SIRI COZIDO E AS MARIAS-CHUTEIRAS

Em uma entrevista nos final dos anos 1970, Sylzed Sant’Anna, um dos fundadores do Olaria e presidente entre 1942 e 1944, afirmou que entre os maiores craques que ele tinha visto jogar no Olaria, um deles foi Emílio Champion. O fundador que presidiu o Olaria não estava sozinho. Champion foi, na história do Olaria, um dos maiores ídolos do clube. E certamente o mais antigo. Ele era meio-campo já jogava no Olaria em 1918, quando o clube ainda era preto e branco. E existem duas histórias interessantes sobre o Champion.

A primeira, é como ele veio para o Olaria. Em 1918, não existia o profissionalismo e bastava inscrever o atleta para ele jogar. E também não havia contrato. Porém, pelo regulamento vigente à época, se o atleta atuasse por um time, não poderia mais jogar em outro. Champion pertencia ao Argentino, um clube localizado em Cascadura e o diretor Rachid Bunahum queria trazê-lo para o Olaria. Quando o campeonato ia começar, ele foi ao campo do Argentino, que estava lotado, convenceu Champion a sair de lá e vir para o Olaria. Quando tentou sair do campo do clube rival com o jogador, foi cercado pela turba enfurecida que queria linchá-lo. Rachid, finalmente, acabou conseguindo se livrar dos torcedores do Argentino, apenas na companhia de seu revólver que, felizmente, não foi usado. Uma verdadeira aventura.

Ao chegar no Olaria, Champion foi logo apelidado de “siri cozido”. A alcunha justificava-se pelo fato de Champion ter o rosto muito vermelho. Além de grande jogador Champion também se tornou logo ídolo e era muito assediado pelo público feminino.

No início do século XX o futebol ainda dava seus primeiros passos e muitas coisas eram bem diferentes. Não havia profissionalismo e nem patrocinadores; não existiam torcidas organizadas como hoje; a televisão ainda não existia e a influência da mídia não era avassaladora como é atualmente. Mas parece que uma coisa que existe muito hoje em dia, já vem desde aquela época: o assédio do público feminino aos jogadores, porém, de forma mais cerimoniosa do que hoje em dia, quando meninas jogam até calcinhas para os jogadores.

As “marias-chuteiras” da época de Champion eram mais arredias e cerimoniosas. As fontes disponíveis afirmam que as moças da época adoravam o Champion e, sempre que o Olaria entrava em campo, elas presenteavam-lhe com ramos de flores. Dizem que com o que ele recebeu de flores das meninas, daria para fazer do campo do Olaria um imenso jardim. E lá se vão mais de cem anos…

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