Autor: Pedro Paulo Vital

  • VEJAM O OLARIA EM 1974

    Vista panorâmica do Olaria em 1974.

    A foto é de abril de 1974 e abrange todo o complexo social e esportivo do Olaria Atlético Clube. Podemos perceber como o clube era diferente e, consequentemente, apontar as mudanças ocorridas em mais de 50 anos que nos separam daquela data. Reparem como o Olaria cresceu, como o Olaria se transformou. Destacamos os seguintes aspectos:

    • Ainda não existiam as arquibancadas sociais, que só começaram a ser construídas em 1979, e também não tínhamos o prédio administrativo que hoje ali se encontra;
    • As arquibancadas eram menores e só iam até a metade do campo e ainda não existia a arquibancada atrás do gol da Plínio Bastos. Note-se que a arquibancada atrás do gol da Bariri ia muito além do que vai hoje, sendo que uma parte foi demolida porque virou “ponto cego” após a inversão do campo;
    • Ainda podemos ver a antiga quadra ao lado das arquibancadas, onde mais tarde seria a extensão das arquibancadas, e não tínhamos o posto e nem a feirinha;
    • Os campos do society e dos brotinhos ainda eram de terra e, quando chovia, o piso virava lama;
    • Podemos avistar o jardim que ficava entre o parquinho e as piscinas, onde hoje encontra-se o quiosque;
    • Entre os campos dos brotinhos e do society, vemos o antigo prédio que foi o Departamento Náutico, a Escolinha e a sala de judô, tendo acima um terraço onde, na época, ficava uma acanhada cabine de rádio. Hoje, naquele local situa-se a academia;
    • Note-se que há uma sobra de área no campo dos brotinhos. Quando a social foi construída, ela passou a ocupar parte do que era o campo dos brotinhos, que foi recuado para o espaço que sobrou;
    • Percebe-se também que muitos prédios vizinhos ao Olaria ainda não existiam;
    • A foto certamente foi tirada em um dia movimentado no clube, pois percebe-se uma boa frequência nas piscinas;
    • Finalmente, percebe-se que o ginásio, inaugurado há pouco tempo, é, então, o equipamento mais novo do clube.

  • 1978: OS VETERANOS E A TRADIÇÃO NO GRAMADO DA BARIRI

    1978: os veteranos do Olaria com dirigentes e beneméritos. A foto ficou para a posteridade e hoje a trazemos para nossa memória.

    Poucas vezes uma foto reuniu tanta tradição dentro do gramado da Rua Bariri. Em 1978 o time de veteranos do Olaria realizou uma partida na velho Alçapão. Antes do jogo, a tradicional foto, que reuniu a tradição olariense desde os anos 1930: além de atletas que se consagraram com a camisa azul e branca, beneméritos e dirigentes que, ao longo do tempo, marcaram a história do clube. Na foto, além de jogadores que se destacaram com a camisa olariense, como o goleiro João Égua, Nélson, Norival, vemos ainda ícones dos veteranos na época, como Álvaro Augusto de Carvalho, Gaspar e o popular Sete Cabeças.

    Entre dirigentes e beneméritos vemos o presidente Edmundo Cigarro, Pina, Nélson Lyra, Ibraulino Galeão, Norildo Lyra, Waldyr Vital, Rodrigues, Antônio Ribeiro, José Tavares Panza, Antônio Martins Coelho, Gil Funke e outros.

    Naquele longínquo 1978, não foi apenas um jogo dos veteranos que aconteceu na Bariri. Aliás, nem sabemos qual foi o placar. Mas a foto antes da partida ficou para a posteridade, para trazermos para o presente todos esses que também fizeram o nosso Olaria ser eterno.

  • NOÊMIA NUNES: A MULHER-MECENAS DO OLARIA

    Quando a dona Noêmia Nunes colaborou com o Olaria, o clube ainda era preto e branco e o escudo era o antigo losango preto com as iniciai OFC.

    Noêmia Nunes é o nome de uma rua muito conhecida em Olaria, que corta grande parte do bairro. A rua começa na esquina da Rua Sargento Aquino, próximo às “Cinco Bocas”, e termina na Praça Oliveira Campos, mais conhecida como “Quadra Azul”. O nome da rua homenageia uma mulher que teve um papel muito importante na história do Olaria. Quando o clube foi fundado, em 1915, não havia sócios contribuintes e foi preciso correr pelo bairro uma lista de contribuições para a compra de bolas, camisas e toda a indumentária para a prática do futebol. E foi a Sra. Noêmia Nunes a primeira pessoa a assinar a lista, doando a quantia de 100 mil réis e entrando para a história como a primeira “mecenas” do Olaria, antes mesmo do “seu” Mello. Dona Noêmia Nunes era filha de um rico comerciante e dono de terrenos na região, Sr. Custódio Nunes.

    O Dr. Sylzed José de Sant’Anna, presidente do Olaria na década de 1940, contava-nos que a Sra. Noêmia Nunes havia também ajudado o Olaria de outra forma muito importante, ao permitir que o time instalasse o seu campo em um dos terrenos de sua propriedade. Só que, após a morte de dona Noêmia Nunes, o seu viúvo, Manoel de Souza, vendeu aquela propriedade, que passou a lhe pertencer. Isso representou um duro golpe para o Olaria. Porém, o Olaria superaria mais essa adversidade, pois João Fernandes Ferreira, Rachid Bunahum e Armindo Augusto Ferreira fizeram uma “vaquinha” e compraram o terreno da Rua Bariri para que o Olaria se instalasse. Essa dona Noêmia Nunes era mesmo uma grande olariense. Já o seu marido…

  • COMPETIÇÕES NACIONAIS OFICIAIS

    Confira os resultados de todos os jogos do Olaria em competições nacionais oficiais, desde o Torneio Rio-São Paulo em 1963 até a Copa do Brasil em 2025.

    A Taça de Bronze: a conquista nacional do Olaria.

    TORNEIO RIO-SÃO PAULO – 1963

    Olaria 1 X 4 Flamengo – Maracanã.

    Olaria 1 X 2 Botafogo – Maracanã.

    Olaria 0 X 1 Fluminense – Maracanã.

    Olaria 0 X 0 Vasco – Maracanã.

    Olaria 1 X 2 São Paulo – Pacaembu.

    Olaria 1 X 5 Santos – Pacaembu.

    Olaria 0 X 2 Corínthians -Pacaembu.

    Olaria 1 X 3 Palmeiras – Maracanã.

    Olaria 4 X 4 Portuguesa de Desportos – Maracanã.

    Equipe do Olaria no Torneio Rio-São Paulo de 1963.

    CAMPEONATO BRASILEIRO PRIMEIRA DIVISÃO – 1973

    Olaria 0 X 0 Goiás – Pedro Ludovico, Goiânia.

    Olaria 1 X 2 Comercial – Pedro Pedrossian, Campo Grande, MS.

    Olaria 0 X 1 Flamengo – Maracanã.

    Olaria 2 X 4 Portuguesa de Desportos – Pacaembu.

    Olaria 0 X 0 Vitória – Fonte Nova.

    Olaria 0 X 2 Grêmio – Olímpico.

    Olaria 0 X 1 Palmeiras – Parque Antártica.

    Olaria 0 X 1 Santa Cruz – Arruda.

    Olaria 1 X 1 Desportiva – Engenheiro Araripe.

    Olaria 1 X 1 Atlético-MG – Mineirão.

    Olaria 0 X 1 Sergipe – Lourival Batista.

    Olaria 2 X 0 Atlético-PR – Belfort Duarte.

    Olaria 0 X 0 Náutico – Arruda.

    Olaria 2 X 1 Santos – Vila Belmiro.

    Olaria 0 X 1 Ceará – Presidente Vargas.

    Olaria 1 X 0 Vasco – São Januário.

    Olaria 0 X 0 Rio Negro – Vivaldo Lima.

    Olaria 3 X 0 Remo – Evandro Almeida.

    Olaria 2 X 0 América-RN – Castelo Branco.

    Olaria 2 X 2 Botafogo – Maracanã.

    Olaria 1 X 1 Vasco – Maracanã.

    Olaria 0 X 2 Cruzeiro – Mineirão.

    Olaria 2 X 2 Figueirense – Orlando Scarpelli.

    Olaria 2 X 1 Fluminense – Maracanã.

    Olaria 1 X 1 Atlético-MG – Mineirão.

    Olaria 2 X 0 América-RJ – São Januário.

    Olaria 1 X 2 Flamengo – Maracanã.

    Olaria 1 X 2 América-MG – Mineirão.

    CAMPEONATO BRASILEIRO PRIMEIRA DIVISÃO – 1974

    Olaria 0 X 1 Grêmio – Olímpico.

    Olaria 0 X 0 Vitória – Fonte Nova.

    Olaria 0 X 0 Botafogo – Maracanã.

    Olaria 0 X 1 Bahia – Fonte Nova.

    Olaria 3 X 2 Fluminense – Maracanã.

    Olaria 1 X 2 América-RN – São Januário.

    Olaria 2 X 2 Remo – Evandro Almeida.

    Olaria 0 X 2 Payssandu – Evandro Almeida.

    Olaria 1 X 1 Coritiba – Belfort Duarte.

    Olaria 0 X 0 Flamengo – Maracanã.

    Olaria 1 X 1 Vasco – São Januário.

    Olaria 0 X 4 Atlético-PR – Belfort Duarte.

    Olaria 0 X 2 Avaí – Orlando Scarpelli.

    Olaria 2 X 0 Sampaio Corrêa – Maracanã.

    Olaria 0 X 2 Internacional – Beira-Rio.

    Olaria 4 X 0 Itabaiana – Teixeira de Castro.

    Olaria 0 X 2 Tiradentes – Alberto Silva.

    Olaria 0 X 2 América-RJ – São Januário.

    Olaria 1 X 0 Desportiva – Engenheiro Araripe.

    CAMPEONATO BRASILEIRO – TAÇA DE BRONZE – 1981

    Olaria 3 X 1 Colatina – Justiniano de Melo e Silva.

    Olaria 1 X 1 Colatina – Maracanã.

    Olaria 2 X 0 Paranavaí – Maracanã.

    Olaria 1 X 0 Paranavaí – Willie Davids.

    Olaria 0 X 2 São Borja – Vicente Goulart.

    Olaria 2 X 0 Dom Bosco – Maracanã.

    Olaria 1 X 0 São Borja – Maracanã.

    Olaria 0 X 1 Dom Bosco – Governador José Fragelli.

    Olaria 4 X 0 Santo Amaro – Marechal Hermes.

    Olaria 0 X 1 Santo Amaro – Arruda.

    CAMPEONATO BRASILEIRO – MÓDULO BRANCO – 2000

    Olaria 0 X 1 Internacional(Santa Maria-RS) – Presidente Vargas.

    Olaria 0 X 1 Rio Branco-PR – Rua Bariri.

    Olaria 0 X 0 Santo André – Bruno José Daniel.

    Olaria 1 X 1 Portuguesa Santista – Rua Bariri.

    Olaria 0 X 1 Ituano – Novelli Júnior.

    Olaria 3 X 1 Internacional (Santa Maria-RS) – Rua Bariri.

    Olaria 2 X 1 Ituano – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 2 Portuguesa Santista – Ulrico Mursa.

    Olaria 0 X 2 Rio Branco-PR – Nelson Medrado Dias.

    Olaria 2 X 0 Santo André – Rua Bariri.

    CAMPEONATO BRASILEIRO – SÉRIE C – 2001

    Olaria 0 X 3 Bangu – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 0 Sorocaba – Walter Ribeiro.

    Olaria 3 X 0 Santo André – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 2 Madureira – Conselheiro Galvão.

    Olaria 1 X 1 Etti Jundiaí – Rua Bariri.

    Olaria 2 X 1 América – Giulite Coutinho.

    Olaria 1 X 0 Bangu – Moça Bonita.

    Olaria 0 X 1 Sorocaba – Rua Bariri.

    Olaria 0 X 3 Santo André – Bruno José Daniel.

    Olaria 0 X 2 Madureira – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 2 Etti Jundiaí – Jayme Cintra.

    Olaria 1 X 0 América – Rua Bariri.

    CAMPEONATO BRASILEIRO – SÉRIE C – 2002

    Olaria 1 X 0 Volta Redonda – Rua Bariri.

    Olaria 2 X 1 Bangu – Rua Bariri.

    Olaria 2 X 2 Bangu – Moça Bonita.

    Olaria 1 X 1 América – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 0 Volta Redonda – Baldomero Barbará.

    Olaria 0 X 0 Atlético-GO – Pedro Ludovico.

    Olaria 1 X 1 Atlético-GO (pênaltis: Olaria 4 X 2) – Alair Correia.

    Olaria 0 X 0 Villa Nova-MG – Rua Bariri.

    Olaria 0 X 0 Villa Nova (pênaltis: Villa Nova 4 X 3) – Castor Cifuentes.

    CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE C – 2003

    Olaria 2 X 0 América – Moça Bonita.

    Olaria 2 X 3 Cabofriense – Alair Correia.

    Olaria 1 X 1 Bangu – Moça Bonita.

    Olaria 1 X 0 Bangu – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 1 Cabofriense – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 0 América – Giulite Coutinho.

    Olaria 1 X 0 Friburguense – Rua Bariri.

    Olaria 1 X 0 Friburguense – Eduardo Guinle.

    Olaria 1 X 3 Cabofriense – Rua Bariri.

    Olaria 2 X 1 Cabofriense – Alair Correia.

    COPA DO BRASIL – 2024

    Olaria 0 X 1 São Bernardo – Rua Bariri.

    COPA DO BRASIL – 2025

    Olaria 1 X 0 ABC – Moça Bonita.

    Olaria 1 X 2 Brusque – Luso-Brasileiro.

    Elenco do Olaria na Copa do Brasil de 2025. A foto foi tirada no estádio de Moça Bonita, antes da partida contra o ABC.

  • 1944: A PEDRA FUNDAMENTAL DO ALÇAPÃO

    A colocação da pedra fundamental do estádio da Rua Bariri, em 23 de abril de 1944, feita pelo presidente Sylzed José de Sant’Anna Filho.

    23 de abril de 1944. O dia era de São Jorge, mas que esteve na Rua Bariri naquela data foi o padre da Igreja de São Geraldo, Luiz Mariano da Rocha. O padre não veio rezar missa e sim abençoar uma edificação que simbolizaria o início de um sonho de todos os olarienses: naquele histórico 23 de abril, seria colocada a pedra fundamental do estádio do Olaria, o futuro Alçapão. Na época, presidia o Olaria o Dr. Sylzed José de Sant’Anna, um dentista que era muito querido no bairro. E coube ao presidente Sylzed Sant’Anna a colocação da pedra, com a bençao do padre Luiz Mariano.

    A solenidade de lançamento da pedra fundamental, como mostram os testemunhos da época, foi muito concorrida, com grande presença de diretores, cronistas esportivos, sócios e torcedores.

    Três anos mais tarde, a pedra transformava o sonho dos olariesnes em realidade: era inaugurado, em 1947, o Estádio Mourão Filho, certamente um dos mais tradicionais e lendários da história do futebol carioca.

  • O TIME DO OLARIA DE 1943 VISITA PETRÓPOLIS

    Equipe do Olaria de 1943, titulares e reservas, da esquerda para a direita: Machado, Antenor, Labatut, José, Rebolo, Cavaco, Cidinho, Souza, Oswaldo, Nerino, Paulo, Ismael, Almeida, Jorge e Aldo.

    Em 1943 o Olaria ainda estava fora da primeira divisão de profissionais em razão do golpe que havia sofrido por ocasião da pacificação do futebol carioca em 1937. Porém, o Olaria mantinha a sua equipe de amadores, que disputava torneios e jogos amistosos. Na ocasião, o clube era presidido por Sylzed José de Sant’Anna. Naquele ano, no dia 31 de outubro, o Olaria recebeu um convite do Petropolitano F.C. para disputar um amistoso. A equipe de Petrópolis era a campeã da cidade.

    No campo do Petropolitano, no bairro de Valparaíso, os donos da casa venceram pelo placar de 2 a 1, tendo Oswaldo marcado o gol olariense. Naquele dia choveu muito, principalmente no segundo tempo do jogo, tornando o futebol quase que impraticável, segundo notícias da época.

    Aquele período da história do futebol do Olaria foi muito importante, pois o Olaria, mesmo afastado do campeonato principal, mantinha o futebol em atividade com sua equipe amadora. No dia da visita ao Petropolitano o Olaria recebeu uma placa de prata e retribuiu os donos da casa com uma flâmula de seda. Representando o Olaria lá estavam o presidente Sylzed Sant’Anna e o primeiro secretário Leibnitz Miranda, o Lazinho.

    Abaixo, mais algumas imagens da visita do Olaria ao Petropolitano em 1943:

    As equipe de Olaria e Petropolitano FC, vendo-se também o árbitro da FMF (Federação Metropolitana de Futebol).
    1943: no amistoso contra o Petropolitano FC, na cidade serrana, o Olaria recebeu uma placa de prata, entregue ao presidente Sylzed Sant’Anna, que retribuiu ofertando uma flâmula de seda.
    Leibnitz Miranda, o Lazinho, primeiro-secretário do Olaria em 1943.

  • O OLARIA E AS TRAVES DE MUZAMBINHO

    As traves da Copa de 1950 hoje estão no museu em Muzambinho. E o Olaria foi protagonista nessa história. Foto: O Estado de MInas.

    Existe uma relíquia do futebol, que não nos traz boas lembranças, e que acabou entrando na história do Olaria: as traves do jogo final da Copa de 1950, em que Barbosa levou o gol do uruguaio Alcides Ghiggia. E que, como toda relíquia, está envolta de mistérios e até de histórias rocambolescas. A pergunta, que já virou até jornalismo investigativo de cronistas esportivos é: onde foram parar as traves da Copa de 1950, símbolo físico de uma das maiores tragédias do futebol brasileiro ?

    Certa vez, o grande goleiro Barbosa disse que tinha recebido as traves como lembrança. Isso teria sido em 1962, quando o ex-goleiro se tornou funcionário do Maracanã e recebeu as balizas de presente. Isso aconteceu porque a FIFA passou a exigir que as traves fossem arredondadas e de ferro, e então, teria que ser feita a substituição das balizas do Maracanã, que eram de madeira e retangulares. Em outra oportunidade Barbosa afirmou, em uma entrevista, que para eliminar qualquer lembrança física daquele trágico jogo, usou as traves para fazer a brasa de um churrasco que ofereceu para seus amigos em Ramos, onde morava.

    A afirmação de Barbosa, no entanto, era fictícia e ele a fez propositalmente. Isso porque as traves da Copa de 1950 foram levadas para a cidade de Muzambinho, no sul de Minas, em cujo estádio se realizavam obras e então recebeu as traves como doação. Isso teria acontecido dois anos antes da história contada por Barbosa, ou seja, em 1960. Em conversa com a filha de Barbosa, nossa amiga Tereza Borba, em sua residência em Praia Grande, onde mantém um museu sobre seu pai, falamos sobre a doação das traves para o estádio de Muzambinho e ela nos disse que a história contada por seu pai era força de expressão, porque a toda hora perguntavam a ele pelas traves que ele sempre quis esquecer.

    E onde entra o Olaria nessa história? Bem, as traves foram doadas ao estádio de Muzambinho e o jogo inaugural com as “novas” balizas foi um amistoso da seleção local contra o Olaria, que na ocasião excursionava por várias cidades do sul de Minas. Assim, na reinauguração das traves do “Maracanazo”, o Olaria lá estava presente. A partida aconteceu em 17 de maio de 1960 e o Olaria não teve dificuldades para aplicar uma rotunda goleada de 12 a 0 na seleção local. Sim, o Olaria fez de sobra naquelas balizas os gols que faltaram para a seleção brasileira ser campeã em 1950.

    Hoje, as traves encontram-se na Casa de Cultura Doutor Lycurgo Leite, em Muzambinho, e são uma atração para os turistas que visitam a cidade. E o time bariri ficou na história por ter aplicado o que ficou conhecido, na época, como o “Maracanazo de Muzambinho”.

    Quanto ao grande goleiro Barbosa, a história contada por ele só podia ser mesmo bricadeira. Porque Barbosa, como bom leopoldinense, sabia fazer churrasco e ele não iria fazer a brasa para assar a carne em um pedaço de madeira com tinta…

    O estádio em Muzambinho, para onde foram as traves da Copa de 1950. No jogo inaugural das traves, o Olaria venceu por 12 a 0. Foi o “Maracanazo de Muzambinho”.

  • 1996: NA BARIRI, A MAIOR DE TODAS AS VIRADAS

    A emoção do presidente Pintinho e dos atletas Adriano e Luciano Silva, o Ligeirinho, após a histórica virada em 1996: Olaria 5 a 4.

    No dia 23 de junho de 1996, quem compareceu à Rua Bariri para assistir Olaria X Itaperuna pelo campeonato estadual da primeira divisão, não imaginava que testemunharia talvez a maior virada de placar da história do futebol brasileiro. O Olaria perdia por 4 a 0 até os 28 minutos do segundo tempo e terminou a partida com a vitória de 5 a 4.

    Logo no início, os visitantes já abriram 2 a 0, com Paraíba marcando aos 6 e Barata aos 7 minutos. E assim terminou a primeira etapa. No segundo tempo, novamente Paraíba aos 15 minutos e outra vez Barata, aos 28, decretavam 4 a 0 para o Itaperuna. Nesse momento, vários torcedores do Olaria, desanimados e incrédulos com o que viam, começaram a deixar o estádio. Porém, dois jogadores que entraram no segundo tempo, mudariam a história daquele jogo inesquecível: Luciano Silva e Preto Casagrande.

    Aos 29 minutos, Luciano Silva, encobrindo o goleiro Pacato, marcou aquele que parecia ser apenas o gol de honra do Olaria. No entanto, o inesperado estava por vir. Aos 32, Leandro fazia 4 a 2. Aos 34, Luciano Silva novamente marcava e o Olaria encostava no placar: 4 a 3. A essa altura, vários torcedores voltavam correndo para as arquibancadas, pois ainda dava para o empate, o que já seria um grande feito depois de estar perdendo por 4 a 0. E o empate veio. Pedro Renato, aos 41 minutos, igualava o marcador: 4 a 4. O empate, após estar perdendo por 4 a 0, era comemorado como um título e parecia um sonho.

    Já nos acréscimos, aos 47 minutos, uma falta para o Olaria próxima à grande área, no gol à direita das cabines de rádio. Arturzinho foi o encarregado da cobrança. Os jogadores do Olaria, dentro da área, pediam para ele cruzar. Mas Arturzinho preferiu tocar para trás, na altura da meia-lua. Então, Preto Casagrande soltou um canhão que estufou a rede do goleiro Pacato. Olaria 5 a 4. A Rua Bariri era, a partir daquele momento, o palco da maior virada de placar da história do campeonato carioca.

    Após o apito final, olarienses choravam e se abraçavam. Até hoje não se tem notícia da reversão de um placar tão adverso em tão pouco tempo. Naquele dia, o Olaria e a Rua Bariri mais uma vez entravam para a história do futebol brasileiro.

  • O DIA QUE O OLARIA DERROTOU A SELEÇÃO BRASILEIRA

    Nado, em destaque na foto, comemora o gol do Olaria contra a seleção brasileira, vendo-se Leão ir buscar a bola no fundo do gol. Foto: Agência O Globo.

    O dia era 12 de abril de 1970, um domingo. Zagallo havia assumido o comando da seleção brasileira após a demissão de João Saldanha. Zagallo estava no trabalho de preparação da seleção que iria disputar a Copa do México. A seleção ainda não estava definida e, naquele dia, entrou no gramado do Maracanã a seleção que tinha o goleiro Leão, o lateral Everaldo, Dirceu Lopes e até o “furacão” Jairzinho para o amistoso que entraria para a história do clube bariri. Pelo lado do Olaria, comandado por Paulinho de Almeida, craques como Miguel, Altivo, Alfinete, Afonsino e Nado, que seria o nome do jogo.

    Foi uma partida disputadíssima e, até o final do segundo tempo, o placar mantinha-se no 0 a 0. A seleção brasileira insistia, mas o Olaria, guerreiro, não se deixou intimidar pelos craques que vestiam a camisa amarela da então CBD. Aos 37 minutos do segundo tempo Nado, um atacante pernambucano que já tinha passado pela seleção e que destacou-se no Vasco, abre o placar para o Olaria. A seleção de Zagallo teria apenas 8 minutos para tentar o empate, o que não aconteceu. O Olaria segurou o resultado e, quando o árbitro Walquir Pimentel trilhou o apito final, o Olaria entrava para a história como sendo uma das equipes que derrotou a seleção brasileira.

    É evidente que, antes de torcermos para a seleção, torcemos para um clube. Todos são torcedores permanentes de um clube e sazonais de uma seleção. Porém, naquele 12 de abril de 1970, muitos talvez não soubessem ou não tivessem consciência, mas o Olaria não derrotou apenas uma seleção. Derrotou uma seleção que, formada por uma plêiade de craques, foi descaradamente usada como aparelho ideológico da ditadura. Mais uma bela página da história olariense.

  • A VILA BELMIRO PINTADA DE AZUL E BRANCO

    Jair Pereira: ele entrou para a história do Olaria por ter marcado, de bicicleta, o gol da vitória sobre o Santos, em plena Vila Belmiro.

    O ano era 1973. O dia, 21 de outubro, um domingo de primavera, mas já com o clima típico do verão. O Olaria participava pela primeira vez em sua história do campeonato brasileiro. Naquele dia, o programa do torcedor santista já estava feito: pela manhã, ir à praia, beber um chope no Gonzaga e, à tarde, ir à Vila Belmiro ver mais uma vitória do Santos, que jogaria contra o Olaria. Porém, se esqueceram de combinar com o Olaria. Naquele dia, a “Vila mais famosa do mundo”, que consagrou Pelé, Coutinho, Mengálvio, Pepe, Dorval, Edu, Clodoaldo, Carlos Alberto e outros, iria consagrar… Jair Pereira, do Olaria!

    O Olaria jogou com a tradicional camisa branca de faixa azul e o Santos de camisa listrada. Logo aos 6 minutos do primeiro tempo, Cláudio Adão, em início de carreira, abriu o placar: Santos 1 a 0. Parecia que a programação dos santistas iria se consumar, e com facilidade. E assim terminou a primeira etapa. E veio o segundo tempo do jogo que inscreveria para sempre o Olaria na história do Brasileirão. Aos 11 minutos, Jair Ganso empatava para o Olaria. E o Jair que fez o gol de empate sairia para dar lugar a outro Jair, o Jair Pereira. Então, aos 40 minutos, Jair Pereira faria o gol da consagradora vitória olariense. Depois de um cruzamento da esquerda, Jair Pereira acertou uma bicicleta no canto esquerdo do goleiro Cejas. Era o gol da vitória do Olaria, em plena Vila Belmiro.

    Até hoje os olarienses lembram dessa que talvez tenha sido a maior façanha do Olaria em jogos fora de casa. Ganhar do Santos, na Vila Belmiro, de virada e com golaço de bicicleta…

    Certa vez estivemos com Jair Pereira e falamos sobre o seu gol histórico. Naquele 21 de outubro de 1973 o gol foi exibido no quadro “Gols do Fantástico”. Até o Almanaque do Santos Futebol Clube, em sua página 181, faz referência ao golaço da vitória do Olaria e reconhece como justa a histórica vitória bariri. Essa nem os santistas esquecem!…

    Veja os gols dessa histórica partida, a repercussão na mídia e a ficha técnica do jogo:

    A matéria do Jornal do Brasil sobre a consagradora vitória olariense na Vila Belmiro.
    O Almanaque do Santos registra os detalhes da grande vitória do Olaria na Vila Belmiro.