
No dia 1º de julho de 1915, uma quinta-feira, quem abrisse os jornais logo perceberia que o noticiário tinha como manchete a Grande Guerra, que havia começado um ano antes. Em relação ao Brasil, então governado por Wenceslau Braz, uma das notícias que se destacavam era a apresentação do orçamento ao Congresso. Longe de todos os holofotes midiáticos da época, e também em um ato de ousadia, visto que a elite ainda queria monopolizar a prática do futebol, um grupo de rapazes que moravam na Rua Filomena Nunes, em Olaria, decide fundar um clube de futebol naquele subúrbio leopoldinense. Então, naquela longínqua noite de quinta-feira, o capitão Alfredo de Oliveira abriu as portas de sua casa, na Rua Filomena Nunes, 202 (hoje 796) para que fosse realizada a reunião que consumaria a criação da agremiação. Um dos presentes na histórica reunião na casa do capitão Alfredo de Oliveira foi Sylzed José de Sant’anna. Em uma entrevista décadas depois desse histórico dia, ele sintetizou o resultado da reunião:
“Num terreno que dava fundos para a casa do Hermogêneo, fincamos duas balizas e começamos a lutar com o Bonsucesso.”
Estava fundado o Olaria, que inicialmente chamou-se Olaria Futebol Clube. O Hermogêneo ao qual Sylzed se refere era Hermogêneo Vasconcellos, um dos fundadores e primeiro presidente do clube. Praticar o futebol, criar um clube que ostentasse o nome do bairro… Sim, mas não apenas. O primeiro rival do Olaria já existia desde 1913 e, nos primeiros tempos, o Olaria disputaria com o Bonsucesso a supremacia do futebol leopoldinense. Por isso, Sylzed não podia deixar de mencioná-lo.


Além do capitão anfitrião, do Sylzed Sant’Anna e do Hermogêneo Vasconcellos, estavam na reunião de fundação: Carolino Martins Arantes, Alfredo de Oliveira, Agostinho Rodrigues dos Santos, Isaac de Oliveira e Gumercindo Roma. Ainda assinaram a Ata de Fundação os seguintes sócios fundadores: Alberto Arantes, Alcides Soares, Raul Vivone, Moacyr Vasconcellos, Oswaldo de Carvalho, Gabriel de Oliveira, Emilio Champion, Mariano Roma, Leotchides Peçanha, Manoel Gonçalves Boaventura e Custódio Nunes. Pelo documento, o clube seria denominado Olaria Futebol Clube. Suas primeiras cores foram o preto e branco, sendo seu primeiro escudo constituído de um losango preto, com as iniciais “O.F.C” também em preto. Essa denominação foi mantida até 1920, quando o nome foi alterado para Olaria Atlético Clube e as cores mudadas para o azul e branco. Foi também nesse ano que criou-se o atual escudo, rico em detalhes e ostentando as insígnias que representam os esportes passados e atuais praticados. O novo nome e o novo escudo já expressavam a realidade poliesportiva do clube que nasceu do futebol e que, até 1930, também praticaria o remo, disputando regatas na antiga Praia de Maria Angu, que desapareceria com a construção da Avenida Brasil, a maior via expressa da cidade.


Em 1931 o Olaria ascendeu, pela primeira vez em sua história, à primeira divisão do futebol do Rio de Janeiro, quando sagrou-se campeão invicto do Campeonato da Segunda Divisão da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Foi certamente a competição mais difícil da história do Olaria, pois eram 16 os participantes e só o campeão conquistaria o acesso. Após 30 jogos, o Olaria, de forma invicta, conquistou o título e a vaga na elite.
Em 1933, o Olaria alcançou sua melhor classificação em um estadual, quando foi vice-campeão. Em 6 de abril de 1947 inaugurou seu estádio na Rua Bariri, que logo depois viria a ser conhecido como “alçapão”. O primeiro jogo no estádio foi entre Fluminense e Vasco, com o Fluminense vencendo pelo placar de 5 a 4.

Em 1950, primeiro campeonato carioca da Era Maracanã, foi o quinto colocado, chegando à frente da dupla Fla-Flu. O time foi comandado por Domingos da Guia.
Em 1954 foi o primeiro, e até hoje único clube, a dar a volta ao mundo com seu time de futebol profissional, em uma excursão de mais de três meses por 10 países e 4 continentes.
Em 1960 conquista o Torneio Início, sagrando-se o primeiro campeão do Estado da Guanabara, após derrotar o Fluminense na final por 2 a 0.
Em 1962, o Olaria montou um dos melhores times de sua história, que ficou conhecido como “Espantalho da Bariri” e a bela campanha daquele ano levou o Olaria a disputar o Torneio Rio-São Paulo em 1963. Em 1971, o Olaria realiza uma das melhores campanhas de sua história no Campeonato Carioca, quando chegou em terceiro lugar e brigando até as últimas rodadas pelo título. Mas nesse mesmo ano o clube sofreria um dos maiores golpes de sua história quando, mesmo tendo colocação técnica e arrecadação (exigência da então CBD), foi excluído do Campeonato Brasileiro de 1972. Em 1973 e 1974, certamente com a consciência pesada pela injustiça que havia cometido, a CBD finalmente convida o Olaria para o Brasileirão.
Em 1981 o Olaria conquista o seu maior título: a Taça de Bronze, que foi o primeiro campeonato brasileiro da série C, vencendo o Santo Amaro, de Pernambuco, na final.
Em 2024 o Olaria participa pela primeira vez da Copa do Brasil e em 2025, novamente chega à competição nacional.
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