O craque do Olaria Afonsinho, eleito o melhor de sua posição. Ele integrou a seleção do campeonato e recebeu o troféu “Rei da Bola”.
1971 foi um ano de ouro para o futebol do Olaria. Chegando em terceiro lugar no Campeonato Carioca, o time bariri não se intimidou contra o Fluminense (campeão) e o Botafogo (vice-campeão) e fez bonito contra os dois, que estavam recheados de craques da seleção. Deu até olé no Botafogo…
Após o campeonato, foi entregue o troféu “Rei da Bola”, na época uma promoção do Jornal dos Sports e da loja de roupas Esplanada. Foi então formada uma seleção, sendo que dos 11 jogadores eleitos para a seleção do campeonato, 9 eram de Fluminense e Botafogo (campeão e vice), um do Flamengo e um do Olaria. E o jogador do Olaria que integrou a seleção do campeonato em 1971 foi o meia Afonsinho. Se fôssemos analisar todos os eleitos, evidentemente havia vaga para mais jogadores do Olaria. Mas naquela oportunidade Afonsinho representou bem o clube da Bariri e levou o troféu “Rei da Bola”. A entrega do troféu para os eleitos foi no dia 20 de julho de 1971 e o Olaria, representado pelo seu craque, lá estava, integrando uma seleção repleta de craques tricampeões do mundo.
O troféu recebido pelo craque do Olaria Afonsinho, eleito melhor jogador em sua posição em 1971.
Em 1947 Ademir “Queixada” e Tim “El Peon” se encontraram na Bariri, em um eletrizante Olaria X Fluminense.
O dia 31 de agosto de 1947 entrou para a história do Alçapão da Bariri. Naquele domingo, pelo menos oficialmente, foi registrado o maior público do estádio da Bariri, com 10.740 pagantes. Em campo, Olaria X Fluminense pela 5ª rodada do Campeonato Carioca. Naquele dia, duas grandes lendas do futebol brasileiro estariam no gramado do Alçapão: Ademir Menezes, o “Queixada”, pelo Fluminense, e Tim, “El Peon”, pelo Olaria. O Queixada seria, em 1950, o artilheiro da Copa do Mundo. Já Tim, o famoso “El Peon”, se consagraria como jogador e técnico pelo Brasil afora.Tim chegou à Rua Bariri emprestado pelo São Paulo, e já tinha tido passagens pelo próprio Fluminense e Corínthians, dentre outros clubes. Depois, se consagrou como técnico e virou uma lenda do futebol brasileiro.
Naquele dia na Bariri, no confronto das duas lendas, o grande público que compareceu ao alçapão presenciou um dos jogos mais eletrizantes da história do famoso estádio. O Fluminense tinha um grande time, mas o Olaria, naquele ano, não foi apelidado de “Fantasma Bariri” por acaso. Foi uma chuva de gols e a partida terminou empatada em 4 a 4. O time do Fluminense, que no jogo inaugural do estádio havia derrotado o Expresso do Vasco, não teve o mesmo êxito, agora jogando contra os donos da casa. No confronto entre “Queixada” e “El Peon”, tudo igual. E o “Fantasma”, no impiedoso Alçapão, ia fazendo os seus estragos…
Vista panorâmica do parque aquático do Olaria em 1971.
Em 1971 o parque aquático do Olaria tinha 6 anos de existência e muitas coisas eram diferentes. Na foto acima podemos observar à direita o trampolim, que não mais existe. À margem da piscina olímpica vemos o lava-pés, que também já não existe mais e na beira da grade, os antigos bancos de cimento. Ao fundo, à esquerda, vemos o parquinho. Não existia o quiosque. Em seu lugar, tínhamos um jardim que ladeava o parquinho.
Muitos prédios hoje vizinhos do clube ainda não existiam, bem como o supermercado vizinho, que já se chamou Ideal e Sendas. Podemos ver ainda que, naquele dia, havia treinamento de natação, com atletas nas raias.
Abaixo, uma tomada do parque aquático por outro ângulo naquele ano de 1971:
Na tomada acima, vemos que o ginásio ainda não existia. Em seu lugar, havia uma dependência de palhoça. A escola vizinha do clube (Aníbal Freire) havia sido inaugurada naquele ano. Vemos ainda os antigos postes de iluminação à beira da grade. Percebe-se ainda , à direita, que o campo de futebol society ocupava uma área que logo depois seria do ginásio. É o que mostra a tomada da próxima foto:
Na tomada acima, podemos ver ao fundo, atrás da piscina olímpica, o antigo campo de futebol society, além das antigas mesas e cadeiras e ainda uma pequena cabine. Temos também uma visão frontal do antigo trampolim.
Um detalhe interessante é que a única publicidade existente no parque aquático em 1971 era a do Ponto Frio. Na próxima foto, aproximando a imagem, podemos ver à esquerda o pinguim do Ponto Frio, dentro do qual aparece a palavra “Bonzão”. A solitária publicidade se justificava na época. O Ponto Frio havia sido o grande parceiro do Olaria no Campeonato Carioca daquele ano, ao comprar 800 mil cruzeiros da renda do jogo Olaria X Flamengo, o que garantiu, pelo regulamento, o Olaria no Campeonato Brasileiro. No entanto, a antiga CBD, em um golpe que jamais será reparado, excluiu o Olaria da competição nacional.
Assim, ao trazermos à memória o parque aquático em 1971, também rememoramos a empresa que foi, na história, a grande parceira do futebol do Olaria, com os banhistas tendo a companhia do simpático pinguim do Ponto Frio.
O pinguim do Ponto Frio era a única publicidade do parque aquático em 1971. A empresa foi a grande parceira do futebol do Olaria naquele ano.
O presidente Mello e a comissão de obras apresentando o projeto do estádio da Rua Bariri ao diretor do Jornal dos Sports.O ano era 1945.
Em 1945 João Lyra Filho, então presidente do CND (Conselho Nacional de Desportos) fez uma proposta ao presidente do Olaria, Álvaro da Costa Mello. A proposta de João Lyra Filho também era um compromisso dele com o Olaria:
“Se vocês fizerem esta obra (o estádio) eu lhes asseguro que o Olaria será promovido à primeira divisão”. (João Lyra Filho, a Álvaro da Costa Mello, em 1945).
O Olaria havia sido injustamente afastado da primeira divisão em 1937, após a pacificação do futebol carioca. A proposta de João Lyra Filho era um grande desafio para o Olaria, mas o presidente Mello não pestanejou e se comprometeu em construir o estádio. O primeiro passo foi constituir uma comissão de obras. Para tal, Mello nomeou Antônio Pereira Pinto, José Rodrigues de Carvalho, José Rodrigues Marcelino e Armindo Augusto Ferreira. A comissão não era formada por um grupo de burocratas engravatados e encastelados em gabinetes. Ao contrário, eles metiam a “mão na massa”, como se diz comumente.
Um engenheiro que era associado do clube, chamado José Júlio de Sá Lopes, fez a planta do estádio, sem cobrar qualquer remuneração ao clube. Foi aberto um livro de ouro, encabeçado pelo próprio presidente Mello, e as contribuições dos olarienses possibilitaram a construção. Foram 18 meses de trabalho e, no dia 6 de abril de 1947, o estádio que mais tarde seria batizado de “Mourão Filho” e popularmente conhecido como “Alçapão da Bariri” era inaugurado. O projeto, sonho dos olarienses, virou realidade, com o Olaria voltando à primeira divisão, o time bariri sendo um fantasma e o alçapão um pesadelo para os seus adversários…
Imagem acima: o projeto do estádio do Olaria Atlético Clube.
Neco, o técnico do Olaria em 1947 e 1948. Ele comandou o time que ficou conhecido como “O Fantasma Bariri”.
“O melhor ficou para o fim
O Olaria valoroso de Leleco
Creio que novamente será assim
O fantasma treinado por Neco.” (Quadra publicada na Revista Sport Ilustrado, página 16, de 3 de junho de 1948, de autoria de Alberto Taborda).
“Fantasma Bariri” foi o apelido dado ao time do Olaria de 1947. O apelido já diz tudo: a equipe bariri assustava, e muito, os seus adversários. Naquele ano de 1947 o Olaria inaugurava o alçapão, o seu estádio que seria o terror dos adversários. Mas não apenas o alçapão assustava os visitantes que pisavam no gramado da Bariri. O Olaria tinha um timaço. E esse timaço era dirigido por um grande comandante: Neco.
Manuel da Silva Alves era o nome de Neco. Sob seu comando o Olaria, em 1947, realizou uma ótima campanha no Campeonato Carioca, com grandes vitórias dentro e fora do alçapão. Na Bariri, o Olaria goleou o Bangu por 8 a 3, derrotou o Botafogo por 3 a 2 e aplicou outra goleada, sobre o Bonsucesso, por 5 a 1, e ainda empatou com o Fluminense em 4 a 4. Fora da Bariri, o “Fantasma” também assustava: arrancou um empate em 3 a 3 contra o “Expresso” do Vasco dentro de São Januário e derrotou o Flamengo por 1 a 0, em plena Gávea, com um histórico gol de Spinelli, calando a gaita de Ary Barroso. Tudo sob o comando de Neco, que ainda dirigiu o time no ano seguinte.
Como diz a quadrinha do Taborda, escrita em 1948: “O Olaria valoroso de Leleco… O fantasma treinado por Neco…”
Em 1948, no gramado da Bariri, o técnico Neco dá instruções aos jogadores.
Em 1956, Barbosa, o goleiro da Copa de 1950 e um dos melhores da história, trabalhou com Jair Boaventura no Olaria. Na foto, o então veterano goleiro na Rua Bariri com o técnico do Olaria.
Jair Boaventura foi, na história do Olaria, um dos técnicos que mais teve o “DNA olariense”. Era literalmente cria da Bariri. Seu pai, Neneco, foi atleta e dirigente do Olaria. Jair Boaventura começou dirigindo o infanto-juvenil em 1947 e depois os aspirantes. Ele era também uma espécie de “interino de plantão”, pois sempre que saía algum técnico, ele assumia. Mas nos anos de 1955 e 1956 ele se firmou no comando dos profissionais.
No ano de 1956 Jair Boaventura ganhou um grande reforço para seu trabalho: ninguém menos do que Moacyr Barbosa, o goleiro da Copa de 1950 e um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, foi trabalhar com Jair Boaventura na Bariri. O então veterano goleiro de tantas conquistas foi o grande assistente de Jair Boaventura naquele ano. Com sua experiência, ele deu grande contribuição para a formação da equipe do Olaria naquele ano de 1956.
Jair Boaventura sempre se declarou olariense e os mais antigos sabem que ele era, de fato, apaixonado pelo clube da Rua Bariri. Mas Barbosa também tinha grande admiração pelo Olaria, e nunca escondeu isso. Barbosa era de Ramos e costumava vir ao Olaria, até que, em 1956, veio para trabalhar na Bariri. Boaventura e Barbosa: dois orgulhos do futebol que só o Olaria teve o privilégio de tê-los ao mesmo tempo.
O campo do Olaria em 1930, quando ainda não existia o estádio. Ao fundo, a Igreja da Penha.
Estávamos no ano de 1930. A Rua Bariri ainda se chamava Rua Cândido Silva. O Olaria havia comprado há poucos anos o terreno na rua que mais tarde se chamaria Bariri. E ali instalou o seu campo, onde 17 anos mais tarde seria erguido o lendário “alçapão”.
O preço do terreno da Rua Cândido Silva era alto, custava 80 mil cruzeiros, e o Olaria não dispunha de recursos para efetuar a transação. O clube só tinha 7 mil em caixa. Então, três grandes benfeitores olarienses fizeram uma “vaquinha” e completaram, de seus próprios bolsos, os 73 mil que faltavam. Foram eles: João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira. Assim, o terreno foi comprado e o Olaria agora tinha o seu próprio campo.
A foto acima, de 1930, publicada no jornal Diário da Noite, permite que nos localizemos, tendo como referência a Igreja da Penha, que aparece ao fundo. Assim, dá para perceber a posição original das balizas. Como vemos, uma delas está do lado onde aparece a Igreja da Penha. Logo, o campo era paralelo à Rua Cândido Silva (atual Bariri). Havia apenas uma cerca baixa que separava o campo dos torcedores. Foi exatamente nesse gramado que o Olaria disputou o campeonato da segunda divisão da AMEA de 1931, do qual sagrou-se campeão invicto e ascendeu, pela primeira vez, à primeira divisão carioca.
A partir de 1947, o que era apenas um simples campo com uma pequena cerca, seria transformado no lendário e temido alçapão da já chamada “Rua Bariri”.
Em 1956, quando o Rio de Janeiro ainda era o Distrito Federal, o futebol carioca era comandado pela FMF (Federação Metropolitana de Futebol). E uma das grandes conquistas da história do Olaria aconteceu exatamente naquele ano: o Olaria sagrou-se campeão infanto-juvenil de futebol. O time campeão foi comandado pelo técnico Joanias Fontes.
Naquela época o Olaria já realizava um ótimo trabalho na base, revelando muitos atletas e garimpando outros pelos campos da Leopoldina. Para isso, o Olaria tinha, além do técnico Joanias Fontes, um ótimo “olheiro”, que foi Jair Boaventura, que nessa época também dirigiu o time de profissionais do Olaria.
A equipe campeã infanto-juvenil de 1956 fez história, numa época em que o Olaria, já na base, assustava os seus adversários, dentro ou fora do Alçapão da Bariri.
A faixa de campeão infanto-juvenil de 1956 encontra-se na vitrine de relíquias do Olaria, na entrada do clube. O exemplar da faixa foi doado pelo campeão José Carlos Vilaça Willeman, o que proporciona aos sócios e visitantes poderem ver um dos maiores símbolos dessa conquista. José Carlos Vilaça hoje é sócio emérito do Olaria, por ter sido campeão em 1956 e essa conquista ficará para sempre na memória dos olarienses.
O ano era 1945. No centro, o primeiro presidente do Olaria, Hermogêneo Vasconcellos, à esquerda o secretário-geral Leibnitz Miranda e à direita o presidente e patrono Álvaro da Costa Mello.
Em 1945, quando o Olaria completou 30 anos de existência, o então presidente Álvaro da Costa Mello recebeu uma ilustre visita: o primeiro presidente do clube, Hermogêneo Vasconcellos, então com 80 anos de idade, esteve na Rua Bariri para abraçar o presidente Mello. Ao chegar na sede da Rua Bariri, o primeiro presidente do Olaria, que também foi um dos fundadores do clube, foi recebido por Mello e pelo secretário-geral Leibnitz Miranda, o Lazinho.
Na ocasião, o presidente Mello estava empenhado no projeto de construção do estádio do Olaria. Passados 30 anos desde quando Hermogêneo foi presidente, muita coisa havia mudado. Naquele dia, o primeiro presidente do clube pôde ver com orgulho o fruto da semente que ele e outros fundadores lançaram em 1915.
O encontro do primeiro presidente com o patrono do clube foi uma data histórica. Muitos pensam, inclusive, que eles jamais teriam se encontrado.
Aliás, a foto acima, de 1945, é emblemática. Temos Mello, então presidente, Hermogêneo, o primeiro presidente em 1915 e Leibnitz Miranda, o futuro presidente que assumiria em 1950. Com certeza, a visita do primeiro presidente do clube foi o melhor presente naquele aniversário de 30 anos do gigante azul e branco da Leopoldina!
Hermogêneo Vasconcellos, o primeiro presidente do Olaria e um dos fundadores do clube. Em 1945, com 80 anos de idade, ele visitou o clube que fundou e presidiu em 1915, sendo recebido pelo então presidente Álvaro da Costa Mello.
Aymoré Moreira, quando iniciou sua carreira de técnico no Olaria, em 1947.
“Um aviso a quem possa interessar: o Olaria venderá sempre caro suas derrotas”. (Aymoré Moreira, técnico do Olaria em 1947, em entrevista ao Jornal dos Sports.)
Muitos técnicos que se consagraram no futebol iniciaram suas carreiras no Olaria. E um deles chegou a comandar a seleção brasileira na conquista de uma Copa do Mundo. Estamos falando de Aymoré Moreira, o técnico da seleção brasileira que ganhou a Copa de 1962 no Chile. Apelidado de “Biscoito”, por razões óbvias, Aymoré Moreira, como jogador, atuou como goleiro, se destacando principalmente no Botafogo. Logo que deixou de jogar, inicou na Rua Bariri a carreira de treinador, em 1947.
Naquele ano, o futuro técnico campeão do mundo com a seleção brasileira tinha uma grande responsbilidade: o Olaria havia acabado de voltar à primeira divisão e disputaria, além do Campeonato Carioca, o Torneio Municipal.
Aymoré começou a dirigir o time do Olaria no torneio Muncipal, competição que, na época, antecedia o Campeonato Carioca. Sua estreia oficial como técnico do Olaria foi em 12 de abril de 1947, contra o Canto do Rio, no estádio de Figueira de Melo, com o jogo terminando empatado em 1 a 1. Era a primeira rodada do Torneio Municipal. Muitos dos jogadores que trabalharam com Aymoré Moreira no Torneio Municipal foram fundamentais, logo depois, para a ótima campanha que o Olaria realizou no Campeonato Carioca daquele ano de 1947, a ponto de ficar conhecido como “O Fantasma Bariri”. Aymoré não chegou a comandar o Olaria no Campeonato Carioca daquele ano, mas lançou as sementes para a formação do elenco do Olaria em seu triunfal retorno à primeira divisão. 15 anos depois, ele comandaria a seleçao brasileira que conquistou o bicampeonato no Chile.
O time do primeiro jogo do Olaria treinado por Aymoré Moreira em 1947, no gramado de Figueira de Melo: Em pé, da esquerda para a direita: Spinelli, Ananias, Laércio, Alfredo, Esquerdinha e Leleco. Agachados, na mesma ordem: Nelsinho, Paulo, Tião, Limoeiro e Jorginho.