Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • 1952: CONTRA O FLAMENGO, O “JOGO DAS GARRAFADAS”

    O árbitro Tudor Thomaz e os capitães Lima, do Olaria, e Esquerdinha, do Flamengo, no histórico “jogo das garrafadas” em 1952 na Rua Bariri.

    Se em 1831, na história do Brasil, aconteceu a “Noite das Garrafadas”, quando a pancadaria comeu entre brasileiros e portugueses, na Rua Bariri aconteceu em 1952 o histórico “Jogo das Garrafadas”, entre Olaria e Flamengo. O dia era 16 de novembro de 1952 e o velho Alçapão estava totalmente lotado. As crônicas esportivas da época atestam que foi um jogo extremamente tenso, tanto entre os jogadores como entre as duas torcidas. O jogo, apitado pelo árbitro inglês Tudor Thomaz, terminou empatado em 0 a 0. Mas se em campo não teve gols, sobraram garrafas. O jornalista Luiz Mendes, que esteve no jogo para fazer a cobertura, escreveu:

    “O encontro foi mais uma batalha do que propriamente um cotejo esportivo. Foi uma guerra esse jogo, como se estivéssemos assistindo a uma ação conjunta da infantaria e da aviação. As bombas aéreas eram as garrafas que volta e meia caíam sobre a cancha, vindas do alto das arquibancadas.

    Em dado momento da partida, os jogadores do Olaria tiveram que vasculhar o gramado à procura de cacos de vidro das garrafas que foram arremessadas das arquibancadas. O Flamengo, que tinha um excelente time e brigava pelo título, não conseguiu furar o bloqueio da equipe bariri e as garrafas arremessadas ao campo entrariam para sempre na história do lendário estádio da Bariri.

    No “jogo das garrafadas”, jogadores do Olaria procuram cacos de vidro no gramado do Alçapão da Bariri.
    Na Rua Bariri, o time do Olaria que parou o rolo compressor do Flamengo no “jogo das garrafadas”:. Em pé, da esquerda para a direita: Jorge, Osvaldo, Celso, Olavo, Moacir e Ananias. Agachados, na mesma ordem: Lupércio, Wahington, Maxwell, Lima e Cidinho.

  • QUEM FOI MOURÃO FILHO

    Entrada principal do Estádio Mourão Filho, na Rua Bariri.

    “Alçapão da Bariri”, “Estádio da Rua Bariri” ou simplesmente “Rua Bariri” são as denominações populares para o estádio do Olaria. Em tempos mais remotos, “Cemitério dos Grandes”, “Taba Bariri” e também “Ratoeira dos Grandes” eram outras alcunhas para o histórico estádio. Porém, como qualquer estádio, o do Olaria também tem um nome oficial: Antônio Mourão Vieira Filho, ou, simplesmente, Mourão Filho. Mas afinal, quem foi Mourão Filho?

    Antônio Mourão Vieira Filho foi um dos muitos portugueses de destaque na história do Olaria. Nascido em 7 de setembro de 1911, teve uma trajetória destacada em vários setores da vida leopoldinense: ele foi médico, educador e político, sempre defendendo os interesses da comunidade da Leopoldina. Fundou um dos colégios mais tradicionais da região (o Colégio Cardeal Leme) e teve uma grande trajetória política em nossa cidade, quando esta ainda era o Distrito Federal. Elegeu-se vereador em 1951, sendo reeleito em 1955 e 1959. Faleceu em 11 de julho de 1972.

    Como vereador, sempre colocou o seu mandato a serviço do Olaria e, graças à sua intercessão junto aos poderes públicos, o terreno onde hoje se localiza o estádio do Olaria foi regularizado, uma das razões pelas quais os olarienses lhes serão eternamente gratos.

    A revista do Olaria de agosto-setembro de 1958 informa que o clube realizou um grande baile em homenagem aos 47 anos de Mourão Filho.

    No dia 2 de janeiro de 1960, um retrato de Mourão Filho foi inaugurado em local de destaque na sede da Rua Bariri e, pouco tempo depois, ele se tornava benemérito do clube. Ocupou ainda o cargo de vice-presidente do Conselho Deliberativo. A biografia de Mourão Filho é marcada pelas benfeitorias que ele realizou não apenas para o Olaria, mas para toda a Leopoldina. Assim, o velho Alçapão tem um nome oficial que muito orgulha os olarienses.

    Mourão Filho: vereador, educador, médico. Ele deu grande contribuição ao Olaria, especialmente na obtenção da legalização do terreno onde está o estádio da Rua Bariri. Seu nome é o nome oficial do Alçapão da Bariri.

  • OLARIA DE TERRA E MAR

    O porto de Maria Angu em 1928, época em que o Olaria Atlético Clube ali promovia e praticava regatas.

    Em 1920 o Olaria adotou o atual escudo e as insígnias náuticas nele presentes, como o remo e a âncora, explicitavam a nova realidade do clube: sim, o Olaria passaria a praticar regatas, numa época em que o remo ainda era um esporte de elite. Naquele ano, tinha início a gestão do presidente Sílvio e Silva e ele não apenas implantou a nova modalidade como também idealizou o escudo atual, para que o mesmo ostentasse a nova realidade esportiva do Olaria.

    Se na Zona Sul o remo era praticado na Enseada de Botafogo e, depois, na Lagoa Rodrigo de Freitas, as “águas de Olaria” eram outras: ficavam na Praia de Maria Angu, que se estendia da Penha até Ramos e onde também havia um porto. A iniciativa de implantar o remo no Olaria foi tão surpreendente que, tão logo foi anunciado o novo esporte, a Gazeta Suburbana estampava: “Ora essa! O Olaria promovendo regatas no Porto de Maria Angu!” Foi exatamente em maio de 1920 que o Olaria inaugurou seu Departamento Náutico e promoveu no porto de Maria Angu seu primeiro evento de regatas e outros esportes aquáticos. A partir de então, o Olaria se tornava um clube de terra e mar. Ali no Porto de Maria Angu o Olaria instalou a sua primeira sede náutica. Ali também o clube criou um grupo de escoteiros do mar. Até 1930 o Olaria promoveu vários eventos náuticos na saudosa praia de Maria Angu.

    Com a construção da Avenida Brasil, na década de 1940, a praia de Maria Angu foi aterrada e desapareceu. Porém, até hoje aquela praia é lembrada com saudades, em uma época em que o Olaria jogava futebol e remava nas águas de Olaria.

    Grupo de escoteiros do mar do Olaria em 1930. Foto: Jornal Diário da Noite.

    Sílvio e Silva, o presidente que, em 1920, implantou o remo no Olaria e idealizou o atual escudo do clube.

  • OLARIA NOS TEMPOS DO IMPERIAL

    No gramado da Bariri, o vice de futebol Carlos Imperial, o presidente Edmundo Cigarro e o diretor Carlos Alberto Galvão, o Catuca, no amistoso da entrega das faixas de campeão do Torneio Incentivo Ary Magalhães. O amistoso, realizado no dia 5 de junho de 1980, foi contra o Vasco e terminou empatado em 0 a 0.

    Carlos Eduardo da Corte Imperal ou, simplesmente, Carlos Imperial. O ano era 1980 e o Olaria era presidido por Edmundo Cigarro. O presidente Edmundo havia convidado Carlos Imperial para assumir a vice-presidência de futebol do Olaria. Assim, o ator, compositor e apresentador de TV Carlos Imperial também passaria a ser o comandante do futebol olariense. Em princípio, os olarienses ficaram céticos e a dúvida era até justificável. O cara era brigão, polêmico e eram conhecidas as confusões que arrumava por onde passava. Porém, não restavam dúvidas de que ele traria mídia para o Olaria, numa época em que não existiam redes sociais.

    E o ano de 1980 já lançava um grande desafio para o novo vice de futebol: o Olaria teria que disputar um torneio de acesso para garantir vaga na primeira divisão. E a primeira providência do Imperial foi ligar para a 37ª Delegacia Policial, na Ilha do Governador. Não era para registrar qualquer ocorrência e sim para convidar o então delegado Antônio Lopes para ser o técnico do Olaria. Lopes aceitou o convite e começava ali, na rua Bariri, sua vitoriosa carreira de técnico. Imperial também trouxe reforços importantes, como o zagueiro Salvador e o atacante Henry. O Olaria foi campeão com sobras e voltou para a primeira divisão.

    Imperial ainda teria, como vice-presidente, outro desafio: o Torneio Incentivo Ary Magalhães, que o Olaria acabou conquistando ao golear o Volta Redonda na final por 5 a 1, em um jogo inesquecível na Rua Bariri. Com Imperial, começava a ser montada a base da equipe que, no ano seguinte, conquistaria a Taça de Bronze. No fim, o ceticismo inicial deu lugar à certeza de que Carlos Imperial levou o Olaria a grandes conquistas no ano de 1980.

    Após sair da vice-presidência de futebol do Olaria, Imperial elegeu-se vereador pelo PDT em 1982 e, antes de falecer, em 1992, deixaria eternizado um dos maiores bordões do Carnaval Carioca: “dez, nota dez!” era o seu brado quando, na função de anunciador das notas dos desfiles das escolas de samba, um jurado atribuía a nota máxima.

    Assim, a passagem de Carlos Imperial pelo Olaria, embora muito curta, deixou ótimas recordações na Rua Bariri. Isso sem contar as histórias que ficaram para além do futebol quando, por exemplo, em uma excursão do time ao interior de Minas, ele resolveu levar as suas famosas “lebres” e aí ninguém quis mais saber de ver o jogo. Mas isso já é outra história…

    No gramado da Bariri, a equipe campeã do Torneio Incentivo Ary Magalhães, em 5 de junho de 1980, no amistoso de entrega das faixas contra o Vasco vendo-se, além dos atletas e comissão técnica, Carlos Imperial, o vice-presidente PIntinho, o técnico Antônio Lopes, o presidente Edmundo Cigarro, o patrono Álvaro da Costa Mello e o benemérito Álvaro Augusto de Carvalho.

    Carlos Imperial, no gramado da Rua Bariri, quando era vice-presidente de futebol do Olaria.
    Carlos Imperial, entre o presidente Edmundo e o técnico Antônio Lopes.
    Carlos Imperial com a camisa do Olaria, durante uma entrevista em janeiro de 1980. Foto: Jornal dos Sports.

  • OLARIA DE LUTO: FALECEU CHICÃO DO MEGAFONE

    Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone, torcedor-símbolo do Olaria.

    Hoje, 18 de agosto de 2025, a torcida do Olaria ficou muito, muito menor. Foi com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone. Torcedor-símbolo do Olaria, ele ficou marcado não apenas pelo seu equipamento acústico, que o acompanhava em todos os jogos, mas também pelos seus bordões. Foi ele que criou o canto que hoje a torcida do Olaria entoa nas arquibancadas: “Olê, olê, olê, olá, Olaria!” Sempre com a camisa e a bandeira do Olaria, lá estava o Chicão em qualquer jogo, fosse dos profissionais ou das categorias de base. “Vamos lá que o Olaria é raça!”, “Cada um com seu cada qual!”, “Olaria! Olaria! Olaria!”, “Zerou, zerou!”, eram algumas das palavras de ordem do Chicão nas arquibancadas. E, para protestar contra alguma marcação da arbitragem, o som que saía do megafone era: “O que é isso juizão?”

    Nos final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Chicão se tornou o torcedor mais famoso do Olaria, sendo citado em jornais e comentários nas rádios. Chegou até a ser entrevistado em um programa esportivo da TV. Chicão, como todo torcedor, viveu alegrias e tristezas com o Olaria. Ficou na memória um jogo em 1998 contra o Madureira quando, triste com a derrota do Olaria, Chicão resolveu voltar a pé de Conselheiro Galvão até a Bariri, de camisa, megafone e bandeira em punho.

    Chicão era a personificação do que se pode chamar de verdadeira paixão por um clube. E, para nossa sorte, ele era apaixonado pelo Olaria. Muito obrigado, Chicão! O megafone agora está no céu, mas sua voz, para sempre, será lembrada por todos os olarienses quando, durante os jogos, a torcida gritar: “Olê, olê, olê, olá, Olaria!”

    Abaixo, relembramos um dos momentos de grande alegria do Chicão, em 1997, quando o Olaria conquistou o Torneio Álvaro Bragança, na categoria sub-20, na Rua Bariri.

    1997: Chicão, sem largar o megafone e a bandeira do Olaria, no gramado da Bariri, comemora, abraçado ao atleta Eduardo, a conquista do Torneio Álvaro Bragança.

  • O DIA QUE PELÉ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

    Pelé consagrou-se no Santos, único clube brasileiro pelo qual ele jogou profissionalmente. Mas em algumas ocasiões especiais, como amistosos ou jogos comemorativos, ele também vestiu a camisa de outros clubes. E a camisa do Olaria foi uma das que o Rei do Futebol vestiu.

    Maracanã, 22 de março de 1964. O Santos enfrentaria o Fluminense pelo Torneio Rio-São Paulo no Maracanã. O Maracanã tinha sido o palco das finais do mundial, quando o Santos jogou contra Benfica e Mílan, em 1962 e 1963. Na ocasião, a torcida carioca lotou o Maracanã para apoiar a equipe da Vila Belmiro nas duas conquistas do mundial e o Santos, por algum tempo, acabou se tornando “o time de todos os cariocas”.

    Naquele dia, no jogo contra o Fluminense, em homenagem e em agradecimento à torcida carioca, cada jogador do Santos entrou em campo vestindo a camisa de um clube do Rio. E Pelé vestiu a do Olaria. Naquela data histórica, a camisa usada por Pelé foi a azul com a faixa branca.

    Assim, naquele 22 de março de 1964, embora fosse um jogo entre Fluminense e Santos, o Olaria entrou para a história. Naquele dia, o manto azul e branco do gigante da Bariri foi vestido por ninguém menos do que… o Rei do Futebol!

    Abaixo, assista aos vídeos do jogo de 1964, que mostra Pelé entrando em campo com a camisa do Olaria, e a declaração dele no filme “Pelé Eterno”, do ano de 2004, quando fala que vestiu a camisa do Olaria.

  • 1967: A MAIOR BRIGA DA HISTÓRIA DA BARIRI

    “Almir acabou com o jogo”. (Manchete do Jornal dos Sports de 22/10/1967).

    A maior briga no Alçapão da Bariri foi em 21 de outubro de 1967, no jogo entre Olaria e América. Todos os 22 jogadores foram expulsos. Na foto, Almir, do América, está caído e preso na rede.

    O Alçapão da Rua Bariri foi palco de muitas confusões e episódios rocambolescos que ficaram na memória dos torcedores. Porém, nenhum episódio é tão lembrado e comentado como a pancadaria generalizada do jogo entre Olaria e América. O dia era 21 de outubro de 1967 e o Olaria receberia o América pelo Campeonato Carioca. O América tinha um grande jogador, mas que também teve sua carreira marcada pelas confusões que arrumou: Almir Pernambuquinho. O jogo estava muito disputado, quando aos 19 minutos do segundo tempo Antunes, o irmão de Zico, abriu o placar para os americanos. Mas um outro irmão de Zico jogava pelo América: Edu. Após o gol do América, o meia Sabará, do Olaria, que não brincava em serviço, atingiu violentamente Edu e foi expulso pelo árbitro Geraldino César. Edu queria vingança e “terceirizou” seu sentimento para o companheiro Almir, pedindo que ele se vingasse da agressão sofrida. Almir, então, aceitou a “missão”.

    Quando o jogo se aproximava do final, em uma dividida com o goleiro Édson Borracha, do Olaria, Almir chutou o rosto do goleiro olariense, que imediatamente começou a sangrar. Teve início, então, a briga que entraria para a história. Foi uma verdadeira batalha campal. Todos os jogadores que estavam em campo, além dos reservas, se envolveram na briga. Isso sem falar de dirigentes e outros que adentraram ao gramado.

    Há uma cena da briga que ficou gravada para sempre: como a briga foi perto da baliza, em dado momento Almir, mesmo brigando muito, caiu, ficou enroscado e preso na rede e acabou chutado por olarienses. Claro que o jogo não terminou, porque todos os 22 jogadores foram expulsos.

    Roberto Assaf e Clóvis Martins, no livro História dos Campeonatos Cariocas, mencionam a briga:

    “O sururu foi em outubro, no estádio da Rua Bariri, quando o sempre polêmico Almir, em fim de carreira no América, resolveu tomar as dores do companheiro Edu, o irmão de Zico. Almir agrediu o goleiro Édson e a briga generalizou-se”.

    O episódio entrou para a história como a maior briga já ocorrida no velho Alçapão da Bariri e certamente a maior briga da história dos Campeonatos Cariocas.

    Jogadores do Olaria cercam Almir Pernambuquinho, naquela que foi a maior briga da Bariri.
    Almir Pernambuquinho (camisa 8) parte para a briga, na maior pancadaria da história do Alçapão.
    Almir Pernambuquinho preso na rede: a cena que ficou marcada na maior briga do Alçapão da Bariri.
  • A CONCENTRAÇÃO DA RIO-PETRÓPOLIS

    Durante quase toda a década de 1960, existia um imóvel que se tornou famoso por ser muito utilizado pelo Olaria e não ficava na Rua Bariri: era a concentração dos atletas de futebol do clube, localizada na altura do quilômetro 17 da Washington Luís, a rodovia Rio-Petrópolis. Dali, por alguns anos, os jogadores do Olaria partiam para o Maracanã e para outros estádios.

    A concentração era um casarão que ficava localizado na Rua Romeu Estelita, no bairro Vila Maria Helena, município de Duque de Caxias. O casarão da Rio-Petrópolis, como era conhecido, tinha amplos quartos que acomodavam confortavelmente os jogadores e ali eram também feitas as refeições dos atletas.

    O casarão da Rio-Petrópolis não era de propriedade do Olaria. O imóvel foi cedido pelo associado Joaquim Oliveira e Silva, no início da gestão do presidente José de Albuquerque. Em conversa com o ex-zagueiro Mafra, que se concentrou muito ali, o mesmo declarou que o local era uma boa concentração, era muito confortável e que nada faltava aos jogadores.

    José de Albuquerque presidiu o Olaria entre 1960 e 1967, período em que a concentração foi muito utilizada. Naquela época, a Rio-Petrópolis não deixava de ser uma extensão da Bariri. Após a gestão de Albuquerque, a concentração não mais foi usada. Porém, ficou a lembrança de uma época em que os torcedores, para verem de perto os seus ídolos e dar uma força antes dos jogos, tinham que literalmente meter o pé na estrada.

  • 1970: ALTIVO E O GOL MORTAL

    Altivo: ele marcou o “gol mortal” que deu a vitória ao Olaria sobre o Fluminense.

    Julho de 1970. O Brasil ainda vivia a ressaca da comemoração pela conquista do tricampeonato mundial no México. Mas como o futebol não podia parar, o campeonato estadual daquele ano teve início uma semana após a grande final da Copa do Mundo. Estávamos na sexta rodada da Taça Guanabara. O dia era 22 de julho, uma quarta-feira. Fluminense e Olaria jogariam nas Laranjeiras. Naquela noite, com o Fluminense favoritíssimo, jogando em seu campo, parece que o enredo já estava desenhado: vitória tricolor e festa nas Laranjeiras. Mas havia um zagueiro do Olaria, chamado Altivo, que mudaria o enredo, entraria para a história e, infelizmente, seu feito causaria uma tragédia naquela noite.

    O Fluminense contava com atletas como o lateral tricampeão Marco Antônio, o artilheiro Flávio, e Lula, o homem do polêmico gol do título tricolor de 1971. Pelo Olaria, já se desenhava a base da equipe que, no ano seguinte, ficaria em terceiro lugar no campeonato: o goleiro Pedro Paulo, o zagueiro Miguel, o lateral-esquerdo Alfinete estavam em campo naquela noite na Rua Álvaro Chaves. E, claro, o grande protagonista da noite, que causaria, ao mesmo tempo, uma grande alegria e uma grande tristeza: o zagueiro Altivo. José Aldo Pereira apitou a partida que levou às Laranjeiras 3.979 pagantes.

    Aos 20 minutos do primeiro tempo, falta a favor do Olaria. Apesar de a cobrança ser da intermediária, Altivo, que tinha um chute muito forte, optou pela cobrança direta. Foi um canhão que o goleiro tricolor Jairo nem viu a bola: 1 a 0 para o Olaria.

    Veio o segundo tempo. O relógio corria e o placar não mudava. Um conselheiro do Fluminense, chamado José Herculano, que via o jogo da pista que ladeava o gramado, percebendo que o empate não vinha, começa a sentir-se mal. Mas, infelizmente, não houve tempo para mais nada. Nem para o empate do Fluminense e nem para salvar a vida do tricolor José Herculano que, mesmo socorrido, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu ainda dentro do estádio. Evidentemente alguns jornais, no dia seguinte, deram mais destaque à morte do torcedor tricolor do que à vitória do Olaria e, a partir daquele jogo, parece que os tricolores se renderiam às superstições. Como um padre tricolor também já tinha falecido nas Laranjeiras, os tricolores acabaram elegendo o seu próprio estádio como um símbolo de maldição. E, depois da morte de José Herculano, por muito tempo o Fluminense não jogaria mais nas Laranjeiras.

    Infelizmente, naquela noite de quarta-feira, a alegria dos olarienses pela vitória se misturou ao luto da família de um desportista.

    A ficha do jogo em que o Olaria derrotou o Fluminense nas Laranjeiras, com o “gol mortal” de Altivo.

  • O TIME INFANTO-JUVENIL DE 1972

    O elenco infanto-juvenil do Olaria de 1972. Em pé, da esquerda para a direita: Waldir, Marquinhos, Flávio, Tales, Zé Roberto, Russo, Nilson, Maninho e Beto. Agachados, na mesma ordem: Clesio, Renato, Natal, Zé Carlos, Haroldo, Gilson, Wellington e Luiz Carlos.

    O “Memórias da Bariri” de hoje relembra o grande time infanto-juvenil do Olaria de 1972. Era uma época em que a Rua Bariri produzia muitos craques. O elenco que aparece na foto tinha como técnico um dos melhores da época em categorias de base: Joanias Fontes. Em 1972, comandava o Departamento Infanto-Juvenil Cléo Acker e o diretor era Domingos Gonçalves, mais conhecido como Dominguinhos.

    É interessante notar como, em 1972, a camisa listrada, lançada em 1970, já havia sido adotada por todas as categorias não apenas do futebol, mas também do basquete. A camisa listrada ficou marcada na história do Olaria por ser a camisa vestida por Garrincha no mesmo ano de 1972.

    O infanto-juvenil era, na época, também chamado de “Escolinha” e era daí que saíam os atletas para a categoria juvenil. Como a Federação, na época, não promovia competições de infanto-juvenil, o próprio Olaria organizava torneios amistosos e, assim, a “Escolinha Bariri” se tornava um grande celeiro de craques. A tradição do Olaria, de fazer craques em casa, é muito antiga e, em 1972, o infanto-juvenil era uma prova dessa tradição.