O SORRISO DA BARIRI

ESTE POST É DEDICADO AO SAUDOSO BENEMÉRITO HÉLIO CABRERA, EXEMPLO DE OLARIENSE QUE DEVERÁ SEMPRE SER LEMBRADO.

A charge publicada na revista Sport Ilustrado em sua edição de 29 de setembro de 1949, alusiva à grande vitória de 3 a 1 do Olaria sobre o Botafogo, e intitulada “Um Sorriso HIstórico”, que mostra o índio bariri acertando uma flechada em Biriba, o famoso cão-mascote botafoguense dos tempos de Carlito Rocha.

Existem gols antológicos que não ficaram gravados nem nas lentes das câmeras e nem nos programas de computador, e aí temos que recorrer às lentes naturais dos seres humanos para tentarmos expressar algumas obras de arte do futebol. E hoje falaremos sobre uma delas, cujo protagonista foi um atacante do Olaria chamado Sorriso, e o palco, a nossa famosa Rua Bariri. Sorriso era um atacante alto e, numa época em que o futebol era mais ofensivo, com uma linha de cinco no ataque, ele tinha como arma mortal o cabeceio. O episódio que iremos narrar ficou, desde 1949, retido nas lentes naturais do grande amigo e benemérito do Olaria, Hélio Cabrera, que assistiu à grande vitória do Olaria por 3 a 1 sobre o Botafogo na Rua Bariri, no dia 25 de setembro de 1949. E Cabrera, para sempre, o reteve em sua memória. Naquele dia, Sorriso marcou 2 gols. Porém, um deles sempre ficou gravado na memória de Cabrera: foi o gol de cabeça (o segundo do Olaria) em que Sorriso enganou o goleiro botafoguense Oswaldo Baliza (dizem que ele era tão grande que quando abria os braços, ficava do tamanho da baliza, daí o apelido). Mas, vamos ao lance histórico, sempre descrito por Cabrera:

Jarbas cruzou para a área e Sorriso subiu para disputá-la com o zagueiro central Gérson. Na disputa pela bola alta, Sorriso subiu um pouco mais que seu adversário. Ao subir, Sorriso indicou, pela sua posição, que cabecearia no ângulo direito, para onde o goleiro Oswaldo pulou após a cabeçada. Só que Sorriso fez um giro com a cabeça e mandou a bola no canto esquerdo, enganando o goleiro botafoguense, que tentou voltar para o canto esquerdo, mas já era tarde. Golaço de Sorriso! Um lindo gol, que para aqueles que tiveram o privilégio de testemunhá-lo, seria o gol mais lindo de todos os tempos, onde um “Sorriso” se fez na Bariri… Cabrera que o diga…

Não existem vídeos nem fotos do lance do gol. Porém, em 1949, era comum a publicação de gráficos impressos mostrando os gols da rodada. E a revista Sport Ilustrado, poucos dias depois do jogo, publicou o gráfico desse histórico gol, que reproduz com fidedignidade o relato que ficou gravado na memória de Hélio Cabrera.

Sorriso foi a grande revelação daquele campeonato de 1949 e veio a falecer muito cedo. No ano seguinte, a mídia publicava que ele tinha desaparecido e que ninguém mais sabia sobre ele, até que soube-se de seu falecimento pouco tempo depois.

Sorriso, cujo apelido expressa satisfação e felicidade, alegrou os olarienses de outrora e ficou retido na memória de um grande olariense chamado Hélio Cabrera. Que os olarienses jamais se esqueçam de ambos!

O gol de Sorriso, sempre lembrado por Cabrera, no gráfico publicado pela revista Sport Ilustrado. Notem que Sorriso cabeceia e o goleiro Oswaldo do Botafogo, está com uma mão do lado e outra mão do outro lado, como se estivesse voltando, o que reproduz a extata narrativa de Cabrera.
Note-se que, nos gráficos dos gols da partida publicados na época, o goleiro do Botafogo pula com as duas mãos no mesmo canto. Apenas no gol de cabeça de Sorriso vemos o goleiro com uma mão em cada canto, o que sugere que ele foi enganado e tentou voltar, tal como descreveu Hélio Cabrera.
A grande linha de ataque do Olaria de 1949, com Sorriso no centro: Jarbas, Alcino, Sorriso, Washington e Esquerdinha.
O momento em que o “bicho” era pago aos jogadores do Olaria na Bariri, após a grande vitória do Olaria sobre o Botafogo por 3 a 1, em 1949.
Sorriso, o grande artilheiro do Olaria de 1949, sempre lembrado por Hélio Cabrera.
Uma imagem de Sorriso “sorrindo” em seus tempos na Bariri: destaque no Olaria em 1949, ele foi considerado pela mídia da época uma “revelação nacional”. Infelizmente, desapareceu precocemente, porém, deixando ótimas lembranças para os olarienses.

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