
Vamos reviver a história de um olariense que não é muito conhecido, mas que tem um lugar de honra na história de nosso clube. E que, a partir de agora, ele seja sempre lembrado por todos os olarienses. Seu nome: Juca Mariola.
O ano era 1927. Naquele ano, o Olaria estava com o seu campo instalado na esquina das ruas Leopoldina Rego com Estrada do Engenho da Pedra, bem ali na estação de Olaria. Ocorre que um outro clube de futebol, chamado São Paulo-Rio, havia invadido o campo do Olaria. O clube invasor recusava-se a devolver o campo e seus adeptos chegaram até a fazer obras e a pintar o escudo deles, nas cores verde e branca, na fachada. O Olaria estava sem aquilo que era o seu bem mais precioso: o seu campo.
Na ocasião, o Presidente de Honra do Olaria, João Fernandes Ferreira, tinha viajado à Europa e, em seu retorno, uma comissão de olarienses foi até o cais do porto esperá-lo e contar o que havia acontecido. Ao saber do ocorrido, João Fernandes Ferreira não vacilou. Deixou sua família ali mesmo no armazém 14, onde havia desembarcado, e procurou um advogado para mover uma ação de reintegração de posse contra o clube invasor. E o Olaria, finalmente, ganhou a ação. Todo o seu material, como bolas e camisas, que estava guardado em um botequim, voltava para a sede reconquistada na Justiça. O Olaria retomava o seu campo. Quanto ao São Paulo-Rio, ainda foi condenado a uma multa que não pôde pagar e desapareceu do cenário esportivo.
O dia da volta do Olaria ao seu campo foi um dia muito feliz. Mas esse dia também registrou um fato muito triste. Tínhamos um jogador de futebol chamado Juca Mariola, que era ponta-direita do nosso time. Juca Mariola exercia a profissão de pintor, porque naquela época o futebol não era profissionalizado. A alegria de Juca Mariola com a recuperação do campo do Olaria foi tão grande que sua primeira atitude foi emendar duas escadas para subir no muro e apagar o escudo do São Paulo-Rio para, em seu lugar, pintar o escudo do Olaria. Quando Juca Mariola pintava o escudo do Olaria, a escada partiu-se, Juca caiu e morreu. Foi a morte movida pelo amor ao Olaria.
Apesar do triste episódio, resta-nos um grande consolo: Juca Mariola morreu feliz.
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PS: A história de Juca Mariola, na tradição olariense, teve como grande fonte oral o saudoso grande benemérito Leibnitz Miranda, o Lazinho. Mas há também uma referência documental escrita ao episódio do infortúnio de Juca Mariola, publicada na Revista do Olaria de agosto de 1947.
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