Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • O DIA QUE PELÉ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

    Pelé consagrou-se no Santos, único clube brasileiro pelo qual ele jogou profissionalmente. Mas em algumas ocasiões especiais, como amistosos ou jogos comemorativos, ele também vestiu a camisa de outros clubes. E a camisa do Olaria foi uma das que o Rei do Futebol vestiu.

    Maracanã, 22 de março de 1964. O Santos enfrentaria o Fluminense pelo Torneio Rio-São Paulo no Maracanã. O Maracanã tinha sido o palco das finais do mundial, quando o Santos jogou contra Benfica e Mílan, em 1962 e 1963. Na ocasião, a torcida carioca lotou o Maracanã para apoiar a equipe da Vila Belmiro nas duas conquistas do mundial e o Santos, por algum tempo, acabou se tornando “o time de todos os cariocas”.

    Naquele dia, no jogo contra o Fluminense, em homenagem e em agradecimento à torcida carioca, cada jogador do Santos entrou em campo vestindo a camisa de um clube do Rio. E Pelé vestiu a do Olaria. Naquela data histórica, a camisa usada por Pelé foi a azul com a faixa branca.

    Assim, naquele 22 de março de 1964, embora fosse um jogo entre Fluminense e Santos, o Olaria entrou para a história. Naquele dia, o manto azul e branco do gigante da Bariri foi vestido por ninguém menos do que… o Rei do Futebol!

    Abaixo, assista aos vídeos do jogo de 1964, que mostra Pelé entrando em campo com a camisa do Olaria, e a declaração dele no filme “Pelé Eterno”, do ano de 2004, quando fala que vestiu a camisa do Olaria.

  • 1967: A MAIOR BRIGA DA HISTÓRIA DA BARIRI

    “Almir acabou com o jogo”. (Manchete do Jornal dos Sports de 22/10/1967).

    A maior briga no Alçapão da Bariri foi em 21 de outubro de 1967, no jogo entre Olaria e América. Todos os 22 jogadores foram expulsos. Na foto, Almir, do América, está caído e preso na rede.

    O Alçapão da Rua Bariri foi palco de muitas confusões e episódios rocambolescos que ficaram na memória dos torcedores. Porém, nenhum episódio é tão lembrado e comentado como a pancadaria generalizada do jogo entre Olaria e América. O dia era 21 de outubro de 1967 e o Olaria receberia o América pelo Campeonato Carioca. O América tinha um grande jogador, mas que também teve sua carreira marcada pelas confusões que arrumou: Almir Pernambuquinho. O jogo estava muito disputado, quando aos 19 minutos do segundo tempo Antunes, o irmão de Zico, abriu o placar para os americanos. Mas um outro irmão de Zico jogava pelo América: Edu. Após o gol do América, o meia Sabará, do Olaria, que não brincava em serviço, atingiu violentamente Edu e foi expulso pelo árbitro Geraldino César. Edu queria vingança e “terceirizou” seu sentimento para o companheiro Almir, pedindo que ele se vingasse da agressão sofrida. Almir, então, aceitou a “missão”.

    Quando o jogo se aproximava do final, em uma dividida com o goleiro Édson Borracha, do Olaria, Almir chutou o rosto do goleiro olariense, que imediatamente começou a sangrar. Teve início, então, a briga que entraria para a história. Foi uma verdadeira batalha campal. Todos os jogadores que estavam em campo, além dos reservas, se envolveram na briga. Isso sem falar de dirigentes e outros que adentraram ao gramado.

    Há uma cena da briga que ficou gravada para sempre: como a briga foi perto da baliza, em dado momento Almir, mesmo brigando muito, caiu, ficou enroscado e preso na rede e acabou chutado por olarienses. Claro que o jogo não terminou, porque todos os 22 jogadores foram expulsos.

    Roberto Assaf e Clóvis Martins, no livro História dos Campeonatos Cariocas, mencionam a briga:

    “O sururu foi em outubro, no estádio da Rua Bariri, quando o sempre polêmico Almir, em fim de carreira no América, resolveu tomar as dores do companheiro Edu, o irmão de Zico. Almir agrediu o goleiro Édson e a briga generalizou-se”.

    O episódio entrou para a história como a maior briga já ocorrida no velho Alçapão da Bariri e certamente a maior briga da história dos Campeonatos Cariocas.

    Jogadores do Olaria cercam Almir Pernambuquinho, naquela que foi a maior briga da Bariri.
    Almir Pernambuquinho (camisa 8) parte para a briga, na maior pancadaria da história do Alçapão.
    Almir Pernambuquinho preso na rede: a cena que ficou marcada na maior briga do Alçapão da Bariri.
  • A CONCENTRAÇÃO DA RIO-PETRÓPOLIS

    Durante quase toda a década de 1960, existia um imóvel que se tornou famoso por ser muito utilizado pelo Olaria e não ficava na Rua Bariri: era a concentração dos atletas de futebol do clube, localizada na altura do quilômetro 17 da Washington Luís, a rodovia Rio-Petrópolis. Dali, por alguns anos, os jogadores do Olaria partiam para o Maracanã e para outros estádios.

    A concentração era um casarão que ficava localizado na Rua Romeu Estelita, no bairro Vila Maria Helena, município de Duque de Caxias. O casarão da Rio-Petrópolis, como era conhecido, tinha amplos quartos que acomodavam confortavelmente os jogadores e ali eram também feitas as refeições dos atletas.

    O casarão da Rio-Petrópolis não era de propriedade do Olaria. O imóvel foi cedido pelo associado Joaquim Oliveira e Silva, no início da gestão do presidente José de Albuquerque. Em conversa com o ex-zagueiro Mafra, que se concentrou muito ali, o mesmo declarou que o local era uma boa concentração, era muito confortável e que nada faltava aos jogadores.

    José de Albuquerque presidiu o Olaria entre 1960 e 1967, período em que a concentração foi muito utilizada. Naquela época, a Rio-Petrópolis não deixava de ser uma extensão da Bariri. Após a gestão de Albuquerque, a concentração não mais foi usada. Porém, ficou a lembrança de uma época em que os torcedores, para verem de perto os seus ídolos e dar uma força antes dos jogos, tinham que literalmente meter o pé na estrada.

  • 1970: ALTIVO E O GOL MORTAL

    Altivo: ele marcou o “gol mortal” que deu a vitória ao Olaria sobre o Fluminense.

    Julho de 1970. O Brasil ainda vivia a ressaca da comemoração pela conquista do tricampeonato mundial no México. Mas como o futebol não podia parar, o campeonato estadual daquele ano teve início uma semana após a grande final da Copa do Mundo. Estávamos na sexta rodada da Taça Guanabara. O dia era 22 de julho, uma quarta-feira. Fluminense e Olaria jogariam nas Laranjeiras. Naquela noite, com o Fluminense favoritíssimo, jogando em seu campo, parece que o enredo já estava desenhado: vitória tricolor e festa nas Laranjeiras. Mas havia um zagueiro do Olaria, chamado Altivo, que mudaria o enredo, entraria para a história e, infelizmente, seu feito causaria uma tragédia naquela noite.

    O Fluminense contava com atletas como o lateral tricampeão Marco Antônio, o artilheiro Flávio, e Lula, o homem do polêmico gol do título tricolor de 1971. Pelo Olaria, já se desenhava a base da equipe que, no ano seguinte, ficaria em terceiro lugar no campeonato: o goleiro Pedro Paulo, o zagueiro Miguel, o lateral-esquerdo Alfinete estavam em campo naquela noite na Rua Álvaro Chaves. E, claro, o grande protagonista da noite, que causaria, ao mesmo tempo, uma grande alegria e uma grande tristeza: o zagueiro Altivo. José Aldo Pereira apitou a partida que levou às Laranjeiras 3.979 pagantes.

    Aos 20 minutos do primeiro tempo, falta a favor do Olaria. Apesar de a cobrança ser da intermediária, Altivo, que tinha um chute muito forte, optou pela cobrança direta. Foi um canhão que o goleiro tricolor Jairo nem viu a bola: 1 a 0 para o Olaria.

    Veio o segundo tempo. O relógio corria e o placar não mudava. Um conselheiro do Fluminense, chamado José Herculano, que via o jogo da pista que ladeava o gramado, percebendo que o empate não vinha, começa a sentir-se mal. Mas, infelizmente, não houve tempo para mais nada. Nem para o empate do Fluminense e nem para salvar a vida do tricolor José Herculano que, mesmo socorrido, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu ainda dentro do estádio. Evidentemente alguns jornais, no dia seguinte, deram mais destaque à morte do torcedor tricolor do que à vitória do Olaria e, a partir daquele jogo, parece que os tricolores se renderiam às superstições. Como um padre tricolor também já tinha falecido nas Laranjeiras, os tricolores acabaram elegendo o seu próprio estádio como um símbolo de maldição. E, depois da morte de José Herculano, por muito tempo o Fluminense não jogaria mais nas Laranjeiras.

    Infelizmente, naquela noite de quarta-feira, a alegria dos olarienses pela vitória se misturou ao luto da família de um desportista.

    A ficha do jogo em que o Olaria derrotou o Fluminense nas Laranjeiras, com o “gol mortal” de Altivo.

  • O TIME INFANTO-JUVENIL DE 1972

    O elenco infanto-juvenil do Olaria de 1972. Em pé, da esquerda para a direita: Waldir, Marquinhos, Flávio, Tales, Zé Roberto, Russo, Nilson, Maninho e Beto. Agachados, na mesma ordem: Clesio, Renato, Natal, Zé Carlos, Haroldo, Gilson, Wellington e Luiz Carlos.

    O “Memórias da Bariri” de hoje relembra o grande time infanto-juvenil do Olaria de 1972. Era uma época em que a Rua Bariri produzia muitos craques. O elenco que aparece na foto tinha como técnico um dos melhores da época em categorias de base: Joanias Fontes. Em 1972, comandava o Departamento Infanto-Juvenil Cléo Acker e o diretor era Domingos Gonçalves, mais conhecido como Dominguinhos.

    É interessante notar como, em 1972, a camisa listrada, lançada em 1970, já havia sido adotada por todas as categorias não apenas do futebol, mas também do basquete. A camisa listrada ficou marcada na história do Olaria por ser a camisa vestida por Garrincha no mesmo ano de 1972.

    O infanto-juvenil era, na época, também chamado de “Escolinha” e era daí que saíam os atletas para a categoria juvenil. Como a Federação, na época, não promovia competições de infanto-juvenil, o próprio Olaria organizava torneios amistosos e, assim, a “Escolinha Bariri” se tornava um grande celeiro de craques. A tradição do Olaria, de fazer craques em casa, é muito antiga e, em 1972, o infanto-juvenil era uma prova dessa tradição.

  • O ÚLTIMO GOL DE GARRINCHA

    A equipe do Olaria no Estádio Romeirão em Juazeiro do Norte, Ceará, quando Garrincha marcou o último gol de sua carreira. Em pé, da esquerda para a direita: Aluísio, Fernando Pirulito, Mário Tito, Pedro Paulo, Altivo e Mineiro. Agachados, na mesma ordem: Garrincha, Ézio, Roberto Pinto, Salvador e Robertinho.

    Atuando pelo Olaria, Garrincha marcou dois gols. O primeiro deles já foi até objeto de matéria na emissora de TV ESPN, quando Garrincha assinalou um dos gols olarienses no empate em 2 a 2 no amistoso contra o Comercial de Ribeirão Preto no dia 23 de março de 1972. Mas esse não foi, como muitos pensam, o único gol do Anjo das Pernas Tortas pelo Olaria.

    O dia era 21 de abril de 1972 e o Olaria viajou até Juazeiro do Norte para fazer um amistoso contra uma seleção local, formada por jogadores do Guarani e Icasa. O palco da partida foi o famoso Estádio Mauro Sampaio, mais conhecido como “Romeirão”. Nesse Jogo, Garrincha marcaria o último gol de sua carreira. O jornal O Globo, de 24 de abril de 1972, publica uma pequena matéria sobre esta partida. O Olaria foi derrotado por 3 a 1 e o gol olariense foi marcado por Garrincha.

    Naquele dia, os torcedores da cidade de Juazeiro do Norte não imaginavam que aquele jogo entraria para a história como o jogo em que Garrincha marcaria o último gol de sua carreira, até porque ele ainda faria vários jogos pelo Olaria. Mas aquele seria o último jogo em que Garrincha balançaria a rede.

    O jogo entrou para a história da cidade cearense, entrou para a história de Garrincha e, claro, entrou para a história do Olaria: foi com a camisa do clube bariri que Garrincha marcou seu último gol.

    Garrincha no Romeirão, no dia em que marcou o último gol de sua carreira. Note-se o estádio completamente lotado.

  • EM 1948, OLARIA X CORÍNTHIANS NA BARIRI

    O time do Olaria que enfrentou o Corínthians na Bariri em 1948.
    O jornal Diário de Notícias deu grande destaque ao jogo Olaria X Corínthians na Bariri em 1948.

    Em abril de 1948, o estádio do Olaria completava um ano de existência. E para celebrar a data, o clube da Rua Bariri convidou o Corínthians para um amistoso no Alçapão. O jogo comemorativo aconteceu no dia 4 de abril de 1948. A equipe paulista tinha sido vice-campeã no ano anterior e seria, assim, um adversário à altura para o Olaria. Aquele seria o primeiro confronto na história entre Olaria e Corínthians.

    A equipe do Olaria era muito boa, como a própria imprensa à época afirmava. Porém, naquele dia, a vitória foi dos corintianos pelo placar de 4 a 2 , com Bode (2), Noronha e Severo marcando para o Corínthians e Alcino e Limoeiro marcando para o Olaria.

    A Revista do Olaria de maio de 1948 comentou o jogo, afirmando que “o Corínthians mostrou, em poucos minutos de jogo, que não seria adversário fácil”.

    A renda desse histórico jogo foi de 32.990 cruzeiros e, pelas fotos publicadas na imprensa, dá para perceber que o estádio da Rua Bariri estava lotado e os veículos de comunicação da época deram grande destaque para esse primeiro confronto entre olarienses e conrintianos.

    Manchete do jornal Gazeta de Notícias sobre a visita do Corínthians ao Olaria. Note-se que, apenas um ano após sua inauguração, o estádio já eram conhecido como “alçapão”.
    O jornal Diário da Noite fez ampla cobertura da partida do Olaria contra o Corínthians na Bariri.

  • O DIA QUE O OLARIA JOGOU NO SANTIAGO BERNABÉU

    Vista do estádio Santiago Bernabéu em 1954, quando o Olaria lá esteve.

    Estádio Santiago Bernabéu, a casa do Real Madrid. Um dos estádios mais famosos do mundo, onde atualmente craques consagrados do futebol se apresentam, e não apenas os craques da equipe madrilenha. O dia era 16 de maio de 1954 e, naquela data, o Olaria entraria para a história por se apresentar naquele que hoje é um dos estádios mais famosos do mundo. Na ocasião, o Olaria realizava a excursão da volta ao mundo e teria pela frente não os donos da casa, mas um outro grande adversário local: o Atlético de Madrid.

    Porém, além de enfrentar o grande adversário espanhol, o Olaria já chegava no país ibérico dando uma prova de resistência. Segundo o jornalista da delegação bariri, Moisés Simas, o Olaria, que vinha da França, levou 32 horas de viagem para atravessar os Pirineus (cordilheira que separa a Espanha da França). Após a longa viagem, com o time quase sem dormir, o Olaria chegou em Madrid na véspera do jogo.

    Em campo, o Olaria seria derrotado pelo Atlético de Madrid por 4 a 1, com gols de Antonio (3) e Escudero para o time espanhol, descontando o artilheiro Washington para a equipe olariense. Lembrando que, além do desgaste físico sofrido pelo Olaria, o Atlético de Madrid tinha em sua equipe quatro jogadores da seleção espanhola: Mujica, Martim, Miguel e Silva. Cerca de 70 mil pessoas presenciaram a partida, que entraria para a história como a única visita do Olaria à casa do Real Madrid, sendo que o estádio naquele ano já tinha capacidade para 125 mil pessoas.

    Nesse dia, o Olaria entraria para a história como um dos pouquíssimos times brasileiros que atuaram no Santiago Bernabéu.

    Washington: ele marcou o único gol do Olaria no Santiago Bernabéu.
    O Jornal dos Sports, do dia 16/5/1954,destacou o jogo do Olaria no Santiago Bernabéu.

  • 1948: O INFORTÚNIO DE MISTER BARRICK

    O dia era 25 de julho de 1948, um domingo. Naquele dia o grande time do Vasco, chamado à época de “Expresso da Vitória”, enfrentaria o Olaria no lendário Alçapão da Bariri. Na época, era comum a Federação do Rio contratar árbitros ingleses com o objetivo de “moralizar” a arbitragem. E o escalado para apitar na Bariri naquele dia foi Cyril John Barrick, mais conhecido como Mr. Barrick. Mas o ilustre árbitro britânico não imaginava o que o aguardava naquele longínquo domingo no velho Alçapão. Ao perceber a pressão dos olarienses, Mr. Barrick afirmou que só iniciaria a partida com a presença de dois choques da temida Polícia Especial, chefiada por Mário Vianna. Polícia Especial era sinônimo de “meta a porrada!”

    Na época, o Olaria tinha um grupo de torcedores conhecido como “Terceiro Time”. Foi a primeira torcida organizada do Olaria de que temos notícias. O Terceiro Time era formado por uma turma de aproximadamente 40 taxistas, que se encontravam na estação de Olaria e, dali, iam para a Bariri. O chefe do grupo era um cidadão muito forte, conhecido como “Meningite”.

    O jogo começou e, após uma marcação contra o Olaria, Meningite invadiu o gramado. Começava ali o infortúnio do dileto árbitro britânico. A Bariri estava lotada e há quem fale em inacreditáveis 30 mil pessoas no estádio. Meningite, então, partiu para cima do juiz inglês e teve que ser contido. O supertime do Vasco penou para ganhar de 3 a 2 mas, ao final do jogo, a torcida olariense comandada por Meningite invadiu o campo e avançou em Mr. Barrick. A polícia e diretores do Olaria tiveram que proteger o árbitro contra a ira dos olarienses, inconformados com a atuação do inglês. Tudo indica que apenas a qualidade do ótimo time do Vasco não teria sido suficiente para derrotar os bariris no Alçapão.

    Mas a perseguição continuou. Mr. Barrick saiu escoltado da Rua Bariri e ainda teve que fugir pela linha do trem, perseguido pela fúria de Meningite e seus comandados.

    Mr. Barrick faleceu em 1976. Mas quando voltou para sua terra, o nobre árbitro inglês ainda teve muito tempo para falar, no país inventor do futebol, sobre sua desventura na famosa Rua Bariri.

    Mister Barrik: em 1948 ele comeu o pão que o diabo amassou na Rua Bariri e ainda teve que fugir pela linha do trem.
  • 1947: O FANTASMA DA BARIRI

    O time do Olaria de 1947, no gramado do Alçapão, apelidado pela mídia da época de “Fantasma da Bariri”. Dentro ou fora da Bariri, essa equipe causou muitos estragos nos seus adversários.

    Em 1947 o Olaria inaugurava o seu estádio, o velho e temido “Alçapão da Bariri”. O estádio, tamanho o estrago imposto sobre muitos adversários, inclusive poderosos, também ficaria conhecido como “Cemitério dos Grandes” e “Ratoeira dos Grandes”. Por muito tempo, vencer o Olaria no Alçapão era uma tarefa das mais difíceis e, quando isso acontecia, o custo era alto.

    Porém, em 1947, não apenas o recém-inaugurado Alçapão era um fator que pesava para as vitórias do Olaria. Naquele ano, depois de ter ficado fora da primeira divisão por um golpe imposto em 1937, o Olaria retornava à divisão principal, com seu estádio e com um grande time. Era o time que tinha craques como Leleco, Baiano, Ananias, Spinelli, Limoeirinho e que assombrava seus adversários, fosse dentro ou fora da Bariri. A mídia logo encontrou um apelido para o esquadrão olariense daquele ano: Fantasma da Bariri. No Campeonato Carioca daquele ano, dos 20 jogos disputados, o Olaria perdeu apenas 5.

    Na campanha olariense de 1947, alguns resultados merecem destaque, como a esmagadora goleada de 8 a 3 sobre o Bangu na Bariri; a histórica vitória sobre o Flamengo por 1 a 0, em plena Gávea, com gol de Spinelli; o empate em 3 a 3 com o campeão Vasco dentro de São Januário; o empate em 4 a 4 com o Fluminense na Bariri; e ainda, a vitória de 3 a 2 sobre o Botafogo na Bariri, o que faria o clube alvinegro entrar para a história por ter sido o primeiro dos chamados “grandes” a cair no Alçapão.

    Enfim, o Fantasma da Bariri de 1947, enquanto assustava e detonava seus adversários, ao mesmo tempo alegrava e orgulhava seus torcedores. A temida Rua Bariri, aliada ao timaço do Olaria, gerou o fantasma azul e branco que, para sempre e com muito orgulho, ficará na memória de todos os olarienses.