Autor: Pedro Paulo Vital

  • 1944: A PEDRA FUNDAMENTAL DO ALÇAPÃO

    A colocação da pedra fundamental do estádio da Rua Bariri, em 23 de abril de 1944, feita pelo presidente Sylzed José de Sant’Anna Filho.

    23 de abril de 1944. O dia era de São Jorge, mas que esteve na Rua Bariri naquela data foi o padre da Igreja de São Geraldo, Luiz Mariano da Rocha. O padre não veio rezar missa e sim abençoar uma edificação que simbolizaria o início de um sonho de todos os olarienses: naquele histórico 23 de abril, seria colocada a pedra fundamental do estádio do Olaria, o futuro Alçapão. Na época, presidia o Olaria o Dr. Sylzed José de Sant’Anna, um dentista que era muito querido no bairro. E coube ao presidente Sylzed Sant’Anna a colocação da pedra, com a bençao do padre Luiz Mariano.

    A solenidade de lançamento da pedra fundamental, como mostram os testemunhos da época, foi muito concorrida, com grande presença de diretores, cronistas esportivos, sócios e torcedores.

    Três anos mais tarde, a pedra transformava o sonho dos olariesnes em realidade: era inaugurado, em 1947, o Estádio Mourão Filho, certamente um dos mais tradicionais e lendários da história do futebol carioca.

  • O TIME DO OLARIA DE 1943 VISITA PETRÓPOLIS

    Equipe do Olaria de 1943, titulares e reservas, da esquerda para a direita: Machado, Antenor, Labatut, José, Rebolo, Cavaco, Cidinho, Souza, Oswaldo, Nerino, Paulo, Ismael, Almeida, Jorge e Aldo.

    Em 1943 o Olaria ainda estava fora da primeira divisão de profissionais em razão do golpe que havia sofrido por ocasião da pacificação do futebol carioca em 1937. Porém, o Olaria mantinha a sua equipe de amadores, que disputava torneios e jogos amistosos. Na ocasião, o clube era presidido por Sylzed José de Sant’Anna. Naquele ano, no dia 31 de outubro, o Olaria recebeu um convite do Petropolitano F.C. para disputar um amistoso. A equipe de Petrópolis era a campeã da cidade.

    No campo do Petropolitano, no bairro de Valparaíso, os donos da casa venceram pelo placar de 2 a 1, tendo Oswaldo marcado o gol olariense. Naquele dia choveu muito, principalmente no segundo tempo do jogo, tornando o futebol quase que impraticável, segundo notícias da época.

    Aquele período da história do futebol do Olaria foi muito importante, pois o Olaria, mesmo afastado do campeonato principal, mantinha o futebol em atividade com sua equipe amadora. No dia da visita ao Petropolitano o Olaria recebeu uma placa de prata e retribuiu os donos da casa com uma flâmula de seda. Representando o Olaria lá estavam o presidente Sylzed Sant’Anna e o primeiro secretário Leibnitz Miranda, o Lazinho.

    Abaixo, mais algumas imagens da visita do Olaria ao Petropolitano em 1943:

    As equipe de Olaria e Petropolitano FC, vendo-se também o árbitro da FMF (Federação Metropolitana de Futebol).
    1943: no amistoso contra o Petropolitano FC, na cidade serrana, o Olaria recebeu uma placa de prata, entregue ao presidente Sylzed Sant’Anna, que retribuiu ofertando uma flâmula de seda.
    Leibnitz Miranda, o Lazinho, primeiro-secretário do Olaria em 1943.

  • O OLARIA E AS TRAVES DE MUZAMBINHO

    As traves da Copa de 1950 hoje estão no museu em Muzambinho. E o Olaria foi protagonista nessa história. Foto: O Estado de MInas.

    Existe uma relíquia do futebol, que não nos traz boas lembranças, e que acabou entrando na história do Olaria: as traves do jogo final da Copa de 1950, em que Barbosa levou o gol do uruguaio Alcides Ghiggia. E que, como toda relíquia, está envolta de mistérios e até de histórias rocambolescas. A pergunta, que já virou até jornalismo investigativo de cronistas esportivos é: onde foram parar as traves da Copa de 1950, símbolo físico de uma das maiores tragédias do futebol brasileiro ?

    Certa vez, o grande goleiro Barbosa disse que tinha recebido as traves como lembrança. Isso teria sido em 1962, quando o ex-goleiro se tornou funcionário do Maracanã e recebeu as balizas de presente. Isso aconteceu porque a FIFA passou a exigir que as traves fossem arredondadas e de ferro, e então, teria que ser feita a substituição das balizas do Maracanã, que eram de madeira e retangulares. Em outra oportunidade Barbosa afirmou, em uma entrevista, que para eliminar qualquer lembrança física daquele trágico jogo, usou as traves para fazer a brasa de um churrasco que ofereceu para seus amigos em Ramos, onde morava.

    A afirmação de Barbosa, no entanto, era fictícia e ele a fez propositalmente. Isso porque as traves da Copa de 1950 foram levadas para a cidade de Muzambinho, no sul de Minas, em cujo estádio se realizavam obras e então recebeu as traves como doação. Isso teria acontecido dois anos antes da história contada por Barbosa, ou seja, em 1960. Em conversa com a filha de Barbosa, nossa amiga Tereza Borba, em sua residência em Praia Grande, onde mantém um museu sobre seu pai, falamos sobre a doação das traves para o estádio de Muzambinho e ela nos disse que a história contada por seu pai era força de expressão, porque a toda hora perguntavam a ele pelas traves que ele sempre quis esquecer.

    E onde entra o Olaria nessa história? Bem, as traves foram doadas ao estádio de Muzambinho e o jogo inaugural com as “novas” balizas foi um amistoso da seleção local contra o Olaria, que na ocasião excursionava por várias cidades do sul de Minas. Assim, na reinauguração das traves do “Maracanazo”, o Olaria lá estava presente. A partida aconteceu em 17 de maio de 1960 e o Olaria não teve dificuldades para aplicar uma rotunda goleada de 12 a 0 na seleção local. Sim, o Olaria fez de sobra naquelas balizas os gols que faltaram para a seleção brasileira ser campeã em 1950.

    Hoje, as traves encontram-se na Casa de Cultura Doutor Lycurgo Leite, em Muzambinho, e são uma atração para os turistas que visitam a cidade. E o time bariri ficou na história por ter aplicado o que ficou conhecido, na época, como o “Maracanazo de Muzambinho”.

    Quanto ao grande goleiro Barbosa, a história contada por ele só podia ser mesmo bricadeira. Porque Barbosa, como bom leopoldinense, sabia fazer churrasco e ele não iria fazer a brasa para assar a carne em um pedaço de madeira com tinta…

    O estádio em Muzambinho, para onde foram as traves da Copa de 1950. No jogo inaugural das traves, o Olaria venceu por 12 a 0. Foi o “Maracanazo de Muzambinho”.

  • 1996: NA BARIRI, A MAIOR DE TODAS AS VIRADAS

    A emoção do presidente Pintinho e dos atletas Adriano e Luciano Silva, o Ligeirinho, após a histórica virada em 1996: Olaria 5 a 4.

    No dia 23 de junho de 1996, quem compareceu à Rua Bariri para assistir Olaria X Itaperuna pelo campeonato estadual da primeira divisão, não imaginava que testemunharia talvez a maior virada de placar da história do futebol brasileiro. O Olaria perdia por 4 a 0 até os 28 minutos do segundo tempo e terminou a partida com a vitória de 5 a 4.

    Logo no início, os visitantes já abriram 2 a 0, com Paraíba marcando aos 6 e Barata aos 7 minutos. E assim terminou a primeira etapa. No segundo tempo, novamente Paraíba aos 15 minutos e outra vez Barata, aos 28, decretavam 4 a 0 para o Itaperuna. Nesse momento, vários torcedores do Olaria, desanimados e incrédulos com o que viam, começaram a deixar o estádio. Porém, dois jogadores que entraram no segundo tempo, mudariam a história daquele jogo inesquecível: Luciano Silva e Preto Casagrande.

    Aos 29 minutos, Luciano Silva, encobrindo o goleiro Pacato, marcou aquele que parecia ser apenas o gol de honra do Olaria. No entanto, o inesperado estava por vir. Aos 32, Leandro fazia 4 a 2. Aos 34, Luciano Silva novamente marcava e o Olaria encostava no placar: 4 a 3. A essa altura, vários torcedores voltavam correndo para as arquibancadas, pois ainda dava para o empate, o que já seria um grande feito depois de estar perdendo por 4 a 0. E o empate veio. Pedro Renato, aos 41 minutos, igualava o marcador: 4 a 4. O empate, após estar perdendo por 4 a 0, era comemorado como um título e parecia um sonho.

    Já nos acréscimos, aos 47 minutos, uma falta para o Olaria próxima à grande área, no gol à direita das cabines de rádio. Arturzinho foi o encarregado da cobrança. Os jogadores do Olaria, dentro da área, pediam para ele cruzar. Mas Arturzinho preferiu tocar para trás, na altura da meia-lua. Então, Preto Casagrande soltou um canhão que estufou a rede do goleiro Pacato. Olaria 5 a 4. A Rua Bariri era, a partir daquele momento, o palco da maior virada de placar da história do campeonato carioca.

    Após o apito final, olarienses choravam e se abraçavam. Até hoje não se tem notícia da reversão de um placar tão adverso em tão pouco tempo. Naquele dia, o Olaria e a Rua Bariri mais uma vez entravam para a história do futebol brasileiro.

  • O DIA QUE O OLARIA DERROTOU A SELEÇÃO BRASILEIRA

    Nado, em destaque na foto, comemora o gol do Olaria contra a seleção brasileira, vendo-se Leão ir buscar a bola no fundo do gol. Foto: Agência O Globo.

    O dia era 12 de abril de 1970, um domingo. Zagallo havia assumido o comando da seleção brasileira após a demissão de João Saldanha. Zagallo estava no trabalho de preparação da seleção que iria disputar a Copa do México. A seleção ainda não estava definida e, naquele dia, entrou no gramado do Maracanã a seleção que tinha o goleiro Leão, o lateral Everaldo, Dirceu Lopes e até o “furacão” Jairzinho para o amistoso que entraria para a história do clube bariri. Pelo lado do Olaria, comandado por Paulinho de Almeida, craques como Miguel, Altivo, Alfinete, Afonsino e Nado, que seria o nome do jogo.

    Foi uma partida disputadíssima e, até o final do segundo tempo, o placar mantinha-se no 0 a 0. A seleção brasileira insistia, mas o Olaria, guerreiro, não se deixou intimidar pelos craques que vestiam a camisa amarela da então CBD. Aos 37 minutos do segundo tempo Nado, um atacante pernambucano que já tinha passado pela seleção e que destacou-se no Vasco, abre o placar para o Olaria. A seleção de Zagallo teria apenas 8 minutos para tentar o empate, o que não aconteceu. O Olaria segurou o resultado e, quando o árbitro Walquir Pimentel trilhou o apito final, o Olaria entrava para a história como sendo uma das equipes que derrotou a seleção brasileira.

    É evidente que, antes de torcermos para a seleção, torcemos para um clube. Todos são torcedores permanentes de um clube e sazonais de uma seleção. Porém, naquele 12 de abril de 1970, muitos talvez não soubessem ou não tivessem consciência, mas o Olaria não derrotou apenas uma seleção. Derrotou uma seleção que, formada por uma plêiade de craques, foi descaradamente usada como aparelho ideológico da ditadura. Mais uma bela página da história olariense.

  • A VILA BELMIRO PINTADA DE AZUL E BRANCO

    Jair Pereira: ele entrou para a história do Olaria por ter marcado, de bicicleta, o gol da vitória sobre o Santos, em plena Vila Belmiro.

    O ano era 1973. O dia, 21 de outubro, um domingo de primavera, mas já com o clima típico do verão. O Olaria participava pela primeira vez em sua história do campeonato brasileiro. Naquele dia, o programa do torcedor santista já estava feito: pela manhã, ir à praia, beber um chope no Gonzaga e, à tarde, ir à Vila Belmiro ver mais uma vitória do Santos, que jogaria contra o Olaria. Porém, se esqueceram de combinar com o Olaria. Naquele dia, a “Vila mais famosa do mundo”, que consagrou Pelé, Coutinho, Mengálvio, Pepe, Dorval, Edu, Clodoaldo, Carlos Alberto e outros, iria consagrar… Jair Pereira, do Olaria!

    O Olaria jogou com a tradicional camisa branca de faixa azul e o Santos de camisa listrada. Logo aos 6 minutos do primeiro tempo, Cláudio Adão, em início de carreira, abriu o placar: Santos 1 a 0. Parecia que a programação dos santistas iria se consumar, e com facilidade. E assim terminou a primeira etapa. E veio o segundo tempo do jogo que inscreveria para sempre o Olaria na história do Brasileirão. Aos 11 minutos, Jair Ganso empatava para o Olaria. E o Jair que fez o gol de empate sairia para dar lugar a outro Jair, o Jair Pereira. Então, aos 40 minutos, Jair Pereira faria o gol da consagradora vitória olariense. Depois de um cruzamento da esquerda, Jair Pereira acertou uma bicicleta no canto esquerdo do goleiro Cejas. Era o gol da vitória do Olaria, em plena Vila Belmiro.

    Até hoje os olarienses lembram dessa que talvez tenha sido a maior façanha do Olaria em jogos fora de casa. Ganhar do Santos, na Vila Belmiro, de virada e com golaço de bicicleta…

    Certa vez estivemos com Jair Pereira e falamos sobre o seu gol histórico. Naquele 21 de outubro de 1973 o gol foi exibido no quadro “Gols do Fantástico”. Até o Almanaque do Santos Futebol Clube, em sua página 181, faz referência ao golaço da vitória do Olaria e reconhece como justa a histórica vitória bariri. Essa nem os santistas esquecem!…

    Veja os gols dessa histórica partida, a repercussão na mídia e a ficha técnica do jogo:

    A matéria do Jornal do Brasil sobre a consagradora vitória olariense na Vila Belmiro.
    O Almanaque do Santos registra os detalhes da grande vitória do Olaria na Vila Belmiro.

  • JUCA MARIOLA, UM HERÓI QUE MORREU PELO OLARIA

    Juca Mariola morreu pelo Olaria. Fonte da imagem: Gemini IA.

    Vamos reviver a história de um olariense que não é muito conhecido, mas que tem um lugar de honra na história de nosso clube. E que, a partir de agora, ele seja sempre lembrado por todos os olarienses. Seu nome: Juca Mariola.

    O ano era 1927. Naquele ano, o Olaria estava com o seu campo instalado na esquina das ruas Leopoldina Rego com Estrada do Engenho da Pedra, bem ali na estação de Olaria. Ocorre que um outro clube de futebol, chamado São Paulo-Rio, havia invadido o campo do Olaria. O clube invasor recusava-se a devolver o campo e seus adeptos chegaram até a fazer obras e a pintar o escudo deles, nas cores verde e branca, na fachada. O Olaria estava sem aquilo que era o seu bem mais precioso: o seu campo.

    Na ocasião, o Presidente de Honra do Olaria, João Fernandes Ferreira, tinha viajado à Europa e, em seu retorno, uma comissão de olarienses foi até o cais do porto esperá-lo e contar o que havia acontecido. Ao saber do ocorrido, João Fernandes Ferreira não vacilou. Deixou sua família ali mesmo no armazém 14, onde havia desembarcado, e procurou um advogado para mover uma ação de reintegração de posse contra o clube invasor. E o Olaria, finalmente, ganhou a ação. Todo o seu material, como bolas e camisas, que estava guardado em um botequim, voltava para a sede reconquistada na Justiça. O Olaria retomava o seu campo. Quanto ao São Paulo-Rio, ainda foi condenado a uma multa que não pôde pagar e desapareceu do cenário esportivo.

    O dia da volta do Olaria ao seu campo foi um dia muito feliz. Mas esse dia também registrou um fato muito triste. Tínhamos um jogador de futebol chamado Juca Mariola, que era ponta-direita do nosso time. Juca Mariola exercia a profissão de pintor, porque naquela época o futebol não era profissionalizado. A alegria de Juca Mariola com a recuperação do campo do Olaria foi tão grande que sua primeira atitude foi emendar duas escadas para subir no muro e apagar o escudo do São Paulo-Rio para, em seu lugar, pintar o escudo do Olaria. Quando Juca Mariola pintava o escudo do Olaria, a escada partiu-se, Juca caiu e morreu. Foi a morte movida pelo amor ao Olaria.

    Apesar do triste episódio, resta-nos um grande consolo: Juca Mariola morreu feliz.

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    PS: A história de Juca Mariola, na tradição olariense, teve como grande fonte oral o saudoso grande benemérito Leibnitz Miranda, o Lazinho. Mas há também uma referência documental escrita ao episódio do infortúnio de Juca Mariola, publicada na Revista do Olaria de agosto de 1947.

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  • RACHID, O HOMEM DA FAIXA AZUL

    A faixa azul na camisa do Olaria foi ideia de Rachid Bunahum.

    Quando Lamartine Babo compôs o hino do Olaria e criou o verso “clube da faixa azul celeste”, a faixa azul já era tradição na camisa do clube bariri. Mas, afinal, quem teve a ideia de colocar na camisa do Olaria uma faixa azul, que acabaria fazendo desta a camisa mais tradicional do Olaria?

    Atribui-se a Rachid Bunahum a ideia da faixa azul na camisa branca do Olaria. Logo depois de 1920, quando o Olaria passou a ser azul e branco, surgiu uma situação que, na época, não era tão facilmente resolvida. A camisa do Olaria era toda branca e o Olaria iria enfrentar um time que também jogava com a camisa branca. Como não existiam dois uniformes, o benemérito Rachid Bunahum teve então uma ideia: a de colocar uma faixa azul na camisa branca do Olaria, para que os jogadores não se confundissem durante o jogo. Rachid Bunahum, cujo nome não deixa nenhuma dúvida, era libanês e conhecia muitos comerciantes da região do atual centro comercial Saara e mandou encomendar ali o tecido azul para ser costurado nas camisas brancas do Olaria. A ordem era para que fossem comprados tecidos bem baratos, pois a faixa só seria usada naquele jogo.

    Sem, no entanto, ter noção do que sua ideia iria representar para a posteridade, Rachid dava início àquela que seria uma das maiores tradições do Olaria: a de ser o clube da faixa azul. Isso porque a ideia da faixa azul caiu tanto no gosto dos primeiros olarienses que aquela camisa, que seria usada em apenas um jogo para a diferenciar do uniforme do adversário, acabou se tornando a camisa número 1 do Olaria.

    A partir de então, era assim que o Olaria se apresentava: camisa branca com a faixa horizontal azul no centro. Isso, até 1950, quando surgiu o modelo da camisa azul com a faixa branca.

    Rachid Bunahum, o homem da faixa azul, foi um olariense que, além de criar a faixa azul, tirou do Argentino, um clube de Cascadura e rival do Olaria na época, o jogador que seria o primeiro ídolo do clube: Emílio Champion. Mas essa história fica para outra oportunidade.

    Rachid, benemérito do Olaria, o homem da faixa azul.

  • NORA NEY: CANTORA E OLARIENSE-RAIZ

    Nora Ney em sua residência no Grajaú, em foto do ano 2000.

    Ainda lembro quando, muitas vezes ouvindo jogos do Olaria narrados por José Carlos Araújo, o locutor dizia quando o Olaria atacava: “Lá vai o Olaria da Nora Ney…” Ele tinha o hábito, quando narrava os jogos, de citar algum torcedor ou torcedora ilustre dos clubes que jogavam. E, no caso do Olaria, José Carlos Araújo quase sempre citava a Nora Ney.

    Nascida em Olaria, mais precisamente na Rua Angélica Mota, Nora Ney se chamava, na verdade, Iracema Ferreira Maia, mas ficou celebrizada e eternizada com o nome artístico. Foi uma das grandes cantoras do rádio nos anos 1950. Torcedora declarada do Olaria Atlético Clube, jamais deixava de citar o seu time de coração sempre que tinha a oportunidade.

    Além de destaque na MPB, Nora Ney também sofreu perseguição política da ditadura, por suas críticas ao regime militar e sua militância na esquerda e, por isso, teve que viver por algum tempo no exílio. Faleceu em 2003, aos 81 anos de idade e, em seu sepultamento, lá estava a bandeira do Olaria como última homenagem a uma de suas mais ilustres torcedoras.

    Nora Ney cantora, Nora Ney mulher, Nora Ney artista que divulgou o seu talento e a MPB pelo mundo, Nora Ney militante política… O Olaria se orgulha de você! Tal como o azul e branco da Bariri, você será eterna em nossos corações!

  • OLARIA É EDUCAÇÃO. QUEM LEMBRA DA ESCOLINHA?

    Na festa junina de 1965, as professoras Mariza Heloiza e Áurea Marujo, da Escolinha João Lyra Filho, com os pequenos olarienses na escadaria do salão social. Foto: acervo de Márcio Enny.

    Muitos não sabem, a maioria nem imaginava e, talvez, poucos se lembrem. Entre o final dos anos 1950 e até a década de 1960, o Olaria Atlético Clube mantinha em suas dependências uma escola de educação infantil. Era a Escola João Lyra Filho, uma homenagem ao ministro e ex-presidente do CND que muito ajudou o Olaria. A “escolinha”, como era conhecida, funcionava no local onde hoje se encontra a academia e que, mais tarde, seria ocupado pelo judô.

    A “escolinha” do Olaria foi o primeiro momento de socialização de pequenos olarienses, alguns dos quais até hoje frequentam o clube e se recordam com saudades daquele tempo. A escolinha era puro sangue olariense. A começar pelas professoras: Mariza Heloiza, que depois viria a ser a funcionária mais antiga do clube, e Áurea Marujo, que ficaria conhecida como “Linda Morena” e que se destacou também como atleta do basquete do clube, eram as “tias” das crianças bariris.

    A “escolinha” João Lyra Filho deixou de funcionar em 1967, mas se tornou um dos muitos orgulhos dos olarienses, um exemplo do que é o alcance social de um clube de bairro. Um clube de futebol manter uma escola para crianças em sua sede é algo do que poucos podem se orgulhar e, hoje, trazemos mais essa memória da Bariri que nos enche de gáudio.