
O dia era 14 de agosto de 1955. Olaria e Fluminense se enfrentariam no alçapão da Bariri. O árbitro da partida foi Antônio Musitano. Esse jogo entrou para a história em razão de Olavo, meia do Olaria, ter colocado o árbitro Antônio Musitano para correr, dando uma verdadeira carreira no homem do apito. Tudo aconteceu quando Telê Santana, do Fluminense, e Olavo, trocaram agressões. Musitano, então, expulsou ambos. Telê se retirou. Olavo, no entanto, foi dizer algo ao árbitro e, ato contínuo, lhe acertou um soco e iniciou uma perseguição a Musitano, que corria desesperado pelo campo. Musitano, para se defender da fúria do jogador olariense, corria para todas as direções, em ziguezague, numa verdadeira carreira. Na época, a revista Esporte Ilustrado comentava, referindo-se a Olavo: “Foram necessários mais de quatro para segurar o homem”. Olavo acabaria sendo punido com uma suspensão que praticamente encerraria sua carreira de atleta. Foram 397 dias de suspensão. E o episódio, para sempre lembrado na história do estádio da Bariri.
Dois dias após o jogo, em uma entrevista publicada no jornal Última Hora, Olavo reconheceu o seu erro. Mas também foi enfático ao afirmar que teria sido vítima de um ataque racista por parte do árbitro Antônio Musitano. Olavo afirmou que não pôde agir de outra maneira quando, ao se aproximar de Musitano para pedir explicações sobre sua expulsão, o árbitro lhe teria dito: “Sai de perto, negro sujo!” . E foi exatamente esse comportamento racista do árbitro que teria levado Olavo àquela reação. Olavo concluía sua entrevista dizendo: “Errei sim, mas o erro do juiz foi maior”.
Deve-se, no entanto, fazer justiça a Nélson Rodrigues, um dos torcedores do Fluminense mais apaixonados que já conhecemos. Ele foi, na época, uma das poucas vozes da mídia que se colocou não a favor da violência em si, mas mostrou “o que estava por trás da agressão de Olavo.” Em seu comentário no jornal Última Hora sobre o episódio, escreveu:
“Na verdade, o que Olavo fez foi uma Revolução Francesa de cor e solitária. Antes de mais nada, houve o aspecto de justiça racial: com efeito, o mesmo direito que tem um juiz branco de humilhar um jogador preto, tem o jogador preto de humilhar o juiz branco, correndo atrás dele. Elas por elas e uma mão lava a outra.”
Assim, temos que resgatar a imagem de Olavo, que por décadas foi associada à violência. Hoje, não temos dúvida em afirmar que a severidade da pena imposta a Olavo refletia, sem dúvida, um racismo descarado. Uma praga que, infelizmente, ainda persiste na sociedade brasileira e nos campos de futebol.






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