Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • 1969: NA GÁVEA, PIRULITO DERRUBA URUBU

    Naquela tarde de sábado, 26 de abril de 1969, a Gávea estava lotada. O Flamengo receberia o Olaria pelo Campeonato Carioca e, claro, na condição de franco favorito. O Flamengo tinha o goleiro argentino Domínguez, o lateral ex-olariense Murilo, além de grandes atacantes como Doval e Dionísio. Já o Olaria tinha jogadores da base, crias da Bariri, que pouco depois despontariam no cenário nacional, como Miguel, Altivo e Alfinete. Mas naquele dia o nome do jogo seria de um garoto de 19 anos que veio de Jaú, interior de São Paulo, para fazer história no Olaria: Fernando, que ficaria conhecido como Pirulito e que se tornaria um dos ídolos da torcida bariri.

    O Flamengo, favorito e dono da casa, partiu para cima, mas o Olaria estava muito arrumado e determinado e a defesa bariri parou as investidas dos rubro-negros Doval e Dionísio. Claro que a torcida do Flamengo estava impaciente. E ainda esperava pela vitória.

    Mas aos 36 minutos do segundo tempo, Pirulito, com uma cabeçada fulminante, estufou a rede do argentino Dominguéz e decretou a histórica vitória bariri, em plena Gávea: Olaria 1 X 0 Flamengo.

    No vestiário do Olaria, festa total. Já do lado de fora, a pequena torcida do Olaria, emocionada, vibrava, enquanto os torcedores do Flamengo, incrédulos, deixavam o estádio. Eles jamais imaginavam que, naquele dia, iriam conhecer um pirulito tão amargo…

    Fernando Pirulito: ele jogou no Olaria entre 1969 e 1977 e, logo que chegou à Bariri, marcou o gol da vitória contra o Flamengo na Gávea.

  • 1972: O BASQUETE INFANTIL

    Equipe de basquetebol do Olaria, categoria infantil, de 1972. Em pé: professor Heleno Fonseca (assistente técnico), Sr. Armando (diretor), professor Paulo Murilo (técnico), José Carlos, Eduardo, Ramirez, Nélson, Antônio Jorge, Guilherme. Agachados: Antônio Esteves, Serginho, Luiz Fernando, Márcio, Fernando, Florindo.

    Em 1972 o Olaria era uma grande força do basquetebol do Estado, em todas as categorias. Hoje o Olaria Eterno relembra a grande equipe infantil de 1972. Naquele ano, o Olaria chegou ao triangular final com Fluminense e Mackenzie. Na fase classificatória, o Olaria teve apenas uma única derrota, quando perdeu para o Fluminense no returno, lembrando que o Olaria havia derrotado o Fluminense no turno.

    Os atletas dessa grande campanha foram: Antônio Carlos, Nélson, Antônio Jorge, Paulo, José Carlos, Guilherme, Márcio, Ramirez, Fernando, Luiz Fernando, Eduardo Luiz, Florindo, Serginho e Robson. Esses atletas escreveram mais uma pagina de glórias, das muitas do clube da Rua Bariri.

  • 1971: O TIMAÇO DE BASQUETE

    O timaço de basquete do Olaria de 1971. Em pé: Douglas, Cianela, Creston, Sérgio, Chico e Tentativa. Agachados: Paulinho, Alfinete, Gato, Renato, Bacardi e Antônio.

    1971 é o ano que ficou marcado para os olarienses não apenas pela grande equipe de futebol, que chegou em terceiro lugar no Campeonato Carioca. Naquele ano, o Olaria também montou uma das melhores equipes de basquete de sua história, e hoje o Olaria Eterno relembra aquela grande equipe, que brigou pelo título estadual durante todo o certame.

    O nosso número 15, chamado Rivaldo, mas que ficou conhecido como Tentativa, que jogava na posição de pivô, chegou a ser convocado para a seleção do Estado da Guanabara, onde foi titular, defendendo a seleção do estado no Campeonato Brasileiro realizado na Bahia. Além de Tentativa, foram convocados para a seleção Cianela (número 14) e Alfinete (número 9).

    Esse grande time de 1971 também foi vice-campeão da Taça Ivan Raposo, perdendo a final para o Fluminense. Assim, em 1971, fosse nos gramados ou nas quadras, o Olaria dava show de bola.

  • 1969: O BASQUETE INFANTIL

    Equipe de basquetebol do Olaria, categoria infantil, ano 1969, com o técnico Otavinho.

    “Memórias da Bariri” traz hoje a equipe infantil de basquetebol do Olaria do ano de 1969. Na época, não existia o grande ginásio da Rua Bariri e a equipe treinava em uma quadra de cimento que ficava localizada ao lado das arquibancadas do estádio. Já os jogos aconteciam no salão social, que tinha o piso de taco e que foi por algum tempo a quadra oficial do Olaria antes da inauguração do ginásio. Era uma época em que o Olaria tinha bons times de basquete e, no ano anterior, já tinha sido campeão nessa categoria. A equipe acima era comandada pelo técnico Otavinho, que aparece na foto junto com os atletas.

  • UM JOGO QUE QUASE MATOU O PRESIDENTE

    Flagrante de Olaria X São Cristóvão na Bariri, em 20 de junho de 1965. Note-se o grande público nas arquibancadas.

    Em 1965 o Olaria teve que disputar, juntamente com São Cristóvão, Madureira e Campo Grande, o Torneio de Acesso, que valia uma vaga para a divisão principal do Campeonato Carioca do ano seguinte. Eram jogos de ida e volta, todos jogando contra todos. Apenas o campeão do torneio se classificaria para a divisão principal.

    O Olaria fez ótima campanha, mas acabou ficando em segundo lugar. O jogo que ficou marcado na história do Olaria foi o jogo da volta contra o São Cristóvão, na Rua Bariri. O dia era 20 de junho de 1965 e ficou na memória como um dos maiores dramas sofridos pelo Olaria.

    Presidia o Olaria o inesquecível José de Albuquerque e o jogo seria decisivo para o resultado da competição. As provocações já começaram antes mesmo do jogo. A torcida do São Cristóvão, em grande número, exibia uma faixa com os dizeres: “Manda brasa São Cri-Cri!” Do outro lado os olarienses respondiam com uma faixa que trazia um desenho muito sugestivo: um índio urinando em uma brasa. O árbitro dessa histórica partida foi o polêmico Armando Marques, de quem os olarienses muito reclamaram no final. O jogo estava muito equilibrado e até o finalzinho estava empatado em 2 a 2. Mas aos 43 do segundo tempo, Neivaldo marcou 3 a 2 para o Olaria. A festa começou do lado das sociais do Olaria e chegamos aos 45 minutos. Só que Armando Marques não acabava com o jogo. Nessa época não existiam os acréscimos protocolares que temos atualmente e que já mudaram muitos resultados. O tempo passava e os olarienses, em desespero, pediam o fim do jogo. Mas Armando Marques mandava o jogo seguir, até que os 49 minutos Jair empatou para o São Cristóvão.

    Uma das cenas mais comentadas após o empate da equipe cadete foi a do presidente José de Albuquerque passando mal. Ele não resistiu ao golpe do gol de empate do São Cristóvão e desfaleceu. Ao final do jogo, enquanto alguns olarienses concentravam-se em xingar e tentar agredir Armando Marques, que injustificadamente deu tanto tempo de acréscimo, outros preocupavam-se em socorrer o presidente José de Albuquerque. Foi um dos maiores dramas já vividos na Rua Bariri. Ao final da competição o Olaria, com esse resultado, ficaria rebaixado.

    Mas os cartolas da época, que haviam criado o tal Torneio de Acesso, voltaram atrás e, em 1966, o campeonato voltou a ser disputado por 12 clubes, incluindo os 4 do Torneio de Acesso.

    No final, o resumo da ópera: um torneio que nada valeu e quase matou o presidente do Olaria.

  • OLARIENSES DE LUTO – OBRIGADO, WASHINGTON!

    A família olariense está de luto. Faleceu hoje, dia 14 de janeiro, Washington Ribeiro, ídolo do futebol do Olaria que brilhou na equipe bariri no final dos anos 1940 e nos anos 1950. O grande artilheiro do Olaria, nascido em 3 de maio de 1928, estava com 97 anos de idade. Ele jogou pelos profissionais do Olaria entre 1949 e 1954.

    Washington, o maior artilheiro da história do clube bariri, começou nos profissionais do Olaria em 1949, formando a linha de ataque com Jarbas, Alcino, Sorriso e Esquerdinha. No grande time de 1950, que ficou em quinto lugar no primeiro Campeonato Carioca do Maracanã, à frente de Flamengo e Fluminense, Washington formou o grande ataque olariense com Jarbas, Alcino, Maxwell e Esquerdinha. Em 1954, quando o Olaria realizou a excursão da volta ao mundo, Washington foi o artilheiro da equipe. Neste mesmo ano chegou a jogar ao lado de Canário. Washington era o último remanescente do time que realizou a excursão da volta ao mundo em 1954. Ele permaneceu como profissional do Olaria até 1954, ano em que se transferiu para o América. Em 2024 Washinton foi homenageado pela diretoria do Olaria, ocasião em que recebeu diploma, medalha e um escudo de lapela.

    Hoje os torcedores do Olaria estão tristes e saudosos. Porém, maior do que a tristeza e a saudade, o sentimento dos olarienses a esse grande ídolo que se foi deve ser de orgulho e de gratidão. Obrigado por tudo, Washington! Você estará para sempre na galeria dos ídolos que orgulham todos os olarienses!

    Washington: o maior artilheiro da história do Olaria, em foto de 1950.

    Washington, em 1949, quando formava o ataque do Olaria com Jarbas, Alcino, Sorriso e Esquerdinha. Washington é o quarto, da esquerda para a direita.
    No Maracanã, o time do Olaria de 1950, 5º colocado do Campeonato Carioca daquele ano. Washington é o quarto jogador sentado, da esquerda para a direita.

    Da esquerda para a direita: Canário, Washington, Gringo, Maxwell e Mário, o ataque do Olaria em 1954.

    Washington, em foto de 2024, em sua residência em Ramos.

  • OLARIA SOBE 66 POSIÇÕES NO RANKING CBF 2026

    As participações do Olaria nas edições de 2024 e 2025 da Copa do Brasil levaram o clube a subir 66 posições no ranking da CBF.

    A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) divulgou no último dia 23 de dezembro o Ranking Nacional de Clubes para 2026. Com um total de 235 clubes, o Olaria, que deu uma grande subida em relação a 2025, ocupa a 142ª posição, com 350 pontos. O Olaria, em relação a 2025, teve uma grande ascensão, subindo 66 posições no ranking. Em 2025 a posição do Olaria era a 208ª colocação, com 125 pontos. Evidentemente esta grande subida do Olaria se deve às participações consecutivas na Copa do Brasil em 2024 e 2025, sendo que em 2025 o clube bariri avançou para a segunda fase, ao derrotar o ABC do Rio Grande do Norte.

    Um aspecto interessante a ressaltar é que o Olaria, na 142ª colocação, está à frente de equipes da primeira divisão do Rio de Janeiro, como o Maricá (153ª colocação), Madureira (217ª colocação) e Bangu (228ª colocação).

    O ranking leva em conta participações em competições nacionais nos últimos 5 anos. Em 2026 o Olaria não disputará nenhuma competição nacional, o que deverá acarretar em uma queda no próximo ranking. Assim, é fundamental que o Olaria volte a se qualificar para uma competição nacional, seja a série D ou novamente a Copa do Brasil.

    O ranking da CBF é importante não apenas no aspecto esportivo, visto que ele também é utilizado para a inclusão dos times no volante de apostas da Timemania. O Olaria, por vários anos, apareceu no volante. Porém, com o declínio no ranking, visto ter ficado muito tempo sem disputar uma competição nacional, deixou de aparecer no volante atual. A recuperação registrada nos últimos dois anos poderá fazer com que, caso se classifique para futuras competições nacionais, o Olaria volte a figurar no volante da Timemania.

    Assim, em 2026 vamos renovar a dupla torcida: que o Olaria volte para a primeira divisão do Estadual e que volte também a uma competição nacional.

  • OS GOLS DA HISTÓRICA VITÓRIA: OLARIA 2 X 1 SANTOS

    Ganhar do Santos na Vila Belmiro não é para qualquer um. Mas o Olaria não é qualquer um. Foi consagrador. Foi de virada. Foi com gol de bicicleta de Jair Pereira. O site Olaria Eterno traz, como presente de Natal para os olarienses, as imagens que diziam não mais existir desta histórica e consagradora vitória em 21 de outubro de 1973.

    Aprecie sem moderação e orgulhe-se. Quem tem história, mostra. Quem não tem, vê e aplaude. Olaria! Olaria! Olaria!

  • OLARIA DE LUTO – FALECEU AURÊ

    Aurê: campeão brasileiro da Taça de Bronze pelo Olaria em 1981.

    Foi com profunda tristeza que os olarienses receberam a notícia do falecimento de Aurelindo de Souza Macieira, o Aurê, ocorrido nesta sexta-feira, 5 de dezembro. Aurê foi atacante dos profissionais do Olaria entre os anos 1970 e 1980, sendo sua maior conquista pelo clube o Campeonato Brasileiro da Taça de Bronze em 1981. Aurê tinha 71 anos e também era sócio honorário do Olaria, honraria que lhe foi concedida por ter sido um dos campeões da Taça de Bronze em 1981. Aurê atuou no primeiro jogo da final da Taça de Bronze, quando o Olaria goleou o Santo Amaro por 4 a 0 e praticamente garantiu o título.

    Aurê chegou ao Olaria em 1973, permanecendo até 1974. Retornou ao clube da Rua Bariri em 1975, ficando até 1979. Retornou em 1980 e, no ano seguinte, foi campeão da Taça de Bronze.

    O Olaria perde mais um de seus campeões da Taça de Bronze, mas fica o legado e o reconhecimento a este ídolo que marcou época e participou da maior conquista da história do clube. Obrigado Aurê!

  • CANÁRIO E GARRINCHA – UMA FELIZ COINCIDÊNCIA

    Da esquerda para a direita: Canário, Washington, Gringo, Maxwell e Mário: o ataque do Olaria em 1954.

    Existem coincidências interessantes no futebol e, felizmente, uma dessas coincidências aconteceu na Rua Bariri. O maior ponta-direita de todos os tempos do Brasil, Manuel Francisco dos Anjos, o Garrincha, jogou no Olaria. Depois de Garrincha, o maior de todos na posição foi Darcy Silveira dos Santos, mais conhecido como Canário, também jogou no Olaria. Além de jogarem pelo clube da Rua Bariri, ambos se consagraram mundialmente e tinham, como apelidos, nomes de pássaros: Garrincha e Canário. Ambos também vestiram a camisa da seleção. Enquanto Garrincha encerrou sua carreira na Rua Bariri, foi na Bariri que Canário começou. Canário chegou ao Olaria com 19 anos, ainda como aspirante e já em 1954 integrou a equipe de profissionais, formando o ataque olariense com Washington, Gringo, Maxwell e Mário. Logo depois foi para o América e em 1956 foi convocado para a seleção brasileira. Em 1959 Canário foi transferido para o Real Madrid e, em 1960, como titular do time espanhol, ganhou o mundial interclubes, jogando ao lado do húngaro Puskás.

    Garrincha chegou na Bariri em 1972, já consagrado, e encerrou sua carreira no Olaria, por onde marcou seus dois últimos gols. Garrincha e Canário: uma feliz coincidência que só aconteceu na Rua Bariri!

    A equipe do Olaria em 1972, com Garrincha.