
Quando alguém tiver que fazer uma lista dos jogos inesquecíveis do velho alçapão da Bariri, um jogo não poderá deixar de fazer parte dessa lista: foi o inesquecível Olaria X Vasco do dia 5 de março de 1989. Naquela tarde de domingo, quase 10 mil pessoas pagaram ingresso e lotaram o estádio da Rua Bariri, em jogo válido pela Taça Guanabara. O Vasco era favoritíssimo: além de ser o bicampeão estadual, já havia formatado o time que, naquele mesmo ano, seria bicampeão brasileiro. No entanto, o que iria acontecer na Bariri naquele dia, nem o mais pessimista dos vascaínos e nem o mais otimista dos olarienses poderia imaginar.
No final do primeiro tempo o zagueiro Jair, do Olaria, foi expulso. E, logo no início do segundo tempo, outro zagueiro do Olaria, desta vez Joel, também era expulso. O Olaria teve que jogar quase todo o segundo tempo com dois jogadores a menos. Então, Edson Vampiro, outro zagueiro do Olaria, entrou em ação para cumprir a dura missão: parar o ataque vascaíno, que tinha Roberto Dinamite e Sorato. Apesar do apelido, Edson Vampiro nada tinha de chupa-sangue e virou um paredão olariense. O empate para o Olaria, diante das cisrcunstâncias, teria um doce sabor de vitória. No entanto, fortes emoções ainda estavam reservadas tanto para olarienses como para vascaínos. Isso porque, ainda no início do segundo tempo, o árbitro Paulo Roberto Chaves marcou um pênalti a favor do Vasco. Os jogadores do Olaria, então, partiram para cima do árbitro e o bandeirinha teve que intervir. O tumulto foi formado. E o pênalti confirmado. Tudo levava a crer que todo o esforço da equipe olariense, com dois jogadores a menos, iria por água abaixo. O encarregado da cobrança foi Geovani. Geovani nunca tinha perdido um pênalti e isso era sempre repetido pela mídia da época. Mas naquele dia o alçapão entraria também para a história de Geovani. Geovani cobrou, o goleiro Ica voou e defendeu, no gol à direita da social. Delírio dos torcedores do Olaria. O jogo prosseguiu e o Olaria, heroicamente, segurou o empate até o apito final de Paulo Roberto Chaves.
Enquanto os olarienses festejavam aquele empate com sabor de vitória, os vascaínos, incrédulos, começavam a ver fantasmas. Com aquele histórico 0 a 0 o Olaria ganhou, certamente, o ponto mais suado de sua história. Estávamos no final dos anos oitenta e, ainda assim, a mística do alçapão da Bariri era invocada pelos vascaínos que, inconformados, gritavam na saída do estádio: “alçapão filho da puta!”



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