Categoria: Blog Memórias da Bariri – Pedro Paulo Vital

  • 1962: O ESPANTALHO DA BARIRI

    “Espantalho da Bariri” foi a denominação que a mídia da época deu ao time do Olaria de 1962. Aliás, time não! Timaço! Esse apelido tinha uma razão muito simples: o time do Olaria, de fato, assustava seus adversários. Comandado por Davi Ferreira, o Duque, o “Espantalho da Bariri” contava com jogadores que, após saírem do Olaria, se consagrariam no Brasil e no mundo. O zagueiro Haroldo, apelidado de “Sombra”, no ano seguinte foi titular do Santos e conquistou, junto com Pelé, o mundial interclubes; o atacante Cané foi para o Nápoli, vindo a se tornar o primeiro negro a ser jogador e técnico na Itália; Murilo foi para o Flamengo, onde consolidou sua carreira e por muito tempo ficou na Gávea, mas ele mesmo chegou a afirmar que o melhor time que jogou foi o do Olaria de 1962; o meia Nélson foi também para o Flamengo e, depois para o Monterrey do México. Isso sem falar do grande artilheiro Jaburu, do goleiro Ernâni, que mesmo com um braço machucado garantiu uma vitória sobre o Vasco na Bariri, Navarro, Romeu, Casemiro, Waldemar, Valter…

    Só para citar alguns feitos do “Espantalho”: o Olaria venceu os dois jogos contra o Vasco (1 a 0 na Bariri e 3 a 1 em São Januário), empatou em 2 a 2 com o timaço do Botafogo com Garrincha, Nilton Santos, Amarildo, Zagallo, Manga… Outra vitória marcante do “Espantalho” foi o 3 a 1 sobre o América, no jogo que foi a última partida de Campos Salles.

    Com 13 participantes, o Olaria chegou naquele Campeonato Carioca na sexta colocação e, em 24 jogos, venceu 10, empatou 7 e perdeu 7. A grande campanha de 1962 levou o Olaria a ser convidado para participar do Torneio Rio-São Paulo de 1963 e, assim, a única participação do Olaria nessa competição, deve-se a essa grande equipe, que assustava os adversários dentro ou fora da Bariri.

    Tudo isso só no Campeonato Carioca. Porém, o “Espantalho da Bariri” também teve em 1962 uma vasta agenda internacional, com a excursão pela América do Norte, Central e do Sul, onde chegou a derrotar o León do México e o Alianza Lima do Peru.

    O “Espantalho da Bariri”, um time que jamais sairá da memória dos olarienses… E dos adversários também…

    Uma das formações do “Espantalho da Bariri”, no Maracanã.
    Atacante do “Espantalho da Bariri” em 1962, Cané foi para o Nápoli.
    Haroldo, o Sombra: da Bariri para sagrar-se campeão mundial de clubes com o Santos de Pelé em 1963.

  • 1944: A PEDRA FUNDAMENTAL

    Flagrante da colocação da pedra fundamental do estádio do Olaria, em 23 de abril de 1944, vendo-se o presidente Sylzed Sant’Anna colocando a pedra e, à esquerda, o padre Luiz Mariano. A foto foi originalmente publicada na revista do Olaria de março de 1948.

    O dia era 23 de abril de 1944. Naquela manhã de domingo, dia de São Jorge, quem esteve na Rua Bariri foi o então padre da Igreja de São Geraldo de Olaria, Luiz Mariano da Rocha. Mas o padre não veio rezar nenhuma missa no clube e sim abençoar uma edificação que simbolizaria o início de um sonho de todos os olarienses: naquele histórico 23 de abril, seria colocada a pedra fundamental do estádio do Olaria.

    Na época, presidia o Olaria o Dr. Sylzed José de Sant’Anna, que era muito querido no bairro. Ele tinha sido um dos fundadores do clube em 1915, juntamente com outros idealistas na histórica reunião da Rua Filomena Nunes. O Olaria viva tempos difíceis, pois desde 1937 havia sido, injustamente, alijado da primeira divisão.

    A solenidade de lançamento da pedra fundamental, como mostram os testemunhos da época, foi muito concorrida, com uma grande presença de diretores, cronistas esportivos, sócios e torcedores. E coube ao presidente Sylzed José de Sant’Anna a colocação da pedra, com a bênção do padre Luiz Mariano. Três anos mais tarde, a pedra transformava o sonho dos olarienses em realidade: em 1947 era inaugurado o Estádio Mourão Filho, com certeza um dos mais tradicionais e lendários da história do futebol carioca.

    Sylzed Sant’Anna: em 1944, quando era presidente do Olaria, ele colocou a pedra fundamental da construção do estádio da Rua Bariri.

  • 1989: VAMPIRO DÁ O SANGUE E ICA PEGA PÊNALTI

    Sururu na Bariri após a marcação do pênalti contra o Olaria. Jogadores olarienses partem para cima do árbitro Paulo Roberto Chaves, vendo-se à esquerda o meia Círio.

    Quando alguém tiver que fazer uma lista dos jogos inesquecíveis do velho alçapão da Bariri, um jogo não poderá deixar de fazer parte dessa lista: foi o inesquecível Olaria X Vasco do dia 5 de março de 1989. Naquela tarde de domingo, quase 10 mil pessoas pagaram ingresso e lotaram o estádio da Rua Bariri, em jogo válido pela Taça Guanabara. O Vasco era favoritíssimo: além de ser o bicampeão estadual, já havia formatado o time que, naquele mesmo ano, seria bicampeão brasileiro. No entanto, o que iria acontecer na Bariri naquele dia, nem o mais pessimista dos vascaínos e nem o mais otimista dos olarienses poderia imaginar.

    No final do primeiro tempo o zagueiro Jair, do Olaria, foi expulso. E, logo no início do segundo tempo, outro zagueiro do Olaria, desta vez Joel, também era expulso. O Olaria teve que jogar quase todo o segundo tempo com dois jogadores a menos. Então, Edson Vampiro, outro zagueiro do Olaria, entrou em ação para cumprir a dura missão: parar o ataque vascaíno, que tinha Roberto Dinamite e Sorato. Apesar do apelido, Edson Vampiro nada tinha de chupa-sangue e virou um paredão olariense. O empate para o Olaria, diante das cisrcunstâncias, teria um doce sabor de vitória. No entanto, fortes emoções ainda estavam reservadas tanto para olarienses como para vascaínos. Isso porque, ainda no início do segundo tempo, o árbitro Paulo Roberto Chaves marcou um pênalti a favor do Vasco. Os jogadores do Olaria, então, partiram para cima do árbitro e o bandeirinha teve que intervir. O tumulto foi formado. E o pênalti confirmado. Tudo levava a crer que todo o esforço da equipe olariense, com dois jogadores a menos, iria por água abaixo. O encarregado da cobrança foi Geovani. Geovani nunca tinha perdido um pênalti e isso era sempre repetido pela mídia da época. Mas naquele dia o alçapão entraria também para a história de Geovani. Geovani cobrou, o goleiro Ica voou e defendeu, no gol à direita da social. Delírio dos torcedores do Olaria. O jogo prosseguiu e o Olaria, heroicamente, segurou o empate até o apito final de Paulo Roberto Chaves.

    Enquanto os olarienses festejavam aquele empate com sabor de vitória, os vascaínos, incrédulos, começavam a ver fantasmas. Com aquele histórico 0 a 0 o Olaria ganhou, certamente, o ponto mais suado de sua história. Estávamos no final dos anos oitenta e, ainda assim, a mística do alçapão da Bariri era invocada pelos vascaínos que, inconformados, gritavam na saída do estádio: “alçapão filho da puta!”

    Edson Vampiro, o zagueiro que foi um dos heróis do Olaria, defende uma lata arremessada no gramado pela torcida do Vasco.
    A manchete do Jornal dos Sports no dia seguinte ao histórico jogo na Bariri.
    Ica, o goleiro do Olaria que, em 1989, defendeu o pênalti cobrado por Geovani.

  • O DIA QUE O GOLEIRO ADVERSÁRIO BEBEU XIXI

    O famoso Alçapão da Bariri, apesar de todas as mudanças ocorridas, que deu ao estádio um ar de glamour, não deixou de registrar episódios dignos dos velhos tempos.

    O dia era 28 de setembro de 2003 e o Olaria enfrentaria o Bangu, na Rua Bariri. O jogo era válido pelo Campeonato Brasileiro da série C. Naquele dia, o jogo começou com 36 minutos de atraso, pois a arbitragem ficou à espera do policiamento. Rolada a bola, o Olaria sairia vitorioso pelo placar de 1 a 0, gol do zagueiro Santiago cobrando pênalti, aos 26 minutos do segundo tempo. Mas o que entrou para a história do velho alçapão naquele dia não foi o atraso do jogo por falta de policiamento e nem a vitória do Olaria ou o gol do Santiago, pois um fato rocambolesco é que tomaria o lugar na história.

    O fato inusitado aconteceu no segundo tempo. A torcida do Olaria, como de costume, havia se concentrado atrás do gol à esquerda das sociais, onde estava o goleiro do Bangu. Então, os torcedores do Olaria resolveram pregar uma peça no goleiro adversário. Eles conseguiram que o gandula que estava atrás do gol subtraísse a garrafa de água do goleiro banguense. Então, jogaram toda água fora. Depois, encheram novamente a garrafa, mas de xixi, e devolveram o recipiente ao gandula, que recolocou-o em seu lugar original. Tudo sem que o goleiro percebesse. Como a garrafa não era transparente, o goleiro não pôde perceber que haviam trocado o líquido do recipiente. Em dado momento, o goleiro do Bangu foi beber um gole do que pensava ser água. Ato contínuo, virou-se para trás xingando a torcida do Olaria e arremessando a garrafa na arquibancada. Após o jogo, pouco se falava da vitória do Olaria. O assunto foi apenas o infortúnio que o goleiro banguense sofreu no alçapão, em um episódio que para sempre será lembrado.

    PS: Por uma questão de preservação, não iremos divulgar os nomes do goleiro, do gandula e nem do torcedor que urinou na garrafa.

  • BERENÍCIO, O HOMEM ELÉTRICO

    Berenício Araújo Pinheiro, funcionário que foi o “homem elétrico” da Bariri e por quase 60 anos se dedicou ao Olaria.

    Hoje, no Memórias da Bariri, lembramos com saudades de um dos funcionários que mais se dedicou ao Olaria. Seu nome: Berenício Araújo Pinheiro. Nascido em 1934, Berenício era filho de pais que também eram funcionários do clube, ou seja, a dedicação ao Olaria era familiar. Berenício, por décadas, foi o responsável por cuidar de toda parte elétrica do clube. Com seu jeito calmo, sua fala mansa e sem ter pressa de terminar o serviço, Berenício, além de eficiente, era muito querido por todos, tanto associados como diretores. Apesar de toda sua tranquilidade, se tornou o mais conhecido “homem elétrico” do Olaria.

    Berenício era filho do “velho Petronilho”, de quem os mais antigos olarienses se recordam. Seu pai cuidava do campo de futebol e das quadras de tênis, que funcionavam onde hoje é o parque aquático. Já a sua mãe, dona Maria Sodré, cuidava da limpeza dos uniformes dos atletas. Em 1946, com apenas 12 anos de idade, Berenício já iniciava sua carreira no Olaria, como aprendiz dos mistérios da eletricidade. Já nessa época, era ele que cuidava do som quando aconteciam festas na chamada “sede velha” (a “sede velha” era um pequeno prédio administrativo que ficava próximo ao local onde hoje fica a ambulância em dias de jogos).

    Foram quase 60 anos de amor, dedicação e trabalho pelo Olaria. Berenício, o “homem elétrico”, é um dos maiores exemplos de que os funcionários também fazem o Olaria ser eterno.

  • 1952: CONTRA O FLAMENGO, O “JOGO DAS GARRAFADAS”

    O árbitro Tudor Thomaz e os capitães Lima, do Olaria, e Esquerdinha, do Flamengo, no histórico “jogo das garrafadas” em 1952 na Rua Bariri.

    Se em 1831, na história do Brasil, aconteceu a “Noite das Garrafadas”, quando a pancadaria comeu entre brasileiros e portugueses, na Rua Bariri aconteceu em 1952 o histórico “Jogo das Garrafadas”, entre Olaria e Flamengo. O dia era 16 de novembro de 1952 e o velho Alçapão estava totalmente lotado. As crônicas esportivas da época atestam que foi um jogo extremamente tenso, tanto entre os jogadores como entre as duas torcidas. O jogo, apitado pelo árbitro inglês Tudor Thomaz, terminou empatado em 0 a 0. Mas se em campo não teve gols, sobraram garrafas. O jornalista Luiz Mendes, que esteve no jogo para fazer a cobertura, escreveu:

    “O encontro foi mais uma batalha do que propriamente um cotejo esportivo. Foi uma guerra esse jogo, como se estivéssemos assistindo a uma ação conjunta da infantaria e da aviação. As bombas aéreas eram as garrafas que volta e meia caíam sobre a cancha, vindas do alto das arquibancadas.

    Em dado momento da partida, os jogadores do Olaria tiveram que vasculhar o gramado à procura de cacos de vidro das garrafas que foram arremessadas das arquibancadas. O Flamengo, que tinha um excelente time e brigava pelo título, não conseguiu furar o bloqueio da equipe bariri e as garrafas arremessadas ao campo entrariam para sempre na história do lendário estádio da Bariri.

    No “jogo das garrafadas”, jogadores do Olaria procuram cacos de vidro no gramado do Alçapão da Bariri.
    Na Rua Bariri, o time do Olaria que parou o rolo compressor do Flamengo no “jogo das garrafadas”:. Em pé, da esquerda para a direita: Jorge, Osvaldo, Celso, Olavo, Moacir e Ananias. Agachados, na mesma ordem: Lupércio, Wahington, Maxwell, Lima e Cidinho.

  • QUEM FOI MOURÃO FILHO

    Entrada principal do Estádio Mourão Filho, na Rua Bariri.

    “Alçapão da Bariri”, “Estádio da Rua Bariri” ou simplesmente “Rua Bariri” são as denominações populares para o estádio do Olaria. Em tempos mais remotos, “Cemitério dos Grandes”, “Taba Bariri” e também “Ratoeira dos Grandes” eram outras alcunhas para o histórico estádio. Porém, como qualquer estádio, o do Olaria também tem um nome oficial: Antônio Mourão Vieira Filho, ou, simplesmente, Mourão Filho. Mas afinal, quem foi Mourão Filho?

    Antônio Mourão Vieira Filho foi um dos muitos portugueses de destaque na história do Olaria. Nascido em 7 de setembro de 1911, teve uma trajetória destacada em vários setores da vida leopoldinense: ele foi médico, educador e político, sempre defendendo os interesses da comunidade da Leopoldina. Fundou um dos colégios mais tradicionais da região (o Colégio Cardeal Leme) e teve uma grande trajetória política em nossa cidade, quando esta ainda era o Distrito Federal. Elegeu-se vereador em 1951, sendo reeleito em 1955 e 1959. Faleceu em 11 de julho de 1972.

    Como vereador, sempre colocou o seu mandato a serviço do Olaria e, graças à sua intercessão junto aos poderes públicos, o terreno onde hoje se localiza o estádio do Olaria foi regularizado, uma das razões pelas quais os olarienses lhes serão eternamente gratos.

    A revista do Olaria de agosto-setembro de 1958 informa que o clube realizou um grande baile em homenagem aos 47 anos de Mourão Filho.

    No dia 2 de janeiro de 1960, um retrato de Mourão Filho foi inaugurado em local de destaque na sede da Rua Bariri e, pouco tempo depois, ele se tornava benemérito do clube. Ocupou ainda o cargo de vice-presidente do Conselho Deliberativo. A biografia de Mourão Filho é marcada pelas benfeitorias que ele realizou não apenas para o Olaria, mas para toda a Leopoldina. Assim, o velho Alçapão tem um nome oficial que muito orgulha os olarienses.

    Mourão Filho: vereador, educador, médico. Ele deu grande contribuição ao Olaria, especialmente na obtenção da legalização do terreno onde está o estádio da Rua Bariri. Seu nome é o nome oficial do Alçapão da Bariri.

  • OLARIA DE TERRA E MAR

    O porto de Maria Angu em 1928, época em que o Olaria Atlético Clube ali promovia e praticava regatas.

    Em 1920 o Olaria adotou o atual escudo e as insígnias náuticas nele presentes, como o remo e a âncora, explicitavam a nova realidade do clube: sim, o Olaria passaria a praticar regatas, numa época em que o remo ainda era um esporte de elite. Naquele ano, tinha início a gestão do presidente Sílvio e Silva e ele não apenas implantou a nova modalidade como também idealizou o escudo atual, para que o mesmo ostentasse a nova realidade esportiva do Olaria.

    Se na Zona Sul o remo era praticado na Enseada de Botafogo e, depois, na Lagoa Rodrigo de Freitas, as “águas de Olaria” eram outras: ficavam na Praia de Maria Angu, que se estendia da Penha até Ramos e onde também havia um porto. A iniciativa de implantar o remo no Olaria foi tão surpreendente que, tão logo foi anunciado o novo esporte, a Gazeta Suburbana estampava: “Ora essa! O Olaria promovendo regatas no Porto de Maria Angu!” Foi exatamente em maio de 1920 que o Olaria inaugurou seu Departamento Náutico e promoveu no porto de Maria Angu seu primeiro evento de regatas e outros esportes aquáticos. A partir de então, o Olaria se tornava um clube de terra e mar. Ali no Porto de Maria Angu o Olaria instalou a sua primeira sede náutica. Ali também o clube criou um grupo de escoteiros do mar. Até 1930 o Olaria promoveu vários eventos náuticos na saudosa praia de Maria Angu.

    Com a construção da Avenida Brasil, na década de 1940, a praia de Maria Angu foi aterrada e desapareceu. Porém, até hoje aquela praia é lembrada com saudades, em uma época em que o Olaria jogava futebol e remava nas águas de Olaria.

    Grupo de escoteiros do mar do Olaria em 1930. Foto: Jornal Diário da Noite.

    Sílvio e Silva, o presidente que, em 1920, implantou o remo no Olaria e idealizou o atual escudo do clube.

  • OLARIA NOS TEMPOS DO IMPERIAL

    No gramado da Bariri, o vice de futebol Carlos Imperial, o presidente Edmundo Cigarro e o diretor Carlos Alberto Galvão, o Catuca, no amistoso da entrega das faixas de campeão do Torneio Incentivo Ary Magalhães. O amistoso, realizado no dia 5 de junho de 1980, foi contra o Vasco e terminou empatado em 0 a 0.

    Carlos Eduardo da Corte Imperal ou, simplesmente, Carlos Imperial. O ano era 1980 e o Olaria era presidido por Edmundo Cigarro. O presidente Edmundo havia convidado Carlos Imperial para assumir a vice-presidência de futebol do Olaria. Assim, o ator, compositor e apresentador de TV Carlos Imperial também passaria a ser o comandante do futebol olariense. Em princípio, os olarienses ficaram céticos e a dúvida era até justificável. O cara era brigão, polêmico e eram conhecidas as confusões que arrumava por onde passava. Porém, não restavam dúvidas de que ele traria mídia para o Olaria, numa época em que não existiam redes sociais.

    E o ano de 1980 já lançava um grande desafio para o novo vice de futebol: o Olaria teria que disputar um torneio de acesso para garantir vaga na primeira divisão. E a primeira providência do Imperial foi ligar para a 37ª Delegacia Policial, na Ilha do Governador. Não era para registrar qualquer ocorrência e sim para convidar o então delegado Antônio Lopes para ser o técnico do Olaria. Lopes aceitou o convite e começava ali, na rua Bariri, sua vitoriosa carreira de técnico. Imperial também trouxe reforços importantes, como o zagueiro Salvador e o atacante Henry. O Olaria foi campeão com sobras e voltou para a primeira divisão.

    Imperial ainda teria, como vice-presidente, outro desafio: o Torneio Incentivo Ary Magalhães, que o Olaria acabou conquistando ao golear o Volta Redonda por 5 a 1, em um jogo inesquecível na Rua Bariri. Com Imperial, começava a ser montada a base da equipe que, no ano seguinte, conquistaria a Taça de Bronze. No fim, o ceticismo inicial deu lugar à certeza de que Carlos Imperial levou o Olaria a grrandes conquistas no ano de 1980.

    Após sair da vice-presidência de futebol do Olaria, Imperial elegeu-se vereador pelo PDT em 1982 e, antes de falecer, em 1992, deixaria eternizado um dos maiores bordões do Carnaval Carioca: “dez, nota dez!” era o seu brado quando, na função de anunciador das notas dos desfiles das escolas de samba, um jurado atribuía a nota máxima.

    Assim, a passagem de Carlos Imperial pelo Olaria, embora muito curta, deixou ótimas recordações na Rua Bariri. Isso sem contar as histórias que ficaram para além do futebol quando, por exemplo, em uma excursão do time ao interior de Minas, ele resolveu levar as suas famosas “lebres” e aí ninguém quis mais saber de ver o jogo. Mas isso já é outra história…

    No gramado da Bariri, a equipe campeã do Torneio Incentivo Ary Magalhães, em 5 de junho de 1980, no amistoso de entrega das faixas contra o Vasco vendo-se, além dos atletas e comissão técnica, Carlos Imperial, o vice-presidente PIntinho, o técnico Antônio Lopes, o presidente Edmundo Cigarro, o patrono Álvaro da Costa Mello e o benemérito Álvaro Augusto de Carvalho.

    Carlos Imperial, no gramado da Rua Bariri, quando era vice-presidente de futebol do Olaria.
    Carlos Imperial, entre o presidente Edmundo e o técnico Antônio Lopes.
    Carlos Imperial com a camisa do Olaria, durante uma entrevista em janeiro de 1980. Foto: Jornal dos Sports.

  • OLARIA DE LUTO: FALECEU CHICÃO DO MEGAFONE

    Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone, torcedor-símbolo do Olaria.

    Hoje, 18 de agosto de 2025, a torcida do Olaria ficou muito, muito menor. Foi com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Francisco de Almeida Rodrigues, o Chicão do Megafone. Torcedor-símbolo do Olaria, ele ficou marcado não apenas pelo seu equipamento acústico, que o acompanhava em todos os jogos, mas também pelos seus bordões. Foi ele que criou o canto que hoje a torcida do Olaria entoa nas arquibancadas: “Olê, olê, olê, olá, Olaria!” Sempre com a camisa e a bandeira do Olaria, lá estava o Chicão em qualquer jogo, fosse dos profissionais ou das categorias de base. “Vamos lá que o Olaria é raça!”, “Cada um com seu cada qual!”, “Olaria! Olaria! Olaria!”, “Zerou, zerou!”, eram algumas das palavras de ordem do Chicão nas arquibancadas. E, para protestar contra alguma marcação da arbitragem, o som que saía do megafone era: “O que é isso juizão?”

    Nos final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Chicão se tornou o torcedor mais famoso do Olaria, sendo citado em jornais e comentários nas rádios. Chegou até a ser entrevistado em um programa esportivo da TV. Chicão, como todo torcedor, viveu alegrias e tristezas com o Olaria. Ficou na memória um jogo em 1998 contra o Madureira quando, triste com a derrota do Olaria, Chicão resolveu voltar a pé de Conselheiro Galvão até a Bariri, de camisa, megafone e bandeira em punho.

    Chicão era a personificação do que se pode chamar de verdadeira paixão por um clube. E, para nossa sorte, ele era apaixonado pelo Olaria. Muito obrigado, Chicão! O megafone agora está no céu, mas sua voz, para sempre, será lembrada por todos os olarienses quando, durante os jogos, a torcida gritar: “Olê, olê, olê, olá, Olaria!”

    Abaixo, relembramos um dos momentos de grande alegria do Chicão, em 1997, quando o Olaria conquistou o Torneio Álvaro Bragança, na categoria sub-20, na Rua Bariri.

    1997: Chicão, sem largar o megafone e a bandeira do Olaria, no gramado da Bariri, comemora, abraçado ao atleta Eduardo, a conquista do Torneio Álvaro Bragança.