Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • A ANTIGA SOCIAL

    O atleta Santo Cristo batendo bola durante o treino, em foto de 1956. Ao fundo, a antiga social de madeira, vendo-se ainda a Igreja da Penha.

    Quando o estádio do Olaria foi inaugurado, em 1947, não havia um espaço privativo destinado aos associados, diretoria e autoridades, ou seja, não tinha social. A primeira social do Olaria foi construída em meados dos anos 1950, mas não era de cimento e sim de madeira. Ela ficava na linha lateral do campo. Se tomarmos como referência o campo atual, que é perpendicular à Rua Bariri, então a social construída naquela época ficava muito próxima de onde hoje está a linha do meio do campo.

    A foto acima é de 1956, quando o campo ainda era paralelo à Rua Bariri e vemos o atleta Santo Cristo batendo bola em um dia de treino. Ao fundo, a antiga social, com alguns poucos degraus de madeira. Os degraus não eram muitos, em torno de meia dúzia, mas se estendiam por quase toda linha lateral. Note-se que o espaço era coberto, ao contrário das arquibancadas, que não aparecem na foto.

    Estávamos na época áurea do alçapão, quando o estádio do Olaria era o terror dos adversários. E os mais antigos sempre disseram que a social de madeira era mais uma arma para o Olaria. Isso porque os olarienses que assistiam de lá o jogo, para incentivar o time batiam com os pés nos degraus de madeira, produzindo um barulho ensurdecedor, principalmente porque o espaço era coberto. O barulho simulava sons de tambores e esse hábito da torcida do Olaria contribuiu para que o estádio também viesse a ser chamado de “Taba Bariri”.

    Flagrante de Olaria X Fluminense na Bariri em 1952. Ao fundo a antiga social lotada, com pessoas até em cima da cobertura, vendo-se ainda a Igreja da Penha.

    Em foto de 1955, a Rua Bariri em dia de jogo, vendo-se à direita a antiga social e ao fundo a Igreja da Penha.
    Em foto de 1961, o ponta-esquerda Romeu, vendo-se ao fundo a antiga social de madeira.

  • 1954: EM LONDRES, OLARIA EMPATA COM WEST HAM

    Em Londres, em 27 de abril de 1954, a troca de flâmulas entre os capitães do Olaria, Moacir, e do West Ham, Allison. O jogo terminou empatado em 0a 0.

    No dia 27 de abril de 1954 o Olaria escrevia uma das mais belas páginas de sua história. Jogando contra o West Ham, em Londres, a equipe bariri arrancou um heróico empate contra os ingleses. A partida aconteceu no estádio Upton Park e terminou empatada em 0 a 0. O amistoso foi uma das etapas da viagem da volta ao mundo do Olaria. O Jornal dos Sports estampava no dia seguinte:

    “Empate em Londres, uma proeza do Olaria”.

    Já o Globo, destacava a atuação magnífica do Olaria:

    “Atuando magnificamente na tarde de ontem no estádio Upton Park, o Olaria empatou em 0 a 0 com o ‘team’ do West Ham United”.

    Logo aos 13 minutos do primeiro tempo o goleiro do Olaria, Celso, defendeu um pênalti, o que o tornaria o herói do jogo. Além do pênalti defendido, Celso fez defesas milagrosas e garantiu o histórico resultado para a equipe bariri. E aos 30 minutos da etapa final, quase vem a vitória do Olaria: Olavo, com um chute violento de fora da ária, acertou a trave do goleiro inglês Chiswick. Deve-se lembrar que, naquele dia, o Olaria ainda jogos desfalcado de dois de seus grandes artilheiros que, contundidos, não atuaram na histórica partida: Washington e Gringo. Final: Olaria 0 X 0 West Ham e o time bariri fazendo história no berço do futebol.

    O destaque do Jornal dos Sports ao empate do Olaria com o West Ham em 1954.

  • 1971: AFONSINHO, DO OLARIA, É ELEITO O MELHOR

    O craque do Olaria Afonsinho, eleito o melhor de sua posição. Ele integrou a seleção do campeonato e recebeu o troféu “Rei da Bola”.

    1971 foi um ano de ouro para o futebol do Olaria. Chegando em terceiro lugar no Campeonato Carioca, o time bariri não se intimidou contra o Fluminense (campeão) e o Botafogo (vice-campeão) e fez bonito contra os dois, que estavam recheados de craques da seleção. Deu até olé no Botafogo…

    Após o campeonato, foi entregue o troféu “Rei da Bola”, na época uma promoção do Jornal dos Sports e da loja de roupas Esplanada. Foi então formada uma seleção, sendo que dos 11 jogadores eleitos para a seleção do campeonato, 9 eram de Fluminense e Botafogo (campeão e vice), um do Flamengo e um do Olaria. E o jogador do Olaria que integrou a seleção do campeonato em 1971 foi o meia Afonsinho. Se fôssemos analisar todos os eleitos, evidentemente havia vaga para mais jogadores do Olaria. Mas naquela oportunidade Afonsinho representou bem o clube da Bariri e levou o troféu “Rei da Bola”. A entrega do troféu para os eleitos foi no dia 20 de julho de 1971 e o Olaria, representado pelo seu craque, lá estava, integrando uma seleção repleta de craques tricampeões do mundo.

    O troféu recebido pelo craque do Olaria Afonsinho, eleito melhor jogador em sua posição em 1971.

  • 1947: O ENCONTRO DE QUEIXADA E EL PEON

    Em 1947 Ademir “Queixada” e Tim “El Peon” se encontraram na Bariri, em um eletrizante Olaria X Fluminense.

    O dia 31 de agosto de 1947 entrou para a história do Alçapão da Bariri. Naquele domingo, pelo menos oficialmente, foi registrado o maior público do estádio da Bariri, com 10.740 pagantes. Em campo, Olaria X Fluminense pela 5ª rodada do Campeonato Carioca. Naquele dia, duas grandes lendas do futebol brasileiro estariam no gramado do Alçapão: Ademir Menezes, o “Queixada”, pelo Fluminense, e Tim, “El Peon”, pelo Olaria. O Queixada seria, em 1950, o artilheiro da Copa do Mundo. Já Tim, o famoso “El Peon”, se consagraria como jogador e técnico pelo Brasil afora.Tim chegou à Rua Bariri emprestado pelo São Paulo, e já tinha tido passagens pelo próprio Fluminense e Corínthians, dentre outros clubes. Depois, se consagrou como técnico e virou uma lenda do futebol brasileiro.

    Naquele dia na Bariri, no confronto das duas lendas, o grande público que compareceu ao alçapão presenciou um dos jogos mais eletrizantes da história do famoso estádio. O Fluminense tinha um grande time, mas o Olaria, naquele ano, não foi apelidado de “Fantasma Bariri” por acaso. Foi uma chuva de gols e a partida terminou empatada em 4 a 4. O time do Fluminense, que no jogo inaugural do estádio havia derrotado o Expresso do Vasco, não teve o mesmo êxito, agora jogando contra os donos da casa. No confronto entre “Queixada” e “El Peon”, tudo igual. E o “Fantasma”, no impiedoso Alçapão, ia fazendo os seus estragos…

  • O PARQUE AQUÁTICO EM 1971

    Vista panorâmica do parque aquático do Olaria em 1971.

    Em 1971 o parque aquático do Olaria tinha 6 anos de existência e muitas coisas eram diferentes. Na foto acima podemos observar à direita o trampolim, que não mais existe. À margem da piscina olímpica vemos o lava-pés, que também já não existe mais e na beira da grade, os antigos bancos de cimento. Ao fundo, à esquerda, vemos o parquinho. Não existia o quiosque. Em seu lugar, tínhamos um jardim que ladeava o parquinho.

    Muitos prédios hoje vizinhos do clube ainda não existiam, bem como o supermercado vizinho, que já se chamou Ideal e Sendas. Podemos ver ainda que, naquele dia, havia treinamento de natação, com atletas nas raias.

    Abaixo, uma tomada do parque aquático por outro ângulo naquele ano de 1971:

    Na tomada acima, vemos que o ginásio ainda não existia. Em seu lugar, havia uma dependência de palhoça. A escola vizinha do clube (Aníbal Freire) havia sido inaugurada naquele ano. Vemos ainda os antigos postes de iluminação à beira da grade. Percebe-se ainda , à direita, que o campo de futebol society ocupava uma área que logo depois seria do ginásio. É o que mostra a tomada da próxima foto:

    Na tomada acima, podemos ver ao fundo, atrás da piscina olímpica, o antigo campo de futebol society, além das antigas mesas e cadeiras e ainda uma pequena cabine. Temos também uma visão frontal do antigo trampolim.

    Um detalhe interessante é que a única publicidade existente no parque aquático em 1971 era a do Ponto Frio. Na próxima foto, aproximando a imagem, podemos ver à esquerda o pinguim do Ponto Frio, dentro do qual aparece a palavra “Bonzão”. A solitária publicidade se justificava na época. O Ponto Frio havia sido o grande parceiro do Olaria no Campeonato Carioca daquele ano, ao comprar 800 mil cruzeiros da renda do jogo Olaria X Flamengo, o que garantiu, pelo regulamento, o Olaria no Campeonato Brasileiro. No entanto, a antiga CBD, em um golpe que jamais será reparado, excluiu o Olaria da competição nacional.

    Assim, ao trazermos à memória o parque aquático em 1971, também rememoramos a empresa que foi, na história, a grande parceira do futebol do Olaria, com os banhistas tendo a companhia do simpático pinguim do Ponto Frio.

    O pinguim do Ponto Frio era a única publicidade do parque aquático em 1971. A empresa foi a grande parceira do futebol do Olaria naquele ano.

  • 1945: O PROJETO DO ALÇAPÃO

    O presidente Mello e a comissão de obras apresentando o projeto do estádio da Rua Bariri ao diretor do Jornal dos Sports. O ano era 1945.

    Em 1945 João Lyra Filho, então presidente do CND (Conselho Nacional de Desportos) fez uma proposta ao presidente do Olaria, Álvaro da Costa Mello. A proposta de João Lyra Filho também era um compromisso dele com o Olaria:

    “Se vocês fizerem esta obra (o estádio) eu lhes asseguro que o Olaria será promovido à primeira divisão”. (João Lyra Filho, a Álvaro da Costa Mello, em 1945).

    O Olaria havia sido injustamente afastado da primeira divisão em 1937, após a pacificação do futebol carioca. A proposta de João Lyra Filho era um grande desafio para o Olaria, mas o presidente Mello não pestanejou e se comprometeu em construir o estádio. O primeiro passo foi constituir uma comissão de obras. Para tal, Mello nomeou Antônio Pereira Pinto, José Rodrigues de Carvalho, José Rodrigues Marcelino e Armindo Augusto Ferreira. A comissão não era formada por um grupo de burocratas engravatados e encastelados em gabinetes. Ao contrário, eles metiam a “mão na massa”, como se diz comumente.

    Um engenheiro que era associado do clube, chamado José Júlio de Sá Lopes, fez a planta do estádio, sem cobrar qualquer remuneração ao clube. Foi aberto um livro de ouro, encabeçado pelo próprio presidente Mello, e as contribuições dos olarienses possibilitaram a construção. Foram 18 meses de trabalho e, no dia 6 de abril de 1947, o estádio que mais tarde seria batizado de “Mourão Filho” e popularmente conhecido como “Alçapão da Bariri” era inaugurado. O projeto, sonho dos olarienses, virou realidade, com o Olaria voltando à primeira divisão, o time bariri sendo um fantasma e o alçapão um pesadelo para os seus adversários…

    Imagem acima: o projeto do estádio do Olaria Atlético Clube.

  • NECO, O TÉCNICO DO FANTASMA BARIRI

    Neco, o técnico do Olaria em 1947 e 1948. Ele comandou o time que ficou conhecido como “O Fantasma Bariri”.

    “O melhor ficou para o fim

    O Olaria valoroso de Leleco

    Creio que novamente será assim

    O fantasma treinado por Neco.” (Quadra publicada na Revista Sport Ilustrado, página 16, de 3 de junho de 1948, de autoria de Alberto Taborda).

    “Fantasma Bariri” foi o apelido dado ao time do Olaria de 1947. O apelido já diz tudo: a equipe bariri assustava, e muito, os seus adversários. Naquele ano de 1947 o Olaria inaugurava o alçapão, o seu estádio que seria o terror dos adversários. Mas não apenas o alçapão assustava os visitantes que pisavam no gramado da Bariri. O Olaria tinha um timaço. E esse timaço era dirigido por um grande comandante: Neco.

    Manuel da Silva Alves era o nome de Neco. Sob seu comando o Olaria, em 1947, realizou uma ótima campanha no Campeonato Carioca, com grandes vitórias dentro e fora do alçapão. Na Bariri, o Olaria goleou o Bangu por 8 a 3, derrotou o Botafogo por 3 a 2 e aplicou outra goleada, sobre o Bonsucesso, por 5 a 1, e ainda empatou com o Fluminense em 4 a 4. Fora da Bariri, o “Fantasma” também assustava: arrancou um empate em 3 a 3 contra o “Expresso” do Vasco dentro de São Januário e derrotou o Flamengo por 1 a 0, em plena Gávea, com um histórico gol de Spinelli, calando a gaita de Ary Barroso. Tudo sob o comando de Neco, que ainda dirigiu o time no ano seguinte.

    Como diz a quadrinha do Taborda, escrita em 1948: “O Olaria valoroso de Leleco… O fantasma treinado por Neco…”

    Em 1948, no gramado da Bariri, o técnico Neco dá instruções aos jogadores.

  • 1956: BARBOSA E BOAVENTURA NA BARIRI

    Em 1956, Barbosa, o goleiro da Copa de 1950 e um dos melhores da história, trabalhou com Jair Boaventura no Olaria. Na foto, o então veterano goleiro na Rua Bariri com o técnico do Olaria.

    Jair Boaventura foi, na história do Olaria, um dos técnicos que mais teve o “DNA olariense”. Era literalmente cria da Bariri. Seu pai, Neneco, foi atleta e dirigente do Olaria. Jair Boaventura começou dirigindo o infanto-juvenil em 1947 e depois os aspirantes. Ele era também uma espécie de “interino de plantão”, pois sempre que saía algum técnico, ele assumia. Mas nos anos de 1955 e 1956 ele se firmou no comando dos profissionais.

    No ano de 1956 Jair Boaventura ganhou um grande reforço para seu trabalho: ninguém menos do que Moacyr Barbosa, o goleiro da Copa de 1950 e um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, foi trabalhar com Jair Boaventura na Bariri. O então veterano goleiro de tantas conquistas foi o grande assistente de Jair Boaventura naquele ano. Com sua experiência, ele deu grande contribuição para a formação da equipe do Olaria naquele ano de 1956.

    Jair Boaventura sempre se declarou olariense e os mais antigos sabem que ele era, de fato, apaixonado pelo clube da Rua Bariri. Mas Barbosa também tinha grande admiração pelo Olaria, e nunca escondeu isso. Barbosa era de Ramos e costumava vir ao Olaria, até que, em 1956, veio para trabalhar na Bariri. Boaventura e Barbosa: dois orgulhos do futebol que só o Olaria teve o privilégio de tê-los ao mesmo tempo.

  • 1930: O CAMPO, ANTES DO ESTÁDIO

    O campo do Olaria em 1930, quando ainda não existia o estádio. Ao fundo, a Igreja da Penha.

    Estávamos no ano de 1930. A Rua Bariri ainda se chamava Rua Cândido Silva. O Olaria havia comprado há poucos anos o terreno na rua que mais tarde se chamaria Bariri. E ali instalou o seu campo, onde 17 anos mais tarde seria erguido o lendário “alçapão”.

    O preço do terreno da Rua Cândido Silva era alto, custava 80 mil cruzeiros, e o Olaria não dispunha de recursos para efetuar a transação. O clube só tinha 7 mil em caixa. Então, três grandes benfeitores olarienses fizeram uma “vaquinha” e completaram, de seus próprios bolsos, os 73 mil que faltavam. Foram eles: João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira. Assim, o terreno foi comprado e o Olaria agora tinha o seu próprio campo.

    A foto acima, de 1930, publicada no jornal Diário da Noite, permite que nos localizemos, tendo como referência a Igreja da Penha, que aparece ao fundo. Assim, dá para perceber a posição original das balizas. Como vemos, uma delas está do lado onde aparece a Igreja da Penha. Logo, o campo era paralelo à Rua Cândido Silva (atual Bariri). Havia apenas uma cerca baixa que separava o campo dos torcedores. Foi exatamente nesse gramado que o Olaria disputou o campeonato da segunda divisão da AMEA de 1931, do qual sagrou-se campeão invicto e ascendeu, pela primeira vez, à primeira divisão carioca.

    A partir de 1947, o que era apenas um simples campo com uma pequena cerca, seria transformado no lendário e temido alçapão da já chamada “Rua Bariri”.

  • 1956: CAMPEÃO INFANTO-JUVENIL

    O Olaria campeão infanto-juvenil de 1956.

    Em 1956, quando o Rio de Janeiro ainda era o Distrito Federal, o futebol carioca era comandado pela FMF (Federação Metropolitana de Futebol). E uma das grandes conquistas da história do Olaria aconteceu exatamente naquele ano: o Olaria sagrou-se campeão infanto-juvenil de futebol. O time campeão foi comandado pelo técnico Joanias Fontes.

    Naquela época o Olaria já realizava um ótimo trabalho na base, revelando muitos atletas e garimpando outros pelos campos da Leopoldina. Para isso, o Olaria tinha, além do técnico Joanias Fontes, um ótimo “olheiro”, que foi Jair Boaventura, que nessa época também dirigiu o time de profissionais do Olaria.

    A equipe campeã infanto-juvenil de 1956 fez história, numa época em que o Olaria, já na base, assustava os seus adversários, dentro ou fora do Alçapão da Bariri.

    A faixa de campeão infanto-juvenil de 1956 encontra-se na vitrine de relíquias do Olaria, na entrada do clube. O exemplar da faixa foi doado pelo campeão José Carlos Vilaça Willeman, o que proporciona aos sócios e visitantes poderem ver um dos maiores símbolos dessa conquista. José Carlos Vilaça hoje é sócio emérito do Olaria, por ter sido campeão em 1956 e essa conquista ficará para sempre na memória dos olarienses.