávio: também conhecido como “Índio”, foi goleiro do Olaria em 1981 1982 e 1985.Paulo Goulart: goleiro em 1985.Flávio Tênius: goleiro do Olaria em 1987.Vágner: goleiro que foi destaque do Olaria em 1989, 1992 e 1993.Ica: o goleiro do Olaria que em 1989 , no jogo contra o Vasco, defendeu o pênalti cobrado por Geovani.Jorcey: goleirodo Olaria em 1994.Paulo Renato: goleiro em 1995.Márcio: goleiro do Olaria em 1995.Ricardo Cruz: goleiro em 1996.Alex: defendeu a meta olariense em 1996 e 1997.Braz: defendeu a meta do Olaria entre 1998 e 2000.Azul: defendeu o Olaria no Campeonato Brasileiro (módulo branco) de 2000 e no Campeonato Estadual.Welerson: goleiro do grande time de 2001, que realizou uma excelente campanha no Campeonato Estadual.Cássio: goleiro profissional em 2002 , 2003 e 2004, com grandes atuações e defesas de pênaltis.Marcos Leandro: goleiro do Olaria em 2005.Wilson: goleiro que defendeu o Olaria em 2006.Adriano: goleiro do Olaria em 2006.Vinícius: goleiro do Olaria em 2007 e 2008.Fernando: goleiro do time de 2009, que conquistou o acesso para a primeira divisão.Ângelo: goleiro do time de 2009, que alcançou o acesso, e de 2010, que realizou ótima campanha no Campeonato Estadual.Renan: goleiro do grande time de 2011 no Campeonato Estadual.Henrique: goleiro do grande time de 2011, que chegou às semifinais da Taça Rio.Wanderson: goleiro que atuou no Campeonato Estadual de 2012.Rafael Moreno: goleiro do Olaria em 2013.Gustavo: goleiro do Olaria em 2013.Cléber: goleiro em 2014.Eduardo Espíndula: goleiro em 2015.Adílson Santos: goleiro do Olaria em 2016.Rogger: goleiro do Olaria em 2016.Lucão: goleiro em 2017.Gustavo Pires: goleiro em 2017.Gabriel Luiz: goleiro do Olaria em 2018.Marcelo Mercuri: goleiro em 2018.Jonathan: goleiro do Olaria em 2019.Felipe Eduardo: goleiro do Olaria em 2019.Jeferson: goleiro do Olaria em 2020.Guilherme: goleiro em 2017 , campeão da série A2 em 2021 e campeão da Taça Corcovado em 2022.Também defendeu o Olaria em 2023, 2024 e 2025.Lucas: goleiro em 2022.Pedro Henrique: goleiro em 2023.Marcão: goleiro do Olaria em 2023.Victor Hugo: goleiro que defendeu a meta olariense na Copa do Brasil em 2025, com excelentes atuações, inclusive defendendo um pênalti na partida contra o Brusque.Contra o ABC, sua grande atuação garantiu a vitória e a histórica classificação do Olaria.João Vitor: goleiro do Olaria em 2026.Diego Cerqueira: goleiro em 2026.Rodrigo Lucas: goleiro em 2026.
A camisa do Chicão: escolhida pelo torcedor Rodrigo Boby para contar sua história.
Muitos torcedores também são colecionadores de camisas de seus clubes. E essas camisas também são lembranças de ídolos que marcaram épocas. No caso do Olaria, se pedirmos a um torcedor para apresentar uma camisa especial, ele poderia, por exemplo, mencionar a de Washington, artilheiro nos anos 1950; ou a de Cané, grande jogador do timaço de 1962; ou a de Afonsinho, ícone do time de 1971; ou a de Garrincha, de 1972; ou ainda a de Mauro, o capitão que ergueu a Taça de Bronze em 1981; ou quem sabe a de Ricardo Boiadeiro, artilheiro no início dos anos 2000? Dentre muitas outras…
Mas o trocedor olariense Rodrigo Boby, membro do grupo Amigos da Bancada Olariense, que reúne torcedores do clube bariri, fez uma outra escolha. Ao enviar para a página do Instagram setemcamisatemhistoria a camisa que o marcou como olariense, ele escolheu a de um outro craque, craque este que não jogou em campo, mas nas arquibancadas: a camisa escolhida por ele foi a branca de faixa azul, que era usada pelo torcedor-símbolo Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone. Chicão se tornou um dos torcedores mais famosos do Olaria em fins dos anos 1990 e nos anos 2000, em uma época que não existiam redes sociais como hoje. Mas ainda assim sua presença constante nas arquibancadas com sua inconfundível camisa, seu equipamento acústico e sua bandeira o tornaram conhecidos. Seus bordões, como “Olaria! Olaria! Olaria!” e “Olê olê olê olá, Olaria!” até hoje são lembrados e cantados nas arquibancadas. E Rodrigo Boby, como muitos, se tornou fã do Chicão a ponto de, ao escolher uma camisa para contar a sua história no clube, ter optado pela do Chicão e não a de nenhum jogador. Ter a camisa do Chicão, como disse Rodrigo Boby, era um sonho de infância. Porém ele lamentou não ter havido tempo de Chicão saber da homenagem, pois o nosso querido Chicão faleceu em 2025.
A camisa que o Chicão usava era tradiconal, branca de faixa azul, com o escudo em fundo branco (lembrando modelos dos anos 1940) e a publicidade do Grupo Aurimar. Chicão merece todas as homenagens e já as fizemos nesse espaço. Porém, não podemos deixar de registrar uma homenagem vinda de um jovem torcedor, que foi atleta do clube e acabou tendo um outro torcedor como ídolo. Apenas um lembrete ao Rodrigo Boby: Fica tranquilo, porque o que mais alegraria o Chicão é saber do seu amor pelo Olaria. Assim como o Chicão, todos nós passaremos, mas a paixão pelo Olaria é eterna, e sempre estará presente e será externada em histórias como essa.
Chicão do Megafone, torcedor-símbolo, com sua camisa na arquibancada.
Esquerdinha, desenhado pelo torcedor Júlio Simas Pinto. Ano 1949.
Nos anos 1940 o Globo Sportivo, o suplemento de esportes do jornal O Globo, publicava os desenhos feitos pelos torcedores retratando os ídolos dos diversos times. Pelo que sabemos, nem todos os desenhos eram aprovados pela editoria e havia um processo seletivo que levava em conta a qualidade das obras enviadas pelos torcedores-leitores. Estávamos em uma época em que não existia o que vemos hoje, quando torcedores estampam as fotos de seus ídolos em bandeiras ou paredes.
Vez por outra aparecia no jornal algum desenho de jogador do Olaria. E em uma das edições de 1949 foi publicado o desenho do craque olariense Esquerdinha, feito pelo leitor Júlio Simas Pinto. O leitor produziu uma verdadeira obra-prima, inclusive caprichando no desenho do escudo da camisa. Note-se ainda os frisos da gola e das mangas, que o leitor desenhou exatamente dentro do modelo da camisa usada pelo time.
Esquerdinha, que se chamava William Kepler Santa Rosa, foi um ponta-esquerda que brilhou no Olaria no fim dos anos 1940 e em 1950. Abaixo, publicamos a foto do Esquerdinha para que você compare com o desenho do torcedor olariense. Que tal?
Esquerdinha, craque do Olaria, que foi desenhado por um torcedor em 1949.
O time do Olaria pisa no gramado do Maracanã no último jogo do Campeonato Carioca de 1971. Nas arquibancadas lotadas, a torcida do Olaria exibe a faixa “Olaria o Bonzão”. Era um agradecimento ao Ponto Frio.Na foto podemos identificar, da esquerda para a direita, Roberto Pinto (de perfil), goleiro Pedro Paulo, Salvador, Marco Antônio, Miguel, Antoninho e Afonsinho ainda na escada que dá acesso ao campo.
“Talvez nem um pai fizesse pelo filho o que o Ponto Frio fez pelo Olaria.” (Joaquim Teixeira, vice-presidente de futebol do Olaria em 1971).
26 de junho de 1971. Maracanã lotado. Era a última rodada do Campeonato Carioca e Olaria e Flamengo se enfrentariam. O jogo era para cumprir tabela, pois nenhum dos dois tinha mais chances do título. O Olaria, com um dos melhores times de sua história, fez excelente campanha e ainda poderia chegar ao vice-campeonato, enquanto o Flamengo chegaria, no máximo, em quarto lugar. Naquele dia o recorde de renda da competição foi quebrado, com um total de 812.679,75 (oitocentos e doze mil, seiscentos e setenta e nove cruzeiros e setenta e cinco centavos). Foram 118.314 pagantes. Esse recorde só seria batido no dia seguinte, na final entre Fluminense e Botafogo. A pergunta que se faz: como esse jogo levou tanta gente ao estádio, se não valia mais nada?
Bem, não valia para o Flamengo. Mas para o Olaria valia muito. A antiga CBD estabeleceu que a participação no Campeonato Brasileiro de 1972 só seria assegurada ao campeão carioca. Eram 5 vagas para os cariocas. Além do campeão, os outros quatro seriam incluídos por arrecadação. Ou seja, mesmo chegando em terceiro lugar naquele ano, o Olaria não estaria garantido na competição nacional. O Fluminense, que seria o campeão, estava garantido. Como sabemos, Flamengo, Vasco e Botafogo também já estavam assegurados pelo critério de renda. Faltava uma vaga. E faltava apenas um jogo para o Olaria, que disputava a vaga por renda com América e Bangu.
O Olaria precisava de muita renda, algo em torno de 800 mil cruzeiros. E os ingressos estavam disponibilizados, pois foi colocado um total de 850 mil cruzeiros à venda. Como levar olarienses e flamenguistas ao estádio, de modo que o Olaria pudesse alcançar a renda que precisava? O presidente e patrono do Olaria, Álvaro da Costa Mello, estava muito triste.
Até que, tal como na lenda de São Nicolau, chegou a notícia de que a loja de eletrodomésticos Ponto Frio, em apoio ao Olaria e reconhecendo o grande esforço do clube da Bariri, havia comprado quase toda renda: dos 850 mil cruzeiros, o Ponto Frio comprou 800 mil. Logo se espalhou, às vésperas do jogo, a notícia de que o Ponto Frio havia emitido um cheque visado para a antiga ADEG (Administração dos Estádios da Guanabara),no valor de 800 mil em ingressos. Na época, a ADEG era a entidade responsável pela gestão do Maracanã.
Pronto. Era o suficiente. O Olaria, pela renda, estava garantido no Campeonato Brasileiro de 1972. Isso porque, no dia seguinte, jogariam América e Bangu, em São Januário, e mesmo que nesse jogo fossem vendidos todos os ingressos, eles não alcançariam o Olaria. Enfim, o Olaria era o quinto colocado na renda e estava no Campeontao Brasileiro. O detalhe é que, mesmo com o Ponto Frio comprando quase toda renda e distribuindo os ingressos, ainda foram vendidos 12.679,75 nas bilheterias.
No dia do jogo, o time do Olaria entrou no Maracanã carregando uma faixa com os dizeres “Olaria Bonzão agradece” e nas aquibancadas, a torcida do Olaria, satisfeita, colocou a faixa “Olaria o Bonzão”. Mas por que “Bonzão”? “Bonzão” era o adjetivo que o Ponto Frio usava em sua propaganda, sempre se referindo à loja como “Ponto Frio Bonzão” e era uma palavra que todos associavam diretamente à empresa. Assim, “Bonzão” tinha um forte apelo de marketing. E a torcida do Olaria naquele dia, comemorando e agradecida ao Ponto Frio, colocou na grade da arquibancada a faixa que resumia a gratidão e a parceria com a loja: “Olaria o Bonzão”.
Dentro de campo, o benemérito do Olaria Orlando Barbosa foi um dos que carregou a faixa junto com o time e, quando a faixa estava sendo fechada, ficou, por algum tempo apenas exibindo a palavra “Bonzão”. Foi um dia de festa para o Olaria, dentro de campo e nas arquibancadas.
Porém, o golpe contra o Olaria não tardaria. Logo depois, em uma das maiores patifarias da história do futebol brasileiro, a CBD invalidou a renda e acabou convidando o América para o Campeonato Brasileiro e deixando de fora o Olaria, mesmo com o Olaria tendo a arrecadação exigida. Esse golpe foi mesmo “uma coisa do diabo”. E o Olaria, mesmo golpeado, para sempre seria “O Bonzão”.
A convocação feita nos jornais pelo Ponto Frio Bonzão para o jogo Olaria X Flamengo. Os ingressos foram distribuídos nas lojas e na sede do Olaria.
Selo da promoção Grapettebol com o escudo do Olaria, publicado no Jornal dos Sports de 15 de setembro de 1962. Note-se a grafia de algumas palavras, com a ortografia então vigente.
No início dos anos 1960, uma parceria do Jornal dos Sports com a fábrica de refrigerantes Grapette lançou um álbum de figurinhas de jogadores de futebol. A promoção consistia em juntar 5 chapinhas de Grapette para trocar pelo álbum e 4 chapinhas para trocar por um envelope com 4 figurinhas. Mas haviam selos para colar no álbum que não vinham nos pacotes de figurinhas, e sim publicados no Jornal dos Sports.
Em 1962 um dos selos que foi publicado no jornal foi o que trazia o escudo do Olaria. Lembrando que em 1962 o Olaria teve um dos melhores times de sua história. O interessante era que não havia venda de figurinhas e sim a troca por chapinhas de Grapette. Na época, existiam mais de 500 postos de troca na cidade do Rio de Janeiro. À medida que o álbum ia sendo completado, os colecionadores ganhavam prêmios.
A promoção divulgou não apenas o grande time do Olaria que aparecia nas figurinhas, mas também o clube como um todo, com a publicação do selo com o escudo em um jornal de grande circulação. Estávamos em uma época pré-digital, mas ainda assim o Olaria era divulgado, com seu escudo sendo publicado como selo de um álbum em um dos jornais mais lidos da época.