Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • A COMPRA DO TERRENO PARA O ESTÁDIO

    Se o Olaria tem hoje um estádio, devemos a João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira. Eles compraram o terreno da Rua Bariri.

    Desde quando foi fundado, em 1915, o Olaria ficou algum tempo sem ter um campo próprio. Inicialmente, as primeiras traves para a prática do futebol foram fincadas nos fundos da casa de Hermogêneo Vasconcellos, um dos fundadores e primeiro presidente do clube. Mais tarde, o Olaria passou a utilizar o campo em um terreno em frente à estação, na Rua Leopoldina Rego, onde hoje localiza-se a Igreja de São Geraldo. Também ocupou um terreno de propriedade de Custódio Nunes, que mais tarde vendeu-o e o Olaria ficou sem campo. Para resolver essa situação, o clube tinha que comprar um terreno e ter onde instalar seu campo.

    No final dos anos 1920 os olarienses de então ventilaram a compra de um terreno na rua Cândido Silva (atual Bariri) e foram até lá para conhecer as condições de venda. O valor era 80 mil cruzeiros, mas o Olaria só dispunha em caixa de 7 mil. Foi então que três grandes olarienses tiraram de seus próprios bolsos os 73 mil cruzeiros que faltavam. João Fernandes Ferreira, o Presidente de Honra do clube, doou 45 mil; Rachid Bunahum 26 mil e Armindo Augusto Ferreira 2 mil. Estes três grandes olarienses são os responsáveis pelo Olaria ter hoje um campo e estádio, o que muito nos orgulha. Isso, sem qualquer ajuda de poderes públicos. Após a compra, já no início dos anos 1930, o Olaria começou a fazer seus jogos oficiais na Bariri, que ainda se chamava Cândido Silva. O estádio seria inaugurado em 6 de abril de 1947 e em 1952, finalmente, o Olaria teria lavrada a escritura definitiva do terreno, para orgulho de todos os olarienses.

    OBS: Antes de se chamar “Bariri”, a rua em que o Olaria comprou o terreno era chamada “Cândido Silva” e, nesse período, o endereço do Olaria era Rua Cândido Silva, 131. Com a mudança do nome para “Bariri”, a numeração também foi alterada e o Olaria passou a ser o número 251.

  • 1949: PREFEITO MENDES DE MORAES VISITA O OLARIA

    O prefeito Ângelo Mendes de Moraes em visita ao estádio do Olaria em 17 de julho de 1949. Mendes de Moraes tornou-se benemérito do Olaria.

    Em 1949 o Rio de Janeiro ostentava a condição de capital do país e, portanto, era o Distrito Federal. A cidade era governada, na época, pelo general Ângelo Mendes de Moraes. Mendes de Moraes entraria para a história do estádio do Olaria, tendo visitado o mesmo no dia 17 de julho de 1949 para anunciar as obras de calçamento da Rua Bariri. As obras iriam facilitar o acesso dos torcedores ao recém-inaugurado estádio. Leibnitz Miranda, o Lazinho, à época diretor do Departamento Jurídico, havia requerido ao então prefeito Mendes de Moraes o calçamento da Rua Bariri, tendo obtido êxito. Também intercederam junto à Prefeitura para o calçamento da Rua Bariri João Lyra Filho e João Alberto Marques Porto.

    O prefeito Mendes de Moraes seria mais tarde contemplado com o título de benemérito do Olaria.

  • OLARIA: PRIMEIRO BRASILEIRO A JOGAR COM O CHELSEA FORA DO BRASIL

    O empate do Olaria contra o Chelsea, em 1954, foi destaque na imprensa na época. O recorte acima é do jornal A Noite, em sua edição de 3 de maio de 1954.

    Bem antes de Corinthians, Palmeiras e Flamengo, o Olaria foi o primeiro clube brasileiro a enfrentar o Chelsea fora do Brasil. O jogo aconteceu no dia 1 de maio de 1954, em Luxemburgo. Na ocasião, o Olaria fazia a excursão da volta ao mundo e acabou encontrando o time inglês em Luxemburgo. O jogo terminou empatado em 1 a 1.

    Há de se registrar que, na temporada seguinte, o  Chelsea conquistaria seu primeiro título na Liga Inglesa, o que mostra que o Olaria conseguiu um ótimo resultado diante de uma grande equipe e, portanto, representou muito bem o futebol brasileiro. Nesse dia, o Olaria também entraria na história por se tornar  o primeiro clube brasileiro a jogar em Luxemburgo.

    Nessa mesma excursão, o Olaria ainda jogou contra um outro gigante inglês, o West Ham, com quem também empatou, além de Fenerbarch, Atlético de Madrid, Galatassaray e outros, o que mostra a tradição internacional do Olaria.

  • O PRIMEIRO GOL DO OLARIA NO ALÇAPÃO DA BARIRI

    Tim: ele marcou o primeiro gol do Olaria no Alçapão da Bariri.

    O Estádio do Olaria foi inaugurado no dia 6 de abril de 1947. Mas no dia da inauguração de seu estádio, o Olaria não entrou em campo. Isso porque o jogo inaugural foi entre Fluminense e Vasco, com vitória do Fluminense por 5 a 4. E o primeiro gol da história do Alçapão foi marcado por Rubinho, do Fluminense.

    Mas quem marcou o primeiro gol do Olaria no estádio? Bem, o Olaria só viria a jogar uma partida em seu próprio estádio quatro meses depois da inauguração, com o início do Campeonato Carioca. E foi em 10 de agosto de 1947 que o Olaria jogou pela primeira vez uma partida oficial em seu recém-inaugurado estádio. O adversário foi o Flamengo. Naquele dia um bom público compareceu à Rua Bariri, com 8.411 torcedores pagantes. O Olaria saiu derrotado do do confronto pelo placar de 2 a 1, mas o jogo entraria para a história olariense como aquele em que foi assinalado o primeiro gol do Olaria no estádio. E o autor do primeiro gol do Olaria no velho alçapão foi uma das figuras mais icônicas do futebol brasileiro: Elba de Pádua Lima, mais conhecido como Tim e também apelidado de “El Peón”. Tim jogou pelo Olaria em 1947 e 1948 e chegou a ser jogador e técnico ao mesmo tempo.

    O gol de Tim, o primeiro do Olaria em seu estádio, foi marcado aos 10 minutos do segundo tempo, e foi de cabeça, quando o Olaria perdia por 1 a 0. Tim aproveitou uma boa cobrança de escanteio feita por Alcino e cabeceou para o fundo da meta do goleiro rubro-negro Luiz Borracha.

    Estava marcado, assim, o primeiro gol do Olaria no Alçapão da Bariri. Tim brilhou como jogador e técnico em vários clubes do Brasil. Mas no Olaria, ele entrou para a história por ter feito o primeiro gol do clube no Alçapão da Bariri.

  • A AMPLIAÇÃO DO ALÇAPÃO

    Da esquerda para a direita: presidente Edmundo Cigarro, José Ermírio de Moraes, Otávio Pinto Guimarães, Waldyr Vital e Ivan Soares, durante a visita o José Ermírio de \Moraes, do Grupo Votorantim, ao Olaria. José Ermírio doou o cimento para a ampliação das arquibancadas do estádio do Olaria.

    No início dos anos 1980 o famoso Alçapão da Rua Bariri teria a sua capacidade de público ampliada. Isso porque, além da construção da Social, com capacidade para mais de 1000 pessoas, um novo lance de arquibancadas foi construído. Até então, as arquibancadas populares só iam até a metade do campo. Porém, as obras de ampliação fizeram as arquibancadas ultrapassar a linha do meio do campo. Além da ampliação das arquibancadas já existentes, um novo lance foi construído atrás do gol da Plínio Bastos, onde hoje se situa a feirinha. Com essas obras, a capacidade do velho alçapão passaria para 10 mil pessoas.

    Estávamos na administração do presidente Edmundo dos Santos Cigarro e essas obras só foram possíveis graças à ajuda inestimável de um grande parceiro do Olaria: o empresário José Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantin. Foi José Ermírio de Moraes que doou todo o cimento para a ampliação das arquibancadas do Velho Alçapão e ele próprio visitou o estádio do Olaria para ver o andamento das obras. Em 1982 ele esteve no estádio e foi recebido pelo presidente Edmundo e outros dirigentes. Pela grande contribuição que deu ao Olaria, José Ermírio de Moraes foi agraciado com o título de benemérito do clube.

    Em 1980 o Patrono Mello visitou as obras de ampliação do estádio da Bariri. Da esquerda para a direita: Orion de Souza, presidente Edmundo, Álvaro da Costa Mello, Mário Thomé, Valdner Vianna, Edson Barreiros, Fausto Guimarães e Farido Saieg.
    Aspecto das obras de ampliação das arquibancadas em 1980.

  • A PRIMEIRA MULHER VICE-PRESIDENTE DO OLARIA

    Marisa Candol, a primeira mulher a ser vice-presidente na história do Olaria, em 1971, com os atletas Luiz Antônio e Roberto Paiva.

    Em agosto de 1971 José Maria de Carvalho Júnior assumiu a Presidência do Olaria, para completar o mandato do Patrono Álvaro da Costa Mello, que havia renunciado. Mello ficou desgostoso com o golpe sofrido pelo Olaria quando, mesmo tendo cumprido o que a CBD exigiu, não foi incluído no Campeonato Brasileiro.

    Ao assumir, José Maria de Carvalho fez poucas alterações na diretoria, deslocando alguns vice-presidentes e convidando outros. Porém, uma de suas nomeações entraria para a história: ele nomeou Marisa de Carvalho Candol para a vice-presidência do Departamento Náutico. Com este ato, pela primeira vez na história uma mulher ocupava o cargo de vice-presidente no Olaria.

    No período em que Marisa Candol esteve à frente do Departamento Náutico, a natação olariense não apenas fomentou atletas, mas trouxe grandes conquistas para a Rua Bariri, como podemos ver na foto acima.

    Depois de Marisa Candol, outras mulheres viriam a ocupar os mais diversos cargos no Olaria e, em breve, falaremos também sobre elas.

  • AS TURMAS DE OLARIA… E DO OLARIA!

    A Turma da Pedra no carnaval de 1979.

    “Tô aí o que é que há? Tô aí o que é que há? Com a Turma da Pipoca, eu não posso parar…” (Trecho do samba da Turma da Pipoca, 1973).

    “Você, menina triste, tão solitária, sem coração, venha para a Turma da Pedra…” (Trecho do samba da Turma da Pedra, 1978).

    “Amor, amor, amor, não aceito sua queixa, sei que você não me deixa…” (Trecho do samba da Turma do Trigão, 1980).

    Pipoca, Pedra e Trigão. Nos anos 1970 e até meados dos anos 1980, as turmas de Olaria não eram apenas grupos carnavalescos do bairro. Também eram do clube. Em comum, todas as turmas frequentavam os carnavais do Olaria e seus componentes, em grande parte, eram sócios do clube.

    A Turma da Pipoca é um pouco mais antiga. Liderada por Roberto Cavalo, tinha uma tropa que ficou famosa por ser conhecida como uma turma de brigões: Albertinho, Cartinha, Zé da Merda, Mamão e até o Nelinho, lateral da seleção, faziam parte da Turma da Pipoca. No carnaval, desfilavam pelas ruas do bairro e iam para os bailes do Olaria. A Pipoca também era a maior torcida organizada do Olaria nos anos 1970: eles acompanhavam o time, não importando onde o Olaria fosse jogar. Eles se concentravam na esquina das ruas Filomena Nunes com Leopoldina Rego. Em 1973, ocuparam um terreno na Rua Filomena Nunes onde tinha uma quadra e ali se instalaram para realizar seus ensaios. Chegaram a ter até a presença do Rei Momo em um de seus eventos.

    A Turma da Pedra teve como um de seus primeiros líderes José Pinto Monteiro. Seu irmão, Augusto Pinto, o Pintinho, e Heitor Belini, também foram líderes da turma e, tempos depois, ambos seriam presidentes do Olaria. A Pedra ensaiava em uma quadra bem ali na estação de Olaria, na esquina das ruas Alfredo Barcelos com Leocádia Rego. A Turma da Pedra também desfilava pelas ruas de Olaria e teve muitos integrantes.

    A turma do Trigão veio depois, na virada dos anos 1970 para 1980. Liderada por Carlinhos Galego, eles ensaiavam na esquina das ruas Filomena Nunes com Leopoldina Rego, onde ficava o Bar da dona Aida e do seu Gonçalves, pais de Carlinhos Galego. Eles “herdaram” o local antes ocupado pela Turma da Pipoca. Por alguns anos, a Turma do Trigão também movimentou o carnaval do bairro e do clube.

    E onde essas turmas se encontravam? Nos carnavais do Olaria. Velhos e bons tempos, onde até rolava alguma rivalidade, mas não havia briga: todos eram Olaria e as turmas eram uma atração à parte numa saudosa época em que ninguém precisava sair do bairro ou do Olaria para ter um carnaval de verdade.

    Nos anos 1970, a Turma da Pipoca era, além de bloco de carnaval, torcida organizada do Olaria.
    A Turma da Pedra no Carnaval do Olaria de 1976.
    A Turma da Pedra no ginásio do Olaria, em um baile de carnaval.
    A Turma do Trigão no ginásio do Olaria, em um baile de carnaval.
    A Turma do Trigão: na esquina das ruas Leopoldina Rego e Filomena Nunes, e também nos carnavais do Olaria, eles faziam a festa.

  • FUNCIONÁRIOS TAMBÉM FAZEM O OLARIA ETERNO

    1967: na beira da piscina do Olaria Marlene, Mariza Heloiza, Guilherme, Nisse e Leny, funcionários do Olaria que fizeram história no clube.

    Presidentes, atletas, torcedores, sócios… todos fazem a história do Olaria e todos fazem o Olaria ser eterno. Mas não podemos nos esquecer de uma categoria que, sem ela, o Olaria não teria como viver e progredir: os funcionários.

    Nessa postagem, voltamos ao ano de 1967 e trazemos à memória as funcionárias da Secretaria Marlene, Mariza Heloiza (esta, ainda em atividade), Nisse e Leny e ainda o funcionário Guilherme, que fazia a contabilidade do clube. Como podemos ver, as funcionárias trajavam um uniforme estiloso. Eram tempos em que o trabalho era mais artesanal e “analógico”, sem internet ou computadores. As carteiras dos sócios eram datilografadas, assinadas uma a uma pelo presidente e plastificadas. As fotos das carteiras, 3 X 4, em sua maioria eram feitas na “Foto Hélcio”, bem ali na estação. Já os expedientes da Secretaria eram datilografados e os recibos de pagamento prensados com uma placa de metal carregada de tinta.

    Enquanto isso, na contabilidade, o “seu” Guilherme, apenas com livros de registros, realizava sua missão de fazer as anotações. Mas se não dispúnhamos da tecnologia de hoje, não faltavam dedicação e amor pelo Olaria. Vocês, funcionários, também fizeram e fazem o Olaria ser eterno!

  • VEJAM O OLARIA EM 1974

    Vista panorâmica do Olaria em 1974.

    A foto é de abril de 1974 e abrange todo o complexo social e esportivo do Olaria Atlético Clube. Podemos perceber como o clube era diferente e, consequentemente, apontar as mudanças ocorridas em mais de 50 anos que nos separam daquela data. Reparem como o Olaria cresceu, como o Olaria se transformou. Destacamos os seguintes aspectos:

    • Ainda não existiam as arquibancadas sociais, que só começaram a ser construídas em 1979, e também não tínhamos o prédio administrativo que hoje ali se encontra;
    • As arquibancadas eram menores e só iam até a metade do campo e ainda não existia a arquibancada atrás do gol da Plínio Bastos. Note-se que a arquibancada atrás do gol da Bariri ia muito além do que vai hoje, sendo que uma parte foi demolida porque virou “ponto cego” após a inversão do campo;
    • Ainda podemos ver a antiga quadra ao lado das arquibancadas, onde mais tarde seria a extensão das arquibancadas, e não tínhamos o posto e nem a feirinha;
    • Os campos do society e dos brotinhos ainda eram de terra e, quando chovia, o piso virava lama;
    • Podemos avistar o jardim que ficava entre o parquinho e as piscinas, onde hoje encontra-se o quiosque;
    • Entre os campos dos brotinhos e do society, vemos o antigo prédio que foi o Departamento Náutico, a Escolinha e a sala de judô, tendo acima um terraço onde, na época, ficava uma acanhada cabine de rádio. Hoje, naquele local situa-se a academia;
    • Note-se que há uma sobra de área no campo dos brotinhos. Quando a social foi construída, ela passou a ocupar parte do que era o campo dos brotinhos, que foi recuado para o espaço que sobrou;
    • Percebe-se também que muitos prédios vizinhos ao Olaria ainda não existiam;
    • A foto certamente foi tirada em um dia movimentado no clube, pois percebe-se uma boa frequência nas piscinas;
    • Finalmente, percebe-se que o ginásio, inaugurado há pouco tempo, é, então, o equipamento mais novo do clube.

  • 1978: OS VETERANOS E A TRADIÇÃO NO GRAMADO DA BARIRI

    1978: os veteranos do Olaria com dirigentes e beneméritos. A foto ficou para a posteridade e hoje a trazemos para nossa memória.

    Poucas vezes uma foto reuniu tanta tradição dentro do gramado da Rua Bariri. Em 1978 o time de veteranos do Olaria realizou uma partida na velho Alçapão. Antes do jogo, a tradicional foto, que reuniu a tradição olariense desde os anos 1930: além de atletas que se consagraram com a camisa azul e branca, beneméritos e dirigentes que, ao longo do tempo, marcaram a história do clube. Na foto, além de jogadores que se destacaram com a camisa olariense, como o goleiro João Égua, Nélson, Norival, vemos ainda ícones dos veteranos na época, como Álvaro Augusto de Carvalho, Gaspar e o popular Sete Cabeças.

    Entre dirigentes e beneméritos vemos o presidente Edmundo Cigarro, Pina, Nélson Lyra, Ibraulino Galeão, Norildo Lyra, Waldyr Vital, Rodrigues, Antônio Ribeiro, José Tavares Panza, Antônio Martins Coelho, Gil Funke e outros.

    Naquele longínquo 1978, não foi apenas um jogo dos veteranos que aconteceu na Bariri. Aliás, nem sabemos qual foi o placar. Mas a foto antes da partida ficou para a posteridade, para trazermos para o presente todos esses que também fizeram o nosso Olaria ser eterno.