
A foto acima foi tirada no gramado da Rua Bariri, no dia 14 de agosto de 1955, antes do jogo Olaria X Fluminense pelo Campeonato Carioca. Como podemos notar, o estádio estava lotado. A imagem mostra a retaguarda olariense, com Osvaldo, o goleiro Ari e Renato em pé e Moacyr, Olavo e Dodô agachados. Naquele dia, o Olaria deu muito trabalho aos tricolores, que venceram por 2 a 1. Telê Santana, que seria tempos depois o técnico da seleção, estava em campo pela equipe do Fluminense.
Dos seis jogadores da foto, com exceção do goleiro Ari, todos os demais estiveram no ano anterior na excursão da volta ao mundo, quando o Olaria realizou 30 jogos em um giro por quatro continentes.
No dia daquela foto ninguém poderia imaginar o que aconteceria na partida e o que virou notícia não foi tanto a vitória do Fluminense e sim a cena em que Olavo colocou o árbitro Antônio Musitano para correr, após ter sido expulso junto com Telê Santana. Olavo chegou a agredir o árbitro e depois justificou sua atitude afirmando que teria sido vítima de uma ofensa racista por parte do juiz. Foi um dia que entrou na história do alçapão da Bariri.
A cena de Olavo correndo atrás do árbitro viralizaria se naquela época existissem redes sociais. No entanto, é bom lembrar que a imagem de Olavo não pode ser associada à violência, já que ele nunca foi violento. Ele apenas acionou o seu “protocolo de porrada” em uma reação instintiva contra uma ofensa racista de um árbitro. E isso praticamente lhe custou a carreira. Na época, até o grande cronista Nélson Rodrigues, torcedor apaixonado do Fluminense, escreveu um artigo em defesa do jogador do Olaria.
Lamentamos que, naquela época, o racismo já era uma praga que rondava os gramados. E, ao que parece, nos dias de hoje a coisa piorou pelo mundo afora. Como ainda não existia o tal protocolo, Olavo fez o que fez. Até porque, caso existisse, o árbitro não acionaria qualquer protocolo contra ele mesmo.
A foto é emblemática e mostra como a equipe do Olaria era formada predominantemente de negros. Olavo, naquele dia, defendeu não apenas o Olaria dos atacantes do Fluminense, mas também a sua honra, de seus companheiros e de todos os seus colegas de profissão.
Para maiores detalhes sobre o episódio envolvendo Olavo e o árbitro Antônio Musitano, acesse:
Deixe um comentário