
Muitas vezes pensamos (e até dizemos)que já vimos de tudo no futebol. Já tivemos a oportunidade de presenciar várias situações incomuns e risíveis acompanhando jogos de futebol, mas o que aconteceu no episódio que narraremos é digno de registro em um livro de raridades.
O que pode levar um jogo de futebol a ser paralisado? Chuva, granizo, falta de segurança, briga, número insuficiente de atletas, time se retirando de campo… Mas um jogo também pode parar por outros motivos…
O dia era 19 de abril de 2006, uma quarta-feira, e lá fomos nós para Bacaxá, onde o Olaria enfrentaria o Boavista pela segundona do campeonato estadual. O jogo, como muitos na segundona, foi uma saga. O Boavista abriu 2 a 0 de vantagem e parece que a derrota do Olaria se desenhava. E aquele jogo teve todos os ingredientes para ser lembrado apenas pela heroica reação do Olaria, que acabaria empatando, com gols de Jocian e César. E no finalzinho do jogo quase virou, não fosse Fabinho ter perdido um gol incrível. E saímos de lá com o empate de 2 a 2. No entanto, o grande protagonista daquele dia seria o famoso homem “de preto”, como diziam os mais antigos – o ilustre árbitro William Nery. Dizem que quando um árbitro aparece muito em um jogo é porque ele apitou mal. Mas não foi o caso. O que faria de William Nery a grande estrela da partida viria no segundo tempo.
Pouco depois dos 20 minutos da etapa final, inexplicável e surpreendentemente, o árbitro apitou, determinando a paralisação do jogo. Não houve falta, impedimento, não houve nada que, pelas regras do futebol, justificasse a parada. E não havia, naquela ocasião, parada técnica. William Nery então se dirigiu, correndo, ao seu vestiário, para espanto de seus auxiliares, jogadores e público. Passados cerca de cinco minutos, o dileto juiz voltou sorridente, aparentando alívio e esfregando a mão na barriga. Foi quando as torcidas de Olaria e Boavista, percebendo o motivo da paralisação do jogo, se uniram em uníssono:
Cagão! Cagão! Cagão!
William Nery apenas sorriu e autorizou o reinício da partida. Não se falou em outra coisa até o final do jogo. O heroico empate arrancado pelo Olaria ficou em segundo plano. Daquele dia para sempre William Nery ficaria conhecido como “o cagão de Bacaxá”.
Em vários jogos após esse episódio reencontramos William Nery e, das arquibancadas, lembrávamos o seu feito memorável no Estádio Eucy Resende de Mendonça. E Nery, como boa pessoa que é, sempre levou tudo na esportiva.
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