Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • OLARIENSES DE LUTO – OBRIGADO, WASHINGTON!

    A família olariense está de luto. Faleceu hoje, dia 14 de janeiro, Washington Ribeiro, ídolo do futebol do Olaria que brilhou na equipe bariri no final dos anos 1940 e nos anos 1950. O grande artilheiro do Olaria, nascido em 3 de maio de 1928, estava com 97 anos de idade. Ele jogou pelos profissionais do Olaria entre 1949 e 1954.

    Washington, o maior artilheiro da história do clube bariri, começou nos profissionais do Olaria em 1949, formando a linha de ataque com Jarbas, Alcino, Sorriso e Esquerdinha. No grande time de 1950, que ficou em quinto lugar no primeiro Campeonato Carioca do Maracanã, à frente de Flamengo e Fluminense, Washington formou o grande ataque olariense com Jarbas, Alcino, Maxwell e Esquerdinha. Em 1954, quando o Olaria realizou a excursão da volta ao mundo, Washington foi o artilheiro da equipe. Neste mesmo ano chegou a jogar ao lado de Canário. Washington era o último remanescente do time que realizou a excursão da volta ao mundo em 1954. Ele permaneceu como profissional do Olaria até 1954, ano em que se transferiu para o América. Em 2024 Washinton foi homenageado pela diretoria do Olaria, ocasião em que recebeu diploma, medalha e um escudo de lapela.

    Hoje os torcedores do Olaria estão tristes e saudosos. Porém, maior do que a tristeza e a saudade, o sentimento dos olarienses a esse grande ídolo que se foi deve ser de orgulho e de gratidão. Obrigado por tudo, Washington! Você estará para sempre na galeria dos ídolos que orgulham todos os olarienses!

    Washington: o maior artilheiro da história do Olaria, em foto de 1950.

    Washington, em 1949, quando formava o ataque do Olaria com Jarbas, Alcino, Sorriso e Esquerdinha. Washington é o quarto, da esquerda para a direita.
    No Maracanã, o time do Olaria de 1950, 5º colocado do Campeonato Carioca daquele ano. Washington é o quarto jogador sentado, da esquerda para a direita.

    Da esquerda para a direita: Canário, Washington, Gringo, Maxwell e Mário, o ataque do Olaria em 1954.

    Washington, em foto de 2024, em sua residência em Ramos.

  • OLARIA SOBE 66 POSIÇÕES NO RANKING CBF 2026

    As participações do Olaria nas edições de 2024 e 2025 da Copa do Brasil levaram o clube a subir 66 posições no ranking da CBF.

    A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) divulgou no último dia 23 de dezembro o Ranking Nacional de Clubes para 2026. Com um total de 235 clubes, o Olaria, que deu uma grande subida em relação a 2025, ocupa a 142ª posição, com 350 pontos. O Olaria, em relação a 2025, teve uma grande ascensão, subindo 66 posições no ranking. Em 2025 a posição do Olaria era a 208ª colocação, com 125 pontos. Evidentemente esta grande subida do Olaria se deve às participações consecutivas na Copa do Brasil em 2024 e 2025, sendo que em 2025 o clube bariri avançou para a segunda fase, ao derrotar o ABC do Rio Grande do Norte.

    Um aspecto interessante a ressaltar é que o Olaria, na 142ª colocação, está à frente de equipes da primeira divisão do Rio de Janeiro, como o Maricá (153ª colocação), Madureira (217ª colocação) e Bangu (228ª colocação).

    O ranking leva em conta participações em competições nacionais nos últimos 5 anos. Em 2026 o Olaria não disputará nenhuma competição nacional, o que deverá acarretar em uma queda no próximo ranking. Assim, é fundamental que o Olaria volte a se qualificar para uma competição nacional, seja a série D ou novamente a Copa do Brasil.

    O ranking da CBF é importante não apenas no aspecto esportivo, visto que ele também é utilizado para a inclusão dos times no volante de apostas da Timemania. O Olaria, por vários anos, apareceu no volante. Porém, com o declínio no ranking, visto ter ficado muito tempo sem disputar uma competição nacional, deixou de aparecer no volante atual. A recuperação registrada nos últimos dois anos poderá fazer com que, caso se classifique para futuras competições nacionais, o Olaria volte a figurar no volante da Timemania.

    Assim, em 2026 vamos renovar a dupla torcida: que o Olaria volte para a primeira divisão do Estadual e que volte também a uma competição nacional.

  • OS GOLS DA HISTÓRICA VITÓRIA: OLARIA 2 X 1 SANTOS

    Ganhar do Santos na Vila Belmiro não é para qualquer um. Mas o Olaria não é qualquer um. Foi consagrador. Foi de virada. Foi com gol de bicicleta de Jair Pereira. O site Olaria Eterno traz, como presente de Natal para os olarienses, as imagens que diziam não mais existir desta histórica e consagradora vitória em 21 de outubro de 1973.

    Aprecie sem moderação e orgulhe-se. Quem tem história, mostra. Quem não tem, vê e aplaude. Olaria! Olaria! Olaria!

  • OLARIA DE LUTO – FALECEU AURÊ

    Aurê: campeão brasileiro da Taça de Bronze pelo Olaria em 1981.

    Foi com profunda tristeza que os olarienses receberam a notícia do falecimento de Aurelindo de Souza Macieira, o Aurê, ocorrido nesta sexta-feira, 5 de dezembro. Aurê foi atacante dos profissionais do Olaria entre os anos 1970 e 1980, sendo sua maior conquista pelo clube o Campeonato Brasileiro da Taça de Bronze em 1981. Aurê tinha 71 anos e também era sócio honorário do Olaria, honraria que lhe foi concedida por ter sido um dos campeões da Taça de Bronze em 1981. Aurê atuou no primeiro jogo da final da Taça de Bronze, quando o Olaria goleou o Santo Amaro por 4 a 0 e praticamente garantiu o título.

    Aurê chegou ao Olaria em 1973, permanecendo até 1974. Retornou ao clube da Rua Bariri em 1975, ficando até 1979. Retornou em 1980 e, no ano seguinte, foi campeão da Taça de Bronze.

    O Olaria perde mais um de seus campeões da Taça de Bronze, mas fica o legado e o reconhecimento a este ídolo que marcou época e participou da maior conquista da história do clube. Obrigado Aurê!

  • CANÁRIO E GARRINCHA – UMA FELIZ COINCIDÊNCIA

    Da esquerda para a direita: Canário, Washington, Gringo, Maxwell e Mário: o ataque do Olaria em 1954.

    Existem coincidências interessantes no futebol e, felizmente, uma dessas coincidências aconteceu na Rua Bariri. O maior ponta-direita de todos os tempos do Brasil, Manuel Francisco dos Anjos, o Garrincha, jogou no Olaria. Depois de Garrincha, o maior de todos na posição foi Darcy Silveira dos Santos, mais conhecido como Canário, também jogou no Olaria. Além de jogarem pelo clube da Rua Bariri, ambos se consagraram mundialmente e tinham, como apelidos, nomes de pássaros: Garrincha e Canário. Ambos também vestiram a camisa da seleção. Enquanto Garrincha encerrou sua carreira na Rua Bariri, foi na Bariri que Canário começou. Canário chegou ao Olaria com 19 anos, ainda como aspirante e já em 1954 integrou a equipe de profissionais, formando o ataque olariense com Washington, Gringo, Maxwell e Mário. Logo depois foi para o América e em 1956 foi convocado para a seleção brasileira. Em 1959 Canário foi transferido para o Real Madrid e, em 1960, como titular do time espanhol, ganhou o mundial interclubes, jogando ao lado do húngaro Puskás.

    Garrincha chegou na Bariri em 1972, já consagrado, e encerrou sua carreira no Olaria, por onde marcou seus dois últimos gols. Garrincha e Canário: uma feliz coincidência que só aconteceu na Rua Bariri!

    A equipe do Olaria em 1972, com Garrincha.

  • 1948: MELLO SALVOU A VIDA DE BIRIBA

    No dia 21 de novembro de 1948 Olaria e Botafogo se enfrentaram no Alçapão da Bariri. O Botafogo venceu por 4 a 3, depois de o Olaria estar vencendo por 3 a 1. Muita coisa já se falou sobre esse jogo. Porém, há um episódio que é pouco comentado.

    Como sabemos, o Botafogo tinha um cãozinho de estimação chamado Biriba, que sempre entrava em campo com o time e era considerado um amuleto para a equipe alvinegra. Carlito Rocha, famoso presidente do Botafogo, foi quem adotou o pet como bichinho de estimação do time. Mas naquele dia 21 de novembro de 1948 o cãozinho botafoguense estava marcado para morrer no Alçapão da Bariri.

    O que se sabe, e que chegou a ser publicado por alguns veículos da mídia na época, é que um fanático torcedor do Olaria, que tinha um bulldog muito feroz, tinha planejado soltar o cão quando o Botafogo entrasse em campo. Segundo o próprio torcedor olariense dizia, o seu bulldog não podia ver outro cão que avançava e atacava. Já o Biriba do Botafogo era conhecido por não fazer mal a ninguém. O bulldog do fanático torcedor olariense tinha a fama de sempre estrangular suas vítimas quando atacava. Estava tudo pronto para que o bulldog olariense fosse solto tão logo Biriba entrasse no gramado junto com o time do Botafogo.

    Porém, o patrono e presidente do Olaria, Álvaro da Costa Mello, ao saber da intenção do torcedor olariense, não permitiu que a malvadeza se consumasse. O Alçapão da Bariri tinha pouco mais de um ano de existência e até então só tinha feito vítimas (não fatais) humanas. Naquele dia, se não fosse a intercessão do presidente Mello, o estádio da Bariri teria entrado para a história por fazer sua primeira vítima canina.

    O presidente Mello, que salvou a vida de Biriba, além de ser uma pessoa boníssima, também era muito amigo de um grande botafoguense chamado João Lyra Filho, que foi presidente do CND e graças a João Lyra Filho o Olaria voltou à primeira divisão em 1947. Se o ataque a Biriba se concretizasse, não seria uma maneira correta de agradecer ao botafoguense João Lyra Filho pelo que ele fez em favor do Olaria.

    Do dia em que por pouco Biriba não foi morto na Bariri, resta, no entanto, uma dúvida: não sabemos se Carlito Rocha agredeceu a Mello por ter salvo a vida do bichinho. Isso porque, se Biriba tivesse sido estrangulado pelo bulldog olariense, acho que Carlito Rocha também teria morrido…

  • OLARIA E REMO – COINCIDÊNCIAS E ESPERANÇAS

    “O Remo remou, remou, e não morreu na praia.”

    O Clube do Remo, simpática agremiação do estado do Pará, acaba de ascender para a série A do Campeonato Brasileiro. Existem algumas coincidências entre o Remo e o Olaria. Ambos são azul e branco. Mas as coincidências vão além das cores dos dois clubes. Quando o Olaria participou da série principal do Campeonato Brasileiro, em 1973 e 1974, o Remo também participou e os times se enfrentaram nessas ocasiões. Em 1973, grande vitória do Olaria por 3 a 0, no Estádio Evandro Almeida, em Belém, gols de Gessê, Antoninho e Da Costa. No ano seguinte, novo encontro pelo Brasileirão, no mesmo estádio, e empate em 2 a 2, com Jair e Djair marcando os gols olarienses.

    Quis o destino que outra coincidência entre os dois clubes viesse a acontecer. Marcos Braz, ex-dirigente do Flamengo, é o gestor do futebol do clube paraense. E esse mesmo Marcos Braz é um dos compradores da SAF do Olaria. O conhecimento, a experiência e o sucesso de Marcos Braz no Remo evidentemente trazem esperanças para o torcedor do Olaria. E, claro, também a expectativa de mais investimentos no futebol do clube da Rua Bariri aumentam essas esperanças.

    O desafio do Olaria não é muito diferente do desafio que foi vencido pelo Remo. O Olaria precisa, urgentemente, voltar à primeira divisão do Campeonato Estadual, missão que é viável, visto que em três anos consecutivos, quase chegou lá (isso, se não fosse um regulamento estapafúrdio, aberrante e draconiano da FERJ, onde só o campeão sobe). O outro desafio, é galgar a série D do Brasileiro, da qual o Olaria esteve muito próximo em 2023 e 2024. Tudo isso, sem a SAF.

    Agora as esperanças se renovam e o Olaria terá que subir os mesmos degraus que o Remo subiu e chegou ao seu vitorioso destino. E, quem sabe, daqui a alguns anos, Olaria e Remo voltem a se encontrar pela divisão principal do Campeonato Brasileiro? Seria sonhar alto? Não faz muito tempo, e o Remo só estava na série D e certamente muitos lá em Belém diziam na época que o Remo ir para a série A do Brasileirão também era sonhar alto. Então, que sonhemos alto na Rua Bariri. Aí está a outra coincidência…

  • SURURU EM MARIA ANGU!

    O dia era 2 de novembro de 1915 e o Olaria tinha apenas 4 meses de existência. Naquele Dia de Finados, uma terça-feira, o Olaria disputou um dos primeiros jogos de sua história, contra um adversário chamado Velocidade Futebol Clube. Ainda nem existia o alçapão da Bariri e o Olaria nem tinha um estádio próprio. O Olaria ocupava um terreno no caminho de Maria Angu, onde existia a praia e o porto, ali fincou duas balizas e estabeleceu o seu primeiro campo.

    Aquele 2 de novembro foi histórico. O Olaria aplicou a primeira goleada de sua história, massacrando o time do Velocidade por 6 a 1. Mas aquele longínquo e histórico jogo também ficou marcado pelo primeiro sururu da história do Olaria. O jornal O Imparcial, que traz alguns detalhes daquela histórica partida, publicou no dia seguinte:

    “O jogo, que começou bem, quase acabou mal.”

    Mas, afinal, o que aconteceu, além da goleada do Olaria?

    Bem, a torcida do Olaria, segundo o mesmo jornal, apesar de seu time em vantagem no placar, passou a pressionar e obrigar o árbitro a marcar faltas não cometidas pelo time do Velocidade. Os torcedores do Velocidade, que foram até Maria Angu apoiar a sua equipe, não se conformaram, protestaram e teve início então a confusão. A matéria do jornal O Imparcial conclui suas informações sobre o jogo da seguinte forma:

    “Felizmente, só houve feridos.”

    A confusão deve ter sido mesmo muito grande e, felizmente, “só feridos”. Com apenas 4 meses de vida, a primeira confusão em um jogo do Olaria já tinha acontecido. Seria um prenúncio do que iria acontecer tempos depois com o surgimento do alçapão da Rua Bariri? …

  • 1965: O JUBILEU DE OURO DO OLARIA

    1965: nos 50 anos de fundação do Olaria, o presidente José de Albuquerque discursa diante de sua diretoria no baile que marcou o Jubileu de Ouro do clube da Rua Bariri.

    No dia 1º de Julho de 1965 o Olaria completou 50 anos de fundação. Era o “Jubileu de Ouro” do clube da Rua Bariri. O Olaria era presidido por José de Albuquerque e a comemoração teve como culminância um baile de aniversário nunca antes visto no clube. O Olaria, de fato, tinha muito o que comemorar naquela notável efeméride, mas naquele ano de 1965 foram os associados que ganharam o maior de todos os presentes: a inauguração do parque aquático, que além de ser a dependência de lazer mais procurada pelos sócios, é também um orgulho para os olarienses.

    A história do Olaria já havia registrado grandes eventos sociais, mas o baile comemorativo dos 50 anos ganhou um lugar especial na memória do clube. A repercussão na época foi gigantesca, dentro e fora do Olaria e, por muito tempo, o baile do Jubileu de Ouro era citado como a maior de todas as festividades que até então o Olaria havia promovido.

    Além do baile de gala, cujo traje foi passeio completo, com os homens em traje a rigor com as famosas “gravatas borboletas” e as mulheres de vestido longo, naquele dia foi lançada uma flâmula alusiva ao Jubileu de Ouro do clube. Até hoje existe um exemplar dessa flâmula na vitrine de relíquias do clube.

  • 1932: A ESTREIA NA PRIMEIRA DIVISÃO

    O time do Olaria que estreou na primeira divisão em 1932.

    No dia 17 de abril de 1932 o Olaria, pela primeira vez em sua história, entrava em campo para disputar uma partida pela primeira divisão. Naquele dia aconteceu no estádio de São Januário o Torneio Início daquela temporada. E o primeiro adversário do Olaria naquela tradicional competição foi o Bangu. O Olaria venceu por 1 a 0. Depois, seria eliminado pelo Botafogo.

    O que ficou, porém, é que o primeiro jogo oficial do Olaria pela primeira divisão foi com vitória. Naquele dia histórico para o Olaria, os atletas que atuaram contra o Bangu e conquistaram a primeira vitória oficial do Olaria na primeira divisão foram: Amaury, Nicanor e Alfredo; Theodomiro, Moacyr e Claudionor; Horácio, Dodô, Vieira, Hermes e Pierre. A maior parte do time era formada por jogadores campeões invictos da primeira divisão de 1931.

    Durante o campeonato, a campanha do Olaria não foi muito boa. Porém a equipe bariri realizou uma grande façanha, goleando o Fluminense impiedosamente pelo placar de 5 a 1, na Rua Cândido Silva (antigo nome da Bariri) com 4 gols de Pierre e um de Theodomiro. Assim, na história da primeira divisão, o time em que o Olaria aplicou sua primeira goleada foi o Fluminense.

    No ano seguinte, o Olaria seria vice-campeão estadual, conquistando sua melhor colocação na história dos campeonatos estaduais. Mas aí já é outra história, e contaremos depois.