Autor: Pedro Paulo Vital

  • JUCA MARIOLA, UM HERÓI QUE MORREU PELO OLARIA

    Juca Mariola morreu pelo Olaria. Fonte da imagem: Gemini IA.

    Vamos reviver a história de um olariense que não é muito conhecido, mas que tem um lugar de honra na história de nosso clube. E que, a partir de agora, ele seja sempre lembrado por todos os olarienses. Seu nome: Juca Mariola.

    O ano era 1927. Naquele ano, o Olaria estava com o seu campo instalado na esquina das ruas Leopoldina Rego com Estrada do Engenho da Pedra, bem ali na estação de Olaria. Ocorre que um outro clube de futebol, chamado São Paulo-Rio, havia invadido o campo do Olaria. O clube invasor recusava-se a devolver o campo e seus adeptos chegaram até a fazer obras e a pintar o escudo deles, nas cores verde e branca, na fachada. O Olaria estava sem aquilo que era o seu bem mais precioso: o seu campo.

    Na ocasião, o Presidente de Honra do Olaria, João Fernandes Ferreira, tinha viajado à Europa e, em seu retorno, uma comissão de olarienses foi até o cais do porto esperá-lo e contar o que havia acontecido. Ao saber do ocorrido, João Fernandes Ferreira não vacilou. Deixou sua família ali mesmo no armazém 14, onde havia desembarcado, e procurou um advogado para mover uma ação de reintegração de posse contra o clube invasor. E o Olaria, finalmente, ganhou a ação. Todo o seu material, como bolas e camisas, que estava guardado em um botequim, voltava para a sede reconquistada na Justiça. O Olaria retomava o seu campo. Quanto ao São Paulo-Rio, ainda foi condenado a uma multa que não pôde pagar e desapareceu do cenário esportivo.

    O dia da volta do Olaria ao seu campo foi um dia muito feliz. Mas esse dia também registrou um fato muito triste. Tínhamos um jogador de futebol chamado Juca Mariola, que era ponta-direita do nosso time. Juca Mariola exercia a profissão de pintor, porque naquela época o futebol não era profissionalizado. A alegria de Juca Mariola com a recuperação do campo do Olaria foi tão grande que sua primeira atitude foi emendar duas escadas para subir no muro e apagar o escudo do São Paulo-Rio para, em seu lugar, pintar o escudo do Olaria. Quando Juca Mariola pintava o escudo do Olaria, a escada partiu-se, Juca caiu e morreu. Foi a morte movida pelo amor ao Olaria.

    Apesar do triste episódio, resta-nos um grande consolo: Juca Mariola morreu feliz.

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    PS: A história de Juca Mariola, na tradição olariense, teve como grande fonte oral o saudoso grande benemérito Leibnitz Miranda, o Lazinho. Mas há também uma referência documental escrita ao episódio do infortúnio de Juca Mariola, publicada na Revista do Olaria de agosto de 1947.

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  • RACHID, O HOMEM DA FAIXA AZUL

    A faixa azul na camisa do Olaria foi ideia de Rachid Bunahum.

    Quando Lamartine Babo compôs o hino do Olaria e criou o verso “clube da faixa azul celeste”, a faixa azul já era tradição na camisa do clube bariri. Mas, afinal, quem teve a ideia de colocar na camisa do Olaria uma faixa azul, que acabaria fazendo desta a camisa mais tradicional do Olaria?

    Atribui-se a Rachid Bunahum a ideia da faixa azul na camisa branca do Olaria. Logo depois de 1920, quando o Olaria passou a ser azul e branco, surgiu uma situação que, na época, não era tão facilmente resolvida. A camisa do Olaria era toda branca e o Olaria iria enfrentar um time que também jogava com a camisa branca. Como não existiam dois uniformes, o benemérito Rachid Bunahum teve então uma ideia: a de colocar uma faixa azul na camisa branca do Olaria, para que os jogadores não se confundissem durante o jogo. Rachid Bunahum, cujo nome não deixa nenhuma dúvida, era libanês e conhecia muitos comerciantes da região do atual centro comercial Saara e mandou encomendar ali o tecido azul para ser costurado nas camisas brancas do Olaria. A ordem era para que fossem comprados tecidos bem baratos, pois a faixa só seria usada naquele jogo.

    Sem, no entanto, ter noção do que sua ideia iria representar para a posteridade, Rachid dava início àquela que seria uma das maiores tradições do Olaria: a de ser o clube da faixa azul. Isso porque a ideia da faixa azul caiu tanto no gosto dos primeiros olarienses que aquela camisa, que seria usada em apenas um jogo para a diferenciar do uniforme do adversário, acabou se tornando a camisa número 1 do Olaria.

    A partir de então, era assim que o Olaria se apresentava: camisa branca com a faixa horizontal azul no centro. Isso, até 1950, quando surgiu o modelo da camisa azul com a faixa branca.

    Rachid Bunahum, o homem da faixa azul, foi um olariense que, além de criar a faixa azul, tirou do Argentino, um clube de Cascadura e rival do Olaria na época, o jogador que seria o primeiro ídolo do clube: Emílio Champion. Mas essa história fica para outra oportunidade.

    Rachid, benemérito do Olaria, o homem da faixa azul.

  • NORA NEY: CANTORA E OLARIENSE-RAIZ

    Nora Ney em sua residência no Grajaú, em foto do ano 2000.

    Ainda lembro quando, muitas vezes ouvindo jogos do Olaria narrados por José Carlos Araújo, o locutor dizia quando o Olaria atacava: “Lá vai o Olaria da Nora Ney…” Ele tinha o hábito, quando narrava os jogos, de citar algum torcedor ou torcedora ilustre dos clubes que jogavam. E, no caso do Olaria, José Carlos Araújo quase sempre citava a Nora Ney.

    Nascida em Olaria, mais precisamente na Rua Angélica Mota, Nora Ney se chamava, na verdade, Iracema Ferreira Maia, mas ficou celebrizada e eternizada com o nome artístico. Foi uma das grandes cantoras do rádio nos anos 1950. Torcedora declarada do Olaria Atlético Clube, jamais deixava de citar o seu time de coração sempre que tinha a oportunidade.

    Além de destaque na MPB, Nora Ney também sofreu perseguição política da ditadura, por suas críticas ao regime militar e sua militância na esquerda e, por isso, teve que viver por algum tempo no exílio. Faleceu em 2003, aos 81 anos de idade e, em seu sepultamento, lá estava a bandeira do Olaria como última homenagem a uma de suas mais ilustres torcedoras.

    Nora Ney cantora, Nora Ney mulher, Nora Ney artista que divulgou o seu talento e a MPB pelo mundo, Nora Ney militante política… O Olaria se orgulha de você! Tal como o azul e branco da Bariri, você será eterna em nossos corações!

  • OLARIA É EDUCAÇÃO. QUEM LEMBRA DA ESCOLINHA?

    Na festa junina de 1965, as professoras Mariza Heloiza e Áurea Marujo, da Escolinha João Lyra Filho, com os pequenos olarienses na escadaria do salão social. Foto: acervo de Márcio Enny.

    Muitos não sabem, a maioria nem imaginava e, talvez, poucos se lembrem. Entre o final dos anos 1950 e até a década de 1960, o Olaria Atlético Clube mantinha em suas dependências uma escola de educação infantil. Era a Escola João Lyra Filho, uma homenagem ao ministro e ex-presidente do CND que muito ajudou o Olaria. A “escolinha”, como era conhecida, funcionava no local onde hoje se encontra a academia e que, mais tarde, seria ocupado pelo judô.

    A “escolinha” do Olaria foi o primeiro momento de socialização de pequenos olarienses, alguns dos quais até hoje frequentam o clube e se recordam com saudades daquele tempo. A escolinha era puro sangue olariense. A começar pelas professoras: Mariza Heloiza, que depois viria a ser a funcionária mais antiga do clube, e Áurea Marujo, que ficaria conhecida como “Linda Morena” e que se destacou também como atleta do basquete do clube, eram as “tias” das crianças bariris.

    A “escolinha” João Lyra Filho deixou de funcionar em 1967, mas se tornou um dos muitos orgulhos dos olarienses, um exemplo do que é o alcance social de um clube de bairro. Um clube de futebol manter uma escola para crianças em sua sede é algo do que poucos podem se orgulhar e, hoje, trazemos mais essa memória da Bariri que nos enche de gáudio.

  • O OLARIA E A CULTURA NOS TEMPOS DA DITADURA

    O croqui da decoração de carnaval do Olaria em 1983. A censura nada viu de “comunista”. Fonte: Arquivo Nacional.

    Nos tempos do nada saudoso SNI, o famigerado Serviço Nacional de Informações a serviço da repressão, o Olaria Atlético Clube foi alvo de monitoramento e censura. Os exemplos são diversos, mas separamos alguns bem representativos. No dia 27 de março de 1983, o então recém-empossado governador Leonel Brizola visitou o clube da Rua Bariri, como convidado de um evento da FAMERJ (Federação da Associação de Moradores do Rio de Janeiro). Na ocasião, Brizola foi recebido no salão social pelo então presidente do clube Jorge Raed. Aconteceram discursos, Brizola recebeu uma flâmula do Olaria e foi um domingo muito movimentado na Rua Bariri. O que ninguém sabia, no entanto, é que um agente do SNI estava presente e redigiu um relatório sobre tudo o que se passou naquele dia. Certamente pela presença do Brizola, o “X-9” foi até a Rua Bariri, apesar de o governador ter sido eleito democraticamente, dentro das regras da própria Constituição imposta pelo regime que agonizava. Ninguém podia imaginar que um intruso a serviço da ditadura que já estava em seu ocaso pudesse estar, naquele dia, dentro do Olaria.

    Nesse mesmo ano, quando o clube foi organizar os bailes de carnaval, um croqui da decoração teve que ser apresentado ao Serviço de Censura de Diversões Públicas para ser submetido à censura prévia. O croqui foi aprovado. Certamente os censores de plantão nada viram de “comunista” na decoração carnavalesca do Olaria de 1983.

    Mas até fora do clube o nosso Olaria também aparecia. É interessante saber, o que muito nos orgulha, que o Olaria foi tema de uma composição musical, de autoria de Luiz Carlos Martins de Vasconcelos. Ele compôs, em 1976, um samba intitulado “Olaria Zebra Respeitada”, onde enaltece os feitos futebolísticos do clube da Rua Bariri. Só para situar, a letra do samba falava de uma vitória sensacional contra o Vasco “no último minuto” (certamente a vitória em 1973, com gol de Batata aos 44 do segundo tempo) e também falava da vitória do Olaria sobre o Santos na Vila Belmiro, no mesmo ano de 1973.

    Mas o sambinha em homenagem ao Olaria também teve que ser submetido à censura e nada foi visto de “comunista” na composição. Pois é. Se muitos clubes já inspiraram compositores, o Olaria também é um deles.

    A história de um clube de futebol não se faz apenas dentro dos gramados. As situações acima descritas, embora dantescas e bizarras, nos enchem de orgulho. Porque, queiram ou não, o Olaria, em sua mais do que centenária história, sempre esteve aberto à comunidade, à arte e às manifestações culturais. E se censores daquela época chegaram a “visitar” o Olaria mesmo sem serem convidados, é porque o clube estava no caminho certo da história.

    A composição musical que exaltava o Olaria e teve que passar pelo crivo da censura. Fonte: Arquivo Nacional.
    A decoração do carnaval de 1983 foi aprovada. Fonte: Arquivo Nacional.
    Parte do relatório do SNI, que infiltrou um agente no Olaria em março de 1983.

    Obs: Toda essa documentação era “confidencial”. Com o fim da ditadura, os arquivos se tornaram públicos e acessíveis no Arquivo Nacional.

  • NOS TEMPOS DOS DENTES-DE-LEITE

    No Maracanã, em 1972, a equipe de dente-de-leite do Olaria, por ocasião do jogo contra o América. Além de diretores e comissão técnica, vemos os seguintes atletas: Jorge Antônio, Aragão, Sérgio Ricardo, Rivaldo, Belini, Oliveira, Jorge Luiz, Manoel, Ralf, Sidney, Alberto, Gilberto, Adriano, Zé Roberto, Mário e Daniel.

    Entre os anos 1960 e 1970 existia a categoria de base do futebol que era denominada “dente-de-leite”. Mais tarde, passou a ser chamada de “infantil” e atualmente é o “sub-15”. Foi naquele tempo que muitos atletas foram revelados no Olaria. E, mesmo sem os recursos de mídia dos quais hoje dispomos, os jogos podiam ser assistidos ao vivo para quem não fosse ao estádio. Isso porque a antiga TV Tupi muitas vezes transmitia as partidas. E ainda havia o tradicional prêmio para o garoto que fosse escolhido como o melhor do jogo: uma bicicleta. Jogadores do Olaria foram eleitos em alguns jogos e receberam o prêmio. Um deles foi o Belini, que recebeu a bicicleta do cantor Ed Nélson. Outro foi o goleiro Ricardo Terra.

    Naquela época, os dentes-de-leite eram tão prestigiados que, acreditem, chegavam a jogar no Maracanã as partidas do campeonato carioca. A foto que abre este artigo, por exemplo, foi tirada no Maracanã no dia 10 de outubro de 1972, por ocasião do jogo contra o América, que terminou empatada em 1 a 1, com Adriano tendo marcado o gol da equipe bariri. Se hoje o sonho de qualquer garoto de até 15 anos de idade é jogar no Maracanã, naquela época esse desejo já era uma realidade.

    Abaixo, mais algumas imagens daquela época quando, jogando no Maracanã e aparecendo na TV, os garotos do Olaria deram verdadeira exibições. Poucos anos depois, nessa mesma década de 1970, chegava na Bariri para jogar no infantil um menino chamado… Romário!

    A equipe de dente-de-leite do Olaria de 1970, no estádio do Fluminense, com o técnico Américo Faria. Os atletas são Ricardo, Luís Carlos, Armando, Aldir, Paulo Roberto, Júlio, Mário Sérgio, Tonho, Gílson, José Roberto e Vanderlei.
    O goleiro do Olaria Ricardo, com a bicicleta que ganhou quando foi eleito melhor jogador em uma partida. Ano: 1970.

  • 1959: ADEMIR, O QUEIXADA, NO COMANDO DO TIME BARIRI

    !959: No gramado da Bariri, Ademir Menezes, Jair Boaventura e os jogadores. O “Queixada” fez história também no Olaria.

    Ademir Menezes, o artilheiro da Copa de 1950, mais conhecido como “Queixada”, não fez história apenas na seleção brasileira e no expresso vascaíno. Em 1959 ele chegou à Rua Bariri para comandar o time do Olaria. O craque já havia encerrado a sua carreira de atleta e, em uma entrevista logo depois que chegou à Rua Bariri, ele disse que era técnico por prazer, e não por profissão. Além da paixão pelo futebol, Ademir Menezes citava um outro motivo que o levou a aceitar o comando técnico da equipe olariense: a amizade que tinha a quatro grandes figuras do Olaria: o Patrono Álvaro da Costa Mello, Adriano Rodrigues, Alberto Trigo e Hélio Lourenço Dias.

    Como podemos observar, bem antes de Vanderlei Luxemburgo e do argentino César Menotti, Ademir Menezes já tinha o hábito de usar terno no exercício de sua nova atividade no futebol.

    Ademir Menezes é exemplo de um dos muitos craques que passaram pelo Olaria, fosse dentro ou à beira do gramado. O “Queixada” permaneceu na Bariri apenas na temporada de 1959. Além do Olaria, o único clube do qual ele foi técnico foi o Vasco, em 1967.

    Ademir Menezes e o atleta Jorge.

  • 1972: O INÍCIO DOS BROTINHOS NO OLARIA

    Equipe de brotinhos, campeã de 1972/1973.

    Foi em 1972 que teve início a atividade esportiva e recreativa que se tornaria uma das maiores tradições no Olaria: o futebol de brotinhos. Falemos primeiro sobre a origem do espaço e, também, de seus pioneiros impulsionadores. Logo depois das obras que inverteram o sentido do campo principal, que deixou de ser paralelo para se tornar perpendicular à Rua Bariri, com a troca dos locais das balizas, sobrou um espaço que fazia parte do antigo campo oficial. Então, fincaram-se duas balizas naquele campo de terra, muitas vezes enlameado, e surgia, assim, o campo dos brotinhos. Ali, seria praticado o futebol entre crianças de diferentes faixas etárias, a partir dos 7 anos de idade. Inicialmente, o setor esteve subordinado ao Departamento Infanto-Juvenil, que era administrado pelo vice-presidente Cléo Acker. Domingos Gonçalves e Orlando Barbosa foram os diretores que deram, efetivamente, o impulso inicial para o setor. Em seus primórdios, Norma Ventapane era uma das diretoras. Outra diretora das antigas, que viria também a se destacar no setor foi a Rosália Cabral.

    Há uma curiosidade, no entanto, em relação ao nome daquele futebol de crianças que surgiu no clube em 1972. Na época, ele também era chamado de mini-futebol. Porém, o nome que acabou pegando foi mesmo brotinhos.

    Em 1972 já foi organizado o primeiro campeonato. Nesse mesmo ano, aconteceu o segundo campeonato. Nos primeiros tempos, as equipes eram denominadas com nomes de estados brasileiros. Daquele campinho, saíram craques que acabariam brilhando pelo Olaria e pelo mundo afora. A seguir, mais algumas imagens do início dos brotinhos, que marcou a infância e a adolescência de muitos olarienses.

    Time dos brotinhos de 1972.
    Uma das equipes dos brotinhos de 1972.
    Equipe de brotinhos de 1972.
    Equipe de brotinhos de 1972.
    Festa do Dia das Mães dos brotinhos de 1972, vendo-se a diretora Norma Ventapane.
    A solenidade de abertura do segundo campeonato de brotinhos, em 1972.

  • EM 1974, PELO BRASILEIRO, UMA VITÓRIA ÉPICA DO OLARIA

    O gol de Jair Pereira (número 15), que deu a vitória consagradora sobre o Fluminense no Campeonato Brasileiro de 1974.

    Estávamos em 1974 e o Olaria participava, pelo segundo ano consecutivo, do Campeonato Brasileiro da primeira divisão. E jogaria contra o Fluminense no Maracanã. Naquela tarde de domingo, 24 de março, nem o olariense mais otimista e nem o tricolor mais pessimista, poderiam imaginar o que iria acontecer.

    O tempo, um pouco nublado e com alguma chuva, talvez tenha influenciado no público, que não foi muito grande: 9.215 torcedores pagaram para ver o que seria uma das vitórias mais épicas da história olariense. O Olaria, surpreendendo os tricolores, partiu para o ataque. E aos 32 minutos Antoninho abriu a contagem. 1 a 0 Olaria. Nem deu para o Fluminense se refazer. Aos 34 minutos Jair, de falta, ampliava para o time da Bariri: 2 a 0. Tudo se encaminhava para que o placar do primeiro tempo fosse aquele, mas aos 45 minutos Manfrini descontou para os tricolores: 2 a 1.

    No segundo tempo, parecia que o Olaria, mesmo jogando bem, deixaria a vitória escapar, pois logo aos 5 minutos Rubens Galaxe marcou para os tricolores, decretando a igualdade no placar: 2 a 2.

    Aos 23 minutos, Jair Pereira, que havia entrado no segundo tempo, após um cruzamento da direita feito por Roberto Pinto, testou firme no ângulo esquerdo do goleiro tricolor Roberto, recolocando o Olaria em vantagem: 3 a 2.

    Uma ocorrência, no entanto, traria contornos dramáticos para o Olaria. Aos 30 minutos, o goleiro olariense Ronaldo se machucou gravemente e não pôde continuar na partida. Como o Olaria já tinha feito as duas substituições, teria que, além de ficar com um jogador a menos, improvisar um jogador no gol. E coube ao lateral-esquerdo Da Costa, conhecido como Batata, a missão de guardar a meta olariense, mesmo não sendo goleiro. O Olaria teria 15 minutos para, com um jogador a menos e sem goleiro, segurar a vitória. E o Olaria segurou o resultado, garantindo a consagradora vitória na competição mais importante do país.

    Naquela longínqua tarde de outono, o Olaria escrevia no Maracanã uma de suas mais belas páginas. Página que, hoje, nós tiramos dos arquivos mortos da história para encher de orgulho todos os olarienses.

    O lance do gol da épica vitória do Olaria: Roberto Pinto cruzou e Jair Pereira testou firme no ângulo esquerdo do goleiro tricolor Roberto. Olaria 3 a 2. Fotos: Jornal dos Sports.

  • DOMINGOS DA GUIA, UM CACIQUE NA BARIRI

    Domingos da Guia com os atletas no gramado da Bariri: o “cacique” entrou para a história do Olaria.

    1950 foi um ano icônico para o futebol do Rio de Janeiro: o Maracanã era inaugurado. O outrora maior estádio do mundo foi construído para a Copa daquele ano. Se, para a seleção brasileira 1950 foi um ano trágico, para o Olaria foi um dos anos mais gloriosos de sua história.

    Cerca de um mês depois do “Maracanazo” começava o primeiro campeonato carioca da Era Maracanã. O Olaria, que três anos antes havia inaugurado o seu estádio, teve que sair muitas vezes do alçapão para enfrentar grandes adversários no gigantismo do Maracanã. Mas, naquele ano, o Olaria iria mostrar-se forte mesmo fora do seu tradicional alçapão, a começar pelo comando do time. Domingos da Guia, craque, pai de outro craque, Ademir da Guia (que brilhou na academia palmeirense) foi contratado como técnico do Olaria. Apelidado de “cacique”, Domingos da Guia sabia tudo de bola e, sob seu comando, naquele histórico campeonato carioca de 1950 o Olaria chegou em um honroso quinto lugar. Detalhe: o Olaria ficou na frente de Fluminense e Flamengo (o Fluminense foi sexto e o Flamengo foi sétimo).

    Chegar à frente da dupla Fla-Flu no primeiro campeonato do Maracanã foi apenas um detalhe. O time do Olaria tinha um ataque que infernizava as defesas adversárias: Jarbas, Alcino, Maxwell, Washington e Esquerdinha formavam a linha de frente bariri. Tudo sob o comando do “cacique ” Domingos da Guia. No primeiro ano do Maracanã, o índio forte da Bariri, mesmo saindo de sua taba, mostrou que era forte até mesmo no então maior estádio do mundo.

    Domingos da Guia, o técnico que comandou o Olaria no primeiro campeonato da Era Maracanã, em 1950, quando o Olaria realizou ótima campanha e chegou à frete de Flamengo e Fluminense. Domingos da Guia era apelidado de “Cacique”.