Marisa Candol, a primeira mulher a ser vice-presidente na história do Olaria, em 1971, com os atletas Luiz Antônio e Roberto Paiva.
Em agosto de 1971 José Maria de Carvalho Júnior assumiu a Presidência do Olaria, para completar o mandato do Patrono Álvaro da Costa Mello, que havia renunciado. Mello ficou desgostoso com o golpe sofrido pelo Olaria quando, mesmo tendo cumprido o que a CBD exigiu, não foi incluído no Campeonato Brasileiro.
Ao assumir, José Maria de Carvalho fez poucas alterações na diretoria, deslocando alguns vice-presidentes e convidando outros. Porém, uma de suas nomeações entraria para a história: ele nomeou Marisa de Carvalho Candol para a vice-presidência do Departamento Náutico. Com este ato, pela primeira vez na história uma mulher ocupava o cargo de vice-presidente no Olaria.
No período em que Marisa Candol esteve à frente do Departamento Náutico, a natação olariense não apenas fomentou atletas, mas trouxe grandes conquistas para a Rua Bariri, como podemos ver na foto acima.
Depois de Marisa Candol, outras mulheres viriam a ocupar os mais diversos cargos no Olaria e, em breve, falaremos também sobre elas.
“Tô aí o que é que há? Tô aí o que é que há? Com a Turma da Pipoca, eu não posso parar…” (Trecho do samba da Turma da Pipoca, 1973).
“Você, menina triste, tão solitária, sem coração, venha para a Turma da Pedra…” (Trecho do samba da Turma da Pedra, 1978).
“Amor, amor, amor, não aceito sua queixa, sei que você não me deixa…” (Trecho do samba da Turma do Trigão, 1980).
Pipoca, Pedra e Trigão. Nos anos 1970 e até meados dos anos 1980, as turmas de Olaria não eram apenas grupos carnavalescos do bairro. Também eram do clube. Em comum, todas as turmas frequentavam os carnavais do Olaria e seus componentes, em grande parte, eram sócios do clube.
A Turma da Pipoca é um pouco mais antiga. Liderada por Roberto Cavalo, tinha uma tropa que ficou famosa por ser conhecida como uma turma de brigões: Albertinho, Cartinha, Zé da Merda, Mamão e até o Nelinho, lateral da seleção, faziam parte da Turma da Pipoca. No carnaval, desfilavam pelas ruas do bairro e iam para os bailes do Olaria. A Pipoca também era a maior torcida organizada do Olaria nos anos 1970: eles acompanhavam o time, não importando onde o Olaria fosse jogar. Eles se concentravam na esquina das ruas Filomena Nunes com Leopoldina Rego. Em 1973, ocuparam um terreno na Rua Filomena Nunes onde tinha uma quadra e ali se instalaram para realizar seus ensaios. Chegaram a ter até a presença do Rei Momo em um de seus eventos.
A Turma da Pedra teve como um de seus primeiros líderes José Pinto Monteiro. Seu irmão, Augusto Pinto, o Pintinho, e Heitor Belini, também foram líderes da turma e, tempos depois, ambos seriam presidentes do Olaria. A Pedra ensaiava em uma quadra bem ali na estação de Olaria, na esquina das ruas Alfredo Barcelos com Leocádia Rego. A Turma da Pedra também desfilava pelas ruas de Olaria e teve muitos integrantes.
A turma do Trigão veio depois, na virada dos anos 1970 para 1980. Liderada por Carlinhos Galego, eles ensaiavam na esquina das ruas Filomena Nunes com Leopoldina Rego, onde ficava o Bar da dona Aida e do seu Gonçalves, pais de Carlinhos Galego. Eles “herdaram” o local antes ocupado pela Turma da Pipoca. Por alguns anos, a Turma do Trigão também movimentou o carnaval do bairro e do clube.
E onde essas turmas se encontravam? Nos carnavais do Olaria. Velhos e bons tempos, onde até rolava alguma rivalidade, mas não havia briga: todos eram Olaria e as turmas eram uma atração à parte numa saudosa época em que ninguém precisava sair do bairro ou do Olaria para ter um carnaval de verdade.
Nos anos 1970, a Turma da Pipoca era, além de bloco de carnaval, torcida organizada do Olaria.A Turma da Pedra no Carnaval do Olaria de 1976.A Turma da Pedra no ginásio do Olaria, em um baile de carnaval.A Turma do Trigão no ginásio do Olaria, em um baile de carnaval.A Turma do Trigão: na esquina das ruas Leopoldina Rego e Filomena Nunes, e também nos carnavais do Olaria, eles faziam a festa.
1967: na beira da piscina do Olaria Marlene, Mariza Heloiza, Guilherme, Nisse e Leny, funcionários do Olaria que fizeram história no clube.
Presidentes, atletas, torcedores, sócios… todos fazem a história do Olaria e todos fazem o Olaria ser eterno. Mas não podemos nos esquecer de uma categoria que, sem ela, o Olaria não teria como viver e progredir: os funcionários.
Nessa postagem, voltamos ao ano de 1967 e trazemos à memória as funcionárias da Secretaria Marlene, Mariza Heloiza (esta, ainda em atividade), Nisse e Leny e ainda o funcionário Guilherme, que fazia a contabilidade do clube. Como podemos ver, as funcionárias trajavam um uniforme estiloso. Eram tempos em que o trabalho era mais artesanal e “analógico”, sem internet ou computadores. As carteiras dos sócios eram datilografadas, assinadas uma a uma pelo presidente e plastificadas. As fotos das carteiras, 3 X 4, em sua maioria eram feitas na “Foto Hélcio”, bem ali na estação. Já os expedientes da Secretaria eram datilografados e os recibos de pagamento prensados com uma placa de metal carregada de tinta.
Enquanto isso, na contabilidade, o “seu” Guilherme, apenas com livros de registros, realizava sua missão de fazer as anotações. Mas se não dispúnhamos da tecnologia de hoje, não faltavam dedicação e amor pelo Olaria. Vocês, funcionários, também fizeram e fazem o Olaria ser eterno!
A foto é de abril de 1974 e abrange todo o complexo social e esportivo do Olaria Atlético Clube. Podemos perceber como o clube era diferente e, consequentemente, apontar as mudanças ocorridas em mais de 50 anos que nos separam daquela data. Reparem como o Olaria cresceu, como o Olaria se transformou. Destacamos os seguintes aspectos:
Ainda não existiam as arquibancadas sociais, que só começaram a ser construídas em 1979, e também não tínhamos o prédio administrativo que hoje ali se encontra;
As arquibancadas eram menores e só iam até a metade do campo e ainda não existia a arquibancada atrás do gol da Plínio Bastos. Note-se que a arquibancada atrás do gol da Bariri ia muito além do que vai hoje, sendo que uma parte foi demolida porque virou “ponto cego” após a inversão do campo;
Ainda podemos ver a antiga quadra ao lado das arquibancadas, onde mais tarde seria a extensão das arquibancadas, e não tínhamos o posto e nem a feirinha;
Os campos do society e dos brotinhos ainda eram de terra e, quando chovia, o piso virava lama;
Podemos avistar o jardim que ficava entre o parquinho e as piscinas, onde hoje encontra-se o quiosque;
Entre os campos dos brotinhos e do society, vemos o antigo prédio que foi o Departamento Náutico, a Escolinha e a sala de judô, tendo acima um terraço onde, na época, ficava uma acanhada cabine de rádio. Hoje, naquele local situa-se a academia;
Note-se que há uma sobra de área no campo dos brotinhos. Quando a social foi construída, ela passou a ocupar parte do que era o campo dos brotinhos, que foi recuado para o espaço que sobrou;
Percebe-se também que muitos prédios vizinhos ao Olaria ainda não existiam;
A foto certamente foi tirada em um dia movimentado no clube, pois percebe-se uma boa frequência nas piscinas;
Finalmente, percebe-se que o ginásio, inaugurado há pouco tempo, é, então, o equipamento mais novo do clube.
1978: os veteranos do Olaria com dirigentes e beneméritos. A foto ficou para a posteridade e hoje a trazemos para nossa memória.
Poucas vezes uma foto reuniu tanta tradição dentro do gramado da Rua Bariri. Em 1978 o time de veteranos do Olaria realizou uma partida na velho Alçapão. Antes do jogo, a tradicional foto, que reuniu a tradição olariense desde os anos 1930: além de atletas que se consagraram com a camisa azul e branca, beneméritos e dirigentes que, ao longo do tempo, marcaram a história do clube. Na foto, além de jogadores que se destacaram com a camisa olariense, como o goleiro João Égua, Nélson, Norival, vemos ainda ícones dos veteranos na época, como Álvaro Augusto de Carvalho, Gaspar e o popular Sete Cabeças.
Entre dirigentes e beneméritos vemos o presidente Edmundo Cigarro, Pina, Nélson Lyra, Ibraulino Galeão, Norildo Lyra, Waldyr Vital, Rodrigues, Antônio Ribeiro, José Tavares Panza, Antônio Martins Coelho, Gil Funke e outros.
Naquele longínquo 1978, não foi apenas um jogo dos veteranos que aconteceu na Bariri. Aliás, nem sabemos qual foi o placar. Mas a foto antes da partida ficou para a posteridade, para trazermos para o presente todos esses que também fizeram o nosso Olaria ser eterno.
Quando a dona Noêmia Nunes colaborou com o Olaria, o clube ainda era preto e branco e o escudo era o antigo losango preto com as iniciai OFC.
Noêmia Nunes é o nome de uma rua muito conhecida em Olaria, que corta grande parte do bairro. A rua começa na esquina da Rua Sargento Aquino, próximo às “Cinco Bocas”, e termina na Praça Oliveira Campos, mais conhecida como “Quadra Azul”. O nome da rua homenageia uma mulher que teve um papel muito importante na história do Olaria. Quando o clube foi fundado, em 1915, não havia sócios contribuintes e foi preciso correr pelo bairro uma lista de contribuições para a compra de bolas, camisas e toda a indumentária para a prática do futebol. E foi a Sra. Noêmia Nunes a primeira pessoa a assinar a lista, doando a quantia de 100 mil réis e entrando para a história como a primeira “mecenas” do Olaria, antes mesmo do “seu” Mello. Dona Noêmia Nunes era filha de um rico comerciante e dono de terrenos na região, Sr. Custódio Nunes.
O Dr. Sylzed José de Sant’Anna, presidente do Olaria na década de 1940, contava-nos que a Sra. Noêmia Nunes havia também ajudado o Olaria de outra forma muito importante, ao permitir que o time instalasse o seu campo em um dos terrenos de sua propriedade. Só que, após a morte de dona Noêmia Nunes, o seu viúvo, Manoel de Souza, vendeu aquela propriedade, que passou a lhe pertencer. Isso representou um duro golpe para o Olaria. Porém, o Olaria superaria mais essa adversidade, pois João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira fizeram uma “vaquinha” e compraram o terreno da Rua Bariri para que o Olaria se instalasse. Essa dona Noêmia Nunes era mesmo uma grande olariense. Já o seu marido…
A colocação da pedra fundamental do estádio da Rua Bariri, em 23 de abril de 1944, feita pelo presidente Sylzed José de Sant’Anna Filho.
23 de abril de 1944. O dia era de São Jorge, mas que esteve na Rua Bariri naquela data foi o padre da Igreja de São Geraldo, Luiz Mariano da Rocha. O padre não veio rezar missa e sim abençoar uma edificação que simbolizaria o início de um sonho de todos os olarienses: naquele histórico 23 de abril, seria colocada a pedra fundamental do estádio do Olaria, o futuro Alçapão. Na época, presidia o Olaria o Dr. Sylzed José de Sant’Anna, um dentista que era muito querido no bairro. E coube ao presidente Sylzed Sant’Anna a colocação da pedra, com a bençao do padre Luiz Mariano.
A solenidade de lançamento da pedra fundamental, como mostram os testemunhos da época, foi muito concorrida, com grande presença de diretores, cronistas esportivos, sócios e torcedores.
Três anos mais tarde, a pedra transformava o sonho dos olariesnes em realidade: era inaugurado, em 1947, o Estádio Mourão Filho, certamente um dos mais tradicionais e lendários da história do futebol carioca.
Equipe do Olaria de 1943, titulares e reservas, da esquerda para a direita: Machado, Antenor, Labatut, José, Rebolo, Cavaco, Cidinho, Souza, Oswaldo, Nerino, Paulo, Ismael, Almeida, Jorge e Aldo.
Em 1943 o Olaria ainda estava fora da primeira divisão de profissionais em razão do golpe que havia sofrido por ocasião da pacificação do futebol carioca em 1937. Porém, o Olaria mantinha a sua equipe de amadores, que disputava torneios e jogos amistosos. Na ocasião, o clube era presidido por Sylzed José de Sant’Anna. Naquele ano, no dia 31 de outubro, o Olaria recebeu um convite do Petropolitano F.C. para disputar um amistoso. A equipe de Petrópolis era a campeã da cidade.
No campo do Petropolitano, no bairro de Valparaíso, os donos da casa venceram pelo placar de 2 a 1, tendo Oswaldo marcado o gol olariense. Naquele dia choveu muito, principalmente no segundo tempo do jogo, tornando o futebol quase que impraticável, segundo notícias da época.
Aquele período da história do futebol do Olaria foi muito importante, pois o Olaria, mesmo afastado do campeonato principal, mantinha o futebol em atividade com sua equipe amadora. No dia da visita ao Petropolitano o Olaria recebeu uma placa de prata e retribuiu os donos da casa com uma flâmula de seda. Representando o Olaria lá estavam o presidente Sylzed Sant’Anna e o primeiro secretário Leibnitz Miranda, o Lazinho.
Abaixo, mais algumas imagens da visita do Olaria ao Petropolitano em 1943:
As equipe de Olaria e Petropolitano FC, vendo-se também o árbitro da FMF (Federação Metropolitana de Futebol).1943: no amistoso contra o Petropolitano FC, na cidade serrana, o Olaria recebeu uma placa de prata, entregue ao presidente Sylzed Sant’Anna, que retribuiu ofertando uma flâmula de seda.Leibnitz Miranda, o Lazinho, primeiro-secretário do Olaria em 1943.
A emoção do presidente Pintinho e dos atletas Adriano e Luciano Silva, o Ligeirinho, após a histórica virada em 1996: Olaria 5 a 4.
No dia 23 de junho de 1996, quem compareceu à Rua Bariri para assistir Olaria X Itaperuna pelo campeonato estadual da primeira divisão, não imaginava que testemunharia talvez a maior virada de placar da história do futebol brasileiro. O Olaria perdia por 4 a 0 até os 28 minutos do segundo tempo e terminou a partida com a vitória de 5 a 4.
Logo no início, os visitantes já abriram 2 a 0, com Paraíba marcando aos 6 e Barata aos 7 minutos. E assim terminou a primeira etapa. No segundo tempo, novamente Paraíba aos 15 minutos e outra vez Barata, aos 28, decretavam 4 a 0 para o Itaperuna. Nesse momento, vários torcedores do Olaria, desanimados e incrédulos com o que viam, começaram a deixar o estádio. Porém, dois jogadores que entraram no segundo tempo, mudariam a história daquele jogo inesquecível: Luciano Silva e Preto Casagrande.
Aos 29 minutos, Luciano Silva, encobrindo o goleiro Pacato, marcou aquele que parecia ser apenas o gol de honra do Olaria. No entanto, o inesperado estava por vir. Aos 32, Leandro fazia 4 a 2. Aos 34, Luciano Silva novamente marcava e o Olaria encostava no placar: 4 a 3. A essa altura, vários torcedores voltavam correndo para as arquibancadas, pois ainda dava para o empate, o que já seria um grande feito depois de estar perdendo por 4 a 0. E o empate veio. Pedro Renato, aos 41 minutos, igualava o marcador: 4 a 4. O empate, após estar perdendo por 4 a 0, era comemorado como um título e parecia um sonho.
Já nos acréscimos, aos 47 minutos, uma falta para o Olaria próxima à grande área, no gol à direita das cabines de rádio. Arturzinho foi o encarregado da cobrança. Os jogadores do Olaria, dentro da área, pediam para ele cruzar. Mas Arturzinho preferiu tocar para trás, na altura da meia-lua. Então, Preto Casagrande soltou um canhão que estufou a rede do goleiro Pacato. Olaria 5 a 4. A Rua Bariri era, a partir daquele momento, o palco da maior virada de placar da história do campeonato carioca.
Após o apito final, olarienses choravam e se abraçavam. Até hoje não se tem notícia da reversão de um placar tão adverso em tão pouco tempo. Naquele dia, o Olaria e a Rua Bariri mais uma vez entravam para a história do futebol brasileiro.
Nado, em destaque na foto, comemora o gol do Olaria contra a seleção brasileira, vendo-se Leão ir buscar a bola no fundo do gol. Foto: Agência O Globo.
O dia era 12 de abril de 1970, um domingo. Zagallo havia assumido o comando da seleção brasileira após a demissão de João Saldanha. Zagallo estava no trabalho de preparação da seleção que iria disputar a Copa do México. A seleção ainda não estava definida e, naquele dia, entrou no gramado do Maracanã a seleção que tinha o goleiro Leão, o lateral Everaldo, Dirceu Lopes e até o “furacão” Jairzinho para o amistoso que entraria para a história do clube bariri. Pelo lado do Olaria, comandado por Paulinho de Almeida, craques como Miguel, Altivo, Alfinete, Afonsino e Nado, que seria o nome do jogo.
Foi uma partida disputadíssima e, até o final do segundo tempo, o placar mantinha-se no 0 a 0. A seleção brasileira insistia, mas o Olaria, guerreiro, não se deixou intimidar pelos craques que vestiam a camisa amarela da então CBD. Aos 37 minutos do segundo tempo Nado, um atacante pernambucano que já tinha passado pela seleção e que destacou-se no Vasco, abre o placar para o Olaria. A seleção de Zagallo teria apenas 8 minutos para tentar o empate, o que não aconteceu. O Olaria segurou o resultado e, quando o árbitro Walquir Pimentel trilhou o apito final, o Olaria entrava para a história como sendo uma das equipes que derrotou a seleção brasileira.
É evidente que, antes de torcermos para a seleção, torcemos para um clube. Todos são torcedores permanentes de um clube e sazonais de uma seleção. Porém, naquele 12 de abril de 1970, muitos talvez não soubessem ou não tivessem consciência, mas o Olaria não derrotou apenas uma seleção. Derrotou uma seleção que, formada por uma plêiade de craques, foi descaradamente usada como aparelho ideológico da ditadura. Mais uma bela página da história olariense.