
Julho de 1970. O Brasil ainda vivia a ressaca da comemoração pela conquista do tricampeonato mundial no México. Mas como o futebol não podia parar, o campeonato estadual daquele ano teve início uma semana após a grande final da Copa do Mundo. Estávamos na sexta rodada da Taça Guanabara. O dia era 22 de julho, uma quarta-feira. Fluminense e Olaria jogariam nas Laranjeiras. Naquela noite, com o Fluminense favoritíssimo, jogando em seu campo, parece que o enredo já estava desenhado: vitória tricolor e festa nas Laranjeiras. Mas havia um zagueiro do Olaria, chamado Altivo, que mudaria o enredo, entraria para a história e, infelizmente, seu feito causaria uma tragédia naquela noite.
O Fluminense contava com atletas como o lateral tricampeão Marco Antônio, o artilheiro Flávio, e Lula, o homem do polêmico gol do título tricolor de 1971. Pelo Olaria, já se desenhava a base da equipe que, no ano seguinte, ficaria em terceiro lugar no campeonato: o goleiro Pedro Paulo, o zagueiro Miguel, o lateral-esquerdo Alfinete estavam em campo naquela noite na Rua Álvaro Chaves. E, claro, o grande protagonista da noite, que causaria, ao mesmo tempo, uma grande alegria e uma grande tristeza: o zagueiro Altivo. José Aldo Pereira apitou a partida que levou às Laranjeiras 3.979 pagantes.
Aos 20 minutos do primeiro tempo, falta a favor do Olaria. Apesar de a cobrança ser da intermediária, Altivo, que tinha um chute muito forte, optou pela cobrança direta. Foi um canhão que o goleiro tricolor Jairo nem viu a bola: 1 a 0 para o Olaria.
Veio o segundo tempo. O relógio corria e o placar não mudava. Um conselheiro do Fluminense, chamado José Herculano, que via o jogo da pista que ladeava o gramado, percebendo que o empate não vinha, começa a sentir-se mal. Mas, infelizmente, não houve tempo para mais nada. Nem para o empate do Fluminense e nem para salvar a vida do tricolor José Herculano que, mesmo socorrido, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu ainda dentro do estádio. Evidentemente alguns jornais, no dia seguinte, deram mais destaque à morte do torcedor tricolor do que à vitória do Olaria e, a partir daquele jogo, parece que os tricolores se renderiam às superstições. Como um padre tricolor também já tinha falecido nas Laranjeiras, os tricolores acabaram elegendo o seu próprio estádio como um símbolo de maldição. E, depois da morte de José Herculano, por muito tempo o Fluminense não jogaria mais nas Laranjeiras.
Infelizmente, naquela noite de quarta-feira, a alegria dos olarienses pela vitória se misturou ao luto da família de um desportista.

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