Autor: Pedro Paulo Vital

  • Seja bem-vindo ao Olaria Eterno!

    Este é um espaço feito com carinho, memória e paixão e destinado a todos aqueles que têm o Olaria Atlético Clube no coração. Aqui, a história ganha vida — desde os primeiros chutes na Rua Filomena Nunes, onde o clube foi fundado, passando pelo Estádio da Rua Bariri, onde ficou famoso, até os momentos inesquecíveis que marcaram gerações.

    No Olaria Eterno, nosso objetivo é preservar e celebrar a trajetória e a memória deste clube tradicional do subúrbio carioca. Vamos relembrar grandes jogos, ídolos que vestiram com orgulho a camisa azul e branca e episódios que mostram por que o Olaria é muito mais do que um clube e do que um time: é parte da identidade de um bairro e de sua gente.

    Você é nosso convidado para mergulhar nessa jornada e, claro, compartilhar suas lembranças, histórias e paixões. Afinal, um clube só é eterno porque sua torcida também é.

    Sinta-se em casa. A nossa história e a nossa memória jamais se apagarão! O Olaria vive aqui!

  • O índio-mascote do Olaria existiu e era um fervoroso torcedor bariri…

    Egídio Novaes Queiroz era um torcedor do Olaria que brigava pelo clube e que costumava andar pela sede da Rua Bariri com um papagaio no ombro. De origem indígena, ele se tornou sócio do clube, e durante os anos 1950 e 1960 era considerado o chefe dos torcedores bariris. Ele se tornou muito conhecido dentro e fora do Olaria e passou a identificar o próprio clube. Sim, o Olaria ficou conhecido como o clube do índio e por causa dele o índio passou a ser o mascote do Olaria.

    Há um detalhe, no entanto, que deve ser observado. Muitos outros clubes pelo Brasil afora também adotam um índio como mascote. Mas, ao contrário dos demais clubes brasileiros, em que seus índios-mascotes representam uma etnia específica, o índio-mascote do Olaria não representa uma etnia determinada. Representa o povo indígena em geral, independente da etnia.

    Assim, o nosso índio Egídio representa o Olaria e sua resistência e todos os povos originários do Brasil, infelizmente em extinção desde 1500.

    Egídio Queiroz, o índio do Olaria. Por causa dele, o índio se tornou o mascote do clube.

  • As principais conquistas do Olaria

    A Taça de Bronze: principal conquista da história do Olaria (1981).

    1919 – Campeão pela Associação Carioca de Esportes Atléticos (Obs.: nessa ocasião, o nome do clube era “Olaria Futebol Clube” e esse é o troféu mais antigo da galeria olariense).

    1920 – Campeão pela Associação Carioca de Esportes Atléticos.

    1921 – Campeão do Torneio Início da Liga Suburbana.

    1931 – Campeão do Torneio Início da Segunda Divisão (AMEA).

    1931 – Campeão Invicto da Segunda Divisão (AMEA), conquista que levou pela primeira vez o Olaria para a primeira divisão.

    1960 – Campeão do Torneio Início, conquista que fez do Olaria o primeiro campeão do Estado da Guanabara.

    1968 – Campeão do Troféu Almir Gonçalves Salime.

    1968 – Campeão do Troféu Fernando Rufino.

    1977 – Campeão do Torneio Integração.

    1980 – Campeão do Torneio Seletivo para a primeira divisão.

    1980 – Campeão do Torneio Incentivo Ary Magalhães.

    1980 – Campeão da Taça Alfredo Curvelo.

    1981 – Campeão Brasileiro da Taça de Bronze, a série C do futebol brasileiro. O Olaria, com essa conquista, foi o primeiro Campeão Brasileiro da Série C.

    1983 – Campeão Estadual da Segunda Divisão do Rio de Janeiro.

    2010 – Campeão do Troféu Moisés Mathias de Andrade.

    2011 – Campeão do Troféu Washington Rodrigues.

    2021 – Campeão Estadual da Série B-1 do Rio de Janeiro.

    2022 – Campeão da Taça Corcovado.

    O capitão Mauro, no estádio do Arruda, ergue a Taça de Bronze, vendo-se ainda o presidente Edmundo dos Santos Cigarro.
    No Maracanã, o capitão Sérgio com a Taça de campeão do Torneio Início de 1960, vendo-se ainda o presidente da CBD, João Havelange, que entregou a taça, e o presidente José de Albuquerque.
    1968: Na Rua Bariri Otávio Pinto Guimarães entrega ao capitão Mafra o troféu de campeão do Torneio Almir Salime.
    Mafra ergue o Troféu Almir Salime na Rua Bariri.
    Na Rua Bariri, o capitão Mauro recebe o troféu de campeão da Taça Antônio Jovino Pavan de 1977, vendo-se ainda o presidente da FERJ, Otávio Pinto Guimarães, e o presidente Edmundo dos Santos Cigarro.
    Na Rua Bariri, o capitão Adriano recebe a taça de campeão estadual da segunda divisão de 1983 do presidente da FERJ, Otávio Pinto Guimarães.
    No gramado da Bariri, o vice de futebol Carlos Imperial, o presidente Edmundo dos Santos e o diretor Carlos Alberto Galvão no amistoso da entrega das faixas de campeão do Torneio Incentivo de 1980. O amistoso foi contra o Vasco e terminou empatado em 0 a 0.
    No estádio de Los Larios, o capitão David e demais jogadores, com a taça de campeão do Troféu Moisés Mathias de Andrade de 2010.
    No gramado do Engenhão, o capitão David com a taça de campeão do troféu Washington Rodrigues de 2011, vendo-se ainda o benemérito José Luiz Moreira, o presidente Heitor Belini e o jornalista Washington Rodrigues.
    No Estádio do Trabalhador, em Resende, a festa dos jogadores com a conquista do título de campeão estadual da série B1 de 2021, vendo-se ainda o presidente Lenivaldo Gomes da Silva.
    No estádio Elcyr Resende, em Bacaxá, a festa dos jogadores e do técnico Palinha com a conquista da Taça Corcovado de 2022.

  • E tudo começou das peladas de futebol…

    No dia 1º de julho de 1915, uma quinta-feira, quem abrisse os jornais logo perceberia que o noticiário tinha como manchete a Grande Guerra, que havia começado um ano antes. Em relação ao Brasil, então governado por Wenceslau Braz, uma das notícias que se destacavam era a apresentação do orçamento ao Congresso. Longe de todos os holofotes midiáticos da época, e também em um ato de ousadia, visto que a elite ainda queria monopolizar a prática do futebol, um grupo de rapazes que moravam na Rua Filomena Nunes, em Olaria, decide fundar um clube de futebol naquele subúrbio leopoldinense. Então, naquela longínqua noite de quinta-feira, o capitão Alfredo de Oliveira abriu as portas de sua casa, na Rua Filomena Nunes, 202 (hoje 796) para que fosse realizada a reunião que consumaria a criação da agremiação. Um dos presentes na histórica reunião na casa do capitão foi Sylzed José de Sant’anna. Em uma entrevista décadas depois desse histórico dia, ele sintetizou o resultado da reunião:

    Num terreno que dava fundos para a casa do Hermogêneo, fincamos duas balizas e começamos a lutar com o Bonsucesso.”

    Estava fundado o Olaria Futebol Clube. O Hermogêneo ao qual Sylzed se refere era Hermogêneo Vasconcellos, um dos fundadores e primeiro presidente do clube. Praticar o futebol, criar um clube que ostentasse o nome do bairro… Sim, mas não apenas. O primeiro rival do Olaria já existia desde 1913 e, nos primeiros tempos, o Olaria disputaria com o Bonsucesso a supremacia do futebol leopoldinense. Por isso, Sylzed não podia deixar de mencioná-lo.

    Sylzed Sant’Anna: presidente do clube em 1944, ele participou da fundação do Olaria em 1915.

    Além do capitão anfitrião, do Sylzed Sant’Anna e do Hermogêneo Vasconcellos, estavam na reunião de fundação: Carolino Martins Arantes, Alfredo de Oliveira, Agostinho Rodrigues dos Santos, Isaac de Oliveira, Gumercindo Roma, dentre outros, que assinaram a Ata de Fundação. Pelo documento, o clube seria denominado Olaria Futebol Clube. Suas primeiras cores foram o preto e branco, sendo seu primeiro escudo constituído de um losango preto, com as iniciais “O.F.C” também em preto. Essa denominação foi mantida até 1920, quando o nome foi alterado para Olaria Atlético Clube e as cores mudadas para o azul e branco. Foi também nesse ano que criou-se o atual escudo, rico em detalhes e ostentando as insígnias que representam os esportes passados e atuais praticados. O novo nome e o novo escudo já expressavam a realidade poliesportiva do clube que nasceu do futebol e que, até 1930, também praticaria o remo, disputando regatas na antiga Praia de Maria Angu, que desapareceria com a construção da Avenida Brasil, a maior via expressa da cidade.

    Presidente Sílvio e Silva: em sua gestão, em 1920, o atual escudo foi concebido e desenhado.
    Agostinho Rodrigues dos Santos, um dos fundadores do Olaria, em foto de 1940.

    Em 1931 o Olaria ascendeu, pela primeira vez em sua história, à primeira divisão do futebol do Rio de Janeiro, quando sagrou-se campeão invicto do Campeonato da Segunda Divisão da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Foi certamente a competição mais difícil da história do Olaria, pois eram 16 os participantes e só o campeão conquistaria o acesso. Após 30 jogos, o Olaria, de forma invicta, conquistou o título e a vaga na elite.

    Em 1933, o Olaria alcançou sua melhor classificação em um estadual, quando foi vice-campeão. Em 6 de abril de 1947 inaugurou seu estádio na Rua Bariri, que logo depois viria a ser conhecido como “alçapão”. O primeiro jogo no estádio foi entre Fluminense e Vasco, com o fluminense vencendo pelo placar de 5 a 4.

    Álvaro da Costa Mello: patrono do clube,foi durante a sua gestão como presidente, em 1947, que o estádio da Bariri foi construído e inaugurado.

    Em 1950, primeiro campeonato carioca da Era Maracanã, foi o quinto colocado, chegando à frente da dupla Fla-Flu. O time foi comandado por Domingos da Guia. Em 1960 conquista o Torneio Início, sagrando-se o primeiro campeão do Estado da Guanabara.

    Em 1962, o Olaria montou um dos melhores times de sua história, que ficou conhecido como “Espantalho da Bariri” e a bela campanha daquele ano levou o Olaria a disputar o Torneio Rio-São Paulo em 1963. Em 1971, o Olaria realiza uma das melhores campanhas de sua história no Campeonato Carioca, quando chegou em terceiro lugar e brigando até as últimas rodadas pelo título. Mas nesse mesmo ano o clube sofreria um dos maiores golpes de sua história quando, mesmo tendo colocação técnica e arrecadação (exigência da então CBD), foi excluído do Campeonato Brasileiro de 1972. Em 1973 e 1974, certamente com a consciência pesada pela injustiça que havia cometido, a CBD finalmente convida o Olaria para o Brasileirão.

    Em 1981 o Olaria conquista o seu maior título: a Taça de Bronze, que foi o primeiro campeonato brasileiro da série C, vencendo o Santo Amaro, de Pernambuco, na final.

    Em 2024 o Olaria participa pela primeira vez da Copa do Brasil e em 2025, novamente chega à competição nacional.

  • Olaria, campeão do Brasil: a Taça de Bronze

    A capa do Jornal dos Sports de 2 de maio de 1981.

    Poucos são os clubes brasileiros de futebol que podem dizer que já foram campeões do Brasil. E o Olaria, dede o dia 1º de maio de 1981, é um deles. A Taça de Bronze foi o primeiro campeonato brasileiro da série C. Até 1980, o futebol brasileiro só tinha duas divisões, quando então, em 1981 a CBF instituiu a série C, que naquele ano foi denominada Taça de Bronze. E o Olaria foi o campeão e, portanto, o primeiro campeão brasileiro da série C.

    A Campanha

    Colatina 1 X 3 Olaria – Gols de Lulinha, Chiquinho e Nunes para o Olaria.

    Olaria 1 X 1 Colatina – Gol de Serginho para o Olaria.

    Olaria 2 X 0 Paranavaí – Gols de Zeíca e Chiquinho para o Olaria.

    Paranavaí 0 X 1 Olaria – Gol de Zeíca para o Olaria.

    São Borja 2 X 0 Olaria.

    Olaria 2 X 0 Dom Bosco – Gols de Leandro e Sérgio Luis para o Olaria.

    Olaria 1 X 0 São Borja – Gol de Zeíca para o Olaria.

    Dom Bosco 1 X 0 Olaria.

    Olaria 4 X 0 Santo Amaro (primeiro jogo da final) – Gols de Chiquinho, Zeíca e Leandro (2) para o Olaria.

    Santo Amaro 1 X 0 Olaria (segundo jogo da final).

    Os atletas campeões

    Antônio Cavalcante de Oliveira – CAVALCANTE.

    Aurelindo de Souza Macieira – AURÊ.

    Cláudio Henrique Gomes dos Santos – CLÁUDIO.

    Cosme Ferraz da Silva – CATINHA.

    Dalmi Pereira Marques Júnior – JÚNIOR.

    Edvaldo Jorge Gomes – MERRÉ.

    Francisco José Marques do Couto – CHIQUINHO.

    Gilmar Barbosa da Silva – GILMAR.

    Hilton José de Moura – HILTON.

    Jairo Francisco – JAIRO.

    João Baptista Ribeiro Filho – MANISSERA.

    João Ricardo de Freitas Leitão – RICARDO.

    Jocey Conceição Leandro – LEANDRO.

    José Roberto de Souza – ZEÍCA.

    Luís Carlos Rebouças de Santana – LULINHA.

    Marcos Antônio Pereira – MARCOS.

    Mauro Resende de Oliveira – MAURO.

    Mildberg Batista de Souza – PINO.

    Názaro Eugênio Mariano – NUNES.

    Orlando Luiz Mancini – ORLANDO.

    Paulo Ramos Viegas de Lima – PAULO RAMOS.

    Salvador Messias de Paula – SALVADOR.

    Sérgio de Almeida Carvalho – SERGINHO.

    Sérgio Luís Garcia de Oliveira – SÉRGIO LUÍS.

    Flagrante do primeiro jogo da final, contra o Santo Amaro, no antigo campo do Botafogo em Marechal Hermes, em 25 de abril de 1981, quando o Olaria goleou por 4 a 0.
    A manchete do Jornal dos Sports após a goleada do Olaria no primeiro jogo da final.

    No Estádio do Arruda, o governador de Pernambuco, Marco Maciel, entrega a taça de Campeão Brasileiro da Taça de Bronze ao capitão Mauro. À esquerda, o presidente Edmundo dos Santos Cigarro.
    O capitão Mauro, no estádio do Arruda, ergue a Taça de Bronze, vendo-se ainda o presidente Edmundo dos Santos Cigarro.
    No gramado do Arruda, jogadores e o preparador físico e auxiliar técnico Toninho Barroso com a Taça de Bronze e as medalhas de campeão.
    A chegada da delegação olariense no aeroporto do Galeão e a festa dos torcedores. Foto: Jornal dos Sports.
    O jornal Diário de Pernambuco deu destaque à grande conquista olariense.
    No aeroporto do Galeão, o técnico Duque e o presidente Edmundo Cigarro com a taça, além de beneméritos e torcedores. Foto: Jornal dos Sports.
    No aeroporto do Galeão, o então torcedor número1 Alcides Miranda, o Cidinho, com os jogadores Aurê e Paulo Ramos.
    Na Rua Bariri, atletas e comissão técnica coma Taça de Bronze, vendo-se ainda o patrono Álvaro da Costa Mello. Ao fundo, a Igreja da Penha. Foto: Revista Placar.
    Na Rua Bariri, o técnico Duque ergue a Taça de Bronze. foto: Revista Placar.
    Na Rua Bariri, a festa da entrega das faixas de campeão da Taça de Bronze. Da esquerda para a direita: Waldyr Vital (vice-presidente de futebo|), Itagoré (ex-goleiro dos anos 1950), Antônio Ribeiro, Álvaro Augusto (benemérito), Alcemar Calvo (vice-presidente administrativo) e Estrada.
    A faixa de campeão e o modelo de camisa usado pelo time no jogo final, em Recife.

    Livro comemorativo

    Em 2013 foi lançado, pela Oficina Raquel, o livro que conta todos os detalhes da grande conquista. De autoria de Marcelo Paes, sócio honorário do clube, o lançamento do livro, na sede da Rua Bariri, contou com a presença de atletas e do treinador Duque.

    Em 2013 foi lançado o livro de autoria de Marcelo Paes, que conta os detalhes da grande conquista. A publicação é da Oficina Raquel.

    Camisa Comemorativa

    Em 2021 o clube lançou a camisa comemorativa alusiva aos 40 anos da conquista da Taça de Bronze. A camisa, idealizada pelo designer Marcelo Paes, escritor e sócio honorário do clube, é azul, com a faixa branca formada pelos nomes de todos os atletas, comissão técnica e dirigentes envolvidos na grande conquista. Acima de todos os nomes, a famosa frase do técnico Duque: “Fomos heróis”. Naquela temporada de 2021, o Olaria atuou em vários jogos com a camisa e ela deu sorte: o Olaria foi campeão estadual da série B1, ascendendo para a série A2.

    A camisa comemorativa dos 40 anos da Taça de Bronze, lançada em 2021.