Equipe do Olaria campeã estadual infantil de basquete. Ano 1968.
Em 1968 o Olaria escreveu uma das mais belas páginas de sua história esportiva: o clube da Rua Bariri sagrou-se campeão estadual de basquetebol, categoria infantil. Na época, foi uma conquista inédita do basquete bariri. Os garotos campeões da Bariri tiveram que superar várias dificuldades, além dos adversários, incluindo a falta de uma quadra que fosse aprovada para o jogo, pois ginásio do Olaria ainda não havia sido construído. Assim, o Olaria utilizou-se do ginásio do Grêmio Recreativo de Ramos, na Rua João Silva, para mandar os seus jogos. A falta de uma quadra também fazia com que o time não treinasse o tempo necessário. Porém, todas essas dificuldades foram superadas.
Nessa brilhante conquista, os meninos da Bariri superaram Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense, América, Tijuca, Grajaú e Riachuelo e fizeram história no Olaria.
Treinados por Heleno Fonseca (que 4 anos depois também dirigiria a equipe campeã de aspirantes), Jefferson, Otávinho, Bacardi, Tarso, Carlinhos, Saulo, Ronaldo, Taná, Haroldo, Renato e China foram os atletas que nas quadras protagonizaram essa gloriosa conquista olariense.
Era uma época em que o esporte amador era mesmo amador e muitos dos atletas feitos na Bariri permaneceram no clube, chegando até a categoria adulta. Assim como no futebol, no basquete craque o Olaria também fazia em casa. E ainda era campeão!
O ano era 1969. Naquele tempo, não se falava “futmesa”. Era jogo de botões mesmo e a atividade já era uma febre entre crianças e adolescentes. E foi em 1969 que o Olaria promoveu o seu Primeiro Campeonato de Futebol de Botões. O evento aconteceu em julho daquele ano e contou com a participação de 45 pequenos associados. Era uma época em que já existiam botões de galalite e madrepérola, mas haviam os artesanais, feitos pelo próprio jogador: botões de casca de coco, de ficha de ônibus e também tampinha de relógio. Em alguns casos, na ausência de palhetas, as próprias fichas de ônibus eram usadas para impulsionar os botões.
Pelo que sabemos, o primeiro campeonato de futebol de botões do Olaria foi muito concorrido. As partidas, realizadas no varandão de entrada do clube, contavam com ótima assistência. As categorias não eram pelo tipo de bolas ou toques, como conhecemos hoje, e sim por faixas etárias. Também não haviam duplas e as competições eram individuais.
O desfecho do primeiro campeonato de botões do Olaria inscreveu na história os primeiros campeões e destaques na atividade. Foram os seguintes os campeões e vice-campeões por categorias:
10 e 11 anos: campeão: Nei Teixeira; vice-campeão: Ronaldo Bastos;
12 e 13 anos: campeão: Marco Antônio; vice-campeão: Sérgio Vital;
14 e 15 anos: campeão: Tarcísio Pereira; vice-campeão: César Augusto.
Se o hoje o futmesa é destaque no Olaria, trazendo muitos troféus para o clube, não podemos esquecer que a atividade tem história na Bariri.
Amália, campeã carioca de ciclismo de 1958, desfila triunfalmente pela Rua Bariri com dirigentes e torcedores.
Diz o hino do Olaria, composto por Lamartine Babo: “És do esporte, pelo esporte…” Surgido do futebol em 1915, a partir de 1920 o clube se tornou “Atlético”, visto que passou a praticar várias modalidades: remo, basquete, futebol de salão, voleibol e, no final dos anos 1950, o Olaria se tornou uma grande potência no ciclismo do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.
Em 1957 e 1958 o Olaria foi bicampeão na modalidade e alguns ciclistas entraram especialmente para a história do clube da Rua Bariri. Um deles foi Manoel Gonçalves, mais conhecido como Gonçalves. Em 1957 ele foi campeão da cidade na primeira categoria do ciclismo.
Além de Gonçalves, a jovem Amália foi campeã carioca em 1958, consolidando a posição do Olaria como uma das maiores potências do ciclismo no fim dos anos 1950. Quando percorremos a galeria de troféus do Olaria vemos que muitos deles foram conquistados por esse esporte que marcou a história do clube bariri. Assim, o ciclismo também inscreveu belas páginas na história do esporte do Olaria e esses campeões também fizeram o Olaria ser eterno.
Manoel Gonçalves, campeão carioca de ciclismo. Ano 1957.
Osmar Prado, em início de carreira com a camisa do Olaria, no gramado da Rua Bariri em gravação para a novela Bandeira 2.
Em outubro de 1971 entrava no ar a novela da Rede Globo Bandeira 2. A novela seria exibida até julho de 1972 e foi um dos grandes sucessos de audiência. Era a novela das 10 horas da noite. E o que esta novela tinha a ver com o Olaria? Bem, a novela, de Dias Gomes, contava a história de um banqueiro do jogo do bicho, o “seu” Tucão, interpretado por Paulo Gracindo, que tinha como rival outro banqueiro , “Jovelino Sabonete”, interpretado por Felipe Carone. Tucão era Patrono de uma escola de samba e de um clube de futebol da Leopoldina. A escola de samba? Imperatriz Leopoldinense. O clube? O Olaria Atlético Clube. Numa época em que não havia internet, TV por assinatura, redes sociais, e que a televisão era o maior meio de divulgação, com a Rede Globo dominando por completo as comunicações, é evidente que um clube de futebol e uma escola de samba fazerem parte de uma novela da emissora, seria uma tremenda divulgação.
Há um detalhe interessante que talvez tenha contribuído para a escolha do Olaria e da Imperatriz: na época, o Olaria realizou uma das maiores campanhas de sua história no Campeonato Carioca, chegando em terceiro lugar com um time recheado de craques, e a Imperatriz arrebentou na Presidente Vargas (antiga passarela do samba), com o enredo Martim Cererê.
O ator Osmar Prado, então em início de carreira, encenava o jogador Mingo, do Olaria, time apadrinhando por Tucão, e gravou cenas no gramado da Bariri. A época da novela também coincidiu com a chegada de Garrincha ao Olaria, em fevereiro de 1972, e Osmar Prado chegou a vir na Bariri treinar com Garrincha.
As gravações, tanto na Rua Professor Lacê como na Bariri, levavam centenas de pessoas aos locais. Foi uma época em que a garotada matou muita aula para ver de perto os artistas da Globo em Ramos ou em Olaria. Vivíamos na ditadura e até a Globo, que era parceira do governo, teve que se render à censura. Isso porque, na sinopse de Dias Gomes, Tucão não morreria. No entanto, por exigência do governo militar, a Globo teria que mudar o final da história. A censura exigiu a morte de Tucão, alegando que ele não representava os “bons costumes”, por ser banqueiro de jogo do bicho. Assim, Tucão acabaria assassinado no último capítulo da novela.
Restam pouquíssimos trechos da novela, visto que a maior parte do arquivo foi perdida em um incêndio da Globo. Porém, alguns desses trechos ainda podem ser vistos em sites de vídeos como o Youtube.
Lembro-me perfeitamente da novela e, apesar do tempo da ditadura, também era o tempo do grande samba Martim Cererê, dos craques do Olaria do time de 1971 e do Olaria enchendo as arquibancadas do Maracanã. Foi um tempo em que não precisávamos esperar o dia do jogo, porque víamos o nosso querido azul e branco na novela das 10, muito embora a televisão da minha casa ainda fosse em preto e branco, pois a fatia do “bolo do Delfim” ainda não tinha chegado para nós (como, aliás, nunca chegou!)
Hoje o Olaria Atlético Clube completa 110 anos de existência. Foi no dia 1º de julho de 1915, uma quinta-feira, que um grupo de rapazes idealistas reuniu-se na casa do capitão Alfredo de Oliveira, na Rua Filomena Nunes 202, para fundar um clube que objetivava a prática do futebol e que, ao mesmo tempo, ostentasse o nome do bairro. Estavam na reunião, além de Alfredo de Oliveira, Carolino Martins Arantes, Hermogêneo Vasconcellos, Agostinho Rodrigues dos Santos, Isaac de Oliveira, Gumercindo Roma, Sylzed José de Sant’Anna, seus fundadores. Assim, surgia o “Olaria Futebol Clube”. Suas primeiras cores foram o preto e branco. Em 1920, a denominação mudou para “Olaria Atlético Clube” e as cores passaram a ser azul e branco. O primeiero presidente foi Hermogêneo Vasconcellos.
Até 1930 o Olaria, além do futebol, teve uma grande atuação náutica, com a prática do remo na saudosa Praia de Maria Angu. Quando se tornou “Atlético”, o clube passou a praticar, além do futebol, várias modalidades.
Ao longo desses 110 anos, o Olaria cresceu com esforços próprios e não sem motivos é considerado o “Gigante da Leopoldina”. No final da década de 1920 comprou o terreno para fixar seu campo; em 1947, inaugurou seu estádio; em 1958, inaugurou sua nova sede e salão social; em 1965, inaugurou seu grande parque aquático e em 1973 inaugurou o seu ginásio, um dos maiores do Estado.
O Olaria prestou e ainda presta grandes serviços ao esporte brasileiro. Na Rua Bariri foram revelados craques para a seleção brasileira, além de campeões nas mais diversas modalidades esportivas. Tudo isso mantendo sua tradição, seus valores e os ideais daqueles rapazes que, em 1915, lançaram a semente daquilo que hoje é a instituição que enche seus associados, torcedores e simpatizantes de orgulho.
Se durante esses 110 anos os fundadores do Olaria tivessem ficado congelados e agora fossem descongelados, todos ficariam orgulhosos ao verem o fruto da semente que plantaram naquele longínquo 1º de julho de 1915. Além de o futebol, a razão de ser do Olaria, nunca ter deixado de ser praticado, o clube que fundaram cresceu exponencialmente.
Parabéns OLARIA ATLÉTICO CLUBE!
PS: Este texto é dedicado à memória dos fundadores do Olaria.
Linda Morena e Jany. Destaques do basquete em 1958. Elas foram capa da revista do clube em março de 1958.
Linda Loura, Linda Morena, Jany, Dinimar, Rosália Barbosa… Essas foram algumas das grandes estrelas do basquete feminino do Olaria nos anos 1950 e 1960. As equipes de basquete feminino do Olaria eram fortíssimas, suas atletas eram assediadas por outros clubes e a mídia da época dava destaque para as meninas da Bariri. Dinimar, por exemplo, chegou a ser convocada para a seleção do Rio de Janeiro, à época o Distrito Federal, que foi vice-campeã brasileira.
O sucesso das meninas do Olaria nas quadras eram tão grandes que Linda Morena e Jany chegaram a ser a capa da revista do clube na edição de março de 1958.
Essas atletas honraram tanto a camisa azul e branca como a tradição do basquete no Olaria, que tem uma história vastíssima. Muitas das vitórias e troféus conquistados pelo Olaria vieram literalmente das mãos dessas meninas de ouro. Hoje, lembramos a dupla de Lindas (a Loura e a Morena), a Dinimar, a Jany, a Rosália Barbosa. Vocês também fizeram o nosso Olaria ser eterno…
Linda Loura: Destaque do basquete, ano 1959.Dinimar, atleta de basquete do Olaria em 1958, com o uniforme da seleção do Rio de Janeiro que foi vice–campeã brasileira.Rosália Barbosa, destaque no basquete, anos 1962 e 1963.
1970: Wanda Lúcia Vieira da Silva carrega a bandeira do Olaria na cerimônia de abertura dos Jogos da Primavera, no estádio de São Januário.
Quem se recorda dos Jogos da Primavera? Eram uma espécie de “olimpíada” em que os clubes disputavam várias modalidades esportivas e, ao final, havia uma pontuação geral para indicar o grande vencedor. Havia também a categoria de colégios. Os Jogos da Primavera eram promovidos pelo Jornal dos Sports e aconteceram entre 1950 e 1970.
Um dos eventos mais interessantes dos Jogos era a cerimônia de abertura, que geralmente acontecia no estádio do Vasco da Gama. Os clubes desfilavam com um representante portando sua bandeira e alguns atletas de diferentes modalidades, tal como acontece nos Jogos Olímpicos. Muitos dos troféus conquistados pelo Olaria vieram dos Jogos da Primavera, nas mais diversas modalidades.
Havia ainda a eleição da Rainha da Primavera e, em 1970, a representante do Olaria, Wanda Lúcia Vieira da Silva, foi escolhida como a rainha. E foi ela que, portando a bandeira do Olaria, abriu o desfile da delegação olariense na cerimônia de abertura dos Jogos daquele ano, desfilando no estádio de São Januário lotado. Ela foi aplaudidíssima e o Olaria, naquele ano, faria ótimas apresentações nos saudosos Jogos da Primavera.
Darcy, o autor do gol na vitória do Olaria sobre o Botafogo por 1 a 0, em 1999, no dia que as luzes do alçapão se apagaram.
O dia era 31 de março de 1999. O alçapão da Bariri vivia a sua época de glamour e modernidade com as recentes obras feitas na administração do presidente Pintinho. Mas em alguns momentos, mesmo com as obras que modernizaram o velho estádio olariense, alguns episódios ainda lembravam métodos do antigo alçapão, ainda que o próprio Olaria fosse inocente. Naquele 31 de março o Botafogo foi à Rua Bariri para enfrentar o Olaria pelo campeonato estadual. O jogo foi muito disputado e o primeiro tempo terminou com o placar em branco. No segundo tempo, os refletores se apagaram. Foram 28 minutos sem luz. A luz voltou e, pouco depois, o artilheiro Darcy abria o placar para o Olaria, aos 30 minutos. Logo depois do gol do Olaria, novo apagão. Foram mais 30 minutos sem luz e o árbitro Sérgio Cristiano de Oliveira deu o jogo por encerrado. Claro que as ocorrências foram relatadas na súmula. Como já haviam sido transcorridos mais de dois terços da partida, a vitória do Olaria estava garantida.
No dia seguinte, os jornais noticiavam que os botafoguenses iriam pedir a anulação da partida, acusando a direção do Olaria de ter, propositadamente, apagado os refletores para garantir a vitória do time da casa. Mas a diretoria do Olaria foi até a Light e obteve um laudo que provava que tinha ocorrido a queima de um transformador, o que inocentava o Olaria de ter provocado o apagão e, assim, a vitória de 1 a 0 do Olaria foi confirmada pelo Tribunal da Federação, apesar do choro dos botafoguenses.
Vejam o gol de Darcy no dia que as luzes do Alçapão se apagaram:
Se o Olaria tem hoje um estádio, devemos a João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira. Eles compraram o terreno da Rua Bariri.
Desde quando foi fundado, em 1915, o Olaria ficou algum tempo sem ter um campo próprio. Inicialmente, as primeiras traves para a prática do futebol foram fincadas nos fundos da casa de Hermogêneo Vasconcellos, um dos fundadores e primeiro presidente do clube. Mais tarde, o Olaria passou a utilizar o campo em um terreno em frente à estação, na Rua Leopoldina Rego, onde hoje localiza-se a Igreja de São Geraldo. Também ocupou um terreno de propriedade de Custódio Nunes, que mais tarde vendeu-o e o Olaria ficou sem campo. Para resolver essa situação, o clube tinha que comprar um terreno e ter onde instalar seu campo.
No final dos anos 1920 os olarienses de então ventilaram a compra de um terreno na rua Cândido Silva (atual Bariri) e foram até lá para conhecer as condições de venda. O valor era 80 mil cruzeiros, mas o Olaria só dispunha em caixa de 7 mil. Foi então que três grandes olarienses tiraram de seus próprios bolsos os 73 mil cruzeiros que faltavam. João Fernandes Ferreira, o Presidente de Honra do clube, doou 45 mil; Rachid Bunahum 26 mil e Armindo Augusto Ferreira 2 mil. Estes três grandes olarienses são os responsáveis pelo Olaria ter hoje um campo e estádio, o que muito nos orgulha. Isso, sem qualquer ajuda de poderes públicos. Após a compra, já no início dos anos 1930, o Olaria começou a fazer seus jogos oficiais na Bariri, que ainda se chamava Cândido Silva. O estádio seria inaugurado em 6 de abril de 1947 e em 1952, finalmente, o Olaria teria lavrada a escritura definitiva do terreno, para orgulho de todos os olarienses.
OBS: Antes de se chamar “Bariri”, a rua em que o Olaria comprou o terreno era chamada “Cândido Silva” e, nesse período, o endereço do Olaria era Rua Cândido Silva, 131. Com a mudança do nome para “Bariri”, a numeração também foi alterada e o Olaria passou a ser o número 251.
O prefeito Ângelo Mendes de Moraes em visita ao estádio do Olaria em 17 de julho de 1949. Mendes de Moraes tornou-se benemérito do Olaria.
Em 1949 o Rio de Janeiro ostentava a condição de capital do país e, portanto, era o Distrito Federal. A cidade era governada, na época, pelo general Ângelo Mendes de Moraes. Mendes de Moraes entraria para a história do estádio do Olaria, tendo visitado o mesmo no dia 17 de julho de 1949 para anunciar as obras de calçamento da Rua Bariri. As obras iriam facilitar o acesso dos torcedores ao recém-inaugurado estádio. Leibnitz Miranda, o Lazinho, à época diretor do Departamento Jurídico, havia requerido ao então prefeito Mendes de Moraes o calçamento da Rua Bariri, tendo obtido êxito. Também intercederam junto à Prefeitura para o calçamento da Rua Bariri João Lyra Filho e João Alberto Marques Porto.
O prefeito Mendes de Moraes seria mais tarde contemplado com o título de benemérito do Olaria.