
Quando, em meados dos anos 1960, um menino nascido em Deodoro chamado Miguel Ferreira de Almeida Pereira se apresentou na Rua Bariri para treinar no infanto-juvenil do Olaria, o técnico Jair Boaventura fez um comentário que era um vaticínio. Disse Jair Boaventura:
“Esse menino tem estampa de seleção.”
Jair Boaventura não era apenas um técnico que sabia tudo de futebol e tinha olho clínico para identificar talentos. Jair Boaventura era, antes de tudo, um grande olariense e queria o melhor para o Olaria. Claro que o garoto Miguel ficou e, em 1967, já era zagueiro dos profissionais do Olaria.
Mas foi em 1971, quando integrou um dos melhores times da história do Olaria, que Miguel chegava ao ápice. Naquele ano, o Olaria chegou na terceira colocação do estadual e Miguel foi convocado por Zagallo para a seleção que iria disputar a antiga Copa Roca com a Argentina e fazer, contra a Iugoslávia, o jogo de despedida de Pelé. É isso mesmo. Miguel, um jogador do Olaria na seleção brasileira!
Depois, ele iria para o Vasco, por onde sagrou-se campeão brasileiro em 1974 e, mais tarde, foi para o Fluminense, onde foi titular na equipe conhecida como “Máquina” e por lá se tornou bicampeão estadual em 1975 e 1976.
Mas foi no Olaria que ele atingiu o auge. Afinal, foi vestindo a camisa azul e branca que ele foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal.
Se Jair Boaventura, seu primeiro técnico, já previa que ele tinha “estampa de seleção”, ele sabia o que dizia. Isso porque, antes de ir para a seleção principal, Miguel, ainda no Olaria, foi convocado para a seleção olímpica. Jornais diziam que ele era “um monstro de Bariri”. Miguel, uma história gigante, assim como gigante é a história do Olaria!

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